quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O TERNO x O BALANDRAU

Em 29/10/2017 o Respeitável Irmão Fredison Martins, Loja Acácia Paulistanense, 3.221, REAA, GOB-PI, Oriente de Paulistana, Estado do Piauí, solicita a seguinte informação:

USO DE BALANDRAU


Gostaria de receber orientações a respeito do uso do Balandrau nas sessões ordinária do R.E.A.A.
Procurando respostas na internet, vi que o assunto não é novo, só que na nossa Loj
a apareceu agora, quanto foi proibido o uso de balandrau nas sessões ordinárias, encontrei um artigo seu de 24/11/2012, que já tratava do assunto, queria saber se continua com a mesma opinião ou ouve alguma mudança.
Queria algum subsidio para apresentar na sessão, como uma posição oficial do GOB, se é proibido ou é uma questão apenas de imposição.
Fiz uma consulta no GOB (atendimento digital) que não sei se é o local correto e obtive a seguinte resposta:
“Prezado Sr. Fredison, Boa tarde. Informamos que o processo de n° 730387 foi respondido em 19/09/2017 as 11:06 e encaminhado para o e-mail fredisonmartins@uol.com.br, conforme informado na solicitação. Segue novamente a resposta do processo de n° 730387: Para maiores informações da sua solicitação, orientamos entrar em contato com o Grande Oriente estadual. Atenciosamente, Desde já agradecemos o contato com a Central de Atendimento Digital”.
Quanto à orientação do Grande Oriente Estadual aqui do Piauí é que é proibido, mais não sei até que ponto eles podem estar corretos.

CONSIDERAÇÕES.

Pura interpretação equivocada e sustentada por uma descrição contraditória do Ritual do REAA\ em vigência no GOB e que diz respeito aos termos “sessão ordinária” e “nas demais sessões”.
O ritual é simplesmente mal redigido e isso tem sido a causa dessas confusões que envolvem procedimentos que pouco, ou quase nada alteram a essência da arte maçônica.
Devo mencionar que quando fui Secretário Geral do Rito no Poder Central, dentre tantas, apontei essas redações contraditórias, mas lamentavelmente nunca me fora dado ouvido.
Mesmo sem o aperfeiçoamento e a correção dos escritos (Ritual e RGF), antes de tudo é descabido alguém imaginar que a ausência de um terno como vestimenta possa diminuir o valor humano de um praticante da Ordem.
Aqui no Brasil culturalmente é comum nas sessões ordinárias (econômicas) do REAA\ o uso do balandrau negro e talar nos trabalhos simbólicos da Loja.
Eu mesmo já escrevi bastante sobre o uso do balandrau nos ritos que o admitem e continuo com a mesma opinião (vide algumas publicações no Blog do Pedro Juk em Perguntas e Respostas – http://pedro-juk.blogspot.com.br).
É só ter um pouco de boa vontade e veremos que no Brasil o terno preto ou escuro é o originário do traje de missa comumente usado no passado.
Fica difícil de compreender essa “neura” que alguns têm com o terno preto como fosse ele o principal traje maçônico, esquecendo que a verdadeira vestimenta do maçom é o Avental. Ora, encontramos pelo mundo nas regiões de temperatura alta maçons em manga de camisa trabalhando nas Lojas. É o caso de algumas Grandes Lojas Norte-Americanas.
Como ausência da obrigatoriedade do uso do terno nas sessões maçônicas, também poderíamos citar a Escócia onde muitos Irmãos trabalham vestidos com os seus kilts, assim como nos países árabes onde os Irmãos trabalham trajados com albornozes.
Já os ingleses por sua vez, por uma questão cultural, mas não de liturgia maçônica, comumente adotam a formalidade do terno em todas as suas sessões em Loja.
Como se pode notar, o terno negro ou escuro é um traje usado por maçons e “não maçons”. Em Maçonaria, embora alguns ritos ou rituais possuam essa característica (Rito Schröder e Craft Inglês, por exemplo), ele não é veste universal e nem é parte condicional de doutrina e filosofia da Sublime Instituição.
A despeito de tudo isso, o balandrau, que também não é veste universal maçônica, como traje, tem a sua história. Registra-se o seu uso desde a primeira associação de construtores organizados (Collegia Fabrorum) até os canteiros medievais das Associações Monásticas e das Confrarias Leigas (precursores da Francomaçonaria).
Assim o conhecido balandrau supre perfeitamente o modo de se vestir do maçom brasileiro em uma sessão maçônica comum - aquela que não é magna.
Lendo a sua questão, outra coisa que me chamou atenção foi, para variar, o trato com que algumas autoridades maçônicas dão às dúvidas que aparecem entre os Irmãos – um verdadeiro “empurra”, fato que eu prefiro nem comentar.
Retomando o curso, como mencionei, eu penso que no caso da obrigatoriedade do uso do terno escuro e a exclusão do balandrau, tirando algumas teimosias, o assunto nada mais é do que interpretação equivocada nascida de textos confusos e contraditórios que contribuem com fatos irrelevantes que nada somam em favor liturgia maçônica.
De qualquer modo, o que se tornou tradição na Maçonaria Brasileira é o uso do terno preto ou escuro para as sessões magnas, enquanto que nas demais, se o Rito permitir, admite-se o uso do balandrau negro e talar sem que nele existam quaisquer gravuras e inscrições.
Assim, os nossos legisladores deveriam se preocupar com a correção de textos como os aqui mencionados e relativos a um mesmo assunto, mas que se tornam contraditórios se observados no Ritual e no Regulamento Geral da Federação – é o caso das “sessões magnas” e as “demais sessões”.
Por fim, espero que a Obediência Estadual mencionada na sua questão, por quem eu tenho o maior apreço, possa, de acordo com as nossas tradições, usos e costumes, rever essa decisão unilateral e sem sustentação doutrinária.


T.F.A.

PEDRO JUK



JAN/2018

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

OCUPAÇÃO DAS CADEIRAS DE HONRA E VISITANTE COM DIREITO A VOTO

Em 26/10/2017 o Respeitável Irmão Leonilson Rosa Miranda, Loja Vale do Ivaí. 53, REAA, GLP, Oriente de Paranavaí, Estado do Paraná, solicita o seguinte esclarecimento:

OCUPAÇÃO DE LUGAR E DIREITO DE VOTAR


Pode um Irmão visitante delegado de outro distrito ocupar a cadeira reservad
a à GLP\, GOP\, GOB\ na Loja visitada?
Ele pode fazer parte do escrutínio e votar em outra Loja da mesma Potência?

CONSIDERAÇÕES.

a)    Ocupação da cadeira. Penso que a pergunta fica prejudicada porque eu não conheço a legislação da Grande Loja do Paraná no tocante a ocupação dessas cadeiras. Aliás, essas cadeiras reservadas a Obediências coirmãs pelo menos para mim é novidade, mas não vou entrar no mérito dessa questão.
Quando a ocupação delas por um delegado de outra região, eu entendo que se elas são “reservadas” para representantes de outras Obediências, então o delegado visitante não pode ocupa-las.
Só a título de esclarecimento no que diz respeito à “novidade”, no GOB existem apenas duas cadeiras de honra e que se posicionam à direita e à esquerda do trono, cujas respectivas ocupações são orientadas pelo Decreto 1469/2016 do Grão-Mestre Geral. Só ocupam essas cadeiras Irmãos pertencentes ao GOB.
b)    Escrutínio. Também é uma questão de legislação. Algumas Obediências aceitam desde que o visitante seja da mesma Obediência, enquanto que outras não. É por exemplo o caso do GOB onde no escrutínio secreto participam apenas os Irmãos do quadro da Loja e que estejam aptos para exercer o direito de votar. Em outras votações às vezes é possível à participação de visitantes de outras Lojas, desde que elas pertençam ao Grande Oriente do Brasil.
Em qualquer um dos casos acima, sugere-se consulta nos regulamentos vigentes da Obediência. O conhecimento dessa matéria é inquestionavelmente do ofício do Orador da Loja no REAA\.


T.F.A.

PEDRO JUK


JAN/2018

domingo, 14 de janeiro de 2018

SESSÃO TUMULTUADA

Em 25/10/2017 o Respeitável Irmão Benone Rodrigues de Farias, Loja Tiradentes, 2.530, REAA, GOB-SE, Oriente de Aracaju, Estado de Sergipe, apresenta a seguinte questão:

SESSÃO TUMULTUADA


Solicito orientação do seguinte fato:
Um determinado Irmão Mestre Maçom, filiado a uma Loja do REAA, durante uma sessão, após apresentação de um Tempo de Estudos apresentado por outro Irmão Mestre Instalado, sobre o tema “TÍTULO XII - DOS VISITANTES, DO PROTOCOLO DE RECEPÇÃO E DO TRATAMENTO” do RGF, presentes Aprendizes e visitantes, se rebelou, dizendo que tais tratamentos contidos na instrução não passam de “puras vaidades” – tentando tumultuar a sessão, e, quando cortada sua palavra pelo Venerável Mestre, bradou em alta voz que o mesmo não teria autoridade para tal, haja vista, que o REAA não lhe dá esse direito – a sessão foi encerrada no mesmo momento com um só golpe de malhete.
Dúvida: Como proceder disciplinarmente e/ou excluí-lo do quadro da Loja, visto ser ele reincidente em querer tumultuar sessões e ser filiado?

CONSIDERAÇÕES.

Infelizmente alguns ex-Veneráveis ainda não aprenderam que eles são portadores apenas de um título distintivo que os torna Mestres Maçons Instalados, apenas isso. Não há o porquê da parte de alguns deles “acharem” que podem tudo em nome de uma distinção honorífica. A propósito, pela milésima vez eu digo: Mestre Instalado não é Grau.
No que diz respeito ao acontecimento na instrução causado pelo Mestre Maçom Instalado mencionado, ele apenas comprova o total despreparo desse Irmão, sobretudo quando dá na frente dos Irmãos em Loja um péssimo exemplo de como afrontar a Lei.
Ora, se o cerimonial de recepção está previsto como vigente no RGF, mesmo que seja motivo de discordância para alguns, primeiro há de se cumprir irrestritamente o que prevê o Diploma Legal.
Havendo alguém descontente com a situação, esse alguém antes de se arvorar inoportunamente, deve apresentar sua súplica aos poder competente através de proposta discutida e votada na sua Loja visando à possibilidade de alteração do dispositivo legal, mas nunca afrontar sobre qualquer hipótese a Lei.
Particularmente quem me conhece sabe que eu mesmo já mencionei algumas vezes nos meus escritos a minha opinião contrária a essas formalidades ritualísticas, mas nunca o fiz durante uma sessão maçônica com o propósito de tumultuar os trabalhos.
Também acho que a pura Maçonaria não vive dessas recepções; desnecessárias. Sob a minha óptica alguns procedimentos não deveriam existir numa Instituição que ensina a virtude da humildade. Entretanto, mesmo de opinião contrária, não me atrevo a sugerir desrespeito à Lei. Defendo sempre que o que está legalmente previsto - se certo ou errado - deve ser irremediavelmente cumprido.
É regra para qualquer maçom se sujeitar à Lei e não descumpri-la ou contestá-la em momentos inapropriados.
De fato foi lamentável e inconveniente a manifestação desse Mestre Maçom Instalado na Loja criticando e sugerindo desrespeito às regras vigentes. No fundo, esse protagonista nada mais fez do que comprovar o seu despreparo.
Quanto à cassação da palavra e o encerramento dos trabalhos devido ao tumulto gerado, o Venerável Mestre agiu corretamente. Aliás, essa situação mais uma vez comprova a falta de preparo do contestador Mestre Maçom Instalado. A atitude do Venerável nada tem a ver com o Rito, mas sim com que prevê o RGF no seu Artº. 116, Incisos XIII e XV.
Se bem observado o dispositivo legal, é sim de competência de o Venerável Mestre encerrar os trabalhos sem as formalidades do Ritual quando não for possível manter a ordem, bem como exercer a autoridade disciplinar a todos os maçons presentes na sessão.
Assim, pelo descrito na sua questão, o causador de tumulto está claramente afrontando o Regulamento Geral da Federação, além de ter sido deselegante e grosseiro. Ao que parece, como ele é reincidente, suas atitudes são passíveis de punição sim, mas para tanto existe o Orador da Loja que é o Guarda da Lei, cabendo a ele as providências legais. Na dúvida, sugiro consultar o Ministério Público Maçônico. Qualquer decisão da Loja deve ser fundamentada dando à parte acusada o seu amplo direito de defesa.


T.F.A.

PEDRO JUK


JAN/2018

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O CORDEL - UTENSÍLIO DO MESTRE - ORIGENS

Em 24/10/2017 o Respeitável Irmão Francisco Luas, Loja Harmonia, 106, GLESP, REAA, Oriente de Registro, Estado de São Paulo, apresenta o que segue:

CORDEL


Diz o nosso Ritual: "Os utensílios do M\ M\ são o Cord\; o Láp\ e o C\. O Cord\ serve para marcar todos os ângulos do edifício, fazendo-os iguais e retos para que os alicerces possam suportar a estrutura..."
Sempre fiquei a pensar: como marcar ângulos retos com um Cord\?
Bom, os antigos egípcios já delimitavam suas quadras de cultivo com linhas em ângulos retos.
Basta pegar uma corda ou linha delimitada em 12 partes iguais, delimitadas por 13 nós, incluindo as extremidades, fechar as pontas e teremos um triângulo retângulo.
Foi esta explicação que dei aos novos Mestres Maçons.
Gostaria de saber sua opinião.

APONTAMENTOS.

De modo prático os maçons operativos já usavam via Cordel a 47ª Proposição de Euclides ou o Teorema de Pitágoras para determinar os ângulos retos dos cantos das construções.
Cabe mencionar que essa prática é ainda hoje literalmente usada pelos operários da construção civil na marcação dos alicerces das edificações.
Na realidade na época da Maçonaria de Ofício, ao invés de uma linha de nylon como é ainda hoje utilizada, usava-se um cordel aferido com nós equidistantes para se iniciar a marcação da obra. A mesma partia de uma pedra angular (0=PP), cuja qual, no hemisfério Norte, era costumeiramente cravada pelo lado nordeste do canteiro.
A partir da pedra angular (cubo piramidal) em direção ao Meio-Dia (lugar mais iluminado), marcava-se uma distância igual a três nós equidistantes do cordel utilizando-se de uma estaca auxiliar aprumada para marcação. Em seguida, da mesma pedra angular, marcava-se do mesmo modo uma distância relativa a quatro nós equidistantes do cordel, mas agora em direção ao Ocidente (no sentido da marcha diária aparente do Sol).
Marcados os dois pontos com as estacas aprumadas ajustava-se a distância entre elas até que o comprimento correspondente se igualasse a cinco nós equidistantes. Assim, com as extremidades ajustadas na distância de cinco nós, obtinha-se com o cordel o ângulo de 90º na pedra angular (origem dos pés em esquadria).
Essa prática nada mais era do que a aplicação do Teorema de Pitágoras onde os catetos do triângulo retângulo mediam pelos nós equidistantes distâncias iguais a “três e quatro” e a sua hipotenusa igual a “cinco”.
Em síntese, na época dos canteiros medievais o cordel era dividido em doze segmentos iguais agrupados no triângulo retângulo em três para o cateto menor, quatro para o cateto maior e cinco para a hipotenusa. Para a divisão em doze segmentos se utilizam treze nós, considerando-se um nó em cada extremidade do cordel.
Matematicamente se explica que em um triângulo retângulo o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos (a² + b² = c²). No caso do cordel: 3² + 4² = 25. Daí, a raiz quadrada de 25 é igual a 5. Por conseguinte, num triângulo retângulo, um dos seus ângulos internos será sempre igual a noventa graus.
Os nós mencionados na divisão do cordel, nada mais eram do que um meio para marcar distâncias iguais tal como um rudimentar sistema de medida.
Em relação ao Cordel e a Maçonaria Especulativa, dadas às tradições operativas, a Moderna Maçonaria adotou o Teorema de Pitágoras com símbolo de perfeição e verdade universal. Relacionado diretamente à esquadria, o Cordel tem o sentido de formatar o triângulo retângulo e, por extensão, o Esquadro (retidão). Especulativamente é com eles que se constroem os passos e as marchas na liturgia maçônica.
Do mesmo modo, o Cordel e a Pedra Angular também determinam no Craft o lugar dos Aprendizes nas Lojas inglesas (canto nordeste). Era na Pedra Angular que os Aprendizes do Ofício partiam para a sua jornada diária de trabalho (especulativamente, a senda iniciática). Alguns ritos maçônicos posicionam os Aprendizes no topo da Coluna do Norte, como é o caso do REAA\, mas nessa liturgia não se menciona a Pedra Angular como se faz na inglesa.
A 47ª Proposição de Euclides também aparece como representação na joia do Past Master na Maçonaria inglesa.
Assim, o Cordel acabou se tornando um dos utensílios do Mestre Maçom especulativo conforme apregoam alguns ritos maçônicos. Historicamente ele foi, e ainda é, um apetrecho utilizado nas construções dos cantos nas edificações perfeitas e duráveis. Especulativamente o Cordel é tido como um elemento que constrói o ângulo reto e determina a esquadria. Diretamente relacionado ao Esquadro ele é um dos componentes da virtude, da retidão e da equidade. O Cordel mede, o Lápis marca e o Compasso transfere a justa medida que foi determinada pelo ângulo reto.

P.S. – Em alguns sistemas maçônicos especulativos o Cordel é conhecido como Trena.

T.F.A.

PEDRO JUK


JAN/2018


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

DIÁCONO, VENERÁVEL E O LUGAR DA TRANSMISSÃO DA PALAVRA

Em 20/10/2017 o Respeitável Irmão Pertônio Cardoso Júnior, Loja Tiradentes, 1.204, REAA, GOB-MG, Oriente de Campo Belo, Estado de Minas Gerais, solicita esclarecimentos sobre o que segue:

DIÁCONO, VENERÁVEL E A TRANSMISSÃO DA PALAVRA.


Existe alguma citação fidedigna, preconizando que o 1º Diácono deve receber a Palavra Sagrada, acessando o Trono pelo centro (curvando-se para junto do Venerável Mestre e este debruçando sobre a mesa para transmiti-la), ao contrário do que instrui os Rituais Simbólicos (dos três graus), que afirma ser o acesso do Oficial, pela esquerda (nordeste) por aonde, corretamente se chega ao patamar do Trono?
Antecipadamente agradeço.

CONSIDERAÇÕES.

Esse é mais um dos absurdos que ocorre com a ritualística do REAA\.
É impressionante a capacidade que alguns Irmãos têm para inventar e complicar procedimentos.
Com certeza não existe nenhuma citação fidedigna para esse absurdo.
No REAA\ o Primeiro Diácono para receber a Palavra simplesmente sobe ao sólio diretamente do seu lugar e aborda o Venerável Mestre pelo seu ombro direito. A chegada do Diácono o Venerável volta-se para ele e ambos ficam de frente um para o outro para que seja transmitida a Palavra na forma de costume.
Sem nenhuma complicação, esse é o procedimento correto. Agora essa do Diácono ficar de frente para o trono é pura invenção ou má interpretação. Não há como complicar. Imagine que sobre o Altar na sua porção mediana fica o candelabro de três braços e entre os protagonistas ainda o próprio Altar. Não há o porquê dessa ideia absurda e desconfortável. Seria no mínimo uma cena hilária ver o Venerável sussurrando a Palavra no ouvido do Diácono e tendo entre eles a mesa que seve de Altar e ainda um candelabro que pode conter velas acesas (se ainda não forem lâmpadas elétricas).
Ratifico: corretamente o Diácono simplesmente sobe os degraus pelo lado norte do Altar (nordeste) e ali permanece. O Venerável é que para ele se vira para os procedimentos de costume. É isso meu Irmão, o resto é invencionice, para não se dizer outra coisa.


T.F.A.

PEDRO JUK




JAN/2018

QUESTÕES SOBRE MAÇONARIA - RITUAIS, ESPADA, ORIGENS...

Em 17/10/2017 o Respeitável Irmão Juvenal Cordeiro Barbosa, Loja Novo Tempo, 19, REAA, Grande Oriente de Mato Grosso do Sul (COMAB), Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, apresenta as questões abaixo:

QUESTÕES SOBRE MAÇONARIA – RITUAIS, ESPADA, ORIGENS, ETC.


1.     Os rituais na maçonaria têm por função criar, manter e reavivar estados mentais nos indivíduos, a fim de manter a coesão social?
2.     A ciência oculta foi um dos vetores que deu impulso a criação da maçonaria?
3.     Ouvi "certa feita” que a cadeia de união não é formada por todos os membros da Loja, mas por somente doze maçons e não é formada em circulo, mas um triângulo equilátero, com vértice para o oriente, tem sentido essa informação?
4.     O uso da espada na maçonaria foi herdade de quem?
5.     Fala-se, comenta-se que a Maçonaria nasceu sem ter um autor, pois ela vive por vida própria e existirá enquanto houver homens livres e justos. Procede?
  
CONSIDERAÇÕES

1 - Rituais - autenticamente ritos e rituais foram criados já na Moderna Maçonaria (século XVIII) no sentido de ordenar os trabalhos maçônicos conforme o rito. Disciplinando os trabalhos, por extensão, a ritualística também disciplina o homem. Na realidade a liturgia associa o trabalho operativo das construções do passado ao trabalho especulativo que visa melhorar (aperfeiçoar) o homem. Ao contrário da Maçonaria de Ofício que tinha como matéria prima a pedra calcária, a especulativa substitui simbolicamente a pedra pelo ser humano - consertai o homem e melhorarás o mundo.Reavivar estados mentais me parece não se coadunar muito com o propósito racional da Maçonaria. Quanto à coesão social ela é mais dada ao quadro da Loja na busca do aprimoramento e a construção do ambiente social onde a Loja se situa (no respectivo Oriente).
2 - Ciência oculta - jamais, embora alguns teimem em trazer suas convicções de credo para dentro da Ordem, a verdadeira Maçonaria não atua nessa área. Ocultismo não é de forma alguma matéria maçônica. Como maçons nós devemos respeitar as convicções de cada um, entretanto nada autoriza que essas convicções se constituam em proselitismos dentro nos nossos Templos. Os artefatos e artifícios maçônicos não foram criados para servir às crenças, tanto coletivas como individuais.
3 - Cadeia de União - pura bobagem, esse número de integrantes e demais citações é pura especulação. Existem ritos que tem as suas particularidades, outros que nem adotam a Cadeia de União. No REAA\ a mesma só é formada para a transmissão da Palavra Semestral. Nela, em se tratando do escocesismo, não há orações, preces, pedidos de ajuda e outras coisas do gênero. Existem ritos que receberam enxertos e dramatizam essas ocasiões. Eu prefiro não comentar por entender que isso é contraditório em relação aos autênticos propósitos da Ordem. Diz o verdadeiro preceptor maçônico: “fanatismo e superstição são flagelos da humanidade”.
4 - Espada - como arma ela sempre foi usada para defender os trabalhos maçônicos e são objetos de trabalho dos oficiais que tem por ofício cuidar da porta do Templo. Assim o seu uso nesse sentido é muito antigo. Eu diria desde o período medieval.
Agora outras práticas como abóbadas, pálios, etc., nada mais é do que prática especulativa que se espalhou, principalmente na Maçonaria francesa no século XVIII.
Despida de especulações, verdadeiramente a espada, tirando a sua função como arma, na França ela foi adotada como símbolo de igualdade num período em que só portavam espadas os elementos mais abastados financeiramente - a aristocracia. Nesse sentido, a Maçonaria desconsiderando esse critério, deu a todos os seus membros, independente das suas classes social, o direito de usar a espada, tudo na condição simbólica de exprimir igualdade entre os seus membros.
5 -  Origens da Maçonaria - suas raízes autênticas se deram simplesmente pelo meio do ofício da arte da cantaria e das construções na Idade Média.
A Maçonaria possui aproximadamente oitocentos anos de história, portanto é equivocado se acreditar que ela já existisse na Antiguidade. O que existem são lendas que geralmente tem o desiderato de montar o arcabouço doutrinário da Sublime Instituição. Isso está muito longe de ser considerado fato histórico.
Suas origens autênticas estão nos canteiros medievais do passado, cujos quais eram protegidos naquela época pela Igreja Católica. Cronologicamente nossos ancestrais foram membros das Associações Monásticas, depois das Confrarias Leigas e por fim da Francomaçonaria. Tudo isso era o Ofício Franco.
Por razões históricas e a declínio das Corporações de Ofício, as Lojas Operativas começaram a aceitar elementos estranhos à arte de construir (especulativos). O período de aceitação teve por objetivo dar suporte para manter as Lojas que haviam perdido o prestigio pelo advento do Renascimento e da queda do estilo gótico no norte da Europa. Com isso, tem-se como registro que o primeiro maçom especulativo ingressou na Maçonaria no ano de 1600 da Escócia. Desde aí a Maçonaria construiu vários capítulos da sua história num período de transição e que seria mais tarde transformado definitivamente na Moderna Maçonaria (especulativa por excelência) com o advento da fundação da Premier Grand Lodge em Londres no ano de 1717. Para melhores esclarecimentos sugiro a leitura de um livro da minha autoria denominado Exegese Simbólica para o Aprendiz Maçom, Tomo I – Editora A Trolha.
Assim, um autor ou fundador específico para a Maçonaria realmente não existe, mas o seu embrião adveio da própria necessidade de organização dos construtores medievais. Atualmente como construtora social, é muito provável que enquanto existir o gênero humano ela sempre estará presente.

T.F.A.

PEDRO JUK


JAN/2017