domingo, 22 de dezembro de 2019

APAGAR DAS LUZES LITÚRGICAS NO REAA


Em 04/10/2019 o Respeitável Irmão Rony Silvio, Loja Estrella da Syria, 0751, REAA, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Estado de São Paulo, solicita o seguinte esclarecimento:

APAGAR DAS LUZES LITÚRGICAS.


Fazendo uma orientação em sessão de Mestre, notei que na página 85 do ritual de Mestre, ao apagar das luzes no fechamento, na orientação em azul não está especificando a sequência do apagar das luzes como se faz no grau de Aprendiz, ou seja, na sequência inversa à abertura. Diz o seguinte: "O Respeitab\  Mestre e os VVenerab\ VVig\ apagam suas luzes; sendo velas, o M\ de CCer\ as apagará", deixando a dúvida e o entendimento que, não se usa sequência ao apagar as luzes no grau 3. Por este motivo peço a ajudar do irmão para esclarecer essa dúvida.

CONSIDERAÇÕES

A sequência do apagar das Luzes litúrgicas no Grau de Mestre do REAA é a mesma dos dois outros Graus anteriores, isto é, na ordem inversa à do acendimento. Por deficiência do Ritual do 3º Grau no explicativo pertinente faltou mencionar que essa ordem é "inversa a da abertura".
A despeito de todas essas celeumas por ausência de explicações, é bom que se diga que a ordem de acendimento e apagar dessas Luzes nada tem de iniciático, senão a de trazer padronização.
Nesse sentido, as Luzes litúrgicas se acendem na ordem hierárquica das Luzes da Loja (Venerável Mestre, 1º e 2º Vigilantes, enquanto que se apagam na ordem de hierarquia inversa (2º Vigilante, 1º Vigilante e Venerável Mestre.
Cabe destacar que no REAA as Luzes litúrgicas pertinentes aos graus simbólicos advertem que quanto maior for o número de luzes acesas, maior é o esclarecimento do homem iniciado. Assim, não há cerimônia de acendimento com o fito de levar Luz a esse ou aquele quadrante da Loja, mas de representar a inteligência pelo preparo do Obreiro.
De resto, a ordem do acender e apagar dessas Luzes tem apenas o caráter de padronizar esse ato ritualístico. Cerimonial de levar Luz aos quadrantes do Templo é prática de outro Rito, não do REAA.
Na questão de o Ritual de Mestre não trazer a orientação apropriada, tal como ocorre nos dois outros Graus, o Sistema de Orientação Ritualística pertinente ao 3º Grau que irá para a plataforma do GOB RITUALÍSTICA - http://ritualistica.gob.org.br/ em março próximo vindouro trará essa orientação bem definida.


T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2019

sábado, 21 de dezembro de 2019

SESSÃO CONJUNTA - INCORPORAÇÃO DE LOJA


Em 26/09/2019 o Respeitável Irmão Marcos Takahashi dos Santos, Loja Cavaleiros do Templo, REAA, GOB-GO, Oriente de Rio Verde, Estado de Goiás, apresenta a seguinte questão:

SESSÃO CONJUNTA


Gostaria de saber como proceder realizaremos uma sessão conjunta com as lojas coirmãs do oriente do Rio Verde devo levar um livro de presença ou seremos apenas visitantes a sessão será na Loja Estrela Rio-Verdense.

CONSIDERAÇÕES

Sessão Conjunta no GOB somente é possível com Lojas incorporadas, cujas quais devem ser do mesmo Rito e Obediência.
Numa Loja incorporada não existe duplicidade de cargos, portanto com antecedência, as Lojas que participarão da incorporação acordam entre si a ocupação dos cargos. Os participantes assinam uma lista de presenças própria para a Loja incorporada, sendo que dessa sessão (da Loja incorporada) resultará uma Ata que será enviada cópia às Lojas que participaram da incorporação. É recomendável que no caso de incorporação, a Ata seja aprovada na mesma sessão que houve a incorporação.
Nada impede que, além da lista de presenças pertinente à Loja incorporada, cada Loja participante tenha à parte assinaturas dos membros do seu quadro no livro próprio da Loja (nesse caso é recomendável uma anotação informando que houve incorporação naquela data).
Em não havendo incorporação, uma Loja presente na sessão de outra coirmã será tratada como Loja visitante.
Mais esclarecimentos para tal poderão ser encontrados na página 71 do Ritual de Aprendiz do REAA em vigência (edição 2009), item 2.8 da Recepção de Lojas.


T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2019

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

MESTRE DE CERIMÔNIAS NO REAA - ALGUMAS PRÁTICAS RITUALÍSTICAS


Em 26/09/2019 o Respeitável Irmão Gilberto Rodrigues Marques Filho, Loja Major Lindolfo Pires, 1.894, REAA. GOB-PB, Oriente de Sousa, Estado da Paraíba, apresenta as seguintes dúvidas^:

PRÁTICAS RITUALÍSTICAS NA LITURGIA DO REAA


1º - Em um de seus recentes trabalhos vi o seguinte: “Concluída a coleta de todo o Oriente, segue-se para os Mestres do Norte, do Sul, Companheiros, Aprendizes e por último o próprio titular deposita a sua proposta ou óbolo na forma de costume. “Dúvida: Quando o Mestre de Cerimônias conclui o Oriente ele não deve coletar os Mestres da coluna do Sul? Tipo, ao descer do Oriente ele já não vai para o Chanceler e em seguida ao 2º Experto para só assim ir ao 2º Diácono em diante?
2º - Quanto ao destino das Colunas Gravadas, no que diz respeito os certificados de presença dos irmãos. O Venerável após decifrar deve o Mestre de Cerimônias coletar estes certificados e ir direto ao Chanceler e entregar os mesmos ou existe outro procedimento?
3º - O Cobridor Interno sempre que for necessário estar à Ordem deve fazer o sinal ou se portar com a espada em sentido ombro-arma? E quando necessitar dar alguma batida na porta seja as do Grau ou para que, o que bate ao lado de fora ter paciência, esta batida deve ser com o punho da espada ou com o pequeno malhete preso a porta (em minha Loja temos este pequeno malhete preso na porta, tanto no lado de dentro como no de fora, que foi colocado justamente para estes momentos)?
4º - Sendo eu o Mestre de Cerimônias, na hora de dar entrada ao Templo, dou as batidas do Grau com o punho fechado ou utilizo o pequeno malhete preso a porta para dar as pancadas?
5º - Ao fazer o convite para entrada, sempre falo: “Aprendizes, Companheiros, Mestres sem cargo, Oficiais, Dignidades, Grão Mestre Estadual Adjunto (sempre está presente) e Venerável Mestre. Este procedimento está correto? E no que diz respeito às dignidades, isso já engloba os que detém cargos estaduais, deputados e Mestres Instalados? Porque percebo que alguns irmãos que detém algum cargo (Como os Deputados/Secretários) as vezes esperam que eu mencione a entrada dos mesmos. Enfim, qual o procedimento correto, levando em consideração que sempre temos presentes em nossas reuniões: Secretários/Coordenadores do GOB Estadual, Deputados Estaduais/Federais, Mestres Instalados e o Grão Mestre Estadual Adjunto (já que o mesmo é de minha Loja)? Como seria esta chamada? E os Vigilantes, já estão como Oficiais ou preciso mencioná-los antes do Venerável?

CONSIDERAÇÕES.

  1. De fato, cometi um equívoco, mas já está corrigido. Inapropriadamente coloquei na sequência por primeiro os da Coluna do Norte quando o correto seria os da Coluna do Sul.
Corrigido, apenas gostaria de destacar que o titular que estiver realizando a coleta, após ter concluído todos os do Oriente, ao percorrer as Colunas aborda indiscriminadamente os Mestres de cada Coluna e não necessariamente coleta primeiro dos Oficiais (ocupantes de cargos). Assim, ele procede coletando de todos os Mestres da Coluna do Sul, inclusive dos Oficiais, posteriormente de todos os Mestres da Coluna do Norte, inclusive os Oficiais, Companheiros, Aprendizes e por último ele (o titular), ajudado pelo Cobridor Interno – orientações oficiais sobre o giro e a coleta se encontram no Sistema de Orientação Ritualística em http://ritualistica.gob.org.br/
  1. Se o Venerável desejar, ou precisar enviar alguma coluna gravada para o Secretário, ou para outrem, ele solicita auxílio ao Mestre de Cerimônias, nunca ao 1º Diácono. Já expliquei bastante a respeito, Diáconos no REAA são mensageiros transmissores da palavra e não imediatos do Venerável ou dos Vigilantes. Apontamentos a respeito podem ser encontrados em Perguntas e Respostas no Blog do Pedro Juk – http://pedro-juk.blogspot.com.br/.
  2. O Cobridor Interno somente empunha a espada por dever de ofício ou quando o ritual assim determinar. Noutras ocasiões ele pode manter a espada embainhada ou presa no dispositivo que geralmente fica atrás do espaldar da sua cadeira. Assim, munido da espada, estando em pé e parado ele não compõe o Sinal de Ordem, mas mantém a espada em ombro-arma (posição de rigor). Agora, sem estar munido da mesma, compõe o Sinal com a(s) mão(s).
Quanto às pancadas que por dever de ofício o Cobridor deva dar na porta do Templo, estando ele munido da espada, dá a bateria com o punho da mesma. Se na oportunidade ele estiver com a espada embainhada, ou seja, sem traze-la empunhada, dá então as pancadas com a mão direita cerrada.
O Sistema de Orientação Ritualística colocado na plataforma do GOB RITUALÍSTICA em http://ritualistica.gob.org.br/ traz orientações oficiais a respeito.
No tocante ao "pequeno malhete" preso na porta para ser utilizado no momento de eventuais baterias, não há comentários a fazer, até porque esse objeto junto à porta não é mencionado no ritual. As pancadas, nesse caso são dadas com o punho da espada ou com a mão direita.
  1. Para o ingresso do préstito o Mestre de Cerimônias passa momentaneamente o bastão para a mão esquerda e dá na porta a bateria do grau com a mão direita (punho cerrado). Dada a bateria, imediatamente volta a empunhar o bastão com a mão direita. Vide item 33, letra "b", II Ingresso do Préstito - no Sistema de Orientação Ritualística no grau de Aprendiz Maçom – http://ritualistica.gob.org.br/
  2. Isso é uma lamentável perda de tempo além da imposição de vaidade de alguns. Não há necessidade de mencionar uma a uma as autoridades que vão entrar em família.
Assim, ingressam os Aprendizes, os Companheiros, os Mestres (sem cargo), Oficiais; os dois Vigilantes, os Mestres Maçons Instalados (Ex-Veneráveis) e em seguida os visitantes (sem se nomear um a um) que, mesmo tendo direito ao protocolo de recepção, desejem entrar em família. Finalmente o Venerável Mestre. Destacando que no caso de estarem presentes membros da 5ª faixa, ou o Grão-Mestre Estadual, ou o Grão-Mestre Geral, o Venerável entra acompanhando essas autoridades.
Nesse caso, apenas os que ingressam juntos com o Venerável Mestre, justificadamente podem ser mencionados pelo Mestre de Cerimônias.
Cabe destacar que os Vigilantes não são oficiais, porém, são as outras duas Luzes da Loja.
Dando por finalizado, é oportuno mencionar que o Sistema de Orientação Ritualística mencionado e que se encontra na plataforma do GOB RITUALÍSTICA http://ritualistica.gob.org.br/ é oficial e deve ser imediatamente aplicado sobre os Rituais, posto que é amparado pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral e publicado no Boletim Oficial do GOB sob o nº 31, datado de outubro de 2019.

T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2019

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

MESTRE DE CERIMÔNIAS - CIRCULAÇÃO EM LOJA PARA INGRESSAR NO ORIENTE


Em 26 de setembro de 2019 o Respeitável Irmão Alan Zidowicz, Loja União em 33, REAA, GOB-PR, Oriente de Curitiba, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:

CIRCULAÇÃO EM LOJA


Assunto com bastante material inclusive da sua autoria, mas ainda uma dúvida. Dúvida é quando o Mestre de Cerimônias, por dever de ofício precisar se deslocar até o Oriente para pegar as atas para assinaturas ou iniciar o acendimento das velas do altar do Venerável Mestre, há necessidade de circulação antes de subir o(s) degrau(s) pois o Mestre de Cerimônias não atravessa para o outro hemisfério.

Caríssimo Irmão, não se trata de circulação no Ocidente, mas o de ingressar no Oriente que, por regra se faz em Loja sempre pelo lado nordeste (vindo da Coluna do Norte – mesmo lado do Orador) e dele se sai pelo lado sudeste (em direção da Coluna do Sul – mesmo lado do Secretário).
É bom que se diga que o Ocidente se limita com o Oriente pela linha da balaustrada e pela abertura de acesso.
Assim, o Mestre de Cerimônias para ingressar no Oriente obedece à circulação passando antes da Coluna do Sul para a Coluna do Norte. Para dele se retirar, se sai sempre em direção da Coluna do Sul.
Desse modo, enquanto a liturgia previr circulação horária, sob hipótese alguma alguém ingressa no Oriente a partir da Coluna do Sul e nem dele sai em direção à Coluna do Norte.
É oportuno mencionar que numa Loja simbólica do REAA a circulação horária se dá logo que o Venerável pede aos Irmãos que o ajudem a abrir a Loja.
Essa e outras orientações se encontram oficialmente na Plataforma do GOB RITUALÍSTICA - Sistema de Orientação Ritualística - http://ritualistica.gob.org.br/. Destaco que o Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral dão suporte à oficialização dessas orientações.



T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2019

PRIMEIRO TRABALHO NA PEDRA CÚBICA - REAA


Em 25.09.2019 o Respeitável Irmão Vanderlei Chitolina, Loja Luz das Águas, 3.563, REAA, GOB-SC, Oriente de Corupá, Estado de Santa Catarina, solicita esclarecimentos.

TRABALHO NA PEDRA CÚBICA


Tivemos sessão Magna de Elevação e duas dúvidas surgiram:
1º) referente a como deve ser o trabalho na pedra Cúbica? No primeiro grau, tem a descrição de como é feito o primeiro trabalho do Aprendiz, porém no de Companheiro não encontrei. Como exatamente deve ser esse trabalho, como se dá as devidas “pancadas” você poderia nos clarear essa dúvida?
2º) E também, ali no ritual comenta para o que o 2º Vigilante, ensine os passos do grau. Como seria esse procedimento? Somente os passos do segundo grau? Ou, os passos do primeiro e em ato contínuo os passos do segundo grau, ou ainda, se faz a marcha completa, com sinal? Ali me parece meio vago os dizeres que ali estão... Desde já agradeço e o parabenizo pelo seu Blog... e sua dedicação nos estudos.

CONSIDERAÇÕES.

Conforme especifica o item 113 do Sistema de Orientação Ritualística que aplica instruções e adequações para o Ritual de Companheiro do REAA, amparado pelo Decreto 1784 do Grão-Mestre Geral, plataforma do GOB RITUALÍSTICA em http://ritualistica.gob.org.br/ seguem os apontamentos:
  1. De acordo com o Sistema de Orientação Ritualística é o Mestre de Cerimônias que ensina o primeiro trabalho ao Companheiro, o que é correto pois o 2º Vigilante é o instrutor dos Aprendizes. Diante da Pedra Cúbica o Companheiro se ajoelha do mesmo modo como se ajoelhou para prestar seu o juramento e em seguida, com o maço dá sobre a mencionada pedra as pancadas do Grau – vide as orientações completas no item 113 acima mencionado.
Destaque-se que o Companheiro não usa mais o cinzel. Iniciaticamente significa que ele, por possuir mais conhecimento, tem o controle necessário ao ajustar a pedra na elevação das paredes. Assim, ao nela bater ele demonstra ter discernimento para golpeá-la com prudência, evitando assim o seu esfacelamento. Em linhas gerais o ato litúrgico demonstra o preparo que o Companheiro possui devido os seus anos de estudo (número igual ao das viagens na Elevação).
  1. Do mesmo modo, conforme o item 113 do Sistema de Orientação Ritualística, é o Mestre de Cerimônias que ensina os passos do grau (Marcha). Assim, depois de ter realizado o seu primeiro trabalho na Pedra Cúbica o Companheiro é conduzido entre Colunas para ali aprender a Marcha.
Entenda-se que a Marcha do 2º Grau se inicia com a do Aprendiz, seguida dos demais passos de tal modo que sua quantidade (passos) seja igual à idade simbólica do Companheiro. Executa-se a Marcha com o Sinal de Ordem composto – primeiro o de Aprendiz e depois o de Companheiro. Nessa oportunidade, ao final, diferente da entrada formal, o protagonista não precisa saudar as Luzes da Loja. Melhores esclarecimentos podem ser encontrados no item 113 anteriormente mencionado.
Concluindo, reitera-se que o Sistema de Orientação Ritualística é para aplicação imediata sobre os Rituais. O Decreto 1784/2019 que lhe dá sustentação encontra-se publicado no Boletim Oficial do GOB sob o nº 31 de outubro de 2019. Para acessar a plataforma do GOB RITUALÍSTICA tenha em mãos o GOB CARD, o CIM e a Palavra Semestral.


T.F.A.

PEDRO JUK



DEZ/2019.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

TEMPO LIMITADO NO USO DA PALAVRA


Em 25/09/2019 o Respeitável Irmão Flávio José Martins, Loja Igualdade e União Brasil, GOB-GO, REAA, Oriente de Acreúna, Estado de Goiás, apresenta a seguinte questão.

TEMPO PARA O USO DA PALAVRA


Minha dúvida é se há um limite de tempo para uso da palavra quando “PALAVRA A BEM DA ORDEM EM GERAL E DO QUADRO EM PARTICULAR”, ou o Irmão pode falar o quanto tempo desejar?
Sei que sempre deve prevalecer o bom senso.

CONSIDERAÇÕES.

Pois é, infelizmente existem Irmãos que, evocando o direito da liberdade, pedem a palavra e proferem discursos longos e rançosos, quando não, ainda sobre assuntos que nem dizem respeito à Ordem em geral e nem ao Quadro em particular. Esses tagarelas maçônicos, além de inconvenientes, incomodam os outros amiúde.
Entenda-se então que se eles evocam o direito da liberdade de falar, os ouvintes também podem evocar o direito de não ouvir baboseiras recheadas de palavreados infrutíferos.
Nesse caso, quando houver excessos e repetições, o Venerável Mestre deve providenciar uma Sessão de Instrução para ensinar como se deve usar da palavra em Loja. Para tal deve evocar, por exemplo, o primeiro trivium das Sete Artes e Ciências Liberais (objeto de estudo do maçom) que trata da Gramática, Retórica e Lógica. Assim, um maçom deve só utilizar a palavra se for para contribuir com os objetivos maçônicos, sendo prático e conciso na sua fala se expressando com clareza e fluidez. Não ser repetitivo no contexto da sua manifestação e nem reproduzir discursos dos que o antecederam também é atitude correta.
Se mesmo assim a tagarelice persistir, o caso é chamar a atenção dentro dos princípios maçônicos. O Orador evocando a disciplina dos usos e costumes pode também intervir nessas situações, inclusive alegando respeito ao direito de todos, pois se o que fala em demasia se acha no direito de assim proceder, há também o direito dos demais que não são obrigados a ouvir excessos. Na prática do direito, não há como confundir tolerância com indulgência.
Outra boa maneira de calar os tagarelas é o Venerável não os autorizar a falar à vontade, isto é, sem o Sinal de Ordem enquanto produzem suas verborragias. Com o desconforto de permanecer por muito tempo com o Sinal de Ordem, é certo que muitos falantes irão preferir ficar de boca fechada.
Para isso, entretanto, é preciso que os Veneráveis não fiquem a todo o momento dispensando a composição do Sinal. Entenda-se que a boa geometria recomenda só dispensar o Sinal quando de fato existir necessidade. Dispensa de sinal na hora da fala é um recurso esporádico e não corriqueiro.
Certamente, com o Sinal composto muitos desses dissabores serão evitados e o Secretário ficará bastante satisfeito por não ter que reproduzir extensos discursos desnecessários.


T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2019

SE RECUSANDO A ASSUMIR CARGO EM LOJA


Em 25/09/2019 o Respeitável Irmão Manoel Tavares da Silva Neto, Loja Vigário Bartolomeu Fagundes, 2.132, GOB-DF, REAA, Oriente de Brasília, Distrito Federal, apresenta a questão seguinte:

RECUSA DE CARGO


Aproveito, na verdade, dos conhecimentos maçônicos e de sua experiência adquirida ao longo dos anos de estudo.
QUESTÃO: No Átrio o Irmão Mestre de Cerimônias ao compor a Loja falta o titular de um cargo. A seguir ele convida um Mestre do Quadro presente, sem cargo em Loja, para ocupar este cargo. Aonde encontro que ele não pode recusar.

CONSIDERAÇÕES.

Caro Irmão, esse não é o caso de estar ou não escrito, sobretudo quando tratamos de Maçonaria. Infelizmente ainda vivemos no "tudo tem que estar escrito".
Veja, um Mestre Maçom que se apresentar para os trabalhos, quando for solicitado os seus préstimos, deve incontinentemente aceitar com fervor e zelo a missão que lhe é oferecida, não a recusar. Afinal ele como maçom irá participar dos trabalhos maçônicos da Loja, sendo, portanto, no jargão maçônico, um operário especulativo e não um mero assistente que se integra apenas como um ser contemplativo, amorfo e para fazer número.
Existe um detalhe que aparece nas entrelinhas da liturgia maçônica, mas que muitos não se dão conta. Trata-se do significado de um termo comum aos trabalhos maçônicos, o de "estar à Ordem".
A despeito de que todos aprendem como ficar à Ordem ritualisticamente em Loja, muitos ainda não sabem o que isso significa. Assim, esclarecendo, estar à Ordem estabelece a atitude de sempre estar preparado, pronto, alerta e a disposição na Oficina (por isso só se fica à Ordem em Loja aberta).
Nesse sentido, aquele que se coloca a disposição dos trabalhos, quando eventualmente solicitado não deve se recusar de atender ao ofício, sobretudo se ele é um Mestre Maçom (cargos em Loja são privativos de Mestres). É bom lembrar que a plenitude atingida por aqueles que alcançam o 3º Grau, não se resume só em direitos, mas também em obrigações. Dito isso, é obrigação do Mestre ajudar seus Irmãos – no caso, ocupando um cargo que eventualmente precise por ele ser preenchido.
Além do que, o substantivo "Mestre", na acepção da palavra, designa aquele que ensina; aquele que é perito ou versado numa ciência ou arte, no nosso caso, na arte da Maçonaria. Assim, conhecedor da "arte" como ele deve ser, não é de boa geometria que o mesmo se recuse a ajudar nos trabalhos da Loja.
Ainda, sob o aspecto iniciático, cabe mencionar que o maçom, ainda como Aprendiz, começa sua jornada iniciática prometendo: "(...) Juro mais, ajudar (o grifo é meu) e defender os meus IIr em tudo que puder e for necessário (...)" – trecho das obrigações do Aprendiz. Ajudar, dentre outros, envolve também auxiliar nos trabalhos maçônicos.
Dado ao exposto, é obrigação de um Mestre Maçom auxiliar nos trabalhos e não se recusar a cumprir missões que lhe são requeridas. Se negar a preencher um cargo demonstra despreparo e até mesmo indisciplina. Entendo que isso é consuetudinário em Maçonaria, portanto não precisa estar escrito, pois a própria formação do Mestre, haurida das instruções e dos bons exemplos, já o induzem a ter atitudes de solidariedade – ou não?


T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2019