quinta-feira, 19 de agosto de 2021

SESSÃO CONJUNTA (LOJAS INCORPORADAS)

 

Em 24.12.2020 o Respeitável Irmão Joab José de Andrade, Loja Fraternidade Alfenense, 3.373, GOB-MG, Oriente de Alfenas, Estado de Minas Gerais, faz a seguinte pergunta:

 

SESSÃO CONJUNTA

 

O RGF no seu Art. 97 diz o seguinte: São direitos da Loja: Item VII - Realizar sessões, podendo ser em conjunto com outras Lojas. Meu entendimento: “em conjunto” com outras Lojas da Federação (GOB).

Questionamento: Como vou realizar sessão em conjunto com uma Loja das Grandes Lojas ou da COMAB se nossos rituais são totalmente diferentes do início ao final embora sejam Obediências Reconhecidas pelo GOB? Podemos realizar sessões com outras Lojas como visitante, s.m.j.

Espero que tenha entendido.

 

CONSIDERAÇÕES:

 

Em que pese esse não ser propriamente um assunto da Secretária Geral de Orientação Ritualística, contudo da Guarda dos Selos, na minha modesta opinião, sessões conjuntas com Lojas incorporadas do GOB só podem se dar entre Lojas do GOB, até porque o Regulamento Geral da Federação é um regulamento do GOB.

Destaque-se que cada Obediência Regular deve possuir a sua Constituição e o seu Regulamento Geral. Nesse sentido as incorporações de Lojas são apropriadas apenas
entre aquelas pertencentes a uma mesma Obediência.

Em síntese, somente entre as Lojas do GOB com Lojas do GOB, Lojas da CMSB com as da CMSB e as da COMAB com as da COMAB.

Existe ainda o detalhe de que as Lojas incorporadas (conjuntas) devem trabalhar o mesmo rito, evitando assim que se apresentem desencontros ritualísticos.

A título de ilustração, menciona a súmula do Regulamento Geral da Federação do GOB:

(...), Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil (o grifo é meu), FAZ SABER a todos os Maçons, Triângulos, Lojas, Delegacias, Grandes Orientes Estaduais e do Distrito Federal, para que cumpram e façam cumprir (...).

Assim, o Art. 97 do RGF se refere propriamente a Lojas do Grande Oriente do Brasil.

 

De qualquer maneira, independente dessas considerações, penso que é de boa geometria ainda consultar a respeito à competente Secretaria Estadual, ou Geral, da Guarda dos Selos.

Concluindo, Lojas quando não incorporadas são tratadas como Lojas visitantes e seguem ao protocolo de recepção da Loja anfitriã. Nesse caso é perfeitamente permitido a intervisitação de Lojas de Obediências reconhecidas, bem como de outro rito, contudo sem a divisão dos trabalhos.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR-GOB

http://pedro-juk.blogspot.com.br

jukirm@hotmail.com

 

 

AGO/2021

 

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

REAA - O PAVIMENTO MOSAICO E A POSIÇÃO DOS PÉS

 

Em 15.01.2020 o Respeitável Irmão, Luiz Antonio Varzini, Loja Conselheiro Ramalho, REAA, GOB-SP, Oriente de Mogi Mirim, Estado de São Paulo, apresenta a questão que segue:

 

POSIÇÃO DOS PÉS NO SINAL DE ORDEM E NA MARCHA.

 

No dia 08 de dezembro p.p. a ARLS Conselheiro Ramalho realizou Sessão Virtual, quando foi feita a leitura e, posteriormente, comentários sobre as Orientações constantes no SOR (site do GOB). Nessa oportunidade apenas sobre a Sessão Ordinária.

Uma dúvida surgiu. A que está exposta abaixo.

Ritualística – REAA – Site do GOB

Item 23 – Sinal de Ordem.

No Texto editado no Ritual consta “... p. esq. voltado para frente, ...”

Na Orientação: I - “... os pp. unidos pelos cc. em esq. posicionados normalmente. No REAA as interseções (cruzamentos) das linhas oblíquas do Pav. Mos. orientam os passos e a posição de para onde os pés ficam voltados (apontados).” – II - .... “Subentende-se que o formato aproximado simboliza a esquadria.”

Na Justificativa - “... Seguindo o Pav. Mos., no REAA o pé esq. não fica especificamente voltado para frente. Aproximadamente os pés se posicionam conforme o cruzamento das linhas oblíquas que formam o pavimento.”

Ritual – Pág. 40 – Marc.– Est à Or dar tr ppas para a fr com o p esq e unin o p dir em esquad a cada pas, de maneira a ter os ccalc uun a cada pas, depois fazer o sin gut em cumpr às LLuz.

Dúvida – O Pav. Mos. da “nossa” Loja é disposto na forma de quadrados e não de linhas oblíquas (losangos), por isso, não temos como segui-lo com os pés.

Orientação solicitada – a) Neste caso o pé esq. fica voltado para a frente ou “imaginamos” que o piso seja de linhas oblíquas e os pés ficam na forma de um “V”? b) Como ficaria, portanto, a posição dos pés na Marcha?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Independente de como esteja disposto o Pavimento Mosaico a posição dos pés segue a orientação do SOR haurida da tradição do REAA, cujo seu primeiro ritual do simbolismo, em 1804, teve a sua espinha dorsal montada nos costumes dos “antigos”.

Assim, o Pavimento Mosaico no aperfeiçoamento dos rituais escoceses acabou


 disposto de modo oblíquo com seus quadrados brancos e negros.

Note que a disposição oblíqua do pavimento não forma losangos, mas quadrados brancos e negros alinhados e intercalados obliquamente. Cada um dos ângulos internos de cada peça que constrói o pavimento é exatamente de 90 graus, o que caracteriza o polígono como um quadrado.

Já um losango, mesmo que com lados iguais, os seus ângulos internos são diferentes de 90 graus. Quando ligados internamente por duas diagonais, uma delas é maior que a outra.

No tocante ao Pavimento Mosaico oblíquo, seus componentes são polígonos quadrados que medem aproximadamente o comprimento de um passo.

As linhas oblíquas partidas de um vértice disposto sobre o eixo do Templo regulam os passos e orientam a disposição dos pés.

Em linhas precisas, os pp uu pelos cc formam uma esq onde o vértice é o ponto onde se unem os cc e os lados do quadrado indicam a direção de para onde apontam


os pés. Obviamente isso é simbólico, pois não carece de passos milimétricamente precisos.

Desse modo, orienta-se que o passo seja dado na forma de costume o mais natural possível, de tal modo que os pp uu correspondam à posição do Esq disposto sobre o Livro da Lei no Alt dos JJur.

É um erro crasso no REAA ter o pé esquerdo apontado para a frente. Isso é prática de outros ritos. No escocesismo o protagonista, à moda antiga, se desloca com naturalidade e de frente para o Oriente. Nem de lado e nem arrastando os pés.

No caso de Templos do REAA que equivocadamente possuam o pavimento mosaico na forma de um tabuleiro de xadrez (contrário ao que prevê o ritual), os pés ficam posicionados de modo oblíquo e não seguindo o tabuleiro de xadrez.

Em síntese, um erro não pode se sustentar em outro. Daí as orientações previstas no SOR no GOB-RITUALÍSTICA amparado pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral publicado no Boletim do GOB em outubro de 2019.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

AGO/2021

terça-feira, 17 de agosto de 2021

SAUDAÇÃO POR 3 X 3 - ORIGENS

 

Em 13.12.2020 o Respeitável Irmão Nidovaldo Longo, Loja XV de Maio, 3.059, REAA, GOB-SP, Oriente de Monte Alto, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

 

SAUDAÇÃO POR 3X3

 

Por favor, dá uma Luz. Sobre a saudação em visita a uma Loja o visitante diz ao Venerável Mestre que ele traz do seu Venerável a saudação por 3 x 3. Peço-lhe a interpretação dessa saudação.

 

CONSIDERAÇÕES:

 

Vou reeditar e atualizar uma resposta que dei há tempos atrás sobre esse tema.

De pronto devo salientar que tanto como produto da multiplicação de fatores (3 x 3 = 9), bem como a soma de parcelas (3 + 3 + 3 = 9), o número 9 possui alto valor simbólico na Moderna Maçonaria.

Sob o ponto de vista esotérico, na Moderna Maçonaria o número 9 tem alto valor iniciático. Dentre outros corresponde aos 9 meses em que a Luz perdura no ciclo anual do Sol – 12 meses menos os 3 que correspondem ao inverno, obtém-se o número de nove meses (geração e vida da Natureza).

Nesse contexto, a Terra fica viúva do Sol uma vez por ano por um período de três meses.

Historicamente e de modo prático, era comum que entre os Irmãos que frequentavam as Lojas das tabernas (estalagens, cervejarias) dos maçons antigos saudassem o Mestre da Loja fazendo 9 vezes seguidas o sinal. Com o aperfeiçoamento dos costumes e posteriormente o aparecimento dos rituais, já no século XVIII, essa prática se adaptou à particularidade de cada rito. Essa tríplice saudação geralmente se dava quando da posse do dirigente da Loja. Nesse caso, 3 vezes 3 significa a antiga saudação executada por 9 vezes seguidas.

Nesse sentido, os ritos que adotam o questionário de reconhecimento para os visitantes, a frase “vos saúdo por três vês três” representa, de modo amplo, essas nove saudações.

Já sob a égide do misticismo maçônico, sobretudo o herdado dos cultos solares da antiguidade, o número 3 corresponde aos três meses que compõem cada ciclo natural, ou seja, três meses para a primavera, três para o verão, três para o outono


e finalmente três para o inverno.

Como a Natureza revive, frutifica e amadurece consecutivamente nos ciclos naturais da primavera, do verão e do outono, os construtores medievais - nossos antepassados - seguiam esses mesmos ciclos na prática do seu ofício.

As agruras do no inverno não permitiam que houvesse trabalho, portanto, durante essa estação do ano os operários eram pagos e despedidos para o merecido descanso.

Emblematicamente, a morte da Natureza, representada pela pouca luz que ocorre no inverno, isto é, com dias curtos e noites longas, traz a conotação de que a Terra fica viúva do Sol (vide os cultos solares da antiguidade).

Sob essa óptica o número 9 corresponde ao produto da multiplicação dos fatores que representam os ciclos onde o trabalho era profícuo no canteiro. Em linhas gerais denota saudação às etapas em que a Luz prevalece (nove meses). Essa alegoria é bem demonstrada pelas nove luzes que se apresentam na liturgia do REAA.

De modo operativo, sob o aspecto prático que envolve as técnicas do ofício e a Geometria aplicada no plano das obras, o cubo, poliedro com seis faces congruentes, representa a pedra poliédrica perfeita, desbastada e preparada.

Simbolicamente o cubo (pedra cúbica) era um elemento geométrico que fazia parte dos cantos da obra (pedra angular). Formado por um componente poliédrico de igual largura, altura e profundidade, a geometria justa e perfeita das construções nomeava o número três como unidade de largura, altura e profundidade da pedra angular. Nas construções das antigas catedrais, o marco inicial indicado pela pedra angular era colocado no canto nordeste da obra. A partir desse marco aplicava-se a 47ª Proposição de Euclides na razão 3, 4 e 5 para determinar os cantos. Para a aplicação desse triângulo retângulo, os artífices da pedra calcária se faziam valer de um cordel com 12 nós equidistantes (não confundir cordel com corda de 81 nós). Em síntese, a pedra referencial ia assentada nos cantos da obra (largura = 3; altura = 3; profundidade = 3).

Graças a isso o número 9 mais uma vez é parte de uma alegoria iniciática haurida da soma dos elementos geométricos do cubo, ou seja, a adição da unidade ternaria (3) correspondente à sua largura, altura e profundidade – 3 + 3 + 3 = 9

Concluindo, sob o viés iniciático solar, o número 9 alude aos ciclos da Natureza e a geração da vida, enquanto que sob a aparência operativa, o número 9 é a representação de um poliedro cuja base, largura e altura é igual a 3. A soma das medidas ternárias do poliedro (pedra angular), assim como o produto da multiplicação dos ciclos naturais (geração) é igual a 9.

Obs. As relações que envolvem o movimento aparente anual do Sol e os ciclos da Natureza aqui mencionados se reportam ao hemisfério Norte do planeta Terra (onde nasceu a Maçonaria).

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

AGO/2021

domingo, 15 de agosto de 2021

LOJAS CAPITULARES DO REAA - UMA PRÁTICA DO PASSADO

 

Em 12/12/2020 o Respeitável Irmão Sérgio Roberto Melo Souto, atual Venerável Mestre da Loja Perfeita Amizade Alagoana, 181, REAA, GOB-AL, Oriente de Maceió, Estado de Alagoas, faz a seguinte pergunta:

 

LOJAS CAPITULARES

 

Prezado irmão. Me esclareça por gentileza: até que ano ou data existiram as Lojas Capitulares?

Temos ainda em nossa Loja Perfeita Amizade Alagoana 181 ao Oriente de Maceió, AL, um estandarte deste período (Sem uso há muitos anos).

 

CONSIDERAÇÕES.

 

As Lojas Capitulares REAA foram criadas no primeiro quartel do século XIX na França por pressão do Grande Oriente da França sobre o Segundo Supremo Conselho do Rito.

Na verdade, o GOdF buscou seguir o que já era prática comum no seu seio em relação aos graus capitulares, pois o Rito Moderno, na época conhecido como o Rito do Sete Graus, era acolhido pelo Grande Oriente desde os seus três graus do franco-maçônico

básico (Aprendiz, Companheiro e Mestre), mais os quatro demais graus superiores que se encerravam com o grau Rosa-Cruz (7º Grau).

Com o advento da criação do primeiro ritual para o simbolismo do REAA em 1804 na França (vide essa história), o REAA ficava também sob a tutela do GOdF que, por sua vez, tal qual como ocorria com o Rito Moderno, ou Francês, se sentiu no direito de ter sob sua égide os graus simbólicos até o grau capitular.

Desse modo por volta de 1816, era então extinta a Loja Geral Escocesa de Paris, enquanto o REAA, até o seu 18º (Rosa-Cruz), passava a ficar sob a égide do GOdF. O Segundo Supremo Conselho ficava com os graus acima do 19º.

Assim, esse formato irregular onde o Athersata era também o Venerável Mestre ficaria conhecido como sistema das Lojas Capitulares. Esse aparelho irregular de graus, contudo, não perduraria, sendo mais tarde extinto, ficando o simbolismo naturalmente sob a tutela do GOdF enquanto os demais graus a partir no 4º, com o Supremo Conselho da França.

Vale mencionar que foi graças a esse sistema de Lojas Capitulares que o REAA teve o seu Oriente elevado e divido, isso para atender o santuário Rosa-Cruz onde nele adentravam apenas aqueles que já tivessem alcançado 18º Grau.

Quando as Lojas Capitulares foram extintas, contudo, o Oriente infelizmente permaneceu elevado e divido, isto é, desrespeitando o ritual original que fora criado em 1804 e publicado no Guia dos Maçons Escoceses, em cujo qual não havia separação e elevação.

Destaque-se que no escocesismo original de 1804 o piso da Loja era inteiro no mesmo nível, sem separação e elevação do quadrante oriental.

Isto assim se dava porque o primeiro ritual para o simbolismo do REAA não seguia os costumes dos Modernos Ingleses da primeira Grande Loja de 1717 como fazia o Rito Moderno ou Francês, mas por razões históricas, o ritual do escocesismo foi baseado na Grande Loja dos Antigos da Inglaterra de 1751. Por essa conotação, o ritual de 1804 seguia, em linhas gerais, o mesmo modelo adotado pelo Craft que hoje conhecemos como Rito de York – sem Oriente elevado e separado e com o 2º Vigilante sobre o meridiano do Meio-Dia.

No Brasil do século XIX o GOB, após a sua reinstalação em 1831, ao assinar tratado de intenções com o Grande Oriente da França, adotava esse modelo capitular que ainda estava em franco desenvolvimento na França.

Com isso, em linhas gerais o GOB passava a trabalhar no REAA, chegado por aqui oficialmente em 1832, com o mesmo sistema capitular. Tudo isso seria ainda reforçado a partir de 1854 quando o Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho passava também ser o Grão-Mestre da Maçonaria Brasileira.

A título de ilustração, o tratamento de Soberano que é dado ainda hoje ao Grão-Mestre Geral do GOB se originou desses acontecimentos. Assim, esse sistema misto – de simbolismo e altos graus juntos – perduraria até 1951 quando seria então definitivamente separado o Supremo Conselho do REAA do simbolismo, passando o GOB a ser corretamente apenas uma Obediência simbólica.

No tocante a esses acontecimentos e as Lojas Capitulares aqui no Brasil, elas durariam oficialmente até 1927 quando se deu a cisão no GOB e, por conseguinte eram criadas por Mário Marinho Béhring as Grandes Lojas Estaduais Brasileiras. Béhring, após ter de fato obtido reconhecimento para o seu Supremo Conselho (Jacarepaguá), que ele trouxera na ruptura com o GOB, denunciava a irregularidade da prática capitular.

Basicamente a partir daí a Maçonaria Brasileira passava a contar com duas Obediências, oportunidade em que o GOB precisou rever os seus rituais simbólicos do REAA. Em 1928 as Grandes Lojas também preparavam um ritual exclusivamente para o simbolismo do REAA – começava a saga desmedida de edições de rituais na Maçonaria Brasileira.

É a partir dessa data que as Lojas Capitulares, então já extintas na França, eram também excluídas da Maçonaria Brasileira. É bom que se diga que algumas Lojas ainda assim iriam persistir com esse costume, contudo essa persistência, completamente irregular, logo iria desaparecer por completo – simbolismo com a Obediência simbólica e Altos Graus (do 4º em diante) com o Supremo Conselho.

A bem da verdade a Maçonaria Brasileira também não iria fugir à regra de manter o santuário Rosa-Cruz nos templos do simbolismo, isto é, o Oriente, elevado e dividido, permanecia para abrigar autoridades e Mestres Instalados, tudo indevidamente herdado do Capitulo.

Essa forma de Oriente elevado e dividido acabou se firmando de maneira consuetudinária a tal ponto de se tornar uma característica topográfica das Lojas Simbólicas do REAA.

Vale ainda mencionar que o REAA originalmente não possui instalação na forma como aqui conhecemos. Na França, de onde o rito é filho espiritual, Instalação significa simplesmente posse.

Instalação por aqui foi em princípio enxertada no REAA a partir da criação das Grande Lojas Estaduais em 1927, cujas quais adotariam essa prática. Mais tarde, por volta de 1968 o GOB, por influências externas e de Irmãos oriundos das Grandes Lojas Estaduais, também adoraria a Instalação esotérica do Venerável Mestre.

Desse modo, o título distintivo de Mestre Instalado acabaria indevidamente se tornando também consuetudinário na Maçonaria tupiniquim, inclusive não raras vezes equivocadamente comparado a um grau. Isto é, o costume se enraizou por aqui que hoje faz parte dos nossos costumes.

É oportuno lembrar que Instalação é prática original da Maçonaria Inglesa, mas que não deixou de agradar os costumes latinos, sempre ávidos por novidades. É bom que se diga que nos meados do século passado a Grande Loja Nacional da França (uma das três Obediências francesas), provavelmente para receber reconhecimento da Grande Loja Unida da Inglaterra, também adequou procedimentos para instalação à moda anglo-saxônica.

Em síntese esses são alguns fatos que se relacionam entre si com a história da Maçonaria Francesa e a sua filha espiritual, a Maçonaria Brasileira.

Episódios como o das Lojas Capitulares, a cisão de 1927, a adoção de Instalação, dentre outros, constroem o mosaico por onde caminha a história do REAA. Infelizmente pela sua característica de nascimento, que pelas circunstâncias já teve o seu primeiro ritual alterado, acaba sendo praticado não raras vezes com diferenças consideráveis.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@htmail.com

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AGO/2021