terça-feira, 19 de abril de 2022

INADIMPLÊNCIA E FREQUÊNCIA - DISCUSSÃO NA SESSÃO

Em 23.09.2021 o Respeitável Irmão Pedro Rodrigues Bueno Junior, Loja Ypiranga, 83, REAA, GOB-SP, sem mencionar o Oriente, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

 

INADIMPLÊNCIA E FREQUÊNCIA

 

Por favor, lhe escrevo para pedir ajuda no esclarecimento da seguinte dúvida: 

Na sessão de hoje (no grau de Companheiro) em minha Loja, na Ordem do Dia tivemos a presença de um Irmão Companheiro que apresentou justificativas sobre Inadimplência (art. 74 - RGF) e Falta de Frequência (art. 77 - RGF).

Nossa dúvida é a seguinte: outros Companheiros da Loja poderiam estar no Templo quando das justificativas ou deveria ser coberto o Templo a eles permanecendo apenas os Mestres/Mestres Instalados? Onde encontro essa orientação?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Salvo melhor juízo - pois assunto de legislação maçônica não é o meu forte – penso que é perfeitamente natural a presença de todos na sessão sem que haja necessidade de qualquer cobertura do templo para outrem na oportunidade. Ora, se o assunto está sendo tratado em Loja de Grau 2 como mencionado, todos os presentes têm o direito de permanecer nos trabalhos. Afinal, pelo que é relatado, o assunto é administrativo e não iniciático, portanto nada há para se esconder de ninguém.

Cabe ainda alertar que nas questões legais é dever do Orador estar presente e recomendar os procedimentos previstos na legislação. Afinal ele é o fiscal da Lei.

Ressalva-se ainda que a questão da inadimplência é matéria para debate em


sessão de finanças convocada por edital para essa finalidade, ou pelo menos obter, para o caso, um parecer da comissão de finanças da Loja.

Vale ainda mencionar que isso não é assunto privativo de Mestres Instalados, pois um Conselho de Mestres Instalados só existe quando nomeado pela Obediência para instalar e dar posse a um novo Venerável Mestre, e nada mais. Mestre Instalado não é grau, senão uma categoria especial honorífica – Artigos 42 e 43 do RGF.

Desse modo, não faz sentido, e me parece até mesmo ilegal que apenas Mestres Maçons Instalados permaneçam nos trabalhos conforme é relatado na sua questão. Ora, o Orador de ofício, que é o Guarda da Lei “eleito” pela Loja deve estar presente, seja ele Mestre Instalado ou não, pois ele é o representante do Ministério Público Maçônico. A rigor, nada existe que obrigue que a diretoria da Loja seja composta apenas por Mestres Maçons Instalados.

Essas são então as minhas colocações, contudo lembro mais uma vez que esse não é o meu métier, pois atuo de fato no campo da história, filosofia, liturgia e ritualística da Ordem. Assim, não tome essas minhas colocações como elementos laudatórios.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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ABRIL/2022

quinta-feira, 14 de abril de 2022

À GLÓRIA DO GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO

Em 23.09.2021 o Respeitável Irmão Lauro Goerll Filho, Loja Justiça e Caridade, 4.132, REAA, GOB-PR, Oriente de Paraíso do Norte, Estado do Paraná, apresente o que segue:

 

À G D G A D U

 

Minha questão é sobre a apresentação de trabalho de aumento de salário. Costumeiramente, nós fomos orientados a iniciar nossa apresentação de trabalhos em Loja, com a expressão “À
Glória do Grande Arquiteto do Universo” Gostaria que o Irmão fizesse algumas considerações sobre isso: É obrigatório? Origem dessa saudação?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Até onde eu sei, não há obrigatoriedade dessa legenda. Geralmente ela é encontrada encimando muitos documentos maçônicos, diplomas e peças de arquitetura.

Na verdade, essa glorificação à Divindade que acabou se consagrando nos escritos maçônicos como um cabeçalho, possui mais um caráter de identificação maçônica do que propriamente um apelo filosófico (essa é a minha opinião).

A bem da verdade, esse dístico, ou divisa, teve sua provável origem na França do século XIX e dali acabou se espalhando pelos meios maçônicos, principalmente na vertente latina da Moderna Maçonaria, podendo, mas em menor escala, também aparecer em escritos da vertente anglo-saxônica.

No tocante à denominação de Deus na Maçonaria como o “Grande Arquiteto do Universo”, se dá como elemento conciliatório entre os maçons, sobretudo porque a Maçonaria deles não indaga a sua religião, senão pede a crença num único Criador. Isso faz com que os ritos maçônicos, conforme suas estruturas doutrinárias, sejam rotulados como deístas ou teístas, ou ainda deístas/teístas.

Destaque-se que Maçonaria não é religião e que nela o conceito de Deus, o Criador do Universo, o Grande Geômetra, etc., está além de credos religiosos. Entenda-se que nela (no seu seio) há que se respeitar a pluralidade de religiões.

Nesse sentido, a crença em um Ser Supremo é condição sine qua non para aquele que deseja ser iniciado na Maçonaria regular. Essa crença é vista mais como uma realidade filosófica e não como um caráter doutrinário.

A Moderna Maçonaria como uma escola filosófica de aperfeiçoamento humano e não como uma religião, não possui o desiderato de concorrer com outras religiões. Desse modo ela admite no seu seio maçons praticantes de diversas religiões, deles apenas exigindo a crença em um Ser Supremo.

Assim, em Maçonaria o “Grande Arquiteto do Universo” se apresenta como uma força superior, criadora de tudo o que existe. Essa definição conciliatória não faz menção a uma ou outra religião ou crença, o que permite convívio fraterno entre maçons, sejam eles judeus, muçulmanos, católicos, budistas, espíritas, etc., sem que entre eles haja
questionamentos e discussões religiosas. Atividades maçônicas relacionadas ao “Grande Arquiteto do Universo” são direcionadas ao estudo filosófico e nunca ao proselitismo religioso.

O nome de Arquiteto do Universo dado ao Criador não deve ser definido como um símbolo maçônico, mas sim como uma respeitável referência Àquele que geometrizou a Ordem, a Harmonia e o Equilíbrio do universo. Vale lembrar que na Maçonaria o símbolo do Arquiteto Criador é o Delta Radiante que fica destacado no retábulo do Oriente da Loja, tendo no seu interior o olho que tudo vê (concepção deísta), ou a letra hebraica IÔD (concepção teísta).

Por fim, a expressão “À G D G A D U” menciona preito, honra e homenagem Àquele que arquitetou, planejou e geometrizou tudo o que existiu, o que existe e o que existirá.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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ABR/2021

quinta-feira, 7 de abril de 2022

O NOME DA COLUNA J - COMO SE ESCREVE?

Em 08.09.2021 o Respeitável Irmão Geraldo Magela Fontes Filho, Loja Frank Sherman Land, Rito de York, GLMMG, Oriente de Uberaba, Estado de Minas Gerais, formula a seguinte questão:

 

COMO SE ESCREVE J.'.

 

Gostaria de saber do Irmão se o nome da coluna J escreve Jaquin ou Jackin, e se há diferença?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Segundo a Bíblia Hebraica, as palavras Jachin e Boaz (na ordem de leitura da direita para a esquerda como se faz no hebraico) são os nomes das duas colunas de bronze fundidas e ornadas por Hiram e posteriormente colocadas na entrada do Templo de Jerusalém por ordem do Rei Salomão - primeiro Livro dos Reis 7, 13-21; segundo Livro das Crônicas, 3, 17: “Ele (Rei Salomão) ergueu as colunas na frente do tempo; uma à sua direita e outra à esquerda; ele chamou a da direita de Jachin e a da esquerda de Boaz”.

A palavra Jachin é do vernáculo hebraico. Segundo exegetas o seu
significado é “Ele estabelece”, enquanto que a outra palavra, Boaz, assim escrita conforme a versão bíblica septuaginta, significa “com força”; “na força”.

Consoante aos seus significados, existe ainda a premissa de que esses nomes estejam ligados à linhagem da família real da tribo que o rei Davi pertencia.

Conforme menciona o livro de Rute, Boaz foi um ancestral do Rei Davi e Jachin, também mencionado como nome próprio na Bíblia hebraica in livro de Números, 26, 12 e livro das Crônicas, 24, 16, é o nome de uma das famílias sacerdotais que naquela época oficiavam no Templo.

A juízo de alguns autores, os nomes dados às colunas do pórtico do Templo, serviria para fortalecer os laços entre o Templo e a dinastia da Tribo de Davi.

Na alegoria do Templo de Jerusalém, utilizada pela Maçonaria, em particular as colunas do pórtico, alguns ritos as trazem posicionadas conforme descrito nos livros de Reis e Crônicas, destacando que a escrita hebraica se dá da direita para a esquerda, isto é, lê-se na seguinte ordem: da direita para a esquerda, Jachin Boaz. Essa ordem de escrita poderia então mencionar que Ele (Javé), estabeleceu com força (solidez) o reino de Israel.

Ainda sob a conjuntura maçônica, alguns ritos, a exemplo do REAA, as colunas B e J indicam a passagem dos trópicos de Câncer e Capricórnio, por isso elas são também conhecidas como Colunas Solsticiais.

Graças à conjuntura histórica da Maçonaria, alguns dos seus ritos apresentam as colunas do pórtico de modo invertido.

No tocante à sua questão propriamente dita, a despeito de existirem várias corruptelas que nos são apresentadas (Jakim, Jakin, Jaquim, Jackin, etc.), a palavra grafada como Jachin, encontrada também nas línguas anglo-saxãs, nos parece ser a mais indicada.

Por fim, vale mencionar que a despeito de variações de escrita e pronúncia da palavra Jachin, o seu significado é consagrado na estrutura emblemática do Templo e na Maçonaria. Quero dizer que embora existam variações na sua composição gráfica, o que de fato vale é o seu conteúdo iniciático, independente da forma como ela é escrita.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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ABR/2022

terça-feira, 5 de abril de 2022

POSIÇÃO DO PAINEL DE MESTRE MAÇOM

O Respeitável Irmão Davi Jorge Dávi, Loja Arca da Aliança, 2489, REAA, GOB-RS, Oriente de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, solicita esclarecimentos no que segue.

 

POSIÇÃO DO PAINEL DO 3º GRAU

 

No Ritual de Mestre do GOB na página 86, verifica-se que o Painel do Grau de Mestre está invertido(?). De acordo com sua postagem do dia 30 de maio de 2021, sobre "As explicações relativas do Painel de Mestre Maçom do REAA", o mesmo Painel está em posição contraria ao Ritual. Poderia ajudar a esclarecer esta discrepância?

 

COMENTÁRIOS.

 

Ambos estão certos. Não é uma questão de discrepância, mas de ponto de vista.

O demonstrado no ritual do GOB indica o Painel visto de quem do Oc olha para Or (o painel na Loja fica voltado para o Oc), ou seja, projetando-o imediatamente do

suporte na vertical para o piso do templo na horizontal (deitando-o no chão) vê-se que o pé da sep coincide corretamente com o lado oriental, e a cabeça com a banda ocidental.

Projetado sobre o plano do templo, essa disposição segue exatamente o que de fato fica arranjado no dia da cerimônia de Exaltação, isto é, o tablado com os pés para Leste e a sua cabeça para Oeste.

Isso faz parecer com que o painel exposto no dispositivo, visto da porta de entrada, esteja de ponta cabeça – o Or ao alto, o Oc embaixo, o Sul à direita e o Norte à esquerda. Vale mencionar que as Colunas do Norte e do Sul da Loja, nesse caso, coincidem perfeitamente com os lados Norte e Sul do painel.

Ocorre, contudo, que muitos painéis para driblar essa falsa impressão, vistos da porta de entrada, são apresentados em Loja invertidos em relação à sua projeção no piso do templo, é o caso do que se apresenta na matéria publicada no Blog em maio de 2021. Nesse caso o Oc para cima, o Or para baixo, o Sul à esquerda e o Norte à direita. Note que as bandas Norte e Sul do Painel não coincidem com as colunas Norte e Sul da Loja.

Em síntese, o painel do ritual está mais condizente com a realidade, ou sejamostrando-o deitado sobre o pavimento como era primitivamente riscado no chão ou desenhado em um tapete no chão. Já o outro, como se apresenta na maioria dos quadros das Lojas, se projetado para o piso, ficará invertido em relação aos quadrantes da Loja. Assim, o que parece estar certo é contraditório e o que parece estar de ponta cabeça parece ser o mais condizente.

É bom que se diga que os passos do grau são dados a partir do lado ocidental, para o oriental, ou seja, da cabeça para os pés, enquanto que H é revivido pelo Respeitab Mestre pelos c pp pp aos pés da sep.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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ABR/2022

sábado, 2 de abril de 2022

ABERTURA E LEITURA DO LIVRO DA LEI - QUEM ABRE? QUEM LÊ? QUAL TRECHO?

Em 18/09/2021 o Respeitável Irmão Irno Azzolini, Loja Flor da Acácia, 3.894, REAA, GOB-PR, Oriente de Francisco Beltrão, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:

 

ABERTURA DO LIVRO DA LEI

 

Pensei num Tempo de Estudos fazendo abertura do Livro da Lei pelo ex- venerável mais recente e lendo Salmo São João, 1 , 1-5. Somente numa sessão de estudo, posso fazer?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Em que pese ser a leitura em João, 1, 1-5 a correta no REAA, no caso dos rituais em vigência do GOB, infelizmente ela não se faz presente, mas é substituída pela leitura do Salmo 133, e ainda feita pelo Orador da Loja ao invés do Ex-Venerável mais recente da Loja.

Como instrução para o período de estudos, sem dúvida esse é um tema que pode ser perfeitamente abordado para conhecimento dos presentes, contudo, a abertura dos trabalhos da Loja segue-se o ritual, mesmo que esteja contraditório.

De fato, verdadeiramente o REAA abre os seus trabalhos no Grau de Aprendiz, ou pelo menos deveria abrir, em João,1, 1-5, porque é o trecho que faz mais sentido iniciaticamente para o Aprendiz que esotericamente busca dissipar as trevas para alcançar
a Luz – (...) e a Luz resplandece das trevas, e as trevas o compreenderam.

Sob o feitio histórico da Maçonaria, ainda não custa lembrar que de maneira consagrada as Lojas são conhecidas como “as Lojas de São João”.

Vale mencionar que essa exposição bíblica em João não é um Salmo, mas é parte de um dos quatro Evangelhos canônicos do Novo Testamento. Tradicionalmente, na conjuntura bíblica ele é o último dos Evangelhos, sucedendo aos de Marcos, Mateus e Lucas. Em relação ao Livro dos Salmos ele é um livro da Bíblia Cristã e sucede o Livro de Jó, encerrando a sequência de livros históricos, antecedendo o Livro dos Provérbios.

No tocante à Maçonaria e o Salmo 133, este apareceu no Yorkshire, Inglaterra, há muito tempo atrás e logo foi abandonado, ressurgindo posteriormente nas Blue Lodges norte-americanas, conhecidas como o franco-maçônico básico do Rito York Americano, mas não como leitura do Livro da Lei, porém como uma leitura feita pelo Marechal durante uma perambulação que se ocorre na cerimônia de Iniciação do Rito.

Indevidamente esse Salmo veio parar no REAA aqui no Brasil por conta da cisão ocorrida em 1927. Sua indevida inserção como leitura acabou se consagrando por aqui e tem sido nos dias atuais comum nos rituais das Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e no GOB. Já os rituais do REAA praticados na COMAB geralmente trazem corretamente a leitura no Evangelho de São João.

No que diz respeito a abertura e leitura do Livro da Lei ser feita pelo Ex-Venerável mais recente da Loja, de fato é o que deveria ser seguido, mas infelizmente, como a boca se entorta conforme o hábito o cachimbo, por aqui inexplicavelmente deram essa atribuição para o Orador da Loja.

Concluindo, destaco que essas considerações não têm o propósito de instigar descumprimento dos rituais em vigência, que indiscutivelmente devem ser seguidos. Portanto, como vetores da verdade, essa exposição serve com instrução a bem do conhecimento.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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ABRIL/2022

quinta-feira, 31 de março de 2022

ESTANDARTES ARVORADOS NO ORIENTE DA LOJA

Em 15.09.2021 o Respeitável Irmão Josnei Franzoi, Loja Fé e Trabalho, 635, Cruz da Perfeição Maçônica, REAA, GOB-PR, Oriente de Rio Negro, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:

 

ESTANDARTES ARVORADOS

 

No Templo de minha Loja trabalha mais uma Loja, o rito é o mesmo, REAA.

Durante as Sessões, mesmo trabalhando somente uma Loja, mantém-se aberto e exposto o
s dois estandartes das duas Loja.

Minha pergunta é a seguinte:

Trabalhando somente uma Loja, é correto usar os dois estandartes abertos?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

A bem da verdade, originalmente, nos primórdios do Rito, o estandarte era arvorado dentro do recinto assim que a Loja fosse declarada aberta na forma da liturgia e da ritualística.

Nesse momento o Porta-Estandarte, que trazia o estandarte enrolado, desfraldava-o e o colocava hasteado no respectivo mastro no Oriente que ali permanecia enquanto a Loja (corporação maçônica) estivesse aberta. Encerrados os trabalhos, o Estandarte era recolhido do mastro e novamente enrolado.

Infelizmente, salvo em raras exceções, essa prática caiu em desuso e não é mais adotada. Na atualidade o costume é de que o estandarte da Loja permaneça arvorado, estando a Loja trabalhando ou não.

Graças a isso é que às vezes vemos em templos utilizados por várias Lojas alguns estandartes desfraldados no Oriente durante os trabalhos específicos de uma Oficina. Isso de fato é um contra-senso, pois apenas deveria estar hasteado o estandarte pertinente à Loja que está aberta, exceto se estiverem trabalhando Lojas incorporadas, ou mesmo estejam presentes Lojas visitantes que tenham ingressado formalmente. Nesse caso os seus Estandartes devem estar presentes e arvorados na sessão.

Desse modo, entendo que só deve estar arvorado o estandarte pertinente à Loja em trabalho ou, se for o caso, os das Lojas incorporadas, ou ainda o(s) de Loja(s) em visita formal. Seria então de bom alvitre que após o encerramento dos trabalhos o estandarte fosse recolhido e guardado para, seguindo os costumes atuais, ser arvorado sem formalidades antes do início da próxima sessão.

Vale ainda lembrar que formalmente uma Loja visitante ingressa em comitiva depois da abertura dos trabalhos da Loja visitada tendo à frente o seu Venerável Mestre seguido do Irmão Porta-Estandarte (conduzindo o estandarte arvorado) e dos demais Irmãos conforme prevê o Ritual em vigência do REAA, 1º Grau, página 71, 2.8 Recepção de Lojas.

Nesse caso, durante os trabalhos, mais do que um estandarte estará arvorado no Oriente – o da Loja anfitriã e o(s) da(s) visitante(s). Se o caso for o de Lojas incorporadas, onde ambas ingressam juntas para a abertura dos trabalhos (vide página 71 do ritual acima mencionado), os respectivos estandartes estarão hasteados no lugar devido antes da abertura dos trabalhos.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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MAR/2022

 

 

quinta-feira, 24 de março de 2022

EX-VENERÁVEL MESTRE E MESTRE INSTALADO. AMBOS A MESMA PESSOA

Em 10.09.2021 o Respeitável Irmão Ailton Cal de Brito, Loja Deodoro da Fonseca, 1.508, sem mencionar o Rito e a Obediência, Oriente de Nova Iguaçu, Estado do Rio de Janeiro, formula a questão seguinte:

 

O MESTRE INSTALADO E O EX-VENERÁVEL.

 

Minha dúvida é: “EX-VENERÁVEL e EX-RESPEITABILÍSSIMO” não me soa bem pronunciar estas palavras, visto que VENERÁVEL, como nos ensina alguns dicionaristas, é uma pessoa que merece ser adorado ou venerado; digno de veneração; respeitável; honesto; que se deve reverenciar ou respeitar, etc... RESPEITABILÍSSIMO, superlativo absoluto sintético, segundo Michaelis: Extremamente respeitável. Que é excessivamente respeitável; merecedor de respeito; grande, formidável, importante, etc...

É comum ouvir, em algumas Lojas, o tratamento de EX-VENERÁVEL ou EX-RESPEITABILISSIMO. Como conhecemos, “EX” antecedendo algumas palavras, nos condu
z a entender que não é mais tudo o que acima narramos, alguém que anteriormente merecia tais títulos ou adjetivos tornando-se, agora, desrespeitado, desonesto, desonrado, indigno,  tirado de, para indicar que uma pessoa deixou de ser algo: ex-amigo etc... Nosso RGF, não contempla a palavra Ex-Venerável, traduz sim, como MESTRE INSTALADO (1ª Faixa), a quem ocupou o cargo de Venerável Mestre de uma Loja Maçônica. Na página 71 do Ritual do Grau de Aprendiz do REAA e no Ritual do Grau de Companheiro a fls, 87, a palavra Ex-VVen
é grafada, no entanto entendo haver equívoco. No Ritual de Mestre está grafada como Mestre Instalado Assim sendo, melhor seria o tratamento como Mestre Instalado e não como ex-Venerável ou Ex-Respeitabilíssimo.

Assim, espero seu pronunciamento sobre esta dúvida.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Vamos antes colocar as coisas nos seus devidos lugares. O tratamento de
Venerável Mestre para o Mestre Maçom que foi empossado na cadeira de dirigente de uma Loja Maçônica é um tratamento consagrado na Moderna Maçonaria.

Assim, um Venerável Mestre é o dirigente regularmente eleito para um determinado tempo (um ou dois anos), isto é, conforme o que determina o regulamento da Obediência a que ele pertence.

Em linhas gerais o titular está Venerável Mestre por um tempo constitucional. Deixando o cargo ele por certo será o Ex-Venerável Mestre.

Na França, de onde advém o REAA, originalmente Instalação é simplesmente a posse de um Mestre Maçom eleito para dirigir a Loja.

Na Inglaterra, onde é original a cerimônia de Instalação, não há esse tratamento de Mestre Instalado. Na Moderna Maçonaria anglo-saxônica, o dirigente maior ao assumir o cargo é conhecido como Worshipful Master (Venerável Mestre). Cumprido o seu tempo, deixando-o, ele é o Past Master (Mestre Passado), sendo o mais recente tratado de Immediate Past Master (Mestre Passado Imediato).

De fato, na Maçonaria anglo-saxônica não é nada comum o tratamento Ex-Venerável, assim como também não é o de Mestre Instalado, como geralmente ocorre na Maçonaria brasileira.

A despeito desses comentários, o termo mais apropriado por aqui deveria ser mesmo o de Mestre Maçom Instalado, já que esse é um título distintivo dado àquele que, depois de eleito, foi por tempo regimental o dirigente maior de uma Loja Maçônica.

Desse modo, na Maçonaria brasileira o tratamento de Mestre Instalado acabou corriqueiro para todos os Mestres Maçons ex-Veneráveis.

Em linhas gerais os titulados Mestres Instalados possuem paramentos parecidos com o do Venerável Mestre, ocupam o Oriente e em algumas Obediências, a exemplo do GOB, são autoridades maçônicas inscritas na faixa 01.

No que diz respeito a utilização do prefixo "ex", quando unido por um hífen, o mesmo designa que o nome indicado na sequência deixou de ser aquilo que era. Nesse caso sem nenhuma intenção de desrespeitar, macular ou denegrir o titular que deixou o cargo.

Mestre Instalado é um título honorífico dado a todos os ex-Veneráveis. Nesse
caso, o Mestre Instalado é um ex-Venerável e vice-versa.

Alerta-se que Mestre Instalado não é grau maçônico.

Com relação ao uso do superlativo “Respeitabilíssimo”, ele é notadamente consagrado como tratamento do Venerável Mestre em Câmara do Meio, posto que todos os presentes nos trabalhos de 3º Grau possuem plenitude maçônica alcançada pela exaltação ao Grau de Mestre Maçom que é o ápice iniciático no simbolismo.

Graças a isso é que principalmente na Maçonaria Latina todos os Mestres Maçons em Câmara do Meio (Loja de Mestre) são tratados como Veneráveis Irmãos. Respeitando a hierarquia das Luzes da Loja, em Loja de 3º Grau, o Venerável Mestre é o “Respeitabilíssimo Mestre” e os seus auxiliares imediatos, os Vigilantes, são os “Venerabilíssimos Vigilantes”. Os demais Mestres são os “Veneráveis” Irmãos.

Não é comum o costume de chamar o ex-Venerável de ex-Respeitabilíssimo, pois isso seria um excesso de preciosismo já que nesse contexto não há generalização de nenhum tratamento se utilizando do prefixo “ex” para os demais cargos.

Qualquer especulação nesse sentido é contraditória aos nossos usos e costumes. Assim o tratamento de ex-Venerável não traz nada de depreciativo e desrespeitoso, podendo perfeitamente ser utilizado em consórcio com Mestre Maçom Instalado, ou simplesmente Mestre Instalado.

Quantos aos superlativos Venerabilíssimo e Respeitabilíssimo, esses somente são utilizados em Lojas de 3º Grau. No tocante ao prefixo “ex” antes desses superlativos não é prática usual e nem recomendadas nesse contexto.

Concluindo, destaco que o termo ex-Venerável é de uso consagrado, principalmente na Maçonaria latina. Portanto, não se justifica o seu banimento só por não se apresentar descrito no Regulamento Geral dessa ou daquela Obediência Lembro que a boa parte da história da Maçonaria foi construída sobre tradições, usos e costumes que, às vezes, são imemoriais e universalmente aceitos.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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MAR/2022