terça-feira, 21 de novembro de 2023

COLUNETAS E OS VIGILANTES. ELEMENTOS INEXISTENTES NO REAA

Em 26/06/2023 o Respeitável Irmão Wellington Sampaio, Loja Cavaleiros de Aço de Alagoas, 37, (CMSB), REAA, Oriente de Maceió, Estado de Alagoas, apresenta a dúvida seguinte:

 

COLUNETAS E OS VIGILANTES

 

Sobre o levantar e abaixar das colunetas dos VVig já li e reli em seu blog, assim como no livro Estudos Maçônicos sobre Simbolismo (pp. 140 a 155), de Nicola Aslan, bem como no seu Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, Vol. 1 (p. 256), a Simbólica Maçônica (pp. 113 a 117) e em tantos outras fontes, inclusive no The Freemasons’ Guide and Compendium, porém nada encontrei da associação específica do "coluna em pé" corresponder a governo (dos trabalhos ou do descanso) e da "coluna deitada" corresponder a não-governo (dos trabalhos e do descanso).

Há algum simbolismo no fato da coluna da "Força" em ficar de pé durante os trabalhos e a da "Beleza" em ficar deitada, ou vice-versa durante o descanso/recreação?

NICOLA ASLAN diz que, quando se abre os trabalhos, a coluna do 2º Vig deita porque ele (2º Vig) nada faz, senão receber ordens do 1º Vig; e no descanso, o governo é tão somente do 2º Vig, motivo pelo qual a coluna dele fica de pé. A leitura desse procedimento poderia ser entendida que uma coluna fica levantada é porque é ela que "sustenta" o peso dos trabalhos? e deitada é que não teria nenhuma responsabilidade? ou não tem nada a ver essa interpretação?

E esse procedimento foi inserido na maçonaria por qual motivo? Sou da Grande Loja e só temos um rito, o REAA, o que me dificulta entender o porquê exatamente desse procedimento, diferente do GOB, que adota muitos ritos, entre os quais, o de Emulação, de onde se originou esse procedimento, conforme vi em seu blog.

Por fim, e quanto a coluna do Venerável (Sabedoria)? por qual razão ela fica de pé tanto durante os trabalhos, quanto no descanso? haveria alguma explicação pra isso?

Caso o irmão tenha as respostas a esses questionamentos, agradeceria muito que me informasse, pois estou fazendo uma peça de arquitetura sobre o assunto, mas em que pese está há quase dois meses procurando por tais respostas, infelizmente não consigo obtê-las, pois as fontes não abordam sobre a especificidade dessa questão.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

                      Veja, toda essa dificuldade oriunda de confusas interpretações advém de enxertos e as suas respectivas tentativas de explicar algo que não existe na originalidade do Rito, no caso o REAA.

Estou cansado de dizer que originariamente no REAA não existem colunetas junto às Luzes da Loja. Não adianta querer forçar interpretações.

Infelizmente, vez por outra esse tema volta à baila e até bons autores às vezes escorregam nas justificativas para as invencionices. Por exemplo, essas interpretações de "governo e não-governo" são meras balelas inventadas para desculpar algo que não existe no rito em questão. Notadamente no REAA isso é um enxerto de outra prática ritualística que acabou ingressando indevidamente nos rituais de algumas Obediências.

Vamos aos fatos. Na Maçonaria anglo-saxônica, particularmente no CRAFT, existem apenas e tão somente "duas colunetas" sem qualquer ordem de arquitetura. Essas colunetas, que ficam junto aos respectivos Vigilantes, nada tem a ver com a alegoria das colunas que sustentam a Loja, ou seja, a da Sabedoria (Jônica), da Força (Dórica) e da Beleza (Coríntias), cujas três aparecem regularmente ilustradas na Tábua de Delinear Inglesa.

Assim, por falta de atenção, alguns autores, no afã de colocar em seus rituais aquilo que em outros ritos eles acham bonito, logo acabariam indevidamente enxertando costumes de outros sistemas em outros, comprometendo a originalidade - é o caso das tais colunetas do Craft indevidamente enxertadas no REAA. Vale dizer que um símbolo está diretamente ligado à estrutura iniciática do rito. Isso é imperativo para se compreender a sua organização e o seu objetivo.

A vista disso, as colunetas - que originalmente só existem no Craft (Maçonaria Britânica) - são apenas elementos indicadores ou sinalizadores do andamento dos trabalhos em Loja. Explica-se: se a coluneta relativa ao 1º Vigilante estiver em pé e a do 2º Vigilante deitada, quer dizer que os trabalhos se encontram em plena força e vigor. Já ao contrário, se a do 2º Vigilante estiver em pé e a do 1º Vigilante deitada, quer dizer que os operários estão em recreação, ou mesmo a Loja fechada. Nesse sentido, as colunetas existem apenas e tão somente para indicar o andamento dos trabalhos na Loja. Sem inventar, essa é a única função das delas, e ponto final.

Ainda nesse contexto, vale relatar que existem apenas duas colunetas na Loja - estas relativas a cada um dos Vigilantes. Não há coluneta para o Venerável Mestre.

Nessa conjuntura, vale relatar também que a prática de se colocar a Loja em descanso é comum no Craft, não no REAA. Graças a isso, se servindo das colunetas, há na Maçonaria anglo-saxônica uma ritualística própria para essa ocasião, oportunidade em que o 2º Vigilante, vendo que o Sol já passou do zênite, se o Venerável desejar, pode mandar os operários para a recreação. Uma particularidade desse período é que em recreação a Loja permanece aberta, mas com os trabalhos suspensos. No momento apropriado é também dever do 2º Vigilante chamar de volta os operários para o trabalho.

Uma particularidade é de que no Craft, quando a Loja estiver em recreação, o Livro da Lei é fechado, mas sem se retirar do seu interior o Esquadro e o Compasso organizados no grau. É por isso que no Rito de York esses instrumentos ficam dispostos sobre a página do Volume da Lei Sagrada que fica à direita do titular que os arranja. Assim, quando a Loja estiver suspensa, o Livro é fechado, mas sem que se retirem os instrumentos emblemáticos do seu interior. Nessa ocasião, a coluneta do 2º Vigilante fica em pé e a do 1º tombada.

Como dito, tudo isso originalmente ocorre na vertente anglo-saxônica de Maçonaria, mas é desconhecido no REAA, que é um rito de origem francesa. Obviamente que meus comentários se prendem à originalidade do REAA e não ele enxertado com práticas de outros ritos.

Ao encerrar reitero alguns pontos: 1) no verdadeiro REAA não existem colunetas para os Vigilantes; 2) as colunetas são naturais nos trabalhos do Craft (Rito de York, por exemplo); 3) no Craft não há ordem de Arquitetura para as colunetas (estas não podem ser confundidas com as Colunas da Tábua de Delinear inglesa); 4) no Craft existem apenas duas colunetas, uma para cada Vigilante, já o Venerável não possui nenhuma coluneta sobre o pedestal; 5) pela inexistência desses elementos no REAA, nele seria improcedente alegar qualquer significado para os mesmos.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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NOV/2023

 

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

TRABALHO ELABORADO PELO MESTRE. QUEM É O REVISOR?

Em 22.06.2023 o Respeitável Irmão Vicente Miranda Neto, Loja Igualdade Santista, 2164, REAA, GOB-SP, Oriente de Santos, Estado de São Paulo, apresenta a dúvida seguinte:

 

TRABALHO ELABORADO POR UM MESTRE.

 

Gostaria de seus esclarecimentos quanto a apresentação de trabalho pelo Mestre Maçom.

Até onde eu sei, todo trabalho de Aprendiz deve ser revisado pelo Vigilante de sua coluna. O mesmo ocorre para o Companheiro.

No caso do Mestre Maçom os trabalhos devem ser revisados?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Antes, um pequeno comentário. No REAA o revisor do trabalho de um Aprendiz é o seu instrutor, no caso, o 2º Vigilante, e do Companheiro, o 1º Vigilante - vide o ritual em vigência e o SOR.

                    No tocante ao Mestre Maçom, não há um revisor, pois todos os Mestres, em tese, alcançaram esclarecimentos necessários para integrar o 3º Grau, que é a plenitude maçônica. No caso, uma Peça de Arquitetura elaborada por um Mestre, a mesma pode ser debatida com os seus pares em Loja de Mestre Maçom. Diga-se de passagem, algo deveras salutar.

No REAA há um elemento que indica essa igualdade entre os Mestres alcançada pela plenitude. É o chapéu, onde em Loja de Aprendiz e Companheiro apenas o Venerável Mestre se cobre (vide o SOR), já em Câmara do Meio (Loja de Mestre) todos se cobrem (vide o SOR).

Esse costume advém da Maçonaria francesa dos séculos XVIII e XIX onde, em um comparativo com o Rei e a sua superioridade, diante dos seus súditos apenas ele se apresentava coberto, enquanto que diante dos seus pares, em sinal de igualdade, todos se apresentavam cobertos.

Graças a isso, é que entre os Mestres Maçons impera a igualdade. No caso de uma peça escrita por um Mestre não existe propriamente um revisor para esse mister, podendo sim existir entre os pares a apresentação para crítica literária.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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NOV/2023

 

domingo, 19 de novembro de 2023

O ORADOR E A ASSINATURA NA ATA

Em 21/06/2023 o Respeitável Irmão Rogério Uilson da Silva, Loja Obreiros da Paz, 2909, REAA, GOB-PR, Oriente de Pinhais, Estado do Paraná, apresenta a questão seguinte:

 

ASSINATURA NA ATA

 

Surgiu uma dúvida durante nossa última sessão realizada em 19/06/2023 e de fato não consegui encontrar uma informação documental para sanar minha dúvida.

O Irmão Orador titular participou da última sessão da Loja, logo foi nomeado um Orador ad hoc para esta sessão em específico, na sessão seguinte (19/06), foi realizada a leitura da ata, onde constava o nome do Orador ad hoc pois de fato ele esteve compondo a sessão, a ata foi aprovada em loja, porém Orador titular, não aceitou assinar a ata, pois o nome que constava na mesma não era o dele.

Em conversa com Mestres Instalados de minha loja, e em grupos de estudos que participo, a grande maioria afirma que o Orador presente do dia, deve assinar a Ata mesmo que o nome dele não tenha participado, pois assina o Orador presente na leitura da ata, pois ele atesta a legalidade da aprovação da ata em sessão. E esta minha interpretação, porem eu gostaria se possível de vossa opinião ou se conheça, materiais didáticos sobre este tema.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Vou dar apenas a minha opinião sobre o caso, portanto, nada por mim dito é laudatório, até porque esse não é um assunto de ritualística propriamente dito, porém, uma questão legal de administração da Loja.

A vista disso, sou da opinião de que o Orador titular deveria assinar normalmente a ata da sessão em que ele estivera ausente e então substituído por um Orador Ad Hoc.

No meu entender, o titular esteve presente no dia da aprovação da referida ata, portanto essa não é questão de ele ter estado ou não presente na sessão que gerou a ata. Aqui, ao meu ver, o importante é que ele estava como Orador na sessão em que a Loja (assembleia de maçons) aprovou a tal ata.

Nesse contexto, entendo que quem aprova a ata não é o Orador, mas obviamente a Loja. Assim, não vejo o porquê dessa recusa.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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NOV/2023

CADEIA DE UNIÃO NO REAA

Em 20/06/2023 o Respeitável Irmão Diego Di Luca, Loja Palmares do Sul, 213, REAA, GLMERGS, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a dúvida seguinte:

 

CADEIA DE UNIÃO

 

Entro em contato visando sanar uma dúvida, creio que na área de ritualística.

Seguinte: Caso eu não acredite em Cadeia de União para cura, ou para mandar energia para fora para alguma pessoa doente, por exemplo; ou pelo fim da guerra; ou qualquer outro tema que não seja trocar a energia entre os irmãos que a compõem, devo me abster de participar da mesma? Neste caso, permaneço sentado no templo, até que ela finalize?

Ou, mesmo assim, participo, a fim de não quebrar a corrente física presente?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Eu quero crer que no ritual do REAA da sua Obediência a Cadeia de União não traga procedimentos que envolvam orações, súplicas, formação de egrégoras, etc. Faço essa colocação porque originalmente isso não existe no REAA. Assim, se não constar no ritual não há o porquê agir de modo contrário, isto é, desrespeitando o Ritual.

                Nesse caso, se estiver ocorrendo inserção de práticas que não constem no ritual em vigência, o Orador, ou quem de direito, precisa coibir tal prática, até porque isso pode levar Irmãos a participar de algo contrário às suas crenças e convicções religiosas, por exemplo.

Por outro lado, dizer que um Irmão nessas circunstâncias se negue de participar da Cadeia, também não me parece ser uma atitude adequada. É difícil eu sei, mas o mais coerente é combater as distorções por meios legais do que proceder com atos de indisciplina e rebeldia – o maçom nunca deve se nivelar por baixo.

Sob o aspecto da originalidade da Cadeia de União, posso lhe afirmar que no REAA ela existe apenas como um mecanismo ritualístico para se transmitir a Palavra Semestral.

A bem da verdade, o REAA segue pura e simplesmente os propósitos do Grande Oriente da França que criou, em 1777, a Palavra Semestral para sanar um sério problema pelo qual passava a Maçonaria Francesa daquela época, onde irmãos irregulares acintosamente ingressavam nas Lojas para causar tumulto. Graças a isso nasce a Palavra Semestral como um artifício de cobertura para barrar os insurgentes irregulares. Com ela surge também a Cadeia de União como um dispositivo sigiloso e único para a transmissão dessa palavra. A título de esclarecimento, no Brasil a Palavra Semestral existe desde 1832, então adotada no GOB.

Enfim, dados aos comentários até aqui expressos, sugiro ao Irmão que se apegue à legalidade. Apresente sua súplica fundamentada à Loja e mostre a sua indignação e discordância relatando os equívocos pedindo providências.

Caso a Loja não tome conhecimento, é possível então relatar o fato ao Ministério Público Maçônico da sua Obediência informando a inserção de elementos que não constam no ritual. Vale mencionar que atitudes extremas somente devem ser tomadas após esgotadas todas as possibilidades de acerto.

Concluindo, devo lembrar que ritual em vigência é para ser cumprido, portanto, as eventuais contradições que nele constem devem ser antes resolvidas na forma da lei.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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NOV/2023

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

COMPANHEIROS E APRENDIZES VISITANTES - É OBRIGATÓRIO O ACOMPANHAMENTO DE UM MESTRE?

Em 19/06/2023 o Respeitável Irmão que se identifica apenas como Samuel, Loja Tabernáculo, 3418, REAA, GOB-SP, sem mencionar o Oriente, Estado de São Paulo, apresenta a dúvida seguinte:

 

COMPANHEIROS E APRENDIZES VISITANTES

 

Minha dúvida é sobre visitação dos aprendizes e companheiros. É dito que se faz necessário um Mestre acompanhar o obreiro do 1º ou 2º grau em uma loja diferente. Quando feita, combinado com o Venerável Mestre da loja visitada antecipadamente da mesma Potência, é obrigatoriamente que um Mestre acompanhe por alguma regra específica ou apenas uma forma de auxiliar na orientação pela falta de vivência que o obreiro pode ter?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Ao que me consta não existe nada na legislação do GOB que mencione a obrigatoriedade de que um ou mais Mestres Maçons devam acompanhar Aprendizes ou Companheiros em visita às Lojas Regulares.

                     Da mesma maneira, também não é do meu conhecimento existir algo que mencione a necessidade antes ser combinado com o Venerável da Loja que será visitada.

A bem da verdade, é direito universal do maçom regular visitar outras Lojas regulares, desde que ele possua grau suficiente para assistir os trabalhos. Inclusive, vale também relatar que existem algumas classificações de Landmarks que categorizam o direito de visitação como um Landmark da Ordem.

Não obstante a isso, por certo é salutar que um visitante recém iniciado até seja acompanhado por um ou mais Mestres da sua Loja para atender eventuais situações decorrentes da ocasião, contudo isso não é regra, mas um ato de prudência.

Concluindo, se um Aprendiz ou um Companheiro por sua própria conta resolver visitar outra Loja regular em grau que ele possa ser recebido, não há nenhuma condicionante que o impeça nesse mister.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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NOV/2023

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

O TRONCO DE BENEFICÊNCIA - COMENTÁRIOS

Em 16.06.2023 o Irmão Companheiro Maçom que se identifica como Tossida, Loja Luz e Sabedoria, 4184, REAA, GOB-SP, Oriente de Conchal, Estado de São Paulo, apresenta o que segue:

 

TRONCO DE BENEFICÊNCIA

 

Gostaria de saber mais sobre o Tronco de Beneficência. Algum trabalho a respeito?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

O giro do Tronco de Beneficência, ou de Solidariedade, em Loja, também conhecido como Tronco da Viúva, é natural nos ritos de origem francesa. O sentido dessa coleta é a do exercício da caridade sem ostentação.

Assim, cada um deve depositar aquilo que pode sem que outros saibam quanto ele pode doar, ou mesmo se nada pode dispor naquele instante.

O termo “da Viúva” remonta aos tempos operativos da Maçonaria onde as viúvas e filhos dos operários que sucumbiam no exercício do seu ofício eram assistidos pelas guildas.

             Na Maçonaria francesa do século XVIII e XIX, o giro do tronco teve origem nas igrejas francesas daquela época, onde ao final das missas, durante a saída dos fiéis, um personagem encarregado pela caridade da paróquia oferecia aos devotos uma bolsa que ele trazia à tiracolo para receber a doação.

Graças a essa característica de arrecadação é que atualmente na Maçonaria um oficial encarregado pela coleta apresenta aos maçons em Loja uma bolsa segura pelas duas mãos junto ao seu quadril esquerdo. Essa postura, em tese procura imitar o gesto do esmoleiro que operava a coleta no átrio das igrejas na França.

O encarregado pela coleta em Loja denomina-se Hospitaleiro, cujo qual ao fazer a coleta volta os olhos para o lado oposto em uma atitude de discrição que o momento exige.

Cabe destacar que nos séculos XVIII e XIX era comum nas Lojas francesas os maçons doarem joias valiosas e moedas para a caridade da Loja. Desse modo, naquela época geralmente o produto da coleta era conferido pelo Guarda da Lei que, por sua vez, pesava o produto e informava em quilos à Loja a quantidade de metais preciosos arrecadados. Esse produto era posteriormente creditado à tesouraria e ficava à disposição do Hospitaleiro.

A vista dessas características é que acabariam consagradas na Maçonaria as expressões “medalha cunhada”, “metais” e “quilos”. Atualmente convenciona-se que o produto arrecadado é anunciado em moeda corrente do País.

No tocante à operacionalidade litúrgico ritualística que envolve o giro para a coleta do Tronco, o mesmo segue o que dispõem os rituais dos respectivos ritos.

A lição iniciática haurida do ato da coleta é a da discrição na prática da caridade, sobretudo naquilo que cada um pode doar de coração.

Ainda vale ressaltar que a palavra “tronco”, do francês tronc, é de modo figurado de mencionar aquilo que com o tempo engrossa no volume – no caso engrossa a caridade e a solidariedade da Loja.

Esses são alguns aspectos inerentes à coleta do Tronco de Beneficência.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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NOV/2023

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

CÂMARA DO MEIO - LOJA DO 3º GRAU

Em 14.06.2023 o Respeitável Irmão Reginaldo Celio de Oliveira, sem mencionar o nome da Loja, Rito, Obediência, Oriente e Estado da Federação, faz a pergunta seguinte:

 

CÂMARA DO MEIO

 

Como é chamada a Loja de Mestre e qual o significado filosófico desse?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

                     Em linhas gerais, a expressão C do M é, em Maçonaria, o nome dado à Loja de Mestre ou a Loja aberta no 3º Grau. Assim, qualquer sessão no 3º Grau é uma sessão em Cdo M.

Como alegoria maçônica o título C do M tem origem bíblica – “a porta do lado do meio estava no lado direito da casa; e subiam por um caracol ao andar do meio e deste ao terceiro” – Reis I, 6, 8.

Nota-se aí uma primitiva relação com o Grau de Companheiro, a despeito de que o Grau de Mestre é bastante recente e foi construído à sombra da liturgia do Companheiro Maçom. Nesse sentido, vale lembrar que até 1738 a Maçonaria Especulativa possuía apenas dois graus iniciáticos – o de Aprendiz e o de Companheiro. O 3º Grau somente viria surgir em 1725 na Inglaterra e foi oficializado pela Grande Loja em 1738 quando da sua segunda constituição.

Sob o aspecto simbólico, o formato de escada em caracol citado no texto bíblico possui alto sentido para a Maçonaria geral e para alguns dos seus ritos em particular.

Em termos esotéricos e interpretativos, a sinuosidade dessa escada sugere o difícil caminho que o iniciado deve percorrer até alcançar a C do M.

O alcance dessa C está condicionado ao conhecimento que o iniciado deve adquirir para desvendar a árv da vid. É daí que vem a senha de reconhecimento a a m é c∴, adotada por alguns ritos.

De modo abrangente, o 3º Grau corresponde à etapa final da jornada iniciática, portanto, a Loja em C do M, associada à Lenda de H∴, destaca o ambiente de consternação pelo desaparecimento de H. O Sol e o inverno são elementos chaves na construção dessa lenda iniciática.

Tudo isso, na conjuntura iniciática, se encontra simbolizado na decoração estilizada da Cdo M.

Quanto ao sentido filosófico dessa alegoria, é possível destacar que a semente precisa antes morrer para depois renascer. Há nesse ambiente um sentido místico haurido dos cultos solares da antiguidade e dos ciclos agrários e o culto aos vegetais – a semente que cair no chão e não morrer estará fadada ao esquecimento, porém, aquela que perecer, certamente estará fadada a produzir bons frutos.

Em linhas gerais o emblema menciona o finitude da vida humana e a obra deixada pela criatura. No final da jornada, cada um será avaliado de acordo com a sua obra. O pó volta à terra, o espírito volta ao Criador e a obra deixada permanecerá para sempre na mente dos pósteros. Enfim, a colheita se dará conforme a semeadura. A eternidade está na obra, não no operário.

Eis um pequeno resumo do significado da alegoria denominada C do M.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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NOV/2023