sábado, 7 de março de 2020

ORLA DENTEADA. UM DOS PARAMENTOS DA LOJA


Em 16/12/2019 o Respeitável Irmão João Batista dos Santos, Loja Luz e Caridade, 0525, REAA, GOB-MG, Oriente de Uberlândia, Estado de Minas Gerais formula a seguinte questão:

ORLA DENTEADA


Fiz pesquisas e conversei com outros irmãos, porém gostaria de ter a sua posição a respeito do tema.
O que é a "Orla Dentada" e "onde ela está localizada no Templo".
Vi três opiniões diferentes.

CONSIDERAÇÕES.

A Orla Denteada, junto à Corda de 81 Nós e o Pavimento Mosaico  se constituem nos Ornamentos da Loja de Aprendiz.
Fisicamente a Orla pode aparecer contornando o Pavimento Mosaico como uma guarnição do piso, ou contornando (como uma moldura) os símbolos que compõem o Painel da Loja.
Por ser uma guarnição (cerca), simbolicamente a Orla não deve se interromper.
Em não sendo possível destacá-la contornando o Pavimento Mosaico, que a rigor ocupa todo o piso ocidental do Templo, é perfeitamente suficiente a sua presença como uma moldura matizada no Painel da Loja (vide este).
Como Ornamento da Loja de Aprendiz, esse símbolo foi adaptado no REAA, pois o mesmo é original da vertente inglesa de Maçonaria, mais precisamente da Tábua de Delinear do 1º Grau (vide Lições Prestonianas). Assim, no escocesismo, segundo menciona o irretocável autor Theobaldo Varolli Filho, esse símbolo tem o seguinte significado:
"A Orla Denteada nos mostra o princípio da atração universal, simbolizando o Amor. Representa, com seus múltiplos dentes, os planetas que gravitam em torno do Sol; os povos reunidos em torno de um chefe; os filhos reunidos em volta dos pais, enfim, os Maçons unidos e reunidos no seio da Loja, cujos ensinamentos e a Moral aprendem, para espalhá-los aos quatro ventos do Orbe".
Em síntese esse Ornamento representa a união dos que trabalham no canteiro simbólico, mais conhecido como Loja. Isso explica o porquê da sua aparição no Painel da Loja, pois contornando os símbolos que o compõem, a Orla, tal como uma moldura, evidencia todo o corolário emblemático pertinente ao 1º Grau maçônico.
Em se tratando do REAA, esse é um resumo do significado iniciático da Orla Denteada que, como um dos Ornamentos, aparece feito uma moldura no Painel da Loja envolvendo os símbolos que o constituem, assim como pode também aparecer contornando o piso que recobre toda a parte ocidental do Templo (Pavimento Mosaico).

T.F.A.

PEDRO JUK


MAR/2020

sexta-feira, 6 de março de 2020

RITO MODERNO OU FRANCÊS - O LUGAR DO COBRIDOR


Em 16/12/2019 o Respeitável Irmão Denilson Forato, Loja Artes Liberais, 3.781, Rito Moderno, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Capital, apresenta a seguinte questão:

LUGAR DO COBRIDOR


Tenho duas perguntas:
1.    Local correto da cadeira do cobridor.
2.    Em uma Iniciação, deve-se deixar o candidato umas 2 horas ou mais na Câmara de Reflexão, até que o Ir. Experto venha buscá-lo?

CONSIDERAÇÕES

1.    Conforme especifica o Ritual do Rito Moderno do GOB em vigência, o Cobridor se posiciona sobre o eixo longitudinal do Templo, próximo à porta, entre o Primeiro e o Segundo Vigilante. Fica de frente para o Venerável Mestre que ocupa lugar no Oriente. Obviamente que ele deve ficar a uma distância compatível da porta para não atrapalhar a passagem, mas próximo dela.

2.    Sem dúvida, sem excessos, é apropriado que o candidato fique por tempo necessário para refletir sobre o momento. Assim, além do tempo para preencher o questionário e o testamento filosófico, é de bom alvitre que ele permaneça no interior da Câmara para meditar sobre essa importante passagem da sua vida.


T.F.A.

PEDRO JUK


MAR/2020

quarta-feira, 4 de março de 2020

REAA - LOJA COMPOSTA POR APENAS SETE MESTRES


Em 16/12/2019 o Respeitável Irmão Maurício Américo, Loja Guardiões da Arca da Aliança, 4.167, REAA, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Capital, solicita esclarecimentos.

LOJA COMPOSTA POR SETE MESTRES.


Tenho uma dúvida: outro dia fui Mestre de Cerimônias em uma Loja e trabalhamos com sete mestres, porém o Venerável Mestre trocou o Irmão Secretário pelo Irmão Cobridor e quando fui fazer a circulação, não fui na mesa do Secretário, pois não havia um Irmão lá. Fui corrigido pelo Primeiro Vigilante, que eu deveria mesmo não tendo Irmão ir lá na mesa, pois deve fazer a estrela. Eu pergunto: estou errado? Como deve proceder?

CONSIDERAÇÕES.

Mesmo com número reduzido de sete Mestres, no REAA é imprescindível que os cargos de Venerável Mestre, Vigilantes, Orador, Secretário, Cobridor Interno e Mestre de Cerimônias estejam preenchidos (sete Mestres). Conforme seu relato, eu não sei que troca foi essa que o Venerável fez do Secretário pelo Cobridor. Posso dizer apenas que ela é equivocada.
Como existe a liturgia da transmissão da Palavra para a abertura e encerramento dos trabalhos no REAA, na hipótese de haver apenas sete Mestres, então preenchem momentaneamente os cargos dos Diáconos o Mestre de Cerimônias (faz o 2º Diácono) e o Secretário (faz o 1º Diácono). Reitero, nesse caso, os cargos dos Diáconos somente são ocupados provisoriamente, isto é, apenas no momento da transmissão da Palavra, voltando, imediatamente após, cada substituto à titularidade do seu cargo (Secretário e Mestre de Cerimônias). Nesse sentido, os sete cargos imprescindíveis ficam devidamente preenchidos e a circulação, quando da coleta, ocorre passando pelos seis primeiros cargos sem a ausência de nenhum titular no seu lugar.
O que nós precisamos é acabar com essa história de "formação de estrela" para justificar a abordagem durante a circulação das bolsas. Ora, tenho incansavelmente dito que isso não existe, inclusive tenho mencionando que a estrela de seis pontas – formada por dois triângulos equiláteros - nem faz parte do corolário simbólico do REAA. Assim, sem nenhuma justificativa "estrelar", a questão apenas é a dos cargos que devem ser por primeiro abordados.
Ainda no tocante a essa "estrela hexagonal" - inexistente no Rito em questão - é preciso fazer muito esforço de imaginação para dar forma de estrela a uma hipotética figura desenvolvida conforme o trajeto que os oficiais fazem no templo para coletar dos seis primeiros cargos. O máximo que se pode chegar é a uma figura completamente disforme e tosca (basta tentar esboça-la seguindo a posição dos cargos na Loja para ver o resultado).
O que de fato precisamos é deixar de lado esses anacronismos e explicar a liturgia maçônica com fundamento e razão. As vezes chega ser inacreditável que alguém imagine o Mestre de Cerimônias ou o Hospitaleiro oferecendo a bolsa de coleta a uma cadeira vazia para "fazer a estrela" (sic). Como dizia Eça de Queiróz, essa é mesmo d'escrachar.


T.F.A.

PEDRO JUK


MAR/2020

segunda-feira, 2 de março de 2020

MAÇOM APRESENTANDO ATESTADO MÉDICO NA LOJA


Em 15/12/2019 o Respeitável Irmão Petrônio Cardoso Júnior, Loja Tiradentes, 1.204, GOB-MG, REAA, Oriente de Campo Belo, Estado de Minas Gerais, apresenta a questão seguinte:

ATESTADO MÉDICO


Um Irmão, "graduado" informou que, se apresentar atestado médico, não necessitaria frequentar a Loja.
Mesmo se for real a doença, entendo que maçonicamente cabe nesse caso é uma licença por seis meses, afinal a relação obreiro/Loja, não é trabalho regido por leis profanas.
O que pensas?

CONSIDERAÇÕES.

Penso que essa questão caberia mais ao Guarda da Lei ou ao representante do Ministério Público Maçônico a quem cabe comentários sobre legislação maçônica e seus competentes diplomas legais. Reitero que atuo no campo de história, filosofia, ritualística e liturgia maçônica.
De qualquer modo, seguem alguns comentários, porém sem o desiderato de fechar a questão.
O fato me parece que não é de "Irmão graduado", ou coisas desse gênero. A questão é mesmo de legalidade. Senão vejamos: de acordo com o RGF, Capítulo VI, DA LICENÇA, Art. 67:
"É lícito qualquer Maçom (o grifo é meu), em pleno gozo dos seus direitos, solicitar licença da Loja por até seis meses".
Ainda do RGF em seu Artigo 68, § 1º:
"A critério médico a licença poderá ser prorrogada por qualquer período".
Dado ao exposto, o Art. 67 parece deixar claro que a licença maçônica não é uma questão de "Irmão graduado", mas de qualquer Maçom que estiver em pleno gozo dos seus direitos.
Já o Artigo 68 do RGF, no seu § 1º, confirma que por motivos de tratamento de saúde, desde que atestado por um médico, a Loja poderá prorrogar a licença por tempo indeterminado.
Assim, uma licença pode sim ser solicitada por um maçom que necessite de cuidados médicos, todavia essa licença é dada pela Loja que ele faz parte, lembrando com isso que a licença alcançará o obreiro apenas na Loja em que ele a requereu (Art. 68, § 4º do RGF).
Por fim, cabe ainda o seguinte comentário: ao que parece, para obter licença, em qualquer situação o maçom deve solicita-la a sua Loja, isto é, seguir os trâmites legais, e não simplesmente se achar que um Irmão "graduado" (sic) ao apresentar um atestado médico fique isento de frequência. No caso de tratamento de saúde, ele pede licença que, não sendo suficiente o período legal de seis meses, a licença, mediante critérios médicos, poderá ser prorrogada até o final do tratamento.
Eram esses os meus comentários... Apenas o que penso... Não uma instrução oficial.

T.F.A.

PEDRO JUK


MAR/2020

domingo, 1 de março de 2020

DISPOSIÇÃO DAS BANDEIRAS NO ORIENTE DA LOJA - GOB


Em 04/12/2019 o Respeitável Irmão Marco A. B. Adami, Loja Amanhecer Fraterno, 4.072, REAA, GOB-SP, sem mencionar o Oriente, Estado de São Paulo, apresenta a dúvida seguinte:

DISPOSIÇÃO DAS BANDEIRAS


Consta que estamos com uma dúvida com relação a colocação das bandeiras no Oriente. Poderia por favor, nos esclarecer a posição correta destas, apesar de no Ritual do REAA constar, ainda estamos em dúvidas.

CONSIDERAÇÕES

Conforme menciona o Decreto 1.476 de 17 de maio de 2016 que dispõe sobre o cerimonial para a Bandeira Nacional, Artigos 13 e 14 como segue:
"Art. 13. A Bandeira Nacional será posicionada à direita do Venerável, ao fundo do Oriente, tendo a sua direita a Bandeira da unidade da Federação onde a sessão se realiza, que, por seu turno, terá a sua direita a Bandeira do Município a que pertence."
"Art. 14. A Bandeira do Grande Oriente do Brasil será posicionada à esquerda do Venerável, ao fundo do Oriente, tendo a sua esquerda a Bandeira do Grande Oriente Estadual ou do Distrito Federal, ou Delegacia do Grão-Mestre Geral que, por seu turno, terá a sua esquerda o Estandarte da Loja."
Sobre os Artigos mencionados cabem alguns esclarecimentos. Com relação ao Venerável Mestre considere-se ele do Oriente olhando para o Ocidente. Assim, no caso do Art. 13, a Bandeira Nacional é a primeira que fica hasteada em relação ao ombro direito do Venerável. Nessa ordem vão as demais bandeiras mencionadas no Artigo. No tocante ao Art. 14, a Bandeira do Grande Oriente do Brasil e a primeira que fica hasteada em relação ao ombro esquerdo do Venerável. Nessa ordem vai, depois da Bandeira do GOB, a do Grande Oriente Estadual e por último o Estandarte da Loja.
Ainda sobre o tema, mais orientações podem ser encontradas no Sistema de Orientação Ritualística – REAA – Aprendiz Maçom, item 5, Pavilhão Nacional in GOB RITUALÍSTICA – http://ritualistica.gob.org.br/

T.F.A.

PEDRO JUK


MAR/2020

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

ESPADA MAÇÔNICA - SEU COMPRIMENTO


Em 04/12/2019 o Respeitável Irmão Ericson Simonetto, sem mencionar o nome da Loja, REAA, GOB-SC, Oriente de Criciúma, Estado de Santa Catarina, apresenta a questão seguinte:

COMPRIMENTO DA ESPADA

 
Ainda em conversação com os Irmãos de Criciúma para trazê-lo ao nosso Oriente.
Mas tenho uma dúvida, e pode me ajudar, eu acredito. Seria sobre a espada do Cobridor, pois percebo que algumas oficinas, a espada tem tamanho menor que as normais, existe algum simbolismo para tal instrumento? O Correto é a espada de tamanho menor?
No aguardo do entendimento do Irmão. Pois senão tem nada a ver, por que esta espada se faz presente nas Lojas?

CONSIDERAÇÕES

A espada utilizada na liturgia da Moderna Maçonaria é uma arma branca que se compõe de uma lâmina de aço com dois gumes e acabamento pontiagudo, protetor e cabo. Em média a sua lâmina possui comprimento aproximado entre 65 cm a 70 cm e o seu cabo com aproximadamente 18 cm. Esse comprimento dá a espada a possibilidade de ser embainhada, sobretudo pelos oficiais que, por dever de ofício, dela se utilizam como seu objeto de trabalho.
A faixa do Mestre tem origem no boldrié (talabarte) que servia para trazer dele pendente a bainha que acondicionava a espada. Isso pode ser constatado atualmente na descrição da Faixa do Mestre onde alguns rituais mencionam a existência de um dispositivo nele preso para acondicionar a espada – "Na extremidade interna da faixa existe uma presilha que serve de suporte para a espada", in Ritual do 3º Grau, Mestre Maçom, REAA, GOB, página 22, edição 2009 em vigência.
No simbolismo do REAA não está previsto o uso de punhais, adagas ou outros elementos do gênero que não seja a da espada com o tamanho acima mencionado. Destaque-se que essas são medidas meramente construtivas e condizentes com o uso do objeto, não existindo nelas, portanto, qualquer significado esotérico, místico ou com outras interpretações do gênero.
A título de esclarecimento, o uso coletivo da espada em Loja originou-se principalmente na Maçonaria francesa. Visando dar caráter de igualdade, todos os Mestres Maçons presentes em Loja, independente da sua classe social, portavam espadas. Esclareça-se que na França dos séculos XVII e XVIII a espada, além de ser uma arma utilizada pelos reis e militares, também era um símbolo de nobreza e era utilizada principalmente por elementos que compunham as classes mais abastadas.



T.F.A.

PEDRO JUK


FEV/2020

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

RETARDATÁRIO - PARA QUEM SE DIRIGE O COBRIDOR INTERNO


Em 03/12/2019 o Respeitável Irmão André Ricardo Ferraz Roque, Loja Barão do Rio Branco, 03, REAA, GOIPE/COMAB, sem mencionar o nome do Oriente, Estado do Pernambuco, apresenta a seguinte questão:

PARA QUEM SE DIRIGE O COBRIDOR.


Gostaria de tirar a seguinte dúvida: Quando um Irmão chega atrasado e bate à porta do Templo, a quem o Guarda do Templo deve se dirigir para comunicar a chegada do Irmão? Ao Segundo Vigilante e este ao Primeiro Vigilante que por sua vez comunica ao Venerável Mestre ou o cobridor comunica diretamente ao Venerável?

CONSIDERAÇÕES.

A presença de um retardatário pedindo ingresso deve ser anunciada no momento propício pelo Cobridor Interno ao 1º Vigilante.
Tem existido alguma controvérsia em relação a essa prática, sobretudo porque alguns alegam estar o Cobridor Interno ocupando a Coluna do Sul e o 1º Vigilante se encontra Coluna do Norte, portanto ele deveria primeiro comunicar o 2º Vigilante. Mas não é isso que se dá, pois se assim fosse, durante a abertura dos trabalhos o 1º Vigilante também teria que comunicar o 2º e este mandar o Cobridor verificar se o Templo se acha coberto. Ora, sabe-se perfeitamente que não é esse o procedimento previsto, pois é dever do 1º Vigilante ter ciência da cobertura do Templo (pelo menos é isso que prevê a maioria dos rituais do REAA).
Embora o atraso não esteja previsto, ou institucionalizado, na verdade a prática correta seguindo essa lógica é a de que o Cobridor Interno informe diretamente ao 1º Vigilante, pois ele está posicionado no extremo do Ocidente, próximo à porta e, por conseguinte, próximo do Cobridor.
Assim, respondendo a sua questão, o Cobridor Interno, em sendo o momento propício, comunica o 1º Vigilante que, por sua vez, comunica o Venerável Mestre.


T.F.A.

PEDRO JUK


FEV/2020