sexta-feira, 24 de março de 2017

DÚVIDAS NO OFÍCIO DOS DIÁCONOS

Em 05/03/2017 o Respeitável Irmão José Luiz Horner Silveira, Loja Renovação, 3.387, GOB-SC, REAA, Oriente de Florianópolis, solicita os seguintes esclarecimentos através do meu blog: http://pedro-juk.webnode.com/

DÚVIDAS NO OFÍCIO DOS DIÁCONOS


Em primeiro lugar parabéns pelo trabalho realizado em nossa Ordem e parabéns pela nova ferramenta, o seu blog. Atualmente estou como Venerável Mestre de nossa Loja e recorro ao seu conhecimento ritualístico para nos auxiliar em um tema controverso em nossa Loja.
A questão é sobre a transmissão da Palavra Sagrada pelos Diáconos. Nesse caso são quatro dúvidas:
1) O 1° Diácono sobe os degraus do Trono, pelo Norte, com passos normais e coloca-se em frente ao Venerável Mestre. Pergunto: O 1° Diácono fica na frente do Venerável com o Altar entre eles? Como o Venerável vai chegar ao Diácono com o altar entre eles? Ou o 1° Diácono fica à direita do Venerável e este terá que se mover para transmitir a palavra? Ou ainda o Diácono vai até a direita do Venerável desta forma se a cadeira da direita do Venerável estiver ocupada, quem ocupa deverá sair para o Diácono chegar até o Venerável. Esta última é a utilizada em nossa Loja. Mas já ouvi questionamentos a esse respeito, por isso recorro ao nobre Irmão para nos orientar qual a forma correta nesse momento de nossa ritualística.
2) A palavra Sagrada é transmitida letra por letra e depois silabada? Ou apenas letra por letra como menciona o ritual.
3) Por qual o lado que os Diáconos chegam nas mesas dos Vigilantes?
4) No encerramento ritualístico o 1° Diácono faz a saudação ao Venerável Mestre antes de receber a palavra. Pergunto: o Venerável não desfaz o sinal para transmitir a palavra? O Diácono permanece com o sinal para receber a palavra do Venerável? No momento de transmitir a palavra para as Colunas os Diáconos fazem a saudação para os Vigilantes? Os Diáconos transmitem a palavra aos Vigilantes estando com ou sem sinal? Os Vigilantes recebem a palavra sem desfazer o sinal?
Desculpe a quantidade de perguntas, mas nosso ritual deixa a desejar em algumas passagens e cada Mestre faz da sua forma ou como aprendeu.
Gostaria de saber suas considerações a essas dúvidas.

CONSIDERAÇÕES.

  1. Embora o ritual careça ser aperfeiçoado, sobretudo nos seus explicativos, não há como se imaginar nessa oportunidade o Venerável e o Diácono tendo entre eles a mesa que serve como Altar e ainda o candelabro de três braços. Sem dúvida conceber isso é pura fertilidade de imaginação. Não há o que inventar. Genuinamente o Diácono sobe os três degraus que levam ao sólio pelo lado Norte do Altar. Atingindo o último piso ele se detém, ao tempo em que o Venerável vira-se para o Norte (lado do seu ombro direito), se aproxima e ambos ficam frente a frente para realizar a liturgia da transmissão. No que diz respeito a estar à cadeira de honra da direita ocupada nessa ocasião, mesmo assim o Venerável se aproxima do Diácono que o aguarda. Obviamente que nessa situação o ocupante do assento da direita, usando do bom senso, se afasta um pouco para dar lugar à execução da prática ritualística.
  1. A transmissão da Palavra Sagrada nessa circunstância não é ato de verificação de qualidade maçônica (telhamento).Essa transmissão tem outro sentido, e se reporta simbolicamente à aprumada e nivelamento dos cantos da obra, cujos antigos oficiais de chão (origem dos Diáconos) na época da Maçonaria Operativa eram os mensageiros que comunicavam as ordens pessoalmente do Mestre da Obra aos seus Vigilantes, destacando-se que era imenso o espaço onde se executava a construção. Com o advento da Moderna Maçonaria e o seu caráter especulativo, essa incumbência passou a ser simbólica, usando-se no lugar da sua prática efetiva o subterfúgio de se transmitir uma palavra. Isso significa que somente após estar tudo nivelado e aprumado (palavra correta) é que os trabalhos serão iniciados (vide as joias dos Vigilantes). Do mesmo modo, isso acontece no final da jornada, quando ocorre a conferência de tudo que fora produzido no Canteiro (Loja) – nessa alegoria está a origem do termo “justo e perfeito”. Dadas essas breves explicações sobre o seu significado, a transmissão da Palavra (que não é telhamento) se dá apenas entre Mestres Maçons. Assim quem transmite a Palavra, transmite-a sussurrada conforme o costume do Grau de trabalho da Loja, porém sem haver nenhuma troca de letras ou sílabas entre os interlocutores - nessa oportunidade um transmite e o outro recebe (escuta).
  1. As Luzes da Loja, em qualquer situação, são sempre abordadas pelo seu lado direito (seu ombro direito). É oportuno salientar que não existe nenhum giro em torno das mesas ocupadas pelos Vigilantes, bem como do Altar ocupado pelo Venerável Mestre.
  2. Não se trata de saudação, mas sim o cumprimento da regra consuetudinária do REAA que preconiza o ato de se estar à Ordem sempre que um obreiro estiver em pé e parado em Loja aberta. Geralmente é feita essa comparação equivocada porque saudações em Loja - ao Venerável quando se ingressa e sai do Oriente e às Luzes após a formalidade da Marcha do Grau (as únicas saudações previstas no ritual) - são feitas também pelo Sinal do Grau (Sinal de Ordem). Devido o gesto ser análogo, muitos o tratam também como saudação maçônica, mas não é. No que diz respeito à prática da transmissão da Palavra para o encerramento dos trabalhos, aconselha-se que os protagonistas desfaçam o Sinal no momento da transmissão e recepção da Palavra - além de prático, é mais confortável, deixa o gesto mais elegante e não fere a ritualística.



T.F.A.

PEDRO JUK



MARÇO/2017

quinta-feira, 23 de março de 2017

TRANSMISSÃO DA PALAVRA 10

Em 03/03/2017 o Respeitável Irmão Teodoro Robens Freitas Silveira, Loja Apóstolos da Galileia, 2412, REAA, GOB-MG, Oriente de Montes Claros, Estado de Minas Gerais, solicita o seguinte esclarecimento:

TRANSMISSÃO DA PALAVRA


No Ritual pág. 49 - "O 1º Diác\ sobe os degraus do Trono, pelo norte, com passos normais e coloca-se em frente ao Ven\ Mestre".
- Normalmente o Ven\ Mestre vira para o seu lado direito e transmite a Pal\ Sagr\ pois é mais cômodo do que se esticar para transmiti-la de frente do Altar. Desta forma o Diác\ estará também do lado Norte.
Pergunto: - Está certo este procedimento ou o Diác\ obrigatoriamente, teria que posicionar em frente ao Altar de forma que o Ven\ não precisasse se deslocar para o lado direito?

CONSIDERAÇÕES.

O Diácono sobe pelo Norte e ali se detém. Ato seguido o Venerável volta-se para o lado Norte (lado correspondente ao seu ombro direito) e ambos ficam frente a frente para a transmissão.
Infelizmente o explicativo do ritual não está muito claro e carece ser mais bem elucidado.
Sem querer sair em defesa do texto ritualístico, mas é certo que alguns ficam a procurar pêlo em ovo, pois obviamente também não está escrito para que o Diácono abeirando-se do Altar se desloque para a sua frente. Ademais não faz sentido algum que os protagonistas no momento da transmissão da palavra tenham incomodamente entre eles o Altar (mesa) com um candelabro de três braços que, muitas vezes, sem nele usar lâmpadas elétricas, ainda adota o uso de vela(s) acesa(s) – imagine isso no encerramento.

T.F.A.

PEDRO JUK


MARÇO/2017

quarta-feira, 22 de março de 2017

CORRENTE NO LUGAR DA CORDA

Em 03.03.2017 o Respeitável Irmão Paulo Assis Valduga, REAA, Oriente de São Borja, Estado do Rio Grande do Sul, solicita o seguinte esclarecimento:

CORRENTE NO LUGAR DA CORDA DE 81 NÓS


Lendo vossa coluna no JB News 2.346 (vai parar mesmo???!!!), na pergunta Nº 8 - sobre a Corda de 81 Nós que ornamenta nossos Templos no REAA, assaltou-me uma lembrança: na Argentina e Paraguai os Templos (REAA) são ornamentados com uma CORRENTE (corrente mesmo - ao vivo- ou desenhada/pintada); baseado em vossa ampla consideração sobre a pergunta do Irmão Álvaro Cesar, não resta dúvida que no REAA\ o ornamento deve ser a Corda. Entretanto tomo a liberdade de perguntar: porque na Argentina e Paraguai usam uma corrente? Tem algum fundamento? Qual?

CONSIDERAÇÕES.

O símbolo para os ritos maçônicos que o adotam é mesmo a corda.
Quanto à questão do uso da corrente no lugar da corda, provavelmente tenha vindo também da época da Maçonaria de Ofício da Idade Média.
Segundo alguns autores, era costume também na época de que alguns canteiros eram marcados nos seus limites por uma pesada corrente que ia presa às argolas fixadas nas paliçadas (limitavam o espaço de trabalho). Embora esse costume não fosse tão comum devido ao seu custo e ao seu manuseio, algumas construtoras medievais se serviam dessa opção.
No caso da sua questão, eu não poderia afirmar essa possibilidade, mas provavelmente alguém resolveu adotar a corrente no lugar da corda tradicional com base nesse costume. Embora pouco convencional, ao que parece a moda pegou pelas bandas dos “Hermanos”.
Não querendo usar de nenhum trocadilho, o melhor mesmo é não divulgar muito esse símbolo por aqui, senão a turma do “acha bonito” não demorará muito a incluí-lo em algum ritual. E daí Mano... Haja justificativa estapafúrdia para apreciarmos.

T.F.A.

PEDRO JUK


MARÇO/2017

SUBSTITUIÇÃO DO VENERÁVEL MESTRE

Em 02/03/2017 o Respeitável Irmão Olmyr Ferreira Júnior, Loja Arautos do Bem, 3.603, REAA, GOB-PR, Oriente de Rio Azul, Estado do Paraná, solicita o seguinte esclarecimento:

SUCESSÃO DO VENERÁVEL MESTRE.


Como seria a sucessão do Venerável Mestre em Sessão Ordinária, na sua ausência? Assume o 1º Vigilante mesmo havendo outros Mestres Instalados?

CONSIDERAÇÕES.

Sim, o substituto imediato do Venerável Mestre é por tradição o Primeiro Vigilante, inclusive, em se tratando do GOB, o Irmão pode consultar o Regulamento Geral da Federação (Art. 120, I) e verificar que uma das atribuições dele é a de substituir o Venerável. Obviamente que estamos falando sobre uma ocasião precária, não definitiva, pois num caso desses segue-se o previsto na legislação (nova eleição para o cargo).
No caso do REAA\ nas Sessões Magnas de Iniciação, Elevação e Exaltação é previsto regimentalmente em algumas Obediências a exemplo do GOB (Art. 43, I, RGF), sendo recomendável para outras que, na ausência não definitiva do Venerável Mestre, então seja o cargo preenchido por um Mestre Maçom Instalado, preferencialmente o mais recente. Essa orientação se dá devido o manuseio da Espada Flamejante quando da liturgia da sagração, sabendo-se que ela, a espada, só pode ser empunhada por um Venerável ou um ex-Venerável.
Mestre Maçom Instalado - é oportuno salientar que Mestre Instalado não é grau, senão uma “categoria especial honorífica” (vide Art. 42 do RGF).


T.F.A.

PEDRO JUK



MARÇO/2017

REGULARIDADE E CONSTITUIÇÃO DE ANDERSON

Em 20/02/2017 o Respeitável Irmão Juvenal Cordeiro Barbosa, Loja Novo Tempo, nº 19, REAA, Grande Oriente de Mato Grosso do Sul (COMAB), Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, pede informações.

REGULARIDADE E CONSTITUIÇÃO DE ANDERSON


Agradeço sempre as suas prontas e boas orientações, o que nos estimula a novas perguntas, o meu e de outros irmãos é ampliar conhecimentos maçônicos:
1 - Observamos que em algumas passagens da cerimônia à posse de Venerável Mestre uma das perguntas ao Irmão a ser empossado é que solicitava o compromisso de seguir a Constituição de Anderson e a Constituição daquela Potencia. Fica estranho á uma Obediência que não tem ainda reconhecimento da mesma, solicitando a um Venerável Mestre que seguisse uma constituição que supostamente é de outra Obediência. Pode um irmão seguir duas constituições distintas?
2 - Temos observado que alguns irmãos comentam que aquela Potência é IRREGULAR, outros que não possui RECONHECIMENTO. Por não ter RECONHECIMENTO ainda ela é IRREGULAR?

CONSIDERAÇÕES.

Penso que não se pode confundir Constituição de uma Obediência atual com a Constituição de Anderson de 1.723 e 1.738.
No primeiro caso, no que se refere a reconhecimento de Obediência, essa é uma questão que envolve uma série de ponderações e questionamentos que demandam muita reflexão, assim eu, apesar de ter as minhas convicções, prefiro não me pronunciar a respeito, até porque é bem conhecida a minha posição de não discriminar nenhum dos meus Irmãos, sejam eles membros da COMAB (Grandes Orientes Independentes) ou da CMSB (Grandes Lojas Estaduais).
Penso ainda que ser ou não reconhecido é um aspecto subjetivo, pois em muitos casos eu tenho presenciado Irmãos que se dizem regulares pela sua Obediência, mas são completamente irregulares como maçons, levando-se em conta os seus comportamentos na sociedade.
Em se tratando da Constituição de Anderson, ela foi redigida primeiramente em 1.723 atendendo a necessidade da Primeira Grande Loja em Londres e posteriormente revista em 1.738. Mais tarde, em 1.813 com a união dos Antigos e os Modernos apareceria a Grande Loja Unida da Inglaterra. No que diz respeito a essa Constituição, além de um documento histórico fundamental, dado ao seu tempo de nascimento e a sua tradição, a mesma não se coaduna mais com a realidade maçônica atual, muito menos ser considerada como baliza ou instrumento legal do presente.
O que tem sido normal são recomendações para se observar os Landmarks da Ordem, mas não especificamente a Constituição de Anderson, mesmo que entre ambas até possam existir algumas relações. É oportuno salientar que Constituição de Anderson, Landmarks da Ordem e Old Charges não são elementos análogos.
Quanto à questão número dois, volto a repetir: reconhecimento e regularidade é assunto discutível e depende muito do ponto de vista de cada um, sobretudo se essa regularidade estiver condicionada ao reconhecimento. No mais cada um cumpre o que exaram os Diplomas Legais da sua Obediência.

T.F.A.

PEDRO JUK


MARÇO/2017

terça-feira, 21 de março de 2017

MESTRE DE HARMONIA

Em 17/02/2017 o Respeitável Irmão Marcos Alexandre Menselin, Loja Cosmopolita, 2.746, GOSP-GOB, sem mencionar o nome do Rito, Oriente de Cruzeiro, Estado de São Paulo, formula a seguinte questão:

MESTRE DE HARMONIA


Eu gostaria de contar com a sua sapiência e experiência para sanar uma duvida: Durante uma Sessão Magna o Mestre de Harmonia deve se levantar, principalmente na retirada do Pavilhão Nacional.

CONSIDERAÇÕES.

Como qualquer obreiro presente na sessão, em qualquer situação que se deva ficar à Ordem, ou mesmo em pé, conforme prevê o Ritual, ele segue a regra.
No exercício do seu ofício, o Mestre de Harmonia nas oportunidades em que seja necessário deixar o assento, ele assim o faz, fato que não o impede de cumprir a sua obrigação, inclusive na oportunidade mencionada na sua questão.
Atualmente, com a evolução da tecnologia, geralmente os comandos musicais da harmonia são feitos através de controle remoto, o que indubitavelmente facilita bastante à missão do Mestre de Harmonia.


T.F.A.

PEDRO JUK

O CÍRCULO, O PONTO E AS PARALELAS TANGENCIAIS



I – INTRODUÇÃO.

Na profusão da edição de rituais e instruções maçônicas no Brasil, muitas questões têm se apresentado que ainda clamam por uma solução ou explicação satisfatória nesse particular, sobretudo pela inserção de instruções que não pertencem a esse ou aquele Rito e sua correspondente doutrina iniciática, levando-se em conta à vertente na qual pertença o costume maçônico.
É o caso, por exemplo, de uma questão que envolve dentro da simbologia maçônica o conjunto composto pelo Círculo, pelo Ponto e pelas Paralelas Tangenciais e ainda no contexto acrescido do Livro da Lei e da Escada de Jacó. Indiscriminadamente esse conjunto alegórico em não raras vezes tem habitado as instruções para o Aprendiz emanadas e alguns rituais brasileiros do Rito Escocês Antigo e Aceito como o exemplo do que segue:
"Em Loja Maçônica Regular, Justa e perfeita, existe um ponto dentro de um circulo, que o verdadeiro Maçom não pode transpor. Este círculo é limitado, ao Norte e ao Sul, por duas linhas paralelas, uma representando Moisés e outra o rei Salomão. Na parte superior deste círculo, fica o Livro da Lei Sagrada, que suporta a Escada de Jacó, cujo cimo toca o céu. Caminhando dentro deste círculo sem nunca o transpor, limitar-nos-emos às duas linhas paralelas e ao Livro da Lei Sagrada, e, enquanto assim procedermos, não poderemos errar".
O conteúdo acima foi motivo de consulta perpetrada por um Respeitável Irmão da COMAB, no que assim se manifestava naquela oportunidade: “Este texto tem gerado inúmeras discussões em Loja sem jamais chegarmos a uma interpretação adequada ou mesmo o seu significado filosófico”.

II – COMENTÁRIOS

II.1 – VERTENTE INGLESA DE MAÇONARIA

Embora o Círculo entre as Paralelas Tangenciais seja um conjunto simbólico eminentemente genérico na Maçonaria universal, a sua composição junto como o Altar, com a Escada de Jacó e com o Livro da Lei Sagrada, além da menção aos personagens bíblicos de Moisés e de Salomão, é um conjunto alegórico pertencente à Tábua de Delinear[1] inglesa do Primeiro Grau, portanto não são componentes do Painel do Grau de Aprendiz do Rito Escocês Antigo e Aceito, Rito esse de vertente francesa, a despeito de que em se tratando do conteúdo simbólico de ambos (da Tábua e do Painel), aparecem significativas diferenças.
Devido à existência dessas distinções litúrgicas e ritualísticas entre os dois principais sistemas doutrinários maçônicos (embora o escopo seja único - o de reconstruir e aprimorar o Homem) - surgem então às anfibologias e as incompreensões sobre esse conteúdo, sobretudo quando pertinente às instruções e catecismos maçônicos se equivocadamente generalizados.
Na concepção inglesa (teísta), por exemplo, esse conjunto no momento em que é composto pelas paralelas tangenciais, pelo círculo e pelo ponto, dentre outros, representa também a Lei (do patriarca Moisés) e a Sabedoria (do rei Salomão).
À bem da verdade, esse conjunto simbólico é fruto haurido da Moderna Maçonaria e sacramentado através das Lições Prestonianas (William Preston[2]), além de outras interpretações relacionadas à mencionada alegoria, efetivamente a partir do primeiro quartel do Século XIX, inclusive quanto à alusão aos personagens bíblicos do Antigo Testamento, Moisés e Salomão, já que os nomes dessas personalidades se dariam em substituição aos tradicionais santos patronais João, o Batista e João, o Evangelista devido à decisão da Grande Loja em transformar a Maçonaria em uma instituição não sectária na Inglaterra, nesse particular sob o ponto de vista religioso[3].
Naquela oportunidade então é que seria recomendado na medida do possível para que as novas Tábuas de Delinear não contivessem símbolos associados ao Cristianismo. Nesse sentido, por exemplo, é que o título Bíblia seria designado simplesmente como o “Volume das Sagradas Escrituras”. Essa aparente descristianização dos catecismos maçônicos seria um dos motivos principais que levaria às escaramuças entre os Antigos e os Modernos relativos às duas Grandes Lojas rivais à época na Inglaterra.
Obviamente que ao longo desses acontecimentos, longe da unanimidade, muitos símbolos cristãos ainda assim permaneceriam como integrantes desse corolário alegórico particular à Maçonaria Inglesa. É o caso da Cruz que identifica a Fé como virtude teologal, colocada no primeiro lance da Escada de Jacó em direção ao céu, sobejamente conhecida na composição do “Tracing Board” (Tábua de Delinear) do primeiro Grau do Craft inglês nos Trabalhos de Emulação (equivocadamente chamado no Brasil como Rito de York).
Nesse conjugado alegórico o Circulo entre as Paralelas Tangenciais é exposto na Tábua de Delinear aparecendo como uma espécie de base, alicerce ou arrimo que dá apoio ao Volume da Lei Sagrada que, por sua vez é o sustentáculo da Escada de Jacó.
Dentre outras exegeses pertinentes para esse conjunto alegórico, a mais comum encontrada é a que se destaca a seguir:
O Circulo entre as paralelas expressa os limites impostos pela Sabedoria daquele que cumpre a Lei. Essa é a base (Altar) onde descansa o código de moral e ética (Volume das Sagradas Escrituras), cujo caminho avulta a ascensão do Obreiro ao aperfeiçoamento. É o que sugere a Escada em cujo topo aparece uma Estrela de Sete Pontas (sete – a Fé, Esperança e Caridade somadas à Justiça, Prudência, Temperança e Coragem). O interior do Círculo representa o espaço limitado pelos ditames da obediência à Lei exarada no Volume da Lei Sagrada. Em linhas gerais denota que aquele que segue os ditames da Lei, não pode errar.
Para ilustrar essa interpretação, também fica aqui transcrito um trecho do livro Master Key de autoria de John Browne datado de 1.802 com perguntas e respostas pertencentes à Primeira Preleção com base Prestoniana que serve de apoio para justificar de onde fora retirado o conteúdo textual mencionado no ritual da COMAB citado na introdução desse arrazoado e que é o motivo principal desses apontamentos. Esse mesmo texto também pode ser encontrado no livro Simbolismo na Maçonaria, Colin Dyer, publicado no Brasil pela Madras Editora Ltda., São Paulo, 2.006.
“(...) Perg: Qual é o primeiro ponto da Maçonaria? Resp: O joelho esquerdo despido e dobrado. Perg: No que incide esse primeiro ponto? Resp: Na posição ajoelhada me foi ensinado a amar o meu Criador. Sobre o meu joelho esquerdo nu e dobrado eu fui iniciado na Maçonaria. Perg: Existe algum ponto principal? Resp: Sim, o de podermos fazer um ao outro feliz e ainda transmitir aquela felicidade para outro. Perg: Existe algum ponto central? Resp: Sim, um ponto no interior do círculo, do qual o Mestre e os Irmãos não podem materialmente errar”.
Eis aí então a origem dessas citações nas instruções maçônicas, lembrando sempre que elas realmente se adequam aos catecismos da vertente inglesa de Maçonaria.
Ilustrando ainda mais, segue a sequência do texto mencionado nesse catecismo conforme a mesma obra citada:
“(...) Explicai esse ponto no interior do Círculo. R. Nas Lojas regulares de Francomaçons existe um ponto no interior de um círculo, ao redor do qual o Mestre e os Irmãos não podem materialmente errar. O círculo é limitado ao Norte e ao Sul por duas linhas perpendiculares paralelas: a no Norte representa São João Batista, e a do Sul simboliza São João Evangelista. Nos pontos de cima destas linhas e no perímetro do circulo, está colocada a Bíblia Sagrada, sobre a qual se apoia a Escada de Jacó, que alcança as nuvens do céu. Aí também estão contidos as Ordens e os Preceitos de um Ser que é Infalível, Onipotente e Onisciente, de tal forma que, enquanto estivermos no seu interior e obedientes a Ele, como foram João Batista e João Evangelista, seremos levados a Ele e não nos decepcionaremos nem O frustraremos. Portanto, ao nos mantermos assim circunscritos será impossível a que venhamos errar materialmente”.
Como se pode notar o texto tem a intenção de explicar à instrução onde o termo “circunscrito” representa o limite imposto pelo Círculo, cujo “ponto central” é a origem donde o Maçom por primeiro dobrou o joelho esquerdo apoiando-o no chão e se sujeitando no ato à “obrigação” (também conhecida na vertente latina como juramento) de cumprir os deveres impostos e à promessa perpetrada – o Livro da Lei é o Código de Moral e Ética; o Círculo é o limite; o Ponto é a origem e a Escada o caminho para o aperfeiçoamento[4]. Assim, isso significa que se bem observada a Arte e ressalvados os limites da Lei, o Maçom não pode errar.
Ainda em relação ao texto acima mencionado, há que se notar também que à época ainda era citado na Inglaterra a Bíblia Sagrada, assim como os nomes dos Santos patronais cristãos, muito embora já no primeiro quartel do Século XIX não tardariam esses títulos a serem substituídos - a Bíblia seria denominada como o Volume da Lei Sagrada, e cada Santo padroeiro passariam a ser um dos personagens bíblicos do Antigo Testamento - Moisés e Salomão.

II.2 – R\E\A\A\ - VERTENTE FRANCESA DE MAÇONARIA.

Dadas essas considerações, entra finalmente na questão o Rito Escocês Antigo e Aceito que, embora até possua em muitas das suas características influências históricas anglo-saxônicas (o título Antigo, por exemplo), sobretudo porque o seu simbolismo sofrera influência direta das Lojas Azuis norte-americanas que pratica o Craft oriundo da Grande Loja dos Antigos da Inglaterra, vale a pena lembrar que mesmo assim o Rito Escocês é historicamente originário da vertente francesa da Maçonaria.
Sob essa óptica, o arcabouço doutrinário francês de Maçonaria, principalmente aquele relativo ao simbolismo do Rito Escocês Antigo e Aceito, nele envolve o aperfeiçoamento humano que é simbolicamente representado pela alegoria da ressurreição e morte da Natureza, bem como a sua constante renovação (cultos solares da Antiguidade).
Assim o simbolismo do Rito Escocês aborda e encena a evolução da Natureza. Nesse particular teatro iniciático aparece representada na sua liturgia e ritualística os solstícios e os equinócios, os ciclos Naturais ou as estações do ano, as Colunas Zodiacais, as Colunas Solsticiais B e J (marcam a passagem dos trópicos de Câncer e Capricórnio), assim como as Colunas do Norte e do Sul que são separadas no Templo pelo eixo imaginário do Equador.
Nesse particular, o REAA por ser um Rito de origem francesa o mesmo não usa o título distintivo de Tábua de Delinear, entretanto faz uso no seu lugar do nome de Painel da Loja que fica situado e exposto originalmente em Loja aberta no centro do Ocidente. Entretanto, se faz mister observar que no conteúdo simbólico desse Painel da Loja do REAA\ não existe a figura da Escada de Jacó e nem aparece o Círculo com o Ponto ao centro entre as Paralelas Tangenciais, daí não combinar qualquer instrução que porventura possa fazer menção a esses símbolos relacionados ao franco maçônico básico do escocesismo – essa conduta doutrinária, se por acaso mencionada, além de equivocada não faria mesmo qualquer sentido.
Devido a não observação correta desses particulares - já que nem tudo o que reluz é ouro - é que em busca do significado simbólico ainda existem referimentos como: “Este texto tem gerado inúmeras discussões em Lojas sem jamais chegarmos a uma interpretação adequada ou mesmo o seu significado filosófico”.
Desse modo, infelizmente é verdadeiro comentar que alguns autores e ritualistas brasileiros, talvez por mera falta de atenção, ainda insistem inadvertidamente em misturar procedimentos de vertentes maçônicas distintas nas suas instruções.
Desse modo se explica que a falta de sentido dessa inferência é que faz com que jamais se chegue a uma interpretação adequada ou mesmo o seu significado filosófico (é a queixa de muitos).
Essas ilações ainda são o sustentáculo para a propagação, através de certos autores imaginosos, de verdadeiras pérolas do faz-de-conta, geralmente suportadas por palavras bonitas que em superficial análise acabam por não fazer sentido algum – palavras mais palavras e palavras... Vazias ao vento.
Não obstante a toda essa aleivosia histórica e ritualística, ainda existe outra classe – a daqueles que “acham bonito”, ou que simplesmente “copiam” rituais anacrônicos imaginando-os como fontes primárias e fidedignas. É o caso, por exemplo, do enxerto de toda a Tábua de Delinear, que é da doutrina inglesa, no Rito Escocês que possui sabidamente preceito francês.
Daí, como se o sol pudesse ser tapado com a peneira e na tentativa de se justificar toda essa aberração se utilizando a lei do menor esforço, identificou-se o intruso objeto como o tal do “Painel Alegórico”, o que só fez aumentar ainda mais a cinca oferecendo absurdamente para o escocesismo simbólico a existência equivocada de “dois painéis” – um legítimo (o da Loja) e o outro como produto de enxerto oriundo de outra vertente maçônica (o tal justificado como Alegórico).
Ora, isso evidentemente não existe e é produto de mera enxertia imposto por “achistas”, já que o Rito Escocês genuinamente possui apenas o Painel da Loja no centro do Ocidente e não mais outro painel que, ainda por cima, seja denominado de “alegórico” (sic).
Para que não pairem dúvidas, evidentemente o estudante de Maçonaria deve conhecer o Painel da Loja (sistema Francês) e a Tábua de Delinear (sistema Inglês). Em linhas gerais, no grau de Aprendiz, o primeiro é aquele que, dentre outros símbolos, destaca-se por apresentar um pórtico ladeado pelas Colunas B e J (vide ritual do GOB, edição 2.009, por exemplo). Enquanto que a segunda (a Tábua) é aquela que destaca dentre outros símbolos, três Colunas, tendo ao centro uma Escada em direção ao firmamento em cujo topo se apresenta uma Estrela Heptagonal (vide ritual de Emulação).
Nesse sentido, quando misturados os conteúdos simbólicos, a mixórdia acaba por trazer consigo instruções inglesas para dentro da doutrina francesa de Maçonaria. Aliás, esse é um fator deveras importante que todo o estudante da Ordem precisa saber distinguir: existem duas vertentes principais de Maçonaria – uma inglesa e outra francesa. Embora o objetivo da Sublime Instituição seja um só, os métodos doutrinários se diferem conforme a respectiva vertente – tanto pela visão social, quanto pela visão cultural.
Retomando essa questão.
Embora nos três Graus simbólicos do Rito Escocês cada respectivo Painel da Loja não apresente literalmente o símbolo do Círculo entre as Paralelas Tangenciais, a doutrina por si só ao mencionar a alegoria da evolução da Natureza, de modo abstrato acaba, sem mostrar os símbolos, por se referir ao Sol (Círculo) e aos trópicos de Câncer ao Norte e Capricórnio ao Sul (limites solsticiais).
Explica-se: como as datas solsticiais de 24 de Junho e 27 de Dezembro aludem respectivamente aos solstícios de inverno e de verão no hemisfério Norte (origem do Rito) ainda, por extensão, coincidem por influência da Igreja com as datas comemorativas a João, o Batista (verão no Norte) e com João, o Evangelista (inverno no Norte).
Assim, essa alegoria maçônica no Rito envolve toda a evolução da Natureza associando-a as etapas da vida humana – Primavera, Verão, Outono e Inverno, ou o nascimento, a infância, a juventude, e a maturidade, tudo distribuído de modo iniciático nos Graus de Aprendiz (puerícia), Companheiro (puberdade) e Mestre (maturação).
Por assim ser, mesmo de modo oculto, o Círculo entre as Paralelas Tangenciais pode representar também o Sol entre os Trópicos indicando que, conforme os solstícios, o Astro Rei, sob o ponto de vista da Terra, estando mais ao Norte ou mais ao Sul nunca ultrapassará na sua eclíptica anual o limite indicado pelos os trópicos.
Sob essa óptica, não significa de maneira alguma que esses símbolos careçam estar literalmente expostos no Painel relativo ao arcabouço doutrinário francês.
Simbolicamente no Templo o Sol também é o centro (onde existe a circulação) que fica entre as Colunas do Norte e do Sul, cujo limite deste deslocamento, seja ele austral ou boreal, está representado pela marcação da passagem abstrata (sem base material) dos trópicos de Câncer e Capricórnio. Daí as Colunas B e J, também conhecidas como “solsticiais”, serem os marcos toponímicos que marcam a passagem dos aludidos Trópicos no Templo – sob o ponto de vista da porta de entrada para o Oriente, ao centro está à linha imaginária do Equador, à esquerda, marcada pela Coluna B, está à linha imaginária correspondente ao Trópico de Câncer e à direita, balizada pela Coluna J, a correspondente ao Trópico de Capricórnio.
O Sol ao tangenciar o limite de Câncer (solstício de verão no Norte) corresponde à data comemorativa ao santo padroeiro João - o Batista, enquanto que ao tangenciar o limite de Capricórnio (solstício de Inverno no Norte) corresponde à data comemorativa ao Santo padroeiro João, o Evangelista.
Essa alegoria sugere no Rito em questão que a consciência do Homem, limitando-se tal qual às Leis da Natureza, é inviolável, já que ele, o Homem, é também parte integrante dessa Ordem Natural perpetrada pela Criação (um conceito deísta).
No escocesismo a Loja simbolicamente representa um segmento do Globo Terrestre situado sobre o Equador, cuja largura vai do Norte ao Sul ou vice-versa e o seu comprimento de Leste para o Oeste ou vice-versa. A sua altura vai da Terra (Pavimento Mosaico) ao Céu (Abóbada).
É sobre esse espaço (Oficina) que a Terra simbolicamente fica viúva do Sol uma vez por ano (inverno). À bem da verdade é o processo da evolução da Natureza a partir do seu renascimento na Primavera até a sua morte no Inverno para novamente renascer na Primavera (Lenda de Hiran). Assim comparativamente e de modo iniciático, tal como a Natureza que morre para renascer como a fênix revivida, também o Homem profano fenece para renascer iniciado na Luz – da câmara de Reflexão à Exaltação do Mestre (a senda iniciática).

III – COSIDERAÇÕES FINAIS.

Em linhas gerais essas são as interpretações que envolvem a alegoria composta pelo Círculo entre as Paralelas Tangenciais nos dois sistemas de Maçonaria abordados, todavia somente ficam passíveis de uma explicação racional se devidamente separadas conforme as suas tradições, usos e costumes nos diversos rincões terrenos onde se apresenta a Sublime Instituição – cada coisa no seu devido lugar ou haverá o caos no Canteiro.
É oportuno aqui mencionar uma contradição que não raras vezes aparece no escocesismo quando muitos Irmãos, de modo anacrônico, ainda insistem em comparar a evolução dos Graus com os “degraus da Escada de Jacó” que, diga-se de passagem, nem mesmo aparece como elemento simbólico na doutrina do Rito Escocês.
Pior ainda é querer definir o número de degraus que formam essa Escada quando nem mesmo na Bíblia, essência da doutrina moral como Livro da Lei, essa quantidade é mencionada.
É o caso, por exemplo, quando alguém congratulação menciona o ultrapassado jargão: “parabéns por teres conseguido alcançar mais um degrau da Escada de Jacó”.
Ora, sem apelar para o preciosismo, não existe nada mais contraditório do que comparar a ascensão aos Graus com os degraus de uma escada que nem mesmo é parte integrante da doutrina simbólica do escocesismo.
Diferente do Círculo e das Paralelas que mesmo de modo abstrato chegam a fazer sentido no corolário doutrinário do Rito Escocês, a Escada, nem mesmo em caráter contemplativo, é mencionada na alegoria dos Painéis do verdadeiro escocesismo.



            PEDRO JUK
         jukirm@hotmail.com

            OUT/2014




ROTEIRO BIBLIOGRÁFICO AUXILIAR:

DYER, Colin – Simbolismo na Maçonaria, Editora Madras, São Paulo.
CARVALHO, Francisco de Assis – Símbolos Maçônicos e Suas Origens, Volumes I e II, Editora Maçônica A Trolha, Londrina – Pr.
LOMAS, Robert – O Poder Secreto dos Símbolos Maçônicos, Editora Madras, São Paulo.
MELLOR, Alec – Dicionário da Franco Maçonaria e dos Franco Maçons, Editora Marins Fontes, São Paulo.
JUK, Pedro – Exegese Simbólica para o Aprendiz Maçom – Tomo I, Editora Maçônica A Trolha, Londrina, Paraná.
JUK, Pedro – Topografia e Simbolismo do Templo REAA, Ensaios, Diário JB NEWS, Florianópolis, Santa Catarina.
JUK, Pedro – São João e os Solstícios na Maçonaria, Ensaios, Diário JB NEWS, Florianópolis, Santa Catarina.



NOTAS


[1] O Painel na Inglaterra denomina-se Tabual de Delinear ou de Traçar (Tracing Board). Já na França é denominado como Painel do Grau. O conteúdo simbólico entre ambos aparecem sensíveis diferenças.
Alguns autores acreditam que o nome “Tábua de Delinear” se derive como uma corruptela do antigo “cavalete” (tressel) ou Prancha de Traçar (Tracel ou Tracing Board) geralmente usada nas Lojas no final do século XVIII que objetivava apresentar os hieróglifos maçônicos, cuja Prancha ou Tábua muitas vezes nas Lojas ficava disposta sobre um cavalete no centro.

[2] Willian Preston (1.742 – 1.818) – Nascido em Edimburgo na Escócia, foi iniciado em Londres no ano de 1.763. De carreira maçônica fecunda e brilhante assumiu o veneralato da Loja Antiquity nº 1 (atualmente nº 2) considerada à época como “Loja dos Tempos Imemoriais”. À Preston e dado o título simbólico de ter sido ele o primeiro professor de Maçonaria, permanecendo ainda ligado aos seus Ilustrations of Freemansonry (Esclarecimentos dobre a Franco-Maçonaria), cuja primeira edição data de 1.772. Essa importante obra teve dezessete edições, das quais doze durante a vida do autor. Falecido em 1.818 foi sepultado na Catedral de São Paulo em Londres. Os Ilustrations of Freemansonry se constituem de uma coletânea de conferências eruditas e de alto valor literário para uso das Lojas. É devida ainda a William Preston a autoria das famosas Prestonian Lectures (Lições Prestonianas) que permanecem atuais e são base para conferência de notáveis sobre assuntos instrutivos de interesse maçônico. A coletânea das Lições Prestonianas é publicada pela Quatuor Coronati Lodge, 2.076 de Londres. As dissertações sobre o conteúdo das Tábuas de Delinear inglesas se baseiam nas mensagens Prestonianas. O termo “Prestoniano” deriva-se em homenagem a Preston.
[3] Além da disposição contrária ao sectarismo religioso, a Grande Loja se posicionava também contrária ao sectarismo político. Essa é a origem da proibição de discussões que envolvam política e a religião nos Templos e em nome da Maçonaria presente até os dias atuais na imensa maioria das Constituições das Obediências Maçônicas.

[4] A ascensão ou subida dos degraus dá a ideia de evolução e aperfeiçoamento.