domingo, 17 de dezembro de 2017

QUESTÕES RITUALÍSTICAS - MESTRE DE CERIMÔNIAS, VENERÁVEL E INICIAÇÃO

Em 27/09/2017 o Irmão Adriano Bueno, Aprendiz da Loja Triângulo e Luz, 2542, sem mencionar o nome do Rito e Obediência, Oriente de Piracaia, Estado de São Paulo, solicita esclarecimentos para o que segue:

QUESTÕES SOBRE RITUALÍSTICA


Estou respondendo um questionário para aumento de salário e dentre as 33 perguntas que me foram passadas, 3 delas não achei resposta.
Como em seu blog tem um vasto material para pesquisa, resolvi perguntar ao sábio irmão.
Segue abaixo minhas dúvidas.
Em que atos ritualísticos o Mestre de Cerimônias porta o bastão?
Em caso de atraso do Venerável Mestre, como se dará entrada ao templo?
Qual a diferença entre Iniciação formal e Iniciação real?

CONSIDERAÇÕES.

Vou responder de modo genérico, pois o Irmão não informa o Rito e a sua Obediência. Sugiro que independente da minha resposta que seja consultado o ritual em vigência e o regulamento da Obediência nos casos que couberem.
1.           Bastão e o Mestre de Cerimônias. Tradicionalmente todas as vezes que ele conduzir alguém em Loja ou quando o ritual assim determinar.
2.           Venerável atrasado. Eu tenho dito: atraso não deve ser legalizado. Sobretudo por parte do Venerável que é o primeiro a não se dar o direito de chagar atrasado.
Como a primeira Luz da Loja, ele deve dar o exemplo.
Assim, até aonde eu conheço, não existe procedimento para tal. Se ele chegar atrasado à sua Loja por motivo justificável ele entra como um membro da Loja e sem nenhuma formalidade especial.
3.           Iniciação formal e real - se é que eu entendi a questão, Iniciação formal é aquela que cumpre a liturgia e a ritualística do rito. É a Iniciação feita obedecendo aos princípios doutrinários do rito e as exigências legais da Obediência.
Já a Iniciação real deve ser aquela que opera a transformação no maçom durante a sua jornada iniciática. É na realidade a iniciação vivida, ou aquela que molda o obreiro conforme as exigências da Arte.


T.F.A.

PEDRO JUK



DEZ/2017

sábado, 16 de dezembro de 2017

LUVAS E AS CUNHADAS

Em 26/09/2017 o Respeitável Irmão Marcilio Pereira de Oliveira, Loja Raimundo Rodrigues Chaves, 2028, sem mencionar o nome do Rito, GOB-DF, Oriente do Gama, Distrito Federal, formula a seguinte questão:

LUVAS E AS CUNHADAS


Quando da minha iniciação, em 10/09/1994 e por durante muito tempo, se pregava em Loja, como até hoje às vezes se fala, que as luvas brancas são destinadas’ às cunhadas e que as mesmas, em situação de socorro, faz uso das mesmas, deixando-as cair e o Maçom próximo a recolherá e perguntará a cunhada: SOIS UMA FLOR", coisa parecida... e ela por sua vez também deveria pronunciar alguma coisa que não recordo...
Pergunto: o que é verdade, o que é mito, o que é invencionismo?

CONSIDERAÇÕES.

Isso é o cúmulo da bobagem Na realidade nada disso é verdade. É pura invenção de autoria de irresponsáveis que não compreendem nada das mensagens simbólicas na Maçonaria.
A entrega das luvas femininas ao neófito durante a cerimônia de Iniciação é costume da galante Maçonaria francesa – isso não é unânime na Maçonaria.
Nos ritos que utilizam essa prática, a sua entrega tem apenas o desiderato de destacar a liberdade no trato com aspectos da Ordem.
Nenhum ritual sério prevê a entrega de pares de luvas para que eles sejam obrigatoriamente destinados às Cunhadas, mas prevê sim que essas luvas sejam oferecidas àquela que mais tiver estima e afeto do Iniciado.
Evidentemente que essa liberdade de escolha é apenas do novo Aprendiz. É ele, ninguém mais, que destinará o par de luvas femininas. Por exemplo, conforme o seu desejo e quando ele quiser, as luvas podem ser oferecidas à sua filha, esposa, mãe, madrinha, ou qualquer outra pessoa do gênero feminino que para ele seja merecedora.
Nada dessa liberdade pode ser confundida com libertinagem. Não há como se confundir o ato como um incentivo para presentear pessoas advindas de relacionamentos extraconjugais (concubinas) e outros congêneres. Obviamente que não se faz crer que uma Loja seja capaz de iniciar alguém apreciador dos maus costumes – afinal, é para isso que existem as sindicâncias.
Assim, o par de luvas femininas é entregue conforme a consciência e desejo íntimo do Irmão, portando esse ato não deve ser conduzido conforme desejo alheio - da Loja, por exemplo. Isso é erro crasso.
Não existe, portanto é irregular, o costume de se fazer como muitas Lojas fazem por aí, reunindo as cunhadas na Loja depois da Iniciação para que o novo Irmão entregue as luvas femininas para a sua esposa. Quem decide isso é ele, ratifico não a Loja.
Igualmente, em cima dessas barbaridades inventivas é que alguém imaginou um irregular gesto ou sinal de pedido de socorro com as luvas para as nossas cunhadas.
Não existe besteira maior! Coisa de quem não tem mesmo o que fazer!
Sugiro que, em vez disso, procurassem esses inventores estudarem em fontes limpas os propósitos da verdadeira Maçonaria.
Essa de deixar a luva cair e alguém perguntar “sois uma flor?” é mesmo d’escrachar, digna de uma comédia do tipo “pastelão”. Tal o tamanho dessa barafunda, ela que não merece nem comentário.
O que aqui comentei foi com base naquilo que é real e verdadeiro na Maçonaria, por conseguinte longe dos delírios inventivos.
Se algum ritual previr esse anacronismo, tenha certeza que ele merece urgente reavaliação. Que me perdoem os defensores desses absurdos.
A propósito, em relação às luvas na Maçonaria, além do seu caráter histórico como vestimenta de proteção nos tempos operativos, na Moderna Maçonaria elas trazem a mensagem pela sua alvura de se manter as mãos constantemente afastadas das águas lodosas do vício.
Agora... Sinais com elas... É mesmo coisa rocambolesca.

T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2017

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

USO DE MEDALHAS

Em 25/09/2017 o Respeitável Irmão Nilton Benedito Balthazar, Loja Conciliação e Justiça, 2058, sem mencionar o nome do Rito, GOSP-GOB, Oriente de Presidente Prudente, Estado de São Paulo, pede esclarecimentos.

USO DE MEDALHAS.

 
Alguns Irmãos agraciados com medalhas do GOB, às vezes mais de uma, usam-na na faixa (mestre) e outros quando Mestre Instalado usam no colar. Li em algum lugar (não me recordo) que medalhas de condecoração são usadas na lapela do paletó ou quando balandrau, na altura do bolso superior esquerdo, uma vez que já existe uma joia na faixa e ou uma joia no colar do Mestre Instalado. Poderia fazer o esclarecimento?

CONSIDERAÇÕES

Para os que gostam desses adereços, o seu lugar de exposição é comumente usá-los no lado esquerdo do peito na altura do bolso peitoral. No caso do balandrau é a mesma coisa.
Mais comum na lapela esquerda do paletó são os chamados “pins”.
Medalhas e condecorações presas em faixas e colares (alfaias) que são próprios para trazer apensas as joias distintivas do maçom, não me parecem ser um costume apropriado.
Embora existam condecorações e recompensas plenamente legalizadas, portanto de direito, eu pessoalmente prefiro restringir meus comentários a respeito, até porque não sou muito dado a usá-las. As que me foram gentilmente conferidas eu prefiro guarda-las carinhosamente junto aos meus pertences.


T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2017

POSIÇÃO DO ESQUADRO E DO COMPASSO - GRAU 02

Em 25/09/2017 o Respeitável Irmão José Antonio Figueiredo de Sousa, Loja Acácia da Vila Prudente, 1648, REAA, GOSP-GOB, Oriente de São Paulo, Capital, formula a seguinte questão:

DISPOSIÇÃO DO ESQUADRO E COMPASSO GRAU 2


Sou Orador recém-empossado na Loja. Solicito sua orientação no esclarecimento de uma dúvida que persiste há tempos sobre a posição do
Compasso no Grau de Companheiro Maçom no REAA.
No ritual do Grau 2 do REAA está descrito "ponta dir\ do Com\ sobre o Esq\" (grifo meu), a seguir uma foto da página do ritual: Tendo em vista essa descrição, qual a verdadeira posição do esquadro? Conforme a seguir, posição "A" ou posição "B"?
Certo de sua atenção fico a disposição e no aguardo de orientações.

CONSIDERAÇÕES.

As fotos que o Irmão menciona infelizmente não vieram com a pergunta.
ESQUERDA                     DIREITA
Conforme a sua exposição na pergunta, do ponto de vista de quem abre o Livro da Lei, segundo o Ritual, confuso como sempre, dá a entender que no entrelaçamento com o Esquadro a ponta do Compasso que vai por cima é aquela que fica apontando aproximadamente para o Sul.
Na verdade o Compasso “possui” hastes, enquanto que o Esquadro possui “ramos”. Assim, conforme a posição dos objetos que vão dispostos sobre Livro da Lei, o Esquadro tem os seus ramos voltados para a parte superior do Livro, enquanto que o Compasso tem as suas hastes voltadas para a base do Livro. Tudo isso do ponto de vista daquele que diante do Altar dos Juramentos fica voltado para o sólio (lugar do Venerável Mestre).
A direita nesse caso é de quem lê o Livro da Lei, portanto direita e esquerda não é a “do” objeto, mas a “do” leitor (vide figura).



T.F.A.

PEDRO JUK



DEZ/2017

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

ESTRELA FLAMEJANTE - V

Em 25/09/2017 o Respeitável Irmão Ivair Justino Gonçalves, Loja Lealdade e Justiça, nº 61, REAA, GLEPA, Oriente de Parauapebas, Estado do Pará, solicita o seguinte esclarecimento:

ESTRELA FLAMEJANTE


Em nosso ritual há uma dualidade referente à Estrela Flamejante, na primeira instrução de Aprendiz Maçon, há referencia como sendo o Sol onde se lê. - A Estrela Flamejante representa a principal Luz da Loja. Simboliza o Sol, Gloria do Criador. No ritual de Companheiro Maçom, já deixa claro que a Estrela Flamejante está localizada sobre o altar do Segundo Vigilante. Isso seria um erro do ritual ou está correto em afirmar que os dois podem ser chamados de Estrela Flamejante?

CONSIDERAÇÕES.

De forma alguma.
Antes, porém, seguem alguns comentários necessários sobre a Estrela Flamejante.
Em Maçonaria a Estrela Flamejante somente apareceria na França nos meados do século XVIII.
Como símbolo maçônico especulativo, ela foi um elemento totalmente desconhecido dos maçons operativos e dos primeiros maçons da fase inicial da Maçonaria Especulativa no século XVII. Também era desconhecida na Moderna Maçonaria que seria inaugurada pelo advento da Primeira Grande Loja de Londres no ano de 1717 (os ingleses usam a Estrela de Seis Pontas – Magsen David).
Como parte integrante do simbolismo na vertente francesa de Maçonaria, a Estrela Flamejante, também conhecida como Pentalfa, é associada ao pitagorismo (Pitágoras) e se faz presente nos Templos dos ritos que a adotam como objeto de estudo nos trabalhos do Segundo Grau.
Como símbolo especulativo maçônico ela se apresenta em Loja sempre com a sua ponta única voltada para cima por representar, nela inscrita, a figura de um homem, o que lhe dá a característica de ser conhecida como Estrela Hominal.
Com a ponta única voltada para cima (em posição normal) ela representa os atributos da alta espiritualidade humana (concepção haurida dos ensinamentos pitagóricos). Em posição invertida, ou seja, com a sua ponta única voltada para baixo, ela concebe o homem de cabeça para baixo, ou a figura inscrita da cabeça de um bode, o que lhe dá a ideia dos atributos da materialidade e da animalidade.
A Maçonaria, como Obra de Luz, coloca sempre a Estrela com a ponta única voltada para cima posicionada ao Sul dos seus Templos, tendo-a pendente do teto, ou mesmo nele fixada sobre o Segundo Vigilante como que ocupando a posição intermediária entre o Sol, que está no Oriente e a Lua que está no Ocidente.
Devida essa posição ela se coloca como Luz cálida intermediária e é um dos ornamentos da Loja de Companheiro.
Embora situada pendente ou fixada na porção mediana do teto do Templo, ela não é uma figura astronômica que possa ser comparada com planetas e estrelas que comumente decoram a abóbada nas Lojas do REAA\. Também é errada a sua colocação na parede Sul atrás do Segundo Vigilante como às vezes ela aparece em algumas Lojas.
Uma das características da Estrela Flamejante é a de que a mesma leva inscrita no seu centro a letra “G”, cujo seu significado é “Geometria”, sobretudo pelo simbolismo integrado ao maçom construtor.
A Geometria é também conhecida na Maçonaria como “Quinta Ciência” por ser uma das Sete Ciências e Artes Liberais da Antiguidade (vide a sua divisão em trivium e quatrivium classificada por Boécio).
Isso pode ser conferido nos antigos catecismos maçônicos que assim mencionavam:
- “Por que vos fizestes receber como Companheiro do Ofício?”.
- “Pela letra G”.
- “O que significa essa letra?”.
- “Geometria, ou a Quinta Ciência”.
Infelizmente, com o decorrer dos tempos autores imaginosos fizeram da letra “G” objeto de especulação e de teorias ridículas afastadas da realidade e que acabaram aportando nos nossos rituais. É o caso de comparações como as do tipo Geração, Gênio, Gnose, Ghimel (3ª letra do alfabeto hebraico), etc. Na realidade tudo isso não passa da mais pura especulação.
Como registro autêntico, a Geometria, de origem egípcia, foi levada à Grécia antiga pelos filósofos gregos. Sendo a base da arte de construir, das relações triangulares e do círculo; da Astronomia e da medida das terras férteis do Nilo, ela acabou servindo para os sábios helênicos como fundamento filosófico de Ordem, Equilíbrio e Harmonia do Universo.
De interesse para a doutrina maçônica, essas concepções, já nos primeiros tempos da Maçonaria Especulativa, ou dos Aceitos (século XVII), serviram como comparativos às criações do “Grande Arquiteto do Universo”, “Deus”, “Grande Geômetra”.
Foi graças a isso que a letra “G”, emblema da Geometria, como atributo divino, acabou sendo parte componente da alegoria da Estrela Flamejante como símbolo de ordenação e alta espiritualidade.
Dados esses apontamentos, vamos à questão propriamente dita.
A Estrela Flamejante no Grau de Aprendiz não é comum, pois ela é um objeto de estudo da Loja de Companheiro, inclusive é a chave da senha de reconhecimento do Companheiro. Em Loja de Aprendiz, como ornamento, no máximo ela poderia ser considerada como uma luz intermediária.
Confabulações como as que a apontam como símbolo do Sol e Glória do Criador não fazem nenhum sentido, senão como especulações hauridas de autores imaginosos. Também ser ela a principal Luz da Loja não merece nem comentário tal a sua contradição.
Assim, não existe nenhuma dualidade, porém equívocos relativos a esse símbolo, sobretudo em se tratando do Grau de Aprendiz. Como comentado, a Estrela Flamejante assume uma característica intermediária na senda iniciática, o que a qualifica como uma alegoria do Segundo Grau, sendo para a Loja de Companheiro um dos seus mais importantes Ornamentos.
Só para encerrar, eu gostaria de deixar o seguinte registro sobre o termo Luz da Loja. No REAA\ existem as Luzes da Loja e as Luzes Emblemáticas da Loja, a saber: o Venerável Mestre, o Primeiro e o Segundo Vigilante constituem as Luzes da Loja, também conhecidos como as Luzes Menores. Já o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso compõem os Paramentos da Loja e se denominam como as Três Grandes Luzes Emblemáticas, ou as Três Luzes Maiores. Nenhuma dessas Luzes, tanto as maiores como as menores se relacionam diretamente com a Estrela Flamejante na originalidade francesa de Maçonaria. Portanto, definir a Estrela Flamejante como principal Luz da Loja é alguma coisa que no mínimo deve ser tratada como equivocada[1].

T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2017



[1] Estrela Flamejante confundida com a Principal Luz da Loja, bem como com o Símbolo do Sol e da Glória do Criador, muito provavelmente foi tirada de alguns rituais anacrônicos do passado que imaginariamente colocavam às vezes a Estrela Flamejante com a letra G dentro do Delta Radiante. Dada a importância do Delta na Maçonaria como emblema da divindade, determinados articulistas e pseudos-ritualistas acabaram inventando essa associação por entenderem que a Estrela dentro do Delta era um sinônimo de Luz, Criação, Glória e outros predicados mais. Tudo ao gosto da mais pura invenção, mas que infelizmente até hoje, como verdadeiras carcaças de dinossauro, ainda habitam nossos rituais. 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

ORIGEM E AUTORIA DO PAINEL DO APRENDIZ DO REAA

Em 21/09/2017 o Irmão Matheus Silva, Loja Bento Gonçalves, 2450, REAA, GOB-RS, Oriente de Santiago, Estado do Rio Grande do Sul, pede o seguinte esclarecimento:

ORIGEM E AUTORIA DO PAINEL DO APRENDIZ DO REAA.


Sou integrante da nossa Respeitável Ordem, estou fazendo um trabalho para a Loja de Aprendiz intitulado "O Painel do Aprendiz Maçom", dentre outras fontes cheguei ao seu Livro intitulado “Exegese Simbólica para o Aprendiz Maçom", o adquiri e aproveito para parabenizá-lo pelo trabalho, contudo, gostaria de lhe perguntar quanto à autoria do Painel utilizado pelo REAA GOB, o Painel de origem francesa de acordo com a página 95 deste livro...quem seria e data de autoria há algum registro? Sei que não é o Irmão John Harris. Agradeço desde já pelo auxílio.

CONSIDERAÇÕES:

PRIMEIRO PAINEL DO REAA
Sobre esse Painel propriamente dito eu não tenho a data precisa, mas o seu conteúdo certamente foi se adaptando conforme o ritual se aperfeiçoou ao longo do século XIX até o XX, a despeito de que o primeiro ritual simbólico do REAA\ somente apareceria na França em 1804. Nesse ritual o Painel era diferente do que é atualmente conhecido.
Em termos de Maçonaria simbólica francesa, nos meados do século XVIII, o que comumente era conhecido igualava-se aos costumes previstos pelos Modernos de Londres em 1717 (a França não conhecia o sistema da Grande Loja dos Antigos de 1751).
É por essa razão que o Painel do primeiro grau do Rito Moderno ou Francês continua até hoje muito parecido com a Tábua de Delinear do Craft Inglês.
PAINEL ATUAL
Como o simbolismo do REAA\, que embora filho espiritual da França trouxesse consigo influências anglo-saxônicas hauridas das Lojas Azuis norte-americanas alinhadas aos Antigos Ingleses de 1751 (Lawrence Dermott), os Painéis entre essas duas vertentes foram paulatinamente se diferenciando na França.
Assim, o Rito Moderno, embora francês, adotaria costumes da vertente moderna inglesa, enquanto que o REAA\, igualmente nascido na França, em seu simbolismo vestiria, além do seu ideário naturalmente francês, também um viés inglês pela influência trazida da Maçonaria Norte-Americana.
Devido a esses predicados, os Painéis dos ritos de origem francesa, à exceção do Moderno, se estruturariam no simbolismo condizente à doutrina francesa de Maçonaria (deísta). Na realidade são os ditos Painéis de origem francesa a exemplo dos adotados pelo REAA\ e pelo Adonhiramita, sendo que esse último inverte a posição das Colunas B\ e J\ em relação às que aparecem no Painel do escocesismo.
PAINEL RITO MODERNO
Pode-se afirmar então que durante o período de evolução dos Painéis apareceriam na França mais de uma centena de Quadros da Loja com conteúdos diversos e de autoria de inúmeros artistas.
Nesse sentido, para responder com precisão quem seria o autor e qual seria exatamente o Painel do REAA\ que se transformou naquele que atualmente conhecemos, eu teria que me dedicar uma pesquisa específica sobre o assunto. Aliás, é o meu propósito, mas futuramente e de acordo com a ordenação do meu tempo.
O que eu poderia adiantar a respeito é que a versão atual do Painel de Aprendiz provavelmente tomou seu formato definitivo entre o final do século XIX e começo do XX, a despeito de que se devam ainda levar em consideração no curso da história alguns detalhes pertinentes às Obediências francesas como o Grande Oriente da França, a Grande Loja da França e a Grande Loja Nacional Francesa.
Ainda e para concluir, há também que se levar em conta tudo o que disser respeito às inúmeras deturpações que implacavelmente atingiram as gravuras dos Painéis, sobretudo pelo excessivo número de edições de rituais que ainda ocorrem na Maçonaria latina. Daí, ao se montar a grade para pesquisa sobre o assunto, outra deve a acompanhar no intuito de se depurar seus conteúdos simbólicos – os verdadeiros dos falsos – isso, posso lhe garantir que não é uma empreitada das mais fáceis.

T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2017

OCUPAÇÃO DO ORIENTE NO INGRESSO DO TEMPLO - REAA

Em 21.09.2017 o Respeitável Irmão Rudi Augusto Drews me remete uma questão enviada pelo Irmão Paulo Carvalho, Loja Sepé Tiaraju, 1774, GOB-RS, Oriente de Porto Alegre.

OCUPAÇÃO DO ORIENTE NO INGRESSO NO TEMPLO.


No REAA, o Mestre de Cerimônias compõe a Loja e organiza o cortejo no Átrio, para a entrada no Templo, todos os Irmãos revestidos de suas insígnias e trajados conforme
o Ritual, formarão fila dupla obedecendo a ordem prevista no Ritual.
Após as Baterias do Grau na porta de entrada do Templo pelo Irmão Mestre de Cerimônias o Irmão Cobridor Interno abre a porta e a marcha inicia sem o Sinal de Ordem entrando todos em silêncio, ocupando cada qual o seu lugar, conservando-se em pé, voltados para o eixo do Templo. Neste momento os Irmãos Secretário, Orador, 1º Diácono, Mestres Instalados e Autoridades sobem para o Oriente ocupando seus respectivos lugares? Ou esperam no Ocidente pelos Irmãos Venerável Mestre e Mestre de Cerimônias subirem ao Oriente, para só após eles (Irmãos Secretário, Orador, 1º Diácono, Mestres Instalados e Autoridades) subirem e ocuparem seus lugares em Loja?

CONSIDERAÇÕES:

Embora (só para variar) o ritual seja confuso quando indica que “todos” ocupam “cada qual o seu lugar”, conservando-se em pé, “voltados para o eixo do Templo”, o procedimento na verdade não pode determinar indiscriminadamente que “todos fiquem voltados para o eixo”, mas sim de acordo com o que segue descrito:
Obedecendo a ordem prescrita no ritual, os que por dever de ofício, ou de direito, ocupam o Oriente para lá se dirigem diretamente. O último a ingressar é o Venerável Mestre que vai ao sólio conduzido pelo Mestre de Cerimônias.
Embora o ritual mencione que “cada qual o seu lugar”, o que tem causado dúvida é o termo “todos” quando associado a “voltados para o eixo”. É isso que tem dado a falsa ideia de que até os que militam do Oriente devem primeiro aguardar no Ocidente, já que devem ficar “voltados para o eixo do Templo”.
Mas na realidade essa não é a interpretação correta, pois o certo é que cada qual, antes do ingresso do Venerável Mestre, já ocupe o seu lugar em Loja permanecendo em pé e sem Sinal (a Loja não está ainda aberta) – os do Ocidente no Ocidente e os do Oriente no Oriente. Em síntese, no que diz respeito ao Oriente, não se espera primeiro o Venerável nele ingressar para que só depois os demais possam ocupa-lo.
O termo “ficam voltados para o eixo” apenas se aplica àqueles que têm os seus assentos dispostos (colocados, posicionados) nessa direção.
É oportuno mencionar que os assentos dos Cobridores no ritual do REAA\ em vigência estão equivocadamente dispostos (posicionados). O correto é que eles permaneçam junto à porta, porém fiquem voltados para o Oriente e não volvidos um de frente para o outro como lá aparecem dispostos.
Concluindo, antes do Venerável, que vai conduzido pelo Mestre de Cerimônias, todos ingressam conforme a precedência indicada no ritual e ocupam os seus lugares permanecendo em pé e sem Sinal tendo cada um, imediatamente à sua retaguarda, o seu respectivo assento.


T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2017.