quinta-feira, 13 de julho de 2017

CANDIDATO - CALÇA ARREGAÇADA

Em 01/06/2017 o Respeitável Irmão Marco Nascimento, Loja José Caraver, 101, GLMERGS, REAA, sem mencionar o nome da Cidade, Estado do Rio Grande do Sul, através do meu Blog http://pedro-juk.blogspot.com.br solicita o seguinte esclarecimento:

CALÇA ARREGAÇADA


Novamente venho encaminhar uma curiosidade sobre o "porque da calça recolhida até a altura do joelho por ocasião de nossa Iniciação”. Qual o seu significado? Já procurei através das leituras, mas não localizei algo que pudesse esclarecer esta duvida.

CONSIDERAÇÕES.

De modo geral a iniciação maçônica dá suporte à alegoria do nascimento de um novo homem.
Assim, aquele que se propõe a ingressar na Maçonaria deve acima de tudo manifestar humildade e se apresentar despojado das vaidades mundanas. Nesse sentido os ritos maçônicos preparam esse novo Homem para receber a Luz, o que fazem apresentando-o alegoricamente conforme exaram os seus respectivos rituais na primeira etapa da Iniciação.
No caso do REAA\, dentre outros, o candidato ao se apresentar com a calça da perna direita arregaçada até um pouco acima do respectivo joelho, está representando um homem despojado das vaidades terrenas – uma das condições para ser recebido maçom.
Essa alegoria na realidade é fruto haurido de teatros iniciáticos antigos e usados, conforme o ecletismo da Moderna Maçonaria, para construir pelos seus ritos e rituais o seu arcabouço doutrinário, sobretudo aqueles que constroem essa relação com base nos cultos e mitos solares da antiguidade – a morte e o renascimento da Natureza.
Em inúmeras dessas concepções antigas, quando o iniciado passava pela prova dos elementos, em especial a da Terra, ele era despojado dos costumes e vícios adquiridos durante a vida de até então. Em síntese era a preparação para a purificação pelos elementos, quando então era comum o candidato ser apresentado com partes do seu corpo desnudo, o que sugeria o desprendimento dos costumes mundanos.
No caso da Moderna Maçonaria, a exemplo do REAA\, esse costume ancestral é revivido quando o iniciado morre simbolicamente na Câmara de Reflexão (testamento filosófico) para mais tarde, já no Templo, renascer para a Luz, porém não sem antes estar despido das concepções mundanas que o afligiam.
Assim, no intuito de representar essa condição é que o candidato se apresenta com o pé direito descalço (respeito ao ambiente consagrado) e a perna direita desnuda até o joelho (humildade e desapego das coisas materiais).
É oportuno salientar que os procedimentos ritualísticos se diferem na Moderna Maçonaria conforme os seus ritos e trabalhos maçônicos, contudo a ideia é sempre a mesma, a de reconstruir um novo Homem e, esse novo Homem trará sempre consigo a virtude da humildade.

E.T. – qualquer menção aqui feita à Antiguidade como período da história da civilização humana, a mesma não tem a pretensão de sugerir existência de Maçonaria naquela época.


T.F.A.

PEDRO JUK



JULHO/2017

terça-feira, 11 de julho de 2017

SINAL DE SOCORRO

Em 24/05/2017 o Respeitável Irmão Alex Martins de Oliveira, Loja Mensageiros da Luz, REAA, GOB-ES, Oriente de São Mateus, Estado do Espírito Santo, formula a questão seguinte:

SINAL DE SOCORRO


Venho através dessa, solicitar mais uma vez, seus conhecimentos. No ritual de Mestre Maçom existe uma forma de pedirmos auxílio (socorro) a outros Irmãos.
Minha pergunta é: como devemos instruir os Aprendizes e Companheiros que por ventura necessitarem desse auxílio?

CONSIDERAÇÕES.

De modo geral o Sinal de Socorro na Moderna Maçonaria, desde a criação do Terceiro Grau especulativo em 1725, tem sido de domínio apenas daqueles que atingiram a plenitude maçônica. Assim, os Aprendizes e os Companheiros dele ainda não podem ter conhecimento.
Essa norma se prende principalmente ao hábito de que no passado operativo (Maçonaria de Ofício), apenas tinham a liberdade para contratar obras aqueles que comprovadamente dominavam a arte de construir e eram proprietários de guildas de construtores.
Na época da Maçonaria Operativa ainda não existia o grau de Mestre especulativo tal como hoje o conhecemos, já que na realidade existiam apenas duas classes de profissionais (Aprendizes e Companheiros) dos quais deles, apenas um Companheiro experiente era escolhido para liderar a guilda de construtores. Em síntese esse Companheiro era eleito pelos membros da confraria de pedreiros e tido como o Mestre da Obra e, pelo seu padrão profissional lhe era dado o direito de pleitear junto às autoridades, principalmente as eclesiásticas, seu livre deslocamento pelos longínquos rincões da Europa medieval em busca de contratos profissionais.
Naquelas ocasiões, sobretudo se levando em conta as dificuldades enfrentadas e comuns àquele período da história, esses profissionais ao se deslocarem geralmente careciam de ajuda para encarar as agruras do ambiente. Em face dessa situação eles então adotavam, diante das necessidades, sinais convencionais e discretos que objetivavam chamar atenção e pedir ajuda àqueles que os reconhecessem também como construtores da pedra calcária. Na verdade esse sinal era propriamente um pedido de socorro (não confundi-lo com os sinais de reconhecimento profissional).
Como os Aprendizes Admitidos e os Companheiros do Ofício (nomes dado às classes profissionais da época) geralmente permaneciam nas guildas e só se deslocavam eventualmente, porém sempre acompanhados do seu líder, eles não detinham o conhecimento do Sinal de Socorro, ficando o mesmo restrito apenas ao Mestre da obra que era também o líder da guilda de pedreiros e, havendo necessidade de pedir ajuda para alguém, ele é que assim procedia pelo Sinal.
Foi desse costume que mais tarde muitos ritos da já Moderna Maçonaria, especulativa por excelência, adotariam também um simbólico Sinal de Socorro que, diga-se de passagem, pode variar de acordo com as práticas ritualísticas dos diversos ritos hoje existentes e conhecidos. Nessa concepção, sugestivamente apenas os Mestres Maçons dele têm conhecimento.
Na Moderna Maçonaria, esteticamente essa conotação ganharia reforço a partir de 1725, sobretudo pelo aparecimento da Lenda do Terceiro Grau, cuja alegoria destaca o suplício simbólico recebido pelo Mestre Hiran e que fora aplicado pelos três maus Comp\ - J\, J\, e J\.
Não obstante a importância que tem para a Maçonaria todos os seus Sinais, sobretudo como elementos do seu verdadeiro penhor de segredo, o de Socorro geralmente se mantém mais como figura decorativa decalcada na tradição do que uma prática efetiva que possa se apresentar diante de uma real necessidade, pois isso obviamente se dá pelas circunstâncias atuais em que vivemos onde, devido à evolução das coisas, existem hoje inúmeros meios para que se possa pedir ajuda, ou mesmo identificar alguém que dela esteja carecendo, inclusive, se for o caso, também dos Aprendizes e Companheiros, mesmo que na liturgia maçônica tradicional o Sinal de Socorro continue sendo ainda privativo dos Mestres Maçons.
Na Maçonaria da atualidade não cabe mais a regra de que um pedido de socorro fique restrito a um Sinal. Embora ele exista entre os Mestres, a sua presença possui apenas uma faceta emblemática haurida dos nossos ancestrais.
Precisamos avaliar que vivemos hoje em dia num mundo onde nenhum maçom que porventura precise de ajuda, dar-se-á satisfeito apenas em compor um Sinal e ficar aguardando providências. Pensar assim é fugir à realidade, portanto deixemos que as nossas tradições permaneçam como respeito aos nossos antepassados e se perpetuem como nossos usos e costumes, mas não ao ponto de se imaginar que atualmente um maçom carente de ajuda (seja ele Aprendiz, Companheiro ou Mestre) precise ficar fazendo Sinal até que outro Irmão eventualmente possa perceber.
Essas práticas antigas eram válidas nos tempos dantes e que serviam às vezes até para que um maçom pudesse preservar a sua própria vida ao se encontrar diante de uma situação onde Irmãos lutavam em ambos os lados de uma contenda, mas isso nem sempre foi uma regra, senão uma exceção.
Na Moderna Maçonaria fica a tradição simbólica de que o Sinal velado de Socorro só é reconhecido entre os Mestres Maçons, porém ratifica-se que isso não implica que socorrer ou pedir ajuda para alguém seja coisa restrita aos detentores do Terceiro Grau. Diante da justa necessidade, todos os maçons, sem qualquer exceção, têm o direito e a obrigação de dar, pedir e receber ajuda, seja por meio de um Sinal ou não.
Por fim, aproveito a oportunidade para alertar que sinais maçônicos são privativos dos maçons, e dentre eles próprios existem regras particulares relativas aos seus graus. Assim é oportuno salientar que não existe e é fruto da mais pura invenção e absoluta imaginação a tal “estória” da existência de um Sinal de Socorro feito com as luvas e restrito às esposas dos maçons. Isso é pura bobagem e não existe na tradição maçônica. Sinais maçônicos, sejam eles quais forem, somente são conhecidos daqueles que foram iniciados na Maçonaria regular. A propósito, a entrega de luvas femininas ao iniciado não é regra maçônica universal.



T.F.A.

PEDRO JUK


JULHO/2017



domingo, 9 de julho de 2017

INICIAÇÃO NA LOJA ESTRELA DE MORRETES, 3.159 - BENFEITORA DA ORDEM

Dia 08 de julho do corrente ano, como parte da comemoração do seu aniversário (02/07/1979), a Loja Estrela de Morretes, 3.159, Benfeitora da Ordem, GOB-PR, realizou a Iniciação do Irmão Marcy Alves Pinto Jr. 
Parabéns a Loja e ao novo Aprendiz Maçom e a todos os Irmãos que abrilhantaram a Sessão consagrando a ritualística. A Loja contou com a presença e auxílio de Irmãos da Loja Perseverança de Paranaguá, Estrela do Mar de Matinhos e Taberna da Pirâmide de Pontal do Paraná. 
A Loja Estrela de Morretes é fruto de uma Maçonaria que se iniciou no Litoral do Paraná, tendo a centenária cidade de Morretes contribuído para tal com Lojas Conciliação Morretense (1867) e posteriormente com a Loja Modéstia de Morretes (1872). No ano de 1939 por questões políticas e o início da Segunda Grande Guerra Mundial, a Loja Modéstia abateria suas Colunas. Em Julho de 1979 a Maçonaria Morretense voltaria a atuar com força e vigor com o nascimento da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Estrela de Morretes.

Pedro Juk, membro da Loja de Morretes e atual Secretário de Orientação Ritualística do Grande Oriente do Brasil - Paraná.







quinta-feira, 6 de julho de 2017

SAUDAÇÃO E USO DA PALAVRA


Em 24/05/2017 o Respeitável Irmão Euro Ferreira Guedes, Loja Pedro Michael Struthos, 2065, REAA, GOB-RO, Oriente de Guajará Mirim, Estado de Rondônia, solicita a seguinte informação:

 SAUDAÇÃO E USO DA PALAVRA.


Eis minha dúvida, em relação à SAUDAÇÃO no REAA: Nosso Ritual do REAA/GOB, não faz referência alguma do modo como os Irmãos, ao usarem a palavra, devem saudar os presentes. Quem deve ser saudado, qual a ordem, em que momentos? As Luzes tem prioridade, isto é, devem ser saudadas por primeiro, ou são colocadas na Ordem hierárquica normal? A saudação inicia-se na mais alta autoridade presente, desce pelas faixas e termina onde? No Aprendiz? Tenho visto Irmãos saudarem as autoridades, uma a uma, e terminarem em Mestres Instalados, Mestres, Companheiros e Aprendizes. É necessário tudo isso?
Muitas vezes a saudação fica mais longa que as palavras do Irmão. Em que ocasiões devem ser feitas essas saudações? Toda vez que for necessário usar a palavra, isto é, na Ordem do Dia e na Palavra a Bem da Ordem? Aguardo luzes.

CONSIDERAÇÕES.

Primeiro. Já comentei bastante a respeito. Tenho dito: “quando do uso da palavra o obreiro cumpre antes o protocolo que é o de mencionar as Luzes, demais Dignidades e apenas alguns dos presentes a Loja, sem o exagero de dirigir individualmente a todos que a compõem”.
Segundo. Na verdade essa atitude não é saudação, pois quando o obreiro se posiciona à Ordem para usar da palavra ele está primeiro cumprindo uma formalidade consuetudinária do Rito que diz: “todo o obreiro que estiver em pé e parado em Loja aberta fica à Ordem e, antes de sentar novamente, desfaz o Sinal na forma de costume”.
O mais comum e recomendável para a ocasião do uso da palavra é a de que o obreiro ao fazer uso da mesma, estando à Ordem, assim proceda mencionando protocolarmente por primeiro: “Luzes da Loja, demais Dignidades, Autoridades (sem descrevê-las uma a uma), meus Irmãos” [1]. A partir daí ele simplesmente faz o seu pronunciamento e, ao final, desfaz o Sinal pela pena simbólica e torna a tomar assento.
Só isso basta. É de péssima geometria o usuário da palavra ficar mencionando exageradamente uma a uma as autoridades e demais presentes na sessão antes de usar propriamente a palavra. Quem assim o faz, além de desnecessariamente querer “dourar a pílula”, ainda toma tempo da sessão e esgota a paciência dos outros. Em síntese é uma atitude improdutiva.
A postura de se estar à Ordem para o uso da palavra não deve ser confundida com saudação maçônica, embora que para tal também se fique à Ordem.
A liturgia da saudação maçônica é feita a partir do Sinal de Ordem que deve ser composto e desfeito imediatamente pela pena simbólica quando se estiver em Loja aberta conforme especifica o Ritual de Aprendiz na sua página 42, último paragrafo. Nele está escrito que a saudação se faz apenas ao Venerável Mestre quando se entra e sai do Oriente, ou às Luzes da Loja após a entrada formal (depois da Marcha do Grau). Isso nada tem a ver com procedimentos para o uso da palavra.
Dadas essas premissas, quando alguém fica à Ordem durante o uso da palavra dirigindo-se protocolarmente às Luzes, demais Dignidades, Autoridades e demais Irmãos presentes, por exemplo, não se está saudando ninguém pelo Sinal, mas sim cumprindo a tradição de assim se postar antes de fazer uso da palavra (quem estiver em pé, obrigatoriamente compõe o Sinal de Ordem). Terminada a fala, antes de sentar, desfaz-se o Sinal. Ratificando, isso não é saudação maçônica.
Todas as saudações em Loja são feitas pelo Sinal, entretanto nem sempre quem estiver compondo o Sinal estará obrigatoriamente saudando alguém. Infelizmente, uma boa parte dos que se dizem conhecedores de ritualística e escrevem nossos rituais (quando não os copiam apenas), na verdade não a entendem a contento, portanto não se apercebem desses detalhes. São eles apenas subservientes da moda peripatética latina que é a de se cumprir apenas o que está escrito, mesmo sem saber se o que está escrito faz algum sentido ou não. Aliás, desses, a grande maioria ainda não sabe nem o porquê das nossas práticas litúrgicas.


T.F.A.

PEDRO JUK

JULHO/2017




[1] Existem outras variações protocolares tais como: “Venerável Mestre, Irmãos Primeiro e Segundo Vigilantes, demais Dignidades, Autoridades, meus Irmãos”. Na hipótese de estar presente o Grão-Mestre, ele é mencionado pelo cargo logo após as Luzes da Loja: “Luzes da Loja, Soberano (ou Eminente) Grão-Mestre, demais Dignidades...”. Existem ainda outras variações que podem, dependendo da situação, ser usadas, desde que as mesmas não se prendam aos excessos de preciosismo. – é tudo uma questão de bom senso.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

EM PÉ E À ORDEM

Em 24/05/2017 o Respeitável Irmão Euro Ferreira Guedes, Loja Pedro Michael Struthos, 2065, REAA, GOB-RO, Oriente de Guajará Mirim, Estado de Rondônia, solicita a seguinte informação:

EM PÉ E À ORDEM


Toda vez que durante a ritualística tivermos que ficar em pé e à Ordem, assim o fazemos ficando de frente para o eixo da Loja, a não ser que o Ritual determine de outra forma, ou existem ocasiões em que devemos nos voltar em outra direção? Exemplo: a abertura do Livro da Lei, entrada da Bandeira, etc.

CONSIDERAÇÕES.

Em se estando à Ordem no seu lugar em Loja o obreiro terá imediatamente à sua retaguarda o assento que ocupa. Não precisa virar o corpo todo ficando de frente para alguém ou alguma coisa. A referência para a sua postura é o seu assento de onde ele simplesmente se levanta e se posiciona na forma de costume (à Ordem). O máximo que cada um pode fazer, dependendo da ocasião, é voltar o seu olhar para alguém ou alguma coisa girando a cabeça.
Nesse caso, seguem alguns exemplos conforme a ocupação de alguns lugares em Loja na oportunidade em que se esteja à Ordem: a) o Venerável no Oriente fica de frente para o Ocidente; b) o Primeiro Vigilante do Ocidente fica de frente para o Oriente; c) o Segundo Vigilante do Ocidente ao Sul fica de frente para o eixo do Templo; d) o Orador no Oriente fica de frente para o Secretário; este por sua vez fica de frente para o Orador; e) o Mestre de Harmonia e os Cobridores, do extremo do Ocidente, ficam de frente para o Oriente, f) na Coluna do Norte os demais ocupantes ficam voltados para o eixo do Templo, assim como também os do Sul ficam voltados para o eixo, etc.
Enfim, a referência é a disposição dos assentos conforme a planta do templo mencionada no Ritual em vigência, cabendo, entretanto uma observação. No atual Ritual, o de 2.009, há um erro de impressão das figuras que representam os assentos dos Cobridores. No ritual, equivocadamente, essas cadeiras aparecem uma de frente para a outra (ou voltadas para o eixo). Entenda-se que essa forma impressa está errada, pois cada Cobridor na sua Coluna originalmente fica voltado para o Oriente (o correto é que as cadeiras simetricamente fiquem voltadas de frente para o Oriente).
No caso do ingresso e retirada do Pavilhão Nacional, durante o canto dos hinos e saudação à Bandeira, cada obreiro volta para ela apenas a sua face (cabeça). Estando o Pavilhão em deslocamento, segue-se o seu movimento pelo recinto com o olhar movendo na sua direção apenas a cabeça.
Eram essas as considerações, não sem antes ratificar que esses apontamentos se referem aos obreiros posicionados à Ordem[1] estando cada qual no seu lugar em Loja.



T.F.A.

PEDRO JUK

JULHO/2017



[1] Estar à Ordem é o mesmo que estar em pé e parado com o corpo ereto e os pés unidos pelos calcanhares em esquadria e, desta posição, compõe-se o Sinal Penal. A expressão “de pé e à Ordem” é redundante, pois ninguém se coloca à Ordem estando sentado.

domingo, 2 de julho de 2017

DÚVIDAS RITUALÍSTICAS NO REAA - CIRCULAÇÃO DA BOLSA E RETARDATÁRIO

Em 22/05/2017 o Respeitável Irmão Tristão Antônio Borborema de Carvalho, Loja Obreiros de Abatiá, REAA, GOP (COMAB), Oriente de Abatiá, Estado do Paraná, formula suas questões seguintes:

DÚVIDAS RITUALÍSTICAS - CIRCULAÇÃO DA BOLSA E RETARDATÁRIO


Ao Venerável irmão Pedro Juk: solicito sua habitual e luminar explicação sobre duas questões:
1- Ao final da circulação dos irmãos Mestre de Cerimônias e Hospitaleiro, respectivamente, após encerrarem, ritualisticamente, a coleta na circulação do saco de propostas e informações e bolsa de beneficência, estando já entre colunas, estáticos, aguardando a ordem do Venerável Mestre para a sua conferência, questiono: neste momento, devem ficar com a bolsa cerrada na mão esquerda e, com a mão direita, ficar na posição "à Ordem" ou simplesmente a bolsa é cerrada com a mão direita (ou esquerda) sem ficar nesta posição?
2- Em nosso ritual, havendo visitante retardatário, a praxe é que haja a batida deste do grau respectivo na porta do templo e, não havendo leitura de ata e outras circunstâncias, o irmão Guarda do Templo anuncia ao Venerável que o autoriza a checagem e, feita conferência, após nova autorização do Venerável, o Guarda dá com o punho da espada um golpe na porta (significando que já está descoberto o templo), recepcionando o irmão. A dúvida é a seguinte: após o ingresso de tal irmão retardatário - seguindo as formalidades - novamente o irmão guarda do templo, como fez no início da sessão, dá as pancadas do grau e anuncia ao irmão primeiro vigilante que o templo (voltou a estar) está coberto? Ou simplesmente prossegue a reunião normalmente?

CONSIDERAÇÕES.

  1. O procedimento mais comum, não é nem um e nem outro dos mencionados.
O oficial circulante ao encerrar a coleta deveria ficar entre Colunas (do Norte e do Sul) no extremo do Ocidente mantendo a mesma postura. Isto é: segurando o recipiente com as duas mãos encostadas no lado esquerdo do seu quadril. Não existe necessidade de ele cerrar a bolsa e segura-la com uma das mãos, pois quem por primeiro comunica que o giro por ter terminado está suspenso é o Segundo Vigilante. Note que o Vigilante comunica a suspensão da circulação e não que a bolsa está lacrada, fechada, ou algo nesse sentido.
Entretanto, sabe-se perfeitamente que muitas variações foram inseridas indevidamente nos nossos rituais e não me cabe aqui comentá-las, isso porque mesmo que eu não acredite em bruxas; “sei que las hay, las hay”.
Assim, se porventura algum ritual determinar que a bolsa (saco) seja lacrada pelo oficial circulante, então geralmente ele o fará segurando-a com a mão direita e simplesmente aguardará ordens do Venerável em pé, sem sinal, mas com o corpo ereto e os pés em esquadria (não faz sinal porque a sua mão direita estará ocupada).
  1. Embora não seja esse o procedimento mais costumeiro, pois qualquer bateria de retardatário na porta do templo, independente do grau em que a Loja esteja trabalhando, ela será sempre a universal (a do Aprendiz), mas respeitando o que exara o ritual vamos a sua questão propriamente dita. Após o ingresso formal do retardatário, o Cobridor simplesmente fecha a porta e retorna ao seu lugar sem a necessidade de bater e comunicar o Primeiro Vigilante que o Templo está novamente coberto.
Apenas um último comentário. Eu estou surpreso com o procedimento do Cobridor dar uma pancada significando que o templo está descoberto (sic). Perdoe-me, mas a meu ver, essa é mais uma invenção.

T.F.A.

PEDRO JUK

JULHO/2017

sábado, 1 de julho de 2017

REAA - TRANSMISSÃO DA PALAVRA E 1º VIGILANTE QUE FECHA A LOJA - RAZÕES HISTÓRICAS - RESUMO

Em 18/05/2017 o Respeitável Irmão Weber Koiti Yagui, REAA, Loja Amor e Liberdade, GOB-PR, Oriente de Ivaiporã, Estado do Paraná, formula através do meu blog http://pedro-juk.blogspot.com.br, as questões seguintes:

HISTÓRIA DE DUAS PRÁTICAS RITUALÍSTICAS NO REAA


1) Gostaria de saber qual a razão histórica para quando o Venerável pede para o 1º Vigilante “Podeis fechar a loja”?
2) Qual a história e a razão da liturgia da transmissão da Palavra e o porquê da sua existência?

CONSIDERAÇÕES:

Essas são reminiscências dos nossos ancestrais operativos que são lembradas na liturgia da Moderna Maçonaria dos Aceitos.
As duas questões podem ser respondidas de uma só vez, já que entre ambas existe relação.
A origem da Transmissão da Palavra como a prática aplicada na liturgia do simbolismo do REAA\ relembra o Ofício no passado, e nela a demarcação, conferência, nivelamento e aprumada dos cantos da construção.
Sinteticamente o que se poderia comentar seria o seguinte:
Nos canteiros da Idade Média, durante o início da jornada de uma etapa de trabalho, o Mestre da Obra solicitava aos seus auxiliares imediatos, os antigos wardens (zeladores), atuais Vigilantes da Moderna Maçonaria, que antes de se dar início aos trabalhos no canteiro (hoje a Loja), os mesmos fizessem a verificação acurada dos cantos erguidos para o fechamento com qualidade das paredes conferindo neles a aprumada e o nivelamento. Munidos do nível e do prumo e auxiliados pelos antigos oficiais de chão mensageiros (hoje os Diáconos), eles então percorriam a imensidão da obra (construção de uma catedral, por exemplo) e faziam meticulosa conferência. Concluída esta e estando tudo nos conformes, os mensageiros eram enviados para comunicar ao Mestre da Obra que tudo estava “justo e perfeito”, oportunidade na qual o Mestre ordenava que imediatamente fossem iniciados os trabalhos.
Concluída aquela etapa da obra, o Mestre da Obra então determinava novamente aos seus auxiliares que os mesmos conferissem os trabalhos realizados, verificando se a sua qualidade estava a contento. Assim, munidos dos seus instrumentos de trabalho, novamente os wardens, auxiliados pelos oficiais de chão, conferiam o nivelamento e a aprumada das paredes que haviam sido construídas naquela fase. Em estando nela tudo a contento, o Mestre era informado que os trabalhos estavam “justos e perfeitos”. Ao receber essa afirmativa ele então declarava encerrada aquela etapa da obra e mandava o seu primeiro warden (hoje o Primeiro Vigilante) fechar a Loja, pagar os operários e despedi-los contentes e satisfeitos, não sem antes recomendar a todos o retorno ao canteiro depois de merecido descanso para dar início à outra etapa da obra.
Na verdade o canteiro de obras era fechado no solstício de inverno no hemisfério norte e assim permanecia por toda essa estação graças às dificuldades trazidas pelas intempéries tão comuns ao ciclo natural do inverno - excesso de frio, noites longas e dias curtos (a Terra fica viúva do Sol), levando-se em conta também os obstáculos operacionais comuns àquele período da história.
Há que se considerar igualmente que os nossos ancestrais construtores atuavam no hemisfério Norte, em cujas latitudes sempre ocorrem invernos rigorosos, a despeito de que foi principalmente nessa região que a Francomaçonaria floresceu.
Em síntese essa era uma peque parte do teatro natural onde se desenvolviam os trabalhos nos canteiros de obras medievais, sendo também apropriado lembrar-se da complexidade que envolvia as construções de pedra no passado, principalmente em se tratando da edificação de igrejas, monastérios, obras públicas e catedrais.
Foi relembrando as práticas dessa época que a Moderna Maçonaria, especificamente o REAA\ durante a evolução dos seus rituais desde meados do século XIX e início do XX, manteve essa tradição na sua liturgia, a despeito de que de modo especulativo os maçons da atualidade não trabalham mais literalmente na construção de catedrais, porém se dedicam, por um método de aperfeiçoamento moral, a construir simbolicamente um Templo à Virtude Universal.
Assim, simbolicamente a estrutura dialética do ritual através das suas práticas litúrgicas faz lembrar o passado distante, não mais literalmente aprumando e nivelando os cantos de uma construção, mas de modo prático, comparam aquelas atividades de antanho à transmissão atual de uma Palavra envolvendo os personagens do Venerável Mestre (o Mestre da Obra do passado), dos Vigilantes (os wardens do passado) e dos Diáconos (os antigos oficiais de chão). Toda essa alegoria representa o aprimoramento do Homem como um elemento primário apropriado para fazer parte da edificação simbólica. A Palavra estando correta e transmitida nos conformes, isto é justa e perfeita ao Meio-Dia o Venerável declara a Loja aberta. Do mesmo modo, ao final da jornada, estando tudo justo e perfeito, os trabalhos são encerrados à Meia-Noite e o Primeiro Vigilante declara a Loja fechada – observe o que exara o ritual: o Venerável abre a Loja e o Primeiro Vigilante a encerra.
Concluindo, não é por acaso que as joias dos Vigilantes se constituem pelo Nível e pelo Prumo respectivamente. Do mesmo modo essa também é a razão de existir a expressão maçônica: “justo e perfeito em ambas as Colunas” como condicionante para que os trabalhos da Loja possam ser abertos e encerrados regularmente.


T.F.A.


PEDRO JUK



JULHO/2017