quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

REAA - CERIMÔNIA DE EXALTAÇÃO E AS SUAS RELAÇÕES COM RITOS SOLARES

Em 11.06.2022 o Respeitável Irmão Cloviton Henrique Pereira Ozório, Loja União da Estrelas, REAA, GOMG, Oriente Conselheiro Lafaiete, Estado de Minas Gerais, solicita o seguinte:

cloviton@gmail.com

 

EXALTAÇÃO E AS RELAÇÕES SOLARES

 

Primeiramente, parabenizo-o pelo trabalho que realiza no GOB, sendo eu um assíduo seguidor do irmão nas redes sociais e palestras on-line.

Gostaria, por gentileza, que o irmão estabelecesse a relação da exaltação ao grau de mestre e o desenvolvimento da cerimônia, desde a decoração, bateria do grau, número de velas acesas, a marcha dos irmãos e seu quantitativo à procura do mestre H, etc., com os ritos solares da antiguidade.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Em síntese, o REAA é um rito iniciático de conotação solar. Assim, a jornada do Iniciado é baseada na aparente revolução anual do Sol, ou seja, utiliza esse movimento ilusório para desenvolver uma liturgia que associa o homem iniciado a essa mecânica astronômica solar.

                   Um referencial desse conceito pode ser observado pela presença das Colunas Zodiacais no templo que, em primeira análise, servem para marcar a senda do Aprendiz, do Companheiro e do Mestre respectivamente, comparando cada um desses estágios iniciáticos aos ciclos da natureza, largamente conhecidos como as estações do ano, iniciadas a partir de 21 de março, equinócio de primavera na meia-esfera Norte da Terra.

Tomando essa alegoria solar e fazendo essa analogia com os graus do simbolismo maçônico, no REAA o Aprendiz associa-se à infância e adolescência, o Companheiro à juventude e o Mestre à maturidade da vida.

Enfim, essa jornada solar menciona o Iniciado representando a vida, a morte e a ressurreição da Natureza. A bem da verdade, é visível que essa conjuntura de aprimoramento foi baseada nos Cultos Solares da Antiguidade.

No que diz respeito propriamente dito à cerimônia de Exaltação no REAA, a sua liturgia representa a transição do Mestre ao efetuar sua passagem (transição) do Ocidente para o Oriente. Em síntese é o alcance da plenitude maçônica através da Grande Iniciação – o encontro da Pal perdida que significa a transição do material para o espiritual (vai o homem, fica a sua obra).

Em se comparando com ciclo natural do inverno - ciclo que simboliza a idade senil - o Mestre Maçom representa a meia-noite, ou o final da jornada e a sua preparação para uma nova etapa, no caso, como o renascimento da Natureza que certamente ocorrerá na primavera que se avizinha.

No contexto esotérico, os três meses que compõem o inverno, cuja característica é ter dias mais curtos e noites mais longas, aludem à prevalência das trevas, o domínio da escuridão (ignorância). É, portanto o período do ano que no Hemisfério Norte a Terra fica viúva do Sol.

Debaixo desse ambiente alegórico é que foi arquitetada a cerimônia de Exaltação a Mestre Maçom no REAA.

Em primeira análise, a Exaltação do Mestre iniciaticamente representa a sua passagem, ou seu renascimento no Oriente, destacando nesse pormenor que o quadrante oriental é o lugar da Luz. Figuradamente é o lugar em que nasce a Luz.

No tocante à decoração enlutada como característica da Câmara do Meio, ela se reporta à Natureza que morre no inverno, enquanto que a Lux in Tenebris, presente pendente do teto, alerta para o breve retorno da Luz na primavera que se avizinha (morre o homem, mas fé permanece para os pósteros).

No período hibernal a Terra, agora inerte na sua profundeza, aguarda nova fecundação pelo fogo logo a partir da primavera. Em linhas gerais isso está contido na máxima hermética “I. N. R. I.”, Igne Natura Renovatur Íntegra (o fogo renova a Natureza inteira) – o Sol fecundando a Terra e a Natureza se renovando. Iniciaticamente é a purificação pelo elemento fogo.

Graças a isso é que no cenário iniciático da Lenda do 3º Grau, o personagem lendário H A é a representação do Sol, enquanto que os doze CComp representam meses que compões do ano a partir da primavera. Assim, as nove luzes litúrgicas acesas em Câmara do Meio simulam nove, dos doze meses do ano. Os três meses faltantes se referem ao inverno, coclo em que a Terra fica viúva do Sol no Hemisfério Norte.

No contexto ritualístico da marcha do M M, os passos imitam o deslocamento aparente do Sol na sua eclíptica. O seu afastamento máximo do Equador para o Sul e para o Norte marcam os períodos solsticiais tanto o do ápice da luz, assim como do ápice das sombras. Toda a simulação solar representa pelos passos do Mestre ocorrem sonre o quadrângulo mosaico entre duas balizas, a do solstício de inverno e a do solstício de verão, destacando que essa referência astronômica está harmonicamente conjugada ao hemisfério setentrional da Terra porque o REAA com a sua doutrina iniciática nasceu nas latitudes setentrionais.

Graças a essa relação solar é que na Lenda do 3º Grau os três rruf, ou os três mm CComp, simbolizam o inverno, ciclo da Natureza em que as sombras prevalecem pela morte simbólica do Sol.

A procura dos despojos do M H A, representada pelas perambulações em torno da sepsimb que descansa ao centro sobre o quadrângulo mosaico, simbolizam à revolução anual do Sol.

É nesse cenário que, dentre as três perambulações mencionadas na Lenda, na segunda delas nove MMsaem à procura dos ddesp de H A. Esses nove MM simbolizam exatamente os nove meses correspondentes à primavera, ao verão e ao outono respectivamente.

O cenário teatral e místico da L de H A é a Loja de Mestre, enquanto que o quadrângulo mosaico (a Terra) é onde um ramo de Ac indica o lugar em que se encontra a chave para se desvendar o enigma do Mestre.

A título de esclarecimento, vale comentar que quadrângulo mosaico é o termo apropriado para o pavimento mosaico em Câmara do Meio.

Eis aí um breve sumário do significado da Grande Iniciação (Exaltação) no REAA. Obviamente que revelar detalhes precisos dessa emblemática alegoria iniciática não seria prudente, sobretudo em nome de se preservar o sigilo que essa prática merece.

Ao concluir, vale dizer que não raras vezes a verdade está tão próxima de nós que o seu brilho intenso acaba por ofuscar a nossa visão. Assim, a a m é c.

 

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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DEZ/2022

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

BATERIA E ACLAMAÇÃO - SAUDAÇÃO SOLAR

Em 10.06.2022 o Respeitável Irmão Lauro Goerll Filho, Loja Luz, Justiça e Caridade, REAA, GOB-PR, Oriente de Paraíso do Norte, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:

 

BATERIA E ACLAMAÇÃO.

 

Gostaria de saber porque existe a mudança na Bateria do Grau de Aprendiz (3) para Companheiro (5), e isso não é acompanhado na Aclamação, que permanece com 3.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Na verdade, o que deve na ocasião estar de acordo com o grau de trabalho é apenas o sinal e a bateria, exatamente por identificarem o grau em que a Loja está trabalhando.

             Já diferente disso, a aclamação tem caráter universal no REAA, isso porque ela é uma das alegorias herdadas da Loja Mãe Geral Escocesa, então criada em 1804 na França para gerenciar a elaboração do primeiro ritual para o simbolismo do REAA. Como influência direta da Loja Mãe, ela então menciona nessa passagem ritualística apenas três aclamações, seja no 1º como no 2º grau, portanto ela não muda como ocorre com a bateria e o sinal.

Explica-se que a aclamação H é originária de uma saudação antiga ao Sol que os árabes, particularmente os Drusos, faziam no solstício de inverno no Hemisfério Norte.

Como o solstício de inverno traz a noite mais longa do ano, eram então acesas fogueiras enquanto acenavam-se ramos floridos de acácia dando boas-vindas ao Sol que iniciava novamente o seu retorno. Mais tarde, com o advento do Islamismo, Maomé viria proibir essa prática.

Nesse sentido, alguns bons tratadistas mencionam que H é uma corruptela da exclamação Uezza, então clamada na oportunidade pelos Drusos.

Levando-se em conta de que o Natal no Hemisfério Norte é comemorado bem próximo ao solstício de inverno que ocorre a 21 de dezembro, vale lembrar que essa saudação ao Sol tem a mesma conotação do Natalis Invicti Solis (Nascimento do Sol Vitorioso, ou Invicto) do Mitraísmo Persa e Romano.

Diante de que o número três em Maçonaria é uma unidade ternária, essa aclamação solar não se diferencia entre os dois graus. Para o misticismo do REAA a aclamação trinaria (H H H∴) é única e permanece igual em ambos os graus em que ela é pronunciada, ou seja, não muda como ocorre com o sinal e com a bateria.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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DEZ/2022

INDUMENTÁRIA DO VENERÁVEL MESTRE - PUNHOS.

Em 09.06.2022 o Respeitável Irmão Rubens Batista, Loja Constância, 1147, REAA, GOB, Oriente de Campinas, Estado de São Paulo, apresenta a dúvida seguinte:

 

PUNHOS DO VENERÁVEL MESTRE.


Certa vez, acompanhei o Venerável Mestre de minha Loja em uma visita a uma Loja que trabalha no mesmo rito que a nossa Loja, o REAA e da mesma potência GOB.

O Venerável Mestre foi abordado por um Irmão do quadro que pediu para ele retirar os punhos dos paramentos. O Venerável Mestre questionou o porquê de ter que retirar os punhos. O Irmão respondeu, que só utiliza o punho o Venerável Mestre que vai presidir a sessão!

Está correto este procedimento ou será mais um dos “achismos” que encontramos em alguns procedimentos do REAA?

Se for possível, sua orientação e esclarecimento sobre este assunto.

 

CONSIDERAÇÕES

 

                      Em se tratando do REAA, quem pediu para que o Venerável Mestre visitante retirasse os punhos agiu de maneira completamente equivocada.

Nas Lojas que praticam o REAA, um Venerável Mestre visitante se apresenta com os paramentos completos, isto é, colar e joia, avental e punhos.

Como visitante ele continua a ser Venerável Mestre para o período em que ele fora eleito na sua Loja. Obviamente que ele apenas se utiliza do 1º malhete na sua Loja, e não na em que ele é um visitante.

Em linhas gerais, os punhos simbolizam o poder de um dirigente no contexto legal do seu mandato e nada tem a ver com uso apenas na sua Loja.

Cabe aqui mencionar que um Venerável Mestre ao concluir o seu mandato passa a ser um ex-Venerável, comumente chamado de Mestre Instalado mais recente. Como Mestre Instalado ele não usa mais punhos, já que estes são privativos de um Venerável Mestre.

Vale alertar que esse não é um costume unânime. Alguns ritos possuem outras particularidades nesse sentido. O Rito de York, por exemplo, geralmente não adota o uso de punhos para o Venerável Mestre fora da Loja onde ele é o titular, mas isso é particularidade do Rito de York e não do REAA. Assim, devemos respeitar as características que cada rito possui.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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DEZ/2022

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

MUDANDO DE LUGAR PARA PEDIR A PALAVRA NOVAMENTE

Em 08.06.2022 o Respeitável Irmão Antonio Nagib Barbosa, Loja Vigilância e Fraternidade, REAA, GOB-GO, Oriente de Inhumas, Estado de Goiás, faz a seguinte pergunta:

 

PEDIR A PALAVRA NOVAMENTE

 

Eu li sua matéria ORDEM DO DIA E PALAVRA A BEM DA ORDEM, porém ainda fiquei com uma dúvida:

"Após a palavra passar pelas Colunas, o Irmão de qualquer Coluna pode pedir a palavra novamente?" Pergunto isso, pois ontem na sessão da nossa Loja eu fiz um comentário (eu estava na Coluna do Norte) durante a Palavra ao Bem e da Ordem e fui rebatido por Irmãos que estavam no Oriente. Pensei em pedir a palavra "pela ordem", mas desisti. Depois da sessão não conversei sobre esse assunto com os demais Irmãos.

Aguardo vosso retorno.

 

COMENTÁRIO.

 

            A regra consuetudinária é a de que se pede a palavra do seu lugar em Loja. Assim, quem tomar assento na Coluna do Sul, depois de autorizado, falará da Coluna do Sul. Quem tomar assento na Coluna do Norte, depois de autorizado fará uso da palavra na Coluna do Norte. Por conseguinte, quem ocupar lugar no Oriente, se autorizado, falará do Oriente.

Em nome da disciplina ritualística, cada qual deve falar do seu lugar em Loja. Não é permitido mudar de Coluna, ou mesmo ir ao Oriente para fazer uso da palavra – vide o que menciona o Ritual de Aprendiz do REAA logo que o Venerável Mestre declara a Loja aberta.

Isso se aplica a todos os Irmãos que estiverem presentes nos trabalhos de uma Loja aberta. De fato, a todos, inclusive ao Mestre de Cerimônias.

Infelizmente, alguns Irmãos, ocupando o cargo de Mestre de Cerimônias, não raramente acham que pelo simples fato desse cargo lhes permitir liberdade de locomoção pelo recinto (sem pedir autorização), eles também podem fazer uso da palavra em qualquer lugar da Loja. Ora, é ledo engano quem pensa dessa forma, pois corretamente o Mestre Cerimonias pede a palavra do seu lugar, não lhe sendo facultado nenhum privilégio de falar de outro lugar, mesmo que por dever de ofício ele possa estar fora da sua Coluna.

Igualmente não é permitido a qualquer autoridade mudar de lugar para pedir novamente a palavra, ou mesmo repetir o seu uso de outro lugar. Reitero, isso não é permitido a ninguém, seja uma autoridade ou não.

Se por algum motivo plausível alguém resolver pedir a palavra novamente, ele deverá fazer a solicitação do seu lugar ao Vigilante da sua Coluna, ou ao Venerável caso ele esteja ocupando lugar no Oriente. Nesse caso, cabe exclusivamente ao Venerável Mestre concedê-la ou não.

Vale salientar que pedir a palavra novamente é um caso excepcional e não uma atitude corriqueira. O Venerável Mestre deve ponderar muito bem a respeito antes de conceder autorização.

Se por motivo justificado o Venerável autorizar o retorno da palavra, a mesma terá que fazer o giro completo, isto é, não importando de onde tenha vindo a solicitação, o seu retorno se dará sempre a partir da Coluna do Sul.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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DEZ/2022

DISTRIBUIÇÃO DAS COLUNAS ZODIACAIS NO TEMPLO DO REAA

Em 08.06.2022 o Respeitável Irmão Robin João Marczynski, Loja Amor e Caridade, REAA, GOB-PR, Oriente de Ponta Grossa, Estado do Paraná, pede a seguinte orientação.

 

LUGAR DAS COLUNAS ZODIACAIS

 

Preciso de algumas orientações meu caro irmão! As Colunas Zodiacais do nosso Templo não estão posicionadas corretamente, pois duas delas, foram colocadas no Oriente. Todas deveriam estar dispostas no Ocidente! Pretendo fazer uma reforma e deixá-las de acordo com o nosso REAA! Eu solicito, meu caro irmão, se for possível, me encaminhar toda a decoração atualizada do Templo, a fim de que possamos comparar e se for preciso, corrigir distorções que porventura existam para deixá-lo conforme determina a nossa ritualística! Se fosse na Loja Acácia de Itapoá seria bem mais simples, no Rito Schröder! De antemão fico grato!

 

CONSIDERAÇÕES.

 

                 No que diz respeito à localização das Colunas Zodiacais no REAA, as seis primeiras delas ficam na parede Norte, que é o topo da Coluna do Norte, enquanto as outras seis ficam na parede Sul, que é o topo da Coluna do Sul.

Dispostas equidistantes umas das outras, ao Norte ficam as Colunas representativas das constelações de Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem, respetivamente, e ao Sul ficam as Colunas pertinentes às constelações de Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes.

No Norte, junto ao canto com a parede ocidental e próxima ao 1º Vigilante fica Áries, enquanto que a última desse grupo, Virgem, fica junto à balaustrada, próxima à retaguarda do Tesoureiro. Assim essas são as seis Colunas Zodiacais que se localizam na parede Norte. Como referencial, à sequência direcional dessas Colunas é de Áries para Virgem. O grupo das seis primeiras Colunas indica a jornada iniciática do Aprendiz (da infância para a adolescência – primavera e verão).

No Sul, junto à balaustrada e próxima à retaguarda do Chanceler fica Libra, enquanto que a última desse grupo, junto ao canto com a parede ocidental e próxima ao Mestre de Harmonia é Peixes. Desta maneira, esse é o grupo das seis últimas Colunas Zodiacais que fica na parede Sul. Como referencial, a sequência direcional dessas seis últimas Colunas é de Libra para Peixes. Esse grupo, pertinente às seis últimas Colunas, indica a jornada iniciática do Companheiro e do Mestre (da juventude/amadurecimento para a senilidade – outono e inverno).

As 12 Colunas Zodiacais, por marcarem a jornada iniciática do maçom do simbolismo não devem ocupar, sobre nenhuma hipótese, o espaço destinado ao Oriente. Assim, no GOB essa disposição pode ser encontrada na Planta do Templo no Ritual de Aprendiz do REAA, página 22 em vigência e orientações hauridas o SOR - Sistema de Orientação Ritualística que atua oficialmente por Decreto do Grão-Mestre Geral.

Ao concluir devo salientar que no momento não tenho como elaborar um projeto a respeito, no entanto sugiro ao Irmão uma visita à sede do GOB-PR em Curitiba. Confira os Templos que lá foram construídos e decorados. Eu trabalhei na elaboração do projeto de todos eles. Posso lhe garantir que estão atualizadíssimos.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

jukirm@hotmail.com

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DEZ/2022

sábado, 10 de dezembro de 2022

LUX IN TENEBRIS NA CÂMARA DO MEIO - REAA

Em 06.06.2022 o Respeitável Irmão Antônio Augusto Queiroz Baptista, Loja Bernardino Mazzocato, 286, REAA, GLMRS (CMSB), Oriente de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, faz a pergunta seguinte:

 

LÂMPADA MÍSTICA

 

Boa tarde meu irmão. No tocante à loja de Mestre Maçom, REAA, existe no centro da Loja, nas proximidades do Livro da Lei, uma lâmpada (cor violeta), qual o nome dessa lâmpada e o seu significado esotérico.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Essa pequena lâmpada, ou uma minúscula vela acesa, é característica decorativa da Loja de Mestre Maçom. Geralmente ela somente é acesa por ocasião de uma cerimônia de Exaltação. Essa fonte de luz é conhecida nos meios maçônicos como Lâmpada Mística.

Todavia, ela é também conhecida como “Lux in Tenebris”, que em latim significa “Luz nas Trevas”. Historicamente parece que a frase surgiu no evangelho de São João I, 5 (E a luz resplandece das trevas e as trevas não a compreenderam.).

                No contexto religioso essa frase se refere a “Jesus” como a “Luz do Mundo”, embora os homens não a tenham compreendido.

No misticismo maçônico a frase se relaciona com a escuridão do inverno que em breve se dissipará porque o Sol ressuscitará logo na primavera que se avizinha. É na verdade uma alegoria iniciática de purificação e renovação – uma das características dos ritos solares, como é o caso do REAA, é a de que H A seja a representação mística do Sol com as suas transições equinociais e solsticiais (vide a Marcha do Mestre).

Ainda em termos maçônicos, esotericamente essa alegoria simboliza a Fé inquebrantável, pois mesmo que a atitude dos tiranos possa assassinar o homem, a sua fé permanecerá como uma imortal chama acêsa. É a certeza de que depois do inverno, a Terra, mãe e viúva, fecundada pelo Sol (luz e conforto), trará novamente a ressurreição da Natureza. É também a Esperança de saber que quanto mais escura se faz a madrugada, mais próximo está o raiar de um no dia.

No REAA essa Lâmpada Mística pendente do zênite somente deve ser acesa mediante a abertura dos trabalhos de uma cerimônia de Exaltação. Figuradamente, nessa ocasião a fagulha revela que o Mestre, mesmo que golpeado mortalmente, certamente irá reviver no lugar da Luz (Or).

A ´posição dessa lâmpada pendurada no teto do templo deve coincidir na sua verticalidade (na mesma direção) com o at simbólico colocado ao centro do Oc onde simbolicamente, marcado por um ramo frondoso de Ac, descansa o c do nosso M H A. Mais precisamente essa lâmpada pende na direção da cab∴ de H∴ por ela representar a sede do intelecto humano.

Por fim, ao concluir vale mencionar que essa minúscula "luz" nada tem a ver com luminosidade própria para o Altar dos Juramentos. Considerando que originalmente o Alt dos JJur é uma extensão do altar-mor (o ocupado pelo Venerável Mestre), ele deve então ficar posicionado no Oriente, enquanto que a Lâmpada Mística, pendurada no zênite da abóbada pende, distante do L da L, na direção do centro do Ocidente.

 

E.T. 1 – Lux in Tenebris, não possui nenhuma cor específica de iluminação, recomendando-se, portanto, o mais natural possível para ela. O que vale é o significado da sua claridade e não a cor do brilho que ela produz.

 

E.T. 2 – A alusão aqui feita ao Altar dos Juramentos localizado no Or se prende à originalidade do REAA, embora se saiba que alguns rituais determinem que ele, contraditoriamente, fique posicionado no centro do Templo ao Oc.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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DEZ/2022

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

FUNÇÃO DOS DIÁCONOS NO REAA

 

Em 06.06.2022 o um Respeitável Irmão de uma Loja do GOB-RJ, REAA, Estado do Rio de Janeiro, faz a seguinte pergunta:

 

FUNÇÃO DOS DIÁCONOS.

 

Boa tarde meu Irmão. Venho mais uma vez através deste solicitar ao amado Irmão que esclareça uma dúvida sobre a ritualista sobre o Saco de Propostas e Informações.

Após a leitura das colunas gravadas, o Venerável Mestre de nossa loja solicita ao Primeiro Diácono que entregue essas colunas ao Irmão Secretário. Estava vendo as orientações sobre o Destino das Colunas Gravadas, e lá fala que é o Mestre de Cerimônias que as entrega e não Primeiro Diácono. Está correto meu entendimento?

E outra coisa que achei muito interessante foi o Irmão ter falado sobre a estrela de Davi na circulação, me foi passado que o desenho da circulação dos seis primeiros cargos seriam a formação da estrela de Davi. E pelo que o Irmão falou tem a ver com os Mestres necessários para abrir a Loja.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Penso que devemos atender o que está escrito no SOR – Sistema de Orientação Ritualística, que é um instrumento oficial de orientação do GOB. Não à toa essas informações estão hospedadas para consulta dos Irmãos na página oficial do GOB, destacando que esse conteúdo é para ser aplicado de imediato nos rituais em vigência.

Vale lembrar que o SOR foi criado pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral e está publicado no Boletim Oficial sob o nº 031 de outubro de 2019.

Também é bom que se diga que o guardião dos Rituais do GOB é o Grão-Mestre Geral, portanto ele pode editar decretos e normas que atuem sobre os rituais.

No tocante aos Diáconos, já escrevi bastante a respeito, mencionando inclusive, que eles não são ajudantes de ordens. Para essa função existe, no caso do REAA, o Mestre de Cerimônias.

Historicamente, os Diáconos estão no REAA apenas e tão somente para atuar como mensageiros entre as Luzes da Loja por ocasião da alegoria da transmissão da Palavra Sagrada que ocorre na abertura e encerramento dos trabalhos. Lembro que essa transmissão não tem o caráter de um telhamento.

Também nesse particular, a dialética de abertura nada tem a ver com Diáconos levando recados, bilhetes e afins do gênero a pedido do Venerável e dos Vigilantes


.                     Reitera-se que quem tem essa obrigação de ofício é o Mestre de Cerimônias.

Na questão da ordem de coleta durante as circulações das bolsas, tudo está bem explicado no SOR onde é mencionado que a abordagem inicial alude aos sete cargos mínimos necessários para se abrir uma Loja no REAA. Nesse caso, as Luzes da Loja, o Orador, e o Secretário, mais o Cobridor Interno e o próprio Mestre de Cerimônias, o que totaliza o mínimo de sete Mestres Maçons conforme prevê o Regulamento Geral da Federação.

Essa "estória" de estrela de seis pontas é uma invencionice que acabou se consagrando, mas que por ser falsa merece ser excluída da liturgia, pois no REAA a Estrela Flamejante é a pentagonal e não a hexagonal (encontramos a Estrela de Seis Pontas no Rito de York, não no REAA).

Ao concluir reitero que tudo isso está no SOR in GOB RITUALÍSTICA na página oficial do GOB. É preciso, porém, consultar e cumprir as orientações dali emanadas.

 

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK

Secretário Geral de Orientação Ritualística - GOB

jukirm@hotmail.com

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DEZ/2022