segunda-feira, 10 de abril de 2017

CRENÇA EM UM ENTE SUPREMO

Em 13/03/2017 o Respeitável Irmão Alisson Marcos, Loja Acácia do Sudoeste, REAA, GOB-PR, Oriente de Pato Branco, Estado do Paraná, formula a seguinte questão:

CRENÇA EM UM ENTE SUPREMO


É possível dizer que a maçonaria (especulativa) sempre teve como requisito a crença em um Ser Supremo?

CONSIDERAÇÕES.

É bastante natural, já que os nossos ancestrais operativos viviam à sombra da Igreja Católica – veja as Associações Monásticas e as Confrarias leigas como percussoras da Francomaçonaria.
Os construtores da pedra viriam a ganhar grande impulso, sobretudo a partir do ano 1.000, época em que, segundo a Igreja, se esperava o final dos tempos. Como a previsão apocalíptica não aconteceu e visando agradecer a Deus por ter poupado o Mundo, os homens se arvoraram a elevar louvores de agradecimento ao Criador, dentre outros feitos, os de edificar igrejas e catedrais como que a deixar mensagens das suas almas na pedra. Nessa época a Igreja-Estado expandia os seus domínios e os Construtores, protegidos e ao seu serviço, edificavam igrejas, abadias, obras públicas, etc. Sob essa óptica, com a expansão desses domínios, as Guildas dos construtores amparadas e protegidas pela Igreja (ofícios livres) viriam experimentar um avanço extraordinário de desenvolvimento.
Assim, essa influência e cunho religioso dado ao trabalho, acompanhariam os canteiros da Idade Média.
Com o advento mais tarde da Maçonaria Especulativa, que surgiria principalmente pela queda de prestígio dos construtores operativos devido ao renascimento das Artes, muitos homens não ligados à Arte de Construir acabariam por adentrar nos quadros das Lojas no intuito de proteger e colaborar com a sobrevivência das construtoras. Documentalmente, o primeiro especulativo a ingressar na Maçonaria foi o latifundiário John Boswell, na Loja Capela de Maria na Escócia no ano de 1.600.
Esses novos protetores, geralmente detentores de prestígio e respeito, quase sempre eram ligados aos reinados da época que, por sua vez, mantinham estreitos laços com a Igreja Católica.
Por esse particular e pelas influências do passado, de modo imemorial e universalmente aceito, a Maçonaria Especulativa (dos Aceitos) adotaria o Landmark da crença em um “Arquiteto Criador” o que faria dela (da crença) uma condição de regularidade perante a Primeira Grande Loja, desde 1.717 já no período da Moderna Maçonaria – vide a Constituição de Anderson em 1723 e a sua revisão em 1.738.
Cabe aqui um pequeno comentário: não raras vezes presenciamos Irmãos a confundirem a Moderna Maçonaria com a Maçonaria Especulativa. Na verdade, o período Especulativo teve o seu início em 1.600 com aceitação do primeiro elemento estranho ao ofício. Já a Moderna Maçonaria, que é especulativa por excelência, teve o seu início no ano de 1.717 com a fundação da “Primeira Grande Loja” em Londres, cujo marco histórico inauguraria o sistema obediencial e a figura do Grão-Mestre. Cronologicamente a Maçonaria Especulativa, ou dos Aceitos teve o seu início documental no início do século XVII na Escócia, enquanto que a Moderna Maçonaria é do primeiro quartel do século XVIII em Londres.
Retomando o raciocínio, foi por essas influências cristãs sobre a Francomaçonaria, brevemente aqui relatadas durante o desenvolvimento da sua história que possui aproximadamente 800 anos de idade (Maçonaria não é milenar), é que a crença em um Ente Supremo se tornaria uma condição “sine qua non” para obter ingresso na Sublime Instituição.
É bem verdade que essa crença não está na atualidade atrelada a nenhuma religião, já que essa crença é de consciência individual, nela não imperando qualquer prevalência das preferências religiosas. Em síntese, o maçom deve acreditar em Deus que, de modo conciliatório é denominado na Maçonaria como o Grande Arquiteto do Universo.
Cada maçom, à sua maneira, seja ela do ponto de vista teísta ou deísta, tem a liberdade, e deve, de professar a sua religião, desde que se manifeste sobre ela fora dos umbrais dos recintos maçônicos.
Talvez até possa parecer um paradoxo, mas na Maçonaria não se discute religião, embora ela, a Instituição condicione aos seus membros, de modo irrestrito, a acreditar em “Deus”.
A crença em um Ser Supremo é um Landmark da Ordem haurido dos nossos ancestrais e que se mantém até o presente na Moderna Maçonaria.


T.F.A.

PEDRO JUK


ABRIL/2017

domingo, 9 de abril de 2017

VISITA E RECONHECIMENTO

Em 11/03/2017 o Respeitável Irmão Jorge Cabeceira, Loja Nova Luz Vazantina, sem mencionar o nome do Rito e a Obediência, Oriente de Vazante, Estado de Minas Gerais, através do meu blog, formula a seguinte pergunta.

VISITAS E RECONHECIMENTO.


Gostaria de fazer as seguintes perguntas a você: Na sua Loja Maçônica (GOB) vocês aceitam visitas de Irmãos da COMAB? O que você acha sobre este assunto? Como você enxerga o final desta "história"?

CONSIDERAÇÕES.

Embora o Quadro da minha Loja, pelo que me pareça não concorde com essa atitude em relação à COMAB, os Irmãos são “obrigados” a cumprir a Lei. Nesse caso, mesmo a contragosto, respeitamos o que impera a vontade da nossa autoridade maior – tratando-se de Maçonaria, não há como vestir um santo para desvestir o outro.
Sob o meu ponto de vista, os Irmãos da COMAB não são merecedores dessa proibição que se diz amparada pela falta de regularidade!
Infelizmente, essas decisões acontecem por atitudes que não me cabem aqui comentar, pois discutir regularidade em Maçonaria requer da nossa parte muita reflexão, bom senso, boa vontade e o exercício da tolerância.
Da minha parte, mesmo não podendo conviver em Loja com alguns confrades pelas circunstâncias atuais, tenho-os como Irmãos em se tratando daqueles pertencentes à CMSB (Grandes Lojas Estaduais) e à COMAB (Grandes Orientes Estaduais Independentes), assim, como maçom, não perco a esperança de que num futuro próximo as coisas voltem aos seus devidos lugares, imperando entre as três Obediências brasileiras a nossa tão sonhada harmonia.
Cumpro a Lei, mas isso não implica em me tornar subserviente a vontade de alguns.


T.F.A.

PEDRO JUK

ABRIL/ 2016


quinta-feira, 6 de abril de 2017

CADEIA DE UNIÃO E A PRANCHETA DA LOJA

Em 11/03/2017 o Respeitável Irmão Francisco Lucas, Loja Harmonia, nº 106, REAA, GLESP, Oriente de Registro, Estado de São Paulo, solicita informações do meu blog – http://pedro-juk.webnode.com/

CADEIA DE UNIÃO E PRANCHETA DA LOJA.


1-    Cadeia de União. A mesma é feita após o encerramento ritualístico dos trabalhos? Após a Cadeia de União ainda se faz algum sinal?
2-    Prancheta da Loja. Existe o ornamento físico (a peça prancheta) ou ela é apenas virtual (um desenho)?
Eu, só recentemente reconheci a mesma no nosso Painel do 2º Grau.

CONSIDERAÇÕES.

1 – Cadeia de União - sob o ponto de vista de tradição do REAA, nele a Cadeia de União é realizada unicamente para a transmissão da Palavra Semestral. Devido o aspecto legal relacionado a essa transmissão, a mesma dá ao Obreiro o penhor da sua regularidade, assim a Cadeia só pode ser formada por Irmãos regulares do Quadro da Loja. Portanto, dela não participam Irmãos visitantes, mesmo sendo eles da mesma Obediência.
A Palavra Semestral é instituída e enviada pela Obediência às Lojas regulares da sua constelação.
Sob esse influxo é que a Cadeia de União só é formada após o encerramento dos trabalhos, pois se estiverem presentes visitantes, eles ao final se retiraram sem que haja para eles a formalidade de cobertura pelo tempo que se fizer necessário durante a sessão (em Loja aberta). Assim, encerrados os trabalhos apenas os Irmãos da Loja com direito a receber a Palavra permanecem no recinto.
No que diz respeito a se fazer Sinal após a Cadeia de União, obviamente que não, pois a Loja já estará fechada. Aliás, nem durante e nem depois da Cadeia de União.
Infelizmente, há dois aspectos para se considerar em se tratando da Maçonaria brasileira. Um deles é que nem todos os rituais preveem e explicam práticas corretas nessas circunstâncias, fazendo com que em muitas oportunidades forme-se equivocadamente a Cadeia antes do encerramento e ainda com a participação de visitantes. O outro aspecto é o enxerto de praticas que não pertencem ao REAA\, o que tem feito com que algumas Lojas escocesas ainda fiquem a professar orações, preces e outras coisas do gênero quando da formação da Cadeia. Isso ainda quando não ficam a juntar as suas pontas dos pés à dos outros, agitando os braços à frente, exclamando tríades, etc. Ora, isso não é e nunca foi prática autêntica do escocesismo. Infelizmente alguns ainda insistem em praticá-las o que só faz em denegrir ainda mais a pureza do Rito – crenças pessoais não deveriam caber no coletivo maçônico.
Em síntese, Cadeia de União no escocesismo simbólico, só para se transmitir a Palavra Semestral pura e simplesmente. Nela não cabem outros procedimentos.
Agora, se algum ritual do REAA\ que ainda esteja em vigência prever o contrário, então... Enquanto ele não for corrigido... O que se fazer?
2 – Prancheta da Loja - essa é uma das três Joias Fixas da Loja e se relaciona ao Grau de Mestre, enquanto que as duas primeiras, a Pedra Bruta e a Pedra Cúbica, ao Aprendiz e ao Companheiro respectivamente.
Além de ela aparecer gravada no Painel da Loja (o do Grau), a Prancheta é um objeto de formato retangular (literalmente como uma prancheta mesmo) com medidas aproximadas de 50 cm de altura por 35 cm de largura que fica encostada no Altar ocupado pelo Venerável Mestre, cuja face gravada fica voltada para o Ocidente.
Símbolo da memória, alegoricamente demonstra o lugar onde o Mestre traça os planos da Obra. Nela vão gravados os emblemas das paralelas cruzadas (o que subsiste e é limitado) e a Cruz de Santo André em formado de um “xis” (o ilimitado e o infinito). Os dois ideogramas figurativos também são a chave para o alfabeto maçônico.
De fato, a Prancheta, como as duas outras Joias Fixas, existe como objeto e é palpável (concreta). A sua presença na Loja, bem como as outras duas Joias, como um código de moral, está aberta à compreensão de todos os maçons.


T.F.A.

PEDRO JUK



ABRIL/2017

terça-feira, 4 de abril de 2017

VELAS E A LUZ

Em 11/03/202017 o Irmão Sílvio Biss, Loja Cavaleiros da Arte Real, 3.245, REAA, GOB-PR, Oriente de Curitiba, Estado do Paraná, solicita o seguinte:

VELAS E A LUZ.


O meu contato com o Irmão se faz pela necessidade em apresentar uma peça de arquitetura para aumento de salário em minha Loja.
O tema a ser trabalhado é as velas e acredito que o título do trabalho seja "As velas e seu simbolismo".
Como no ERAC em que participei no meio do ano passado, o Irmão foi fonte de conhecimento ilimitada e exemplo de humildade, gostaria de poder contar com alguns comentários, dicas e curiosidades sobre este tema pouco discutido.

CONSIDERAÇÕES.

No meu ponto de vista – autêntico – as velas, em se tratando da liturgia maçônica, simplesmente simbolizam as Luzes da Loja, ou as Luzes menores, dependendo a vertente do rito.
No caso do Rito Escocês Antigo e Aceito, elas, as Luzes dos candelabros, se agrupam em determinadas quantidades e são acesas de acordo com o grau simbólico em que a Loja esteja trabalhando. Associadas às Luzes da Loja elas idealizam aqueles que dirigem os trabalhos – o Venerável Mestre, o Primeiro e o Segundo Vigilantes como elementos representantes principais das ferramentas especulativas do aprimoramento no canteiro (Loja).
O termo “Luz, ou Luzes da Loja” é muito antigo e é classificado como um Landmark da Ordem por mencionar imemorialmente que uma Loja Maçônica será sempre dirigida por três Luzes.
Sob o ponto de vista figurado, conforme a quantidade de Luzes acesas nos candelabros de três braços do Templo, cada Luz representa - no REAA - o aperfeiçoamento humano adquirido. Em linhas gerais representa o iniciado maçom que percorre a sua senda iniciática galgando cada um dos três Graus Simbólicos.
Em síntese é a Luz, e não a vela a representante do esclarecimento alcançado pelo obreiro no simbolismo da Maçonaria Universal.
No simbolismo escocês, as Luzes litúrgicas compõem a alegoria da evolução natural sugerida pelos ciclos conhecidos como as estações do ano. Agrupadas em grupos de três em três, as Luzes litúrgicas aludem à primavera, ao verão e ao outono, já os três meses do inverno não são representados nessa alegoria porque essa estação sugere a prevalência das trevas (dias curtos e noites longas). É quando a Terra fica viúva da Luz. Graças a esse apólogo que o maçom, como peça integrante da Natureza, em busca do aprimoramento, segue a Marcha da Luz – vindo do Ocidente, lugar das trevas, ele percorre o caminho iniciático até o Oriente que é o lugar da Luz. Inúmeras são as referências feitas à Luz no simbolismo maçônico.
Cabe também mencionar que não se devem confundir as luzes que iluminam o ambiente, inclusive as previstas como auxiliares para leitura e escrita, com as Luzes litúrgicas.
Devido à evolução do conhecimento humano, a Moderna Maçonaria tem adotado lâmpadas elétricas no lugar de velas. Isso não implica em desrespeito algum para com a liturgia maçônica, já que no passado, as velas, geralmente de cera de abelhas para diminuir a poluição no ambiente, eram usadas simplesmente pela inexistência de energia elétrica. Havia velas em candelabros ou mesmo tocheiros que serviam à liturgia e também para clarear o recinto.
Outras luzes mencionadas na liturgia maçônica são aquelas intituladas como estrelas e que sevem para as comissões de recepção. Essas luzes não são de cunho iniciático, senão como lembrança de um passado distante quando Irmãos recepcionavam os visitantes prestando-lhes auxílio iluminando o caminho que os levava ao recinto de trabalho.
Ainda existe uma Luz litúrgica pendente do teto na Câmara do Meio, porém essa não deve ser aqui abordada nessa oportunidade.
De modo geral ainda existem Ritos maçônicos, não é o caso do Escocês, que tem na sua liturgia, cerimônias que envolvem luzes e velas, entretanto esse simbolismo é próprio de algumas outras doutrinas ritualísticas que não me cabem aqui serem comentadas.
Existem ainda determinados rituais especiais das Obediências brasileiras que mencionam outras luzes e seus respectivos acendimentos cerimonias em sagrações e outras generalidades. Só posso comentar que neles também não existem explicações racionais, portanto, por essa característica, não merecem considerações da minha parte por serem meras cópias e adaptações de outros rituais anacrônicos.
Assim, em nome da autenticidade maçônica, eu prefiro buscar suporte no produto resultante da Verdade, daí os meus apreços objetivarem a Luz como aquilo ou aquele que esclarece, ilumina ou guia o espírito, não propriamente à vela como elemento produtor da Luz, afinal na liturgia maçônica a Luz é a faculdade de percepção; é o juízo; e a Inteligência, e não a vela, ou a lâmpada que fornece iluminação.


T.F.A.

PEDRO JUK


ABRIL/2017

segunda-feira, 3 de abril de 2017

AMÓS - ABERTURA DO LIVRO DA LEI NO GRAU DE COMPANHEIRO - REAA

LEITURA DO LIVRO DA LEI – GRAU DE COMPANHEIRO
AMÓS
RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO


I - INTRODUÇÃO:
Em atenção a rogativas que eu tenho recebido, destas muitas relacionadas à leitura em Amós do Livro da Lei durante a abertura da Loja no Segundo Grau, é que resolvi condensar esse pequeno escrito sobre o tema que, embora não tenha a pretensão de esgota-lo, pelo menos tende a despertar mais atenção para esse importantíssimo procedimento ritualístico do não menos admirável e tradicional grau de Companheiro Maçom.
Para que não pareça um tema generalizado em relação à Maçonaria, cabe então aqui salientar que a leitura desse trecho do Livro da Lei durante a abertura dos trabalhos da Loja não é unânime na prática maçônica, senão como parte integrante da liturgia de alguns Ritos que compõem a Maçonaria. Assim, em relação à leitura em Amós 7 no Segundo Grau, esse costume teria surgido no Yorkshire - Inglaterra e posteriormente abandonado pelo Craft inglês, todavia permaneceria como prática em outros ritos maçônicos, como é o caso do Segundo Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito.
II – AMÓS.
Personagem tido como profeta do Antigo Testamento e autor do Livro de Amós, ele era nativo de uma pequena cidade de nome Tekua nos limites do deserto de Judá, próximo à Jerusalém. Considerado com um dos doze Profetas Menores[1], ou os Doze Últimos Livros Profético, cujo título, assim ficaria conhecido, devido ao seu pequeno volume literário.
Amós, cujo significado etimológico, segundo alguns autores, designa aquele que auxilia a transportar carga, ou que em hebraico significa “levar”, estaria ainda ligado à forma abreviada da expressão Amosiá – “Deus levou”.
Ele era um homem de origem humilde, condutor de gado e agricultor que laborava no cultivo de uma espécie de fruto comestível muito parecido com figo, comum àquela região.
Mais tarde Amós (760 a.C.) abandonaria a sua vida tranquila de camponês para pofetizar e denunciar episódios acontecidos durante o reinado de Joroboão II, quando este atingira a sua máxima prosperidade. Esse mesmo reinado então seria também acompanhado do aumento da luxúria, do vício e da idolatria. Nessa conjuntura, a magnificência luxuosa dos ricos ultrajava a miséria dos fracos e dos oprimidos, bem como o esplendor do culto dissimulava a carência de uma religião verdadeira. Amós seria, portanto convocado por “Deus” para advertir ao povo de Israel sobre a existência da “Sua Lei pautada na equidade” alertando e chamando o povo ao arrependimento. Ao cumprir os desígnios de “Deus”, Amós com altivez apontava toda aquela situação com rudeza simples e altiva de um homem oriundo do campo. Seu pronunciamento incomodava, sobretudo as classes abastadas e sacerdotais, (Juízes) porque ele ao anunciar a justiça e o julgamento de “Deus” alcançava além das nações pagãs, objetivamente também o povo escolhido que já se considerava salvo, embora no exercício da vida fosse mesmo pior do que os pagãos.
NOTA – os destaques em negrito relativos às palavras equidade e justiça até aqui mencionadas, bem como as outras que porventura seguem a essa nota, salientam o objetivo da leitura do texto feita na abertura do Livro da Lei no Grau de Companheiro, cuja interpretação maçônica, mesmo que superficial, será o objetivo final dessa lauda.
Além da injustiça social, especificamente Amós denunciava os ricos que acumulavam cada vez mais riquezas para viverem em ostentação, o que muitas vezes criava um regime de opressão; as mulheres abastadas que, para viverem no luxo, estimulavam seus cônjujes a explorar os fracos; os hipócritas que roubavam e exploravam e depois se dirigiam ao templo para rezar, pagar dízimo e dar esmolas para aplacar a própria consciência; os Juízes que julgavam de acordo com os numerários auferidos pelos subornos; os inescrupulosos comerciantes que deixavam os pobres incapacitados de adquirir e comercializar suas mercadorias por preço justo.
Nesse contexto o Livro de Amós pertence ao Antigo Testamento da Bíblia e vem depois do Livro de Joel e antes do Livro de Obadias. A profecia deste livro integrante da Torá hebraica fora primeiramente dirigida ao reino setentrional de Israel e segundo alguns exegetas bíblicos teria sido em princípio proferida oralmente, cujos reinados coincidiram entre 829 e 804 a. C.,  sendo daí em diante assentada por escrito, presumivelmente após o profeta voltar a Judá.
Dentre todo o contexto de denúncia contra a injustiça social na construção de uma sociedade justa e as pregações, destacam-se os seguintes sete crimes de Israel: 1) a venda do justo por prata - desprezo ao devedor; 2) o indigente por um par de sandálias - escravização por dívidas ridículas; 3) esmagam sobre o pó da terra a cabeça dos fracos – humilhação e opressão dos pobres; 4) tornam torto o caminho dos pobres – o desprezo pelos humildes; 5) um homem e seu filho vão à mesma jovem - opressão dos fracos (das empregadas e escravas; 6) se estendem sobre vestes penhoradas, ao lado de qualquer altar - falta de misericórdia nos empréstimos; 7) bebem vinho daqueles que estão sujeitos a multas, na casa de seu Deus - mau uso dos impostos (ou multas).
Assim no Livro de Amós textualmente o profeta defende a justiça e a equidade e é em seu amparo que Amós vai profetizar. Em cinco visões simbólicas (dos gafanhotos e o fogo; o estanho e o fim do verão; a visão do santuário), Amós anunciaria o fim do Reino Setentrional de Israel, devido à situação precária, ou insustentável diante de Deus, cujas visões aparentam serem sinais que o profeta vislumbra no cotidiano da vida e simbolizam a conjuntura problemática à época da nação israelita.
Não obstante às cinco visões proféticas desde a praga de gafanhotos até a destruição do santuário, tem aquela em que Amós vê o “Senhor” (cap. 7, vs. 7-9) verificando o alinhamento de um muro com um fio de prumo. É justamente essa a que suporta a alegoria presente na Moderna Maçonaria durante a abertura e leitura do Livro da Lei no Grau de Companheiro Maçom.
Antes, porém de ingressar no assunto relativo à Maçonaria e a abertura do Livro da Lei envolvendo Amós, cabe aqui ainda outra consideração importante: O muro que está enviesado e desaprumado simboliza Israel, assim deverá ser primeiro demolido para ser novamente realinhado pela perpendicular (tinha um prumo nas mãos). Isso porque muro desaprumado não tem conserto. Só derrubando.
Amós nesse caso não intercederia suplicando ao “Senhor”. É uma realidade corrupta que não tem conserto e a certeza do castigo pela justiça (prumo) torna-se cada vez mais premente “eu nunca mais passarei por ele”.
Em linhas gerais é o prenúncio da destruição do Reino Setentrional de Israel já que no capítulo seguinte (cap. 8, vs. 1-3) Amós vê o cesto de frutas maduras que simboliza o fim do verão e o início do outono, estação que precede o Inverno e a morte da Natureza – o fim de Israel. É que na quinta visão Amós conta que, desta vez, é o próprio IAHWEH (IAVÉ) quem atua e de modo dramático. Diante do edifício do santuário o “Senhor” bate nos capitéis provocando um terremoto que destrói o santuário e extermina as pessoas que lá estavam abrigadas.
Esta visão é o ponto máximo e epílogo deste ciclo. O próprio Senhor volta-se contra o local no qual se lhe prestava culto. Na visão de Amós, o santuário (de Betel[2]) traiu seu papel de conduzir o povo a “Deus” e à vida. Tornou-se um lugar de culto sem sentido, amparando e ocultando as múltiplas opressões e injustiças que se cometiam no Reino do Norte.
III - LEITURA DO LIVRO DA LEI – 2º GRAU MAÇÔNICO - EXEGESE:
O Segundo Grau, ou de Companheiro Maçom indiscutivelmente é o Grau mais genuíno da Maçonaria que, infelizmente e equivocadamente tem sido tratado por algumas Obediências como um Grau intermediário. Na sua tradicional existência oriunda desde os canteiros medievais, possui a pragmática inerente à juventude, ação e trabalho – em síntese o Companheiro é o elemento que “eleva” a Obra e a dá por concluída no final do outono, antes que o inverno prive a Terra da Luz. Dentre outros, os seus simbólicos cinco[3] anos de aperfeiçoamento soam equânimes com o sentido lato da justiça e da equidade na construção social, cuja obra especulativa da Moderna Maçonaria o Companheiro a eleva aprumando os cantos (o prumo não pende como as oblíquas).
O Companheiro quando passa para a perpendicular ao Nível (em Loja, do Norte para o Sul, ou do Nível para o Prumo), de modo especulativo ele está aplicando as suas ações (trabalho) na vida, desde que suportada pela justiça (Prumo).
Existe a máxima de que não há retorno para a vida, assim, se quiseres bem aproveitá-la, pensa na morte (eis que porei um prumo no meio do meu povo Israel[4]; e jamais passarei por ele).
A Obra da Vida pautada na justiça é um dos motes iniciáticos maçônicos na transformação inerente ao segundo ciclo da existência. Juventude (meio-dia) para a maturidade (meia-noite).
A Obra perene é o exemplo de vida deixado. Assim, a alegoria de Amós aplicada no Segundo Grau tem por objetivo conduzir o Obreiro a uma reflexão antes que chegue o tempo em que ele dirá: essa idade não me agrada! (a implacável aproximação da morte [inverno] e a destruição do Templo).
Como Amós, a Maçonaria procura lembrar ao homem Maçom que ele certamente terá através da sua consciência a visão do muro e do prumo nas mãos. Certamente a consciência lhe dirá: o que vês tu? A questão é: a parede estará ou não levantada a prumo? Como o inverno se avizinha ninguém mais passará por ele - não haverá mais tempo para reconstruir uma parede que por ventura tenha sido construída fora do prumo (pensai na morte; a efemeridade da vida).

III – CONSIDERAÇÃO FINAL

O Prumo, a Justiça e a Equidade – essa tríade expressa à lição de se ter pautado a vida com disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um. Tal como Amós, o dever de possuir um sentimento de justiça avesso a qualquer critério de desigualdade e tratamento ilegal. O muro levantado a prumo suporta um conjunto de princípios imutáveis de justiça que induzem o juízo da consciência a possuir um critério de moderação e de igualdade, ainda que em detrimento do direito objetivo.
Amós e a abertura do Livro da Lei importam nos elementos alegóricos que aludem àquele que busca aprimoramento norteado para uma vida de igualdade, retidão e equanimidade.
Superficialmente é o que se pode considerar.



Pedro Juk

ABRIL/2014



[1] Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Sacarias e Malaquias.
[2] Betel – a casa do Senhor.
[3] As cinco visões proféticas.
[4] Israel aqui significa o Templo Interior, o Homem e, por conseguinte a Obra da Vida. Em tradução livre do hebraico Israel significa “o combatente de Deus”.

domingo, 2 de abril de 2017

VISITA DO VENERÁVEL

Em 10/03/2017 o Respeitável Irmão Nilson Alves Garcia, Loja Estrela da Serrinha, REAA, GOB, Oriente de Goiânia, Estado de Goiás, solicita o seguinte esclarecimento:

VISITA DO VENERÁVEL


O Venerável deve visitar Lojas com os paramentos que usa na sua Loja. Meu posicionamento é que ele deveria usar somente o avental de MI.

CONSIDERAÇÕES PARA O REAA.

Eu penso que sim. Ele deve usar, pois enquanto estiver no exercício do seu mandato, o mesmo é um Venerável Mestre, tanto dirigindo os trabalhos da sua Loja, bem como visitando outras Oficinas.
Além do mais, ele pode ingressar em família ou em comitiva à frente da sua Loja quando em visita a uma coirmã, ou ainda em Loja Incorporada.
Independente de ele estar em comitiva ou individualmente, o seu cargo se encontra mencionado na primeira faixa do Art. 219, § 2º, I do RGF – Dos Visitantes, do Protocolo de Recepção e do Tratamento.
Como autoridade visitante e Mestre Maçom Instalado (faixa um) tem assento no Oriente da Loja visitada abaixo do sólio conforme se encontra especificado na planta do templo impressa no(s) Ritual(is).
A sua indumentária completa é composta pelo avental, colar com a joia, e os punhos (ex-Venerável não usa punhos).
Ratifico que isso se refere apenas aos Veneráveis Mestres, portanto aqueles que estão no exercício do seu mandato. Passado o seu tempo ele é o ex-Venerável cuja indumentária de Mestre Maçom Instalado está descrita no Ritual do Terceiro Grau em vigência.
Venerável Mestre em visita a outras Lojas não traz consigo o malhete. Esse é o seu instrumento de trabalho e só pode ser usado na sua Loja.


T.F.A.

PEDRO JUK


ABRIL/2017

ENCONTRO NACIONAL DO RITO DE YORK

Dia 01/04/2017 - Rito de York - Trabalhos de Emulação.