domingo, 19 de junho de 2022

QUAL O CORRETO - BOAZ OU BOOZ?

Em 17.11.2021 o Respeitável Irmão João Cesar Monteiro dos Santos, Loja Colunas em Progresso, 2.618, REAA, GOB-SP, Oriente de Guaratinguetá, Estado de São Paulo, apresenta a dúvida seguinte:

 

BOOZ ou BOAZ

 

Face a discussão que ora se opera em minha Loja, solicito esclarecimento para o correto uso de BOAZ ou BOOZ.

 

COMENTÁRIOS

 

Já escrevi bastante a respeito. Apontamentos sobre podem ser encontrados no meu blog http://pedro-juk.blogspot.com.br

Em um breve comentário, destaco aqui que a explicação mais aceita é a de que a palavra correta é BOAZ, pois etimologicamente, na língua hebraica BOOZ (com vogais dobradas) não existe. Basicamente parece que este foi um erro haurido da versão bíblica latina (a Vulgata) onde o tradutor, São Jerônimo equivocadamente trocou a grafia BOAZ por
BOOZ, o que resultou numa corruptela linguística.

A outra versão bíblica, a Septuaginta, que fora traduzida do hebraico para o grego na intenção de atender aos judeus helenistas, traz a palavra certa, BOAZ.

É muito provável que essa corrupção linguística tenha sido adotada na Maçonaria Brasileira devido a utilização da Vulgata, versão bíblica latina.

Na Vulgata a corruptela linguística BOOZ fora mantida, segundo a Igreja, em respeito ao tradutor São Jerônimo. Como a Maçonaria Brasileira é filha espiritual da França, portanto latina, o equívoco acabou se consagrando devido à utilização da Vulgata, sobretudo naqueles ritos que nasceram em solo francês.

Nos países de língua anglo-saxônica, contudo, a versão bíblica utilizada tem sido geralmente a versão “Dos Setenta”, ou “Septuaginta”. Graças a isso é que a vertente anglo-saxônica de Maçonaria utiliza a palavra original, ou seja, BOAZ, como é o caso do Craft, por exemplo.

Por fim, vale mencionar que em se tratando da Maçonaria Brasileira, muitos rituais trazem apenas a letra inicial B∴, nesse caso a utilização correta da palavra depende ainda dos costumes e das instruções, o que acaba trazendo muitas vezes a duplicidade de aceitação.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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JUN/2022

quarta-feira, 15 de junho de 2022

CIRCULAÇÃO DO TRONCO DE BENEFICÊNCIA - REAA

Em 17.11.2021 o Respeitável Irmão Romeu Mattar Filho, Loja Bartolomeu Bueno da Silva, 71, REAA, GLEGO (CMSB), Oriente de Goiânia, Estado de Goiás, formula a seguinte questão:

 

CIRCULAÇÃO DA BOLSA

 

Minha dúvida é a Circulação da Bolsa de Beneficência. Fui indicado para o cargo de Hospitaleiro e me sinto um pouco inseguro.

 

CONSIDERAÇÕES:

 

Sob o ponto de vista da originalidade do REAA, a circulação consagrada é a de que o Irmão Hospitaleiro se coloque entre as colunas do Norte e do Sul (sobre o eixo), no extremo do Ocidente com o recipiente aberto e seguro pelas duas mãos junto ao quadril esquerdo. Essa é a postura que deve ser mantida pelo Oficial, estando ele parado ou em
deslocamento na Loja.

Qualquer Irmão quando abordado pelo Hospitaleiro durante coleta, sentado, deve depositar o óbolo com a mão direita fechada. O único que deposita em pé é o Hospitaleiro no exercício do seu ofício.

A regra de abordagem tradicional dos seis primeiros cargos é a seguinte: Venerável Mestre, 1º e 2º Vigilantes (as Luzes da Loja); Orador e Secretário (demais Dignidades); e o Cobridor Interno (importância pelo Landmark do sigilo). Prosseguindo, os ocupantes das cadeiras de honra se ocupadas, à direita e a esquerda do Venerável Mestre (se elas estiverem previstas no ritual); os demais ocupantes do Oriente; Mestres das Colunas do Sul e do Norte (com cargo e sem cargo – sem distinção), Companheiros e Aprendizes e, por fim, o próprio Hospitaleiro que, geralmente auxiliado pelo Cobridor Interno, deposita o seu óbolo.

Esse é o percurso tradicional dos seis primeiros cargos, cuja sequência nada tem a ver com uma suposta estrela de seis pontas que, de fato nem mesmo existe no REAA. De qualquer modo, sugiro ao Irmão que siga o ritual da sua Obediência em vigor, pois sabemos perfeitamente que podem existir variações nesse trajeto por conta dos inúmeros rituais que já foram impressos, principalmente no Brasil.

Basicamente é isso, lembrando que uma Loja somente pode ser aberta com a presença mínima de sete Mestres Maçons, nesse caso, é obrigatório o preenchimento dos seis primeiros cargos acima mencionados que, somados ao oficial que recolhe a coleta, perfaz o número mínimo obreiros necessários para que uma Loja possa ser aberta REAA.

Vale ainda mencionar que quando se fala em originalidade, menciona-se as fontes primárias que deram corpo ao primeiro ritual para o simbolismo do REAA na França a partir de 1804. Temos assim como fontes principais o “Regulador do Maçom” (1801) do Grande Oriente da França, a exposure relativa aos Antigos Ingleses intitulada “As Três Pancadas (Batidas) Distintas na Porta da Antiga Maçonaria” (1760) e, por fim, as influências da Loja Geral Escocesa que fora criada em outubro de 1804 para elaborar o primeiro ritual. O primeiro composto desse ritual seria editado na França em 1820, 1820 com o título de Guia dos Maçons Escoceses, embora já deturpado e influenciado pela criação das Lojas Capitulares (1814) e pelo Regulador do Rito dos Sete Graus.

Por fim, lembro também que na Moderna Maçonaria tradicional, isto é, naquela sem invenções e enxertos, Aprendizes e Companheiros não ocupam cargos.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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JUNHO/2022

terça-feira, 14 de junho de 2022

LUGAR DA SAUDAÇÃO AO VENERÁVEL MESTRE

Em 15.11.2021 o Respeitável Irmão Marcus Vinicius Mendes dos Santos, Loja Amor e Luz, REAA, GOB-GO, Oriente de Pires do Rio, Estado de Goiás, apresenta a seguinte questão:

 

LUGAR DA SAUDAÇÃO

 

Minha dúvida é: ao entrar no Oriente onde se deve saudar o Venerável Mestre, no degrau abaixo do piso do Oriente (último antes de entrar) e na saída saúda também deste degrau ou ainda dentro do Oriente. Desde já agradeço sua sabedoria.

 

CONSIDERAÇÕES:

 

Caro Irmão, conforme menciona o Sistema de Orientação Ritualística do GOB RITUALÍSTICA, Aprendiz, REAA, item 31 a saudação é feita em se tendo como referência a linha da balaustrada, tanto para entrar, como quando sair. Ainda como referência, ingressa-se no Oriente pelo lado do Orador e, dele se sai pelo lado do Secretário.

No ingresso, assim que o protagonista pisar no Oriente, ao lado da balaustrada e em seu nível de chão abaixo do sólio, ocorre a saudação. À saída, ainda no
Oriente, no nível de chão abaixo do sólio, imediatamente antes de descer, ao lado da balaustrada, faz a saudação.

O SOR - Sistema de Orientação ritualística - GOB RITUALÍSTICA, www.ritualistitica.gob.org.br é uma ferramenta hospedada na plataforma que orienta e corrige os rituais do GOB e devem ser aplicados sobre os mesmos até que haja nova impressão. Esse dispositivo (o SOR) está amparado pelo Decreto 1784/2019 do Soberano Grão-Mestre Geral que é o guardião dos rituais. Nesse sentido, o SOR é para ser aplicado e está em vigência. Lá existe mais de uma centena de orientações e informações. Confira.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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JUNHO/2022

segunda-feira, 13 de junho de 2022

LUGAR DO 2º DIÁCONO EM LOJA NO REAA

Em 10.11.2021 o Respeitável Irmão Jocely Xavier Araújo, Loja Herbert Jurk, 2.818, REAA, GOB-SC, Oriente de Timbó, Estado de Santa Cataria, solicita esclarecimentos.

 

LUGAR DO SEGUNDO DIÁCONO

 

Mais uma vez, venho incomodá-lo, desde já desculpe. REAA. Qual o local correto do segundo Diácono? Ritual 1º GRAU, Página 46 - VEN∴ Ir∴ 2º. Diác∴, qual é o vosso lugar em Loja? 2º Diác∴ - À direita do Ir∴ 1º Vig∴

Esse à direita do 1º Vig∴ significa a sua cadeira está realmente à direita da mesa do Ir∴ 1º Vig∴ encostada na parede, ou à direita do Ir∴ 1º Vig∴, mas um pouco à frente deste isso é aproximadamente na metade da mesa?

 

COMENTÁRIOS

 

Na realidade, no REAA, o 1º Vigilante não fica de fato “encostado” na parede ocidental, mas um pouco afastado dela, isto é, mais ou menos de 1,00m a 1,20m da parede.

Contudo sabemos perfeitamente que às vezes o mobiliário da Loja precisa se


adequar ao tamanho do espaço. Assim, num caso desses, o “à direita do Irmão 1º Vigilante” não carece ser simétrico, mas pelo seu lado direito um pouco mais à frente.

Agora quando o espaço for suficiente e o Vigilante não precise ficar encostado na parede ocidental, aí o “à direita” deve ficar simétrico, ou quase simétrico, ao conjunto mobiliário do 1º Vigilante, ou seja, de fato à direita.

Via de regra, tudo depende do espaço, adequando-se conforme a necessidade. Agora em ambientes espaçosos, o 2º Diácono deve ocupar lugar à direita e simétrico ao 1º Vigilante (como se apresenta na página 22 do ritual de Aprendiz em vigência, item 1.3.2 – Planta do Templo), ambos na Coluna do Norte.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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JUNHO/2022

domingo, 12 de junho de 2022

ÚLTIMO A FALAR - GRÃO-MESTRE USANDO A PALAVRA

Em 08.11.2021 o Respeitável Irmão Marcelino Pereira Neto, Loja Cavaleiros Templários, nº 05, Ritual de Emulação, GORR, COMAB, Oriente de Boa Vista, Estado de Roraima, formula a seguinte questão:

 

FALA DO GRÃO-MESTRE

 

No REAA, quando do uso da palavra o Grão-Mestre esteja presente e outros Grão-Mestres de outras potencias também estiverem, qual a ordem de pronunciamento destes? O Grão-Mestre da Potência fala primeiro ou depois do Venerável Mestre

 

CONSIDERAÇÕES.

Salvo melhor juízo, pois não tenho em mãos o ritual dessa Obediência Estadual da COMAB, em linhas gerais e de modo consagrado, depois das conclusões do Orador fala somente o Grão-Mestre da Obediência a qual a Loja pertence.

Estando presente Grão-Mestres visitantes, estes falam antes da fala final do Venerável Mestre quando a palavra a bem da Ordem estiver no Oriente, ou seja, antes de o
Venerável passar a palavra ao Orador para as conclusões finais.

Vale mencionar ainda que tudo isso se dá nas sessões em que o Grão-Mestre, ou os Grão-Mestres ainda estejam presentes para o encerramento dos trabalhos (sessões econômicas, ou ordinárias). Há sessões, no entanto, como as magnas por exemplo, o Grão-Mestre se retira com formalidade antes do encerramento (depois da Bandeira). Nesse caso o titular fala por último ainda no período da palavra sobre o ato realizado. Nessa ocasião, havendo Grão-Mestres visitantes, estes falam imediatamente antes do Grão-Mestre Estadual da Obediência que a Loja pertence.

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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JUNHO/2022

sexta-feira, 10 de junho de 2022

ABSTENÇÃO NA VOTAÇÃO - RETIDÃO. O ESQUADRO E O PRUMO

Em 29/10/2021 o Respeitável Irmão, Robson Lopes, Loja Mestre Hiram, 1.427, sem mencionar o Rito, GOB-RJ, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a dúvida seguinte:

 
ABSTENÇÃO NA VOTAÇÃO

 

Acompanho seu blog, que muito me instrui, e instiga a buscar os fundamentos de nossas Augustas práticas.

As vezes em sessão vejo alguns irmãos visitantes ficarem em pé e a ordem em momentos de votação da oficina. Essa prática é hábito consolidado entre os irmãos é alguma determinação do GOB, ou não há uma palavra final nesse sentido?

Outra dúvida que tenho é sobre o simbolismo do esquadro e do prumo, que em nossas instruções ambos são tratados como retidão, mas não consigo conceber a diferença conceitual, ou ambos simbolizam exatamente o mesmo princípio sem distinção?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Ficar à Ordem para demonstrar abstenção em uma votação, é um costume consagrado em muitos ritos maçônicos que são aqui praticados.

É bom que se diga que esse não é um costume universal, pois alguns ritos possuem características próprias nesse particular. Alguns ritos até adotam uma espécie de sinal não iniciático, como é o caso do Rito Adonhiramita, para identificar aquele que quer se abster de votar. Em outros ainda, o obreiro permanece como está (sem estender o braço à frente).

Em linhas gerais, o que tem prevalecido em boa parte dos ritos, como é o caso do


REAA, é o de se ficar à Ordem para demostrar abstenção numa votação.

No tocante ao simbolismo do Esquadro e do Prumo, instrumentos imprescindíveis nas edificações perfeitas e duráveis, o Esquadro, objeto constituído por dois segmentos de retas (ramos) que proporcionam o canto perfeito (90º).

Esse canto perfeito é construído nas edificações a partir da aplicação da 47ª Proposição de Euclides, ou o Teorema de Pitágoras. Graças a essas propriedades, encontradas no triângulo retângulo, o aspecto dos cantos elevados sobre uma base esquadrejada tem o caráter de retidão. É o ponto de partida da pedra angular.

Sob o ponto de vista iniciático essa alegoria sugere o homem de caráter, justo nas suas ações. Em síntese o Esquadro representa o caminho da retidão a ser seguido pelo iniciado.

Quanto ao Prumo, por este não pender como as oblíquas, dá o sentido aprumado para os cantos esquadrejados. Nesse sentido ele representa uma edificação elevada a prumo. Esse elemento, por não pender como as oblíquas, representa o direito igual (equidade) de cada um. É o critério de moderação e igualdade. Enfim, o prumo simboliza o que é conforme com o direito. Todas essas virtuosas aplicações devem fazer parte do cotidiano do iniciado – um homem de ações justas.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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JUNHO/2022

 

terça-feira, 7 de junho de 2022

NA ACLAMAÇÃO, SE VOLTAM PARA O VENERÁVEL MESTRE

Em 25.10.2021 o Respeitável Irmão Rogério Alves Leoni, Loja Independência e Luz, 301, REAA, GOB-RJ, Oriente de Barra Mansa, Estado do Rio de Janeiro, formula a questão seguinte:

 

SE VOLTAM PARA O VENERÁVEL?

 

Quando o Venerável fala " a mim meus Irmãos", os Irmãos se viram para ele ou se mantém na posição em que estão?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Nesse contexto ritualístico, a expressão dita pelo Venerável Mestre denota que todos sigam-no, ou estejam junto com ele.

A bem da verdade, todo esse procedimento rotula uma aclamação ao Sol simbolizado como fonte de sabedoria. No abrir dos trabalhos, a sua plenitude ao Meio-Dia e, no encerramento, a certeza da sua volta (Sol), porque quanto mais escura é a madrugada,
mais próximo está o raiar de um novo dia.

Era comum entre os povos do Norte, dentre ele os árabes, por exemplo, saudar a volta do Sol no solstício de inverno tendo às mãos um ramo de acácia.

É esse o argumento dessa alegoria no REAA. Assim, o Venerável Mestre saúda e pede que todos o acompanhem nos procedimentos.

Nessa ocasião todos o seguem permanecendo como estão nos seus lugares, o seja, sem a necessidade de que a assembleia se volte para o Venerável Mestre. Até porque todos, inclusive o próprio Venerável, se reportam nesse momento aclamando à Luz.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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JUN/2022