terça-feira, 19 de agosto de 2025

INGRESSO COM O PÉ ESQUERDO

Em 18.02.2025 o Respeitável Irmão Fabrício Teixeira, Loja União Mutuense 17 de Maio, GOB MINAS, REAA, Oriente de Mutum, Estado de Minas Gerais, apresenta a dúvida seguinte:

 

PÉ ESQUERDO

 

Valoroso irmão Juk, no novo ritual GOB de Aprendiz, na parte final que esclarece alguns assuntos sobre orientação ritualística, diz que o acesso ao templo e ao oriente, se faz com qualquer um dos pés.

Me surgiu a dúvida se esta orientação se dá antes do início dos trabalhos ou durante
o transcorrer dos mesmos, visto que como Aprendiz foi me mostrado anteriormente que o pé esquerdo vinha primeiramente.

Certo de sua atenção, agradeço imensamente.

 

CONSIDERAÇÕES

 

No REAA, durante a abertura dos trabalhos, no transcurso da sessão e após o seu encerramento, ingressa-se ou se sai do Oriente com qualquer um dos pés. Tanto faz, pode ser com o direito ou com o esquerdo.

Nenhum ritual vigente prevê este "fetiche" de se ingressar ou sair da Loja, ou mesmo subir ao Oriente, apenas com o pé esquerdo. Esta não passa de mais uma invencionice produzida pela fértil imaginação de alguns. O próprio ritual menciona que andando normalmente, ingressa-se no Templo com qualquer um dos pés.

Sendo assim, reitera-se: antes, durante ou depois, ingressa-se ou se sai do Templo, e Oriente se for o caso, com qualquer um dos pés – com aquele que melhor convier ao transeunte.

Ao finalizar, é bom que se diga que a Moderna Maçonaria, nascida no século das luzes, é uma Instituição que prima pela racionalidade e pelo esclarecimento. Urge então a necessidade de se extirpar, de uma vez por todas, essas crendices que só comprometem os salutares e verdadeiros ensinamentos maçônicos.

 

Fraterno abraço.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

AGO/2025

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

ATIVIDADES SOCIAIS DA LOJA

Em 18.02.2025 o Respeitável Irmão Rafael Teixeira, Loja Fraternidade Sul Mineira, 1093, REAA, GOB MINAS, Oriente de Pouso Alegre, Estado de Minas Gerais, apresenta a questão seguinte:

 

ATIVIDADES SOCIAIS.

 

Novamente me recorro a você em busca de uma direção. Espero que não se importe. Trata-se de um assunto que antes era tratado com naturalidade em minha loja, mas de uns tempos pra cá estão se tornando melindrosos. Eu me refiro a projeto sociais. Eventos para arrecadar fundos para ajudar uma instituição e/ou investir em infraestrutura da loja. Há alguns irmãos que "condenam" qualquer projeto social que envolva algum tipo de "festividade", como por exemplo: um boi no rolete, bingo, etc... A alegação é que a maçonaria é uma escola e que esse tipo de atividade não é "fazer maçonaria".

Eu particularmente concordo que a maçonaria seja uma escola e que este seja o objetivo fim da instituição. Por outro lado, penso que as leis que nos regem alertam sobre a importância de se ter um olhar para o social, também.

Nós já tivemos a Feira das Nações que ajudou diversas instituições que participavam dela, arrecadando fundos e promovendo entretenimento e divulgação da maçonaria para a nossa cidade e região. Recordo-me que durante os anos que esse evento aconteceu, não houve nenhuma oposição sobre a realização da mesma. Portanto, essa questão de oposição a projetos sociais, inclusive com argumentos de que a Maçonaria não é Lions e nem Rotary está fazendo com que a nossa loja fique estacionada com esse quesito. Muitos irmãos reclamam da situação atual. Provavelmente serei o próximo Venerável Mestre e penso que temos que reativar projetos para, inclusive, unir mais os irmãos. Peço a sua opinião sobre o relatado acima, pois estou certo que o irmão é conhecedor de nossas leis e poderá me auxiliar com sua sabedoria.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Na verdade, esta não é uma questão voltada para a liturgia e ritualística maçônica - assuntos do meu ofício. À vista disso, segue apenas a minha opinião sobre o exposto na vossa questão acima.

Nesse sentido, entendo que além das atividades iniciáticas, também as obras sociais são muito importantes para o cotidiano das Lojas no contexto social das comunidades que as envolvem.

As Lojas maçônicas abertas ritualisticamente em sessões exclusivas para maçons, ordinárias ou magnas, têm o desiderato principal de construir e aprimorar o homem maçom, ao ponto de torna-lo um digno e atuante construtor social.

Obviamente que estou me referindo aos verdadeiros ensinamentos maçônicos envolvidos em esmero e responsabilidade, e não aqueles que se servem apenas do replicar vazio de batidas de malhetes para satisfazer operários amorfos, supersticiosos e contemplativos.

Vale ressaltar que uma coisa é forjar, dentro da Loja, o maçom conforme as exigências da Arte, a outra coisa é torna-lo um elemento moldado e útil à sociedade, fora dos umbrais dos nossos templos.

No intuito de conciliar a preparação e o exercício da atividade, imagino que os projetos sociais de uma Loja não precisam ser construídos em Loja ritualisticamente aberta. Entendo que muito mais proveitoso seria tratá-los nas sessões administrativas, onde certamente haverá, para este fim, mais desenvoltura e progresso (objetividade), ficando as sessões ritualísticas legadas à preparação iniciática individual do construtor social.

Por exemplo, em uma sessão administrativa, marcada nos conformes da legislação, é possível debater temas e projetos sem as formalidades da liturgia maçônica, ficando apenas a decisão formal para votação na Ordem do Dia de uma sessão ordinária. Assim, os debates em sessão administrativa se tornam muito mais produtivos, o que facilita o alcance do objetivo.

Creio que assim a Loja poderá cumprir as suas obrigações, tanto sociais como iniciáticas de modo coerente e organizado em sem entraves desnecessários.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

AGO/2025

BOLSA DE PPROP. E IINF. E A ORDEM DO DIA

Em 17/02/2025 o Respeitável Irmão Eliezer de Oliveira, Loja 20 de Agosto, 2563, GOB-SP, REAA, Oriente de Arujá, Estado de São Paulo, apresenta o que segue:

 

BOLSA DE PROPOSTAS E INFORMAÇÕES

 

Temos dentro da Loja uma pequena divergência sobre o Saco de Propostas e Informações como segue;

"Há Irmãos que defendem que colocar o pedido da palavra no Saco de Propostas para fazer proposta verbal na Ordem do Dia. Outros Irmãos discordam desta forma de apresentação pois,

1. Tira a autonomia do Venerável Mestre de entender a proposta e em alguns casos, deixar sob malhete e particularmente esclarecer pontos com o proponente.

2. Quando a proposta é feita oralmente, o proponente é conhecido e pode influenciar a votação.

Em razão destas opiniões divergentes solicitamos suas considerações que sempre ajudam para a condução dos trabalhos de forma perfeita.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

A pauta da Ordem do Dia, como bem diz no ritual, deve ser previamente organizada pelo Venerável Mestre, isto é, deve vir preparada com antecedência e exibida, uma a uma, pelo Secretário na sessão.

Salvo se na Bolsa de PProp e IInf vier colhida alguma col grav que demande ser debatida e votada com urgência, as demais propostas colhidas devem ser decifradas e remetidas à Ordem do Dia da próxima sessão.

                Quem quiser apresentar alguma proposta, ou efetuar uma informação via bolsa de PProp e IInf, o recomendável é que o faça por escrito e assine, devendo o Venerável não decifrar nenhuma col grav que se apresente sem assinatura ou mesmo assinada, mas por Irmão que não esteja presente na sessão.

Assim, mediante o decifrar das ccol ggrav, o Venerável Mestre avaliará se alguma col possui caráter de urgência para imediata apreciação e votação, caso contrário a col decifrada somente entrará na pauta da Ordem do Dia da próxima sessão, ou no prazo regimental legal, caso a mesma tenha que ficar sob malhete

Agora, pedir para fazer uso da palavra via saco de PProp e IInf é algo da mais refinada invencionice, até porque isto nem consta no Ritual. Pior ainda é pedir a palavra por col grav para falar na Ordem do Dia. Como foi dito, salvo matéria de justificada urgência, as ccol gravadas que demandarem de discussão e votação irão para a pauta da próxima sessão.

Ao finalizar, vale ressaltar que salvo matérias comprovadamente urgentes, o Venerável Mestre deve por em discussão e votação na Ordem do Dia apenas e tão somente as matérias constantes da pauta que por ele fora antecipadamente preparada, não devendo nunca, antes do encerramento do período, perguntar se mais algum Irmão tem assunto para a Ordem do Dia.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

AGO/2025

domingo, 17 de agosto de 2025

OLHO DE HÓRUS NO REAA

Em 17/02/2025 o Respeitável Irmão Antonio Sergio Nogueira, Loja Dever e Humanidade, 860, REAA, GOB-PE, Oriente de Caruaru, Estado de Pernambuco, faz a pergunta seguinte.

 

OLHO DE HÓRUS

 

Em algum momento, quando usamos o "olho" na Maçonaria no REAA - GOB. Costumamos usar o OLHO ONIVIDENTE na figura de um olho humano com o delta. Em algum momento, podemos usar o OLHO DE HÓRUS mesmo que seja fora do templo como por exemplo: No salão de Banquetes e/ou parede frontal a entrada da Loja?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Para as Lojas do REAA, GOB, o Ritual de Aprendiz apresenta na sua página 11, Painel do Grau de Aprendiz, o Delta Radiante sobre o frontão do pórtico tendo a letra hebraica "IÔD" no seu interior. Neste mesmo ritual, página, 196, 3ª Instrução, é mencionado um Delta Luminoso (Radiante) com um olho esquerdo (Onividente). Em ambas as menções, no REAA o conjunto emblemático é o símbolo da Divindade e das qualidades espirituais.

            Assim, ambas as figuras podem ser usadas no Oriente da Loja, mais precisamente no Retábulo do Oriente, que é a parede que fica imediatamente atrás do lugar do Venerável Mestre na Loja.

Em se tratando do interior do Templo do REAA, estas são as únicas possibilidades apresentadas na constituição e uso deste símbolo – ou um Triângulo Equilátero tendo a letra "IÔD", ou o mesmo com Olho Onividente no centro.

Quanto ao uso de Olho de Hórus, desde que não seja no interior do Templo e no lugar do Olho Onividente ou da Letra "IÔD", não há nenhum impeditivo, não obstante a destacar que símbolos egípcios não condizem com a decoração original maçônica no REAA, até porque se levarmos em conta a história verdadeira, veremos que nunca existiu Maçonaria no Antigo Egito.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

AGO/2025

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

GRAUS NA MAÇONARIA OPERATIVA (DE OFÍCIO)?

 

Em 17/02/2025 o Respeitável Irmão Alessandro Sousa, Loja Segredo e Caridade, 1141, REAA, GOB-PE, Oriente de Bom Conselho, Estado de Pernambuco, apresenta a seguinte questão:

 

GRAUS DA MAÇONARIA

 

Querido Irmão Pedro, por esses dias li um artigo que citava dois supostos graus da Maçonaria Operativa, intitulados de Harodim e Menatzchim. Infelizmente as fontes e trabalhos afim são muito vagos.

Temos alguma literatura a respeito desses supostos graus?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Com seus aproximados oitocentos anos de história documental, a Maçonaria Operativa, ou de Ofício, era composta apenas por duas classes de profissionais operários. Estas classes ficariam conhecidas como Aprendiz do Ofício e Companheiro da Arte. O dirigente do canteiro de obras era o Mestre da Loja e era um Companheiro experiente.

Na Maçonaria primitiva não existiam templos maçônicos e nem ritualística maçônica tal como hoje conhecemos na Moderna Maçonaria especulativa.

             As organizações de ofício de pedreiros da Idade Média, nossos ancestrais, viriam florescer a partir do século X no Norte da Europa. Protegidas pela Igreja Católica, essas corporações se dedicavam principalmente à construção de igrejas, catedrais, mosteiros, abadias, etc. Tiveram com marca registrada da sua profissão o estilo Gótico de arquitetura. Este estilo foi tão importante para as corporações de construtores que o seu declínio resultou diretamente na decadência do oficio a partir do final do século XVI e início do século XVII.

Falar em graus iniciáticos especulativos na Maçonaria Operativa é algo inconciliável, portanto, os graus mencionados na questão acima, podem ser meramente lendas utilizadas para a construção, mais tarde, de graus especulativos, os quais começariam a aparecer em meados do Século XVIII, principalmente. Vale lembrar que lendas não têm nenhum compromisso com a realidade histórica.

A Maçonaria Especulativa, ou dos Aceitos, que documentalmente se iniciou no ano de 1600 na Escócia, primitivamente possuía apenas dois graus, só passando a ter três Graus universais a partir no nascimento do 3º Grau que ocorreria em 1725, sendo oficializado em 1738 por ocasião da segunda Constituição de Anderson para a Grande Loja de Londres e Westminster.

À vista disso, falar em "graus maçônicos” nos tempos da Maçonaria Operativa, além das duas classes profissionais de Aprendiz e Companheiro que já existiam, é algo que não se coaduna nem um pouco com a realidade da história documental. Provavelmente os títulos Harodim e Menatzchim, mencionados na sua questão, sejam frutos remotos de lendas que eram escritas nos manuscritos e contadas entre os membros das corporações de pedreiros medievais, todavia isso não nos dá a garantia de afirmar que fossem autênticos graus maçônicos.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

AGO/2025