quarta-feira, 19 de julho de 2017

TRAJE NO RITO DE YORK

Em 01/06/2017 o Respeitável Irmão Paulo Assad, Loja Mineira de Estudos e Pesquisas Maçônicas, Grande Oriente de Minas Gerais (COMAB), Rito de York, Oriente de Uberaba, Estado de Minas Gerais, através do meu Blog http://pedro-juk.blogspot.com.br, formula a seguinte questão:

TRAJE NO RITO DE YORK


Fundamos uma Loja do Rito de York. Como é tudo novo nesse rito para nós, temos muitas duvidas. Qual a vestimenta correta para assistir as reuniões? Terno e gravata, balandrau ou apenas o avental.

CONSIDERAÇÕES.


Primeiro é preciso ver o que preceitua o Regulamento do seu Grande Oriente no que diz respeito ao traje nas Sessões Maçônicas das suas Lojas. Se nele nada mencionar a respeito, então existem ainda as tradições e costumes hauridos dos Ritos ou Trabalhos maçônicos que podem ser seguidos.
No tocante ao Rito de York, caso seja aquele praticado pelo Craft norte-americano, o traje costumeiro habitualmente é determinado pela Grande Loja Estadual americana a qual ele pertence. Geralmente nos Estados Unidos da América no Norte, algumas Grandes Lojas admitem nas sessões comuns (as que aqui conhecemos como “econômicas”) um traje normal e que seja confortável conforme o clima da região, desde que seja ele decente. Obviamente que o maçom veste por sobre ele seu o respectivo avental, mantendo o traje de gala (terno e gravata pretos, camisa branca e sapatos e meias pretos) apenas para as Sessões Magnas (públicas ou exclusivas para maçons). Mas isso, como já mencionado, depende da Grande Loja estadual e dos seus costumes, já que algumas delas somente aceitam nas suas sessões, sejam elas magnas ou não, maçons vestidos com traje de gala e avental.
Já no Craft inglês que infelizmente aqui no Brasil inventaram para o Trabalho de Emulação o nome equivocado de Rito de York (embora alguns defendam o título ferrenhamente), o mais comum é que o maçom se apresente trajado de terno e gravata pretos, camisa branca e sapatos e meias pretos, obviamente também usando o avental.
No Brasil, em se tratando de rituais da vertente inglesa de Maçonaria, a praxe é seguir o traje conforme se faz na Inglaterra, mas é necessário que antes se consultem os regulamentos das nossas Obediências para examinar se os mesmos se identificam. Em último caso, havendo contradições, a Loja pode estabelecer no seu Regimento Interno o hábito do terno preto, desde que isso não afronte alguma Lei emanada de instância superior.
Em síntese, aqui no Brasil conforme a Obediência, quando se menciona Rito de York, ele tanto pode ser componente do Craft norte-americano, como do inglês. Cabem as Lojas que o adotam saber fazer essa distinção, pois embora de títulos análogos, existem diferenças entre eles.
Na Inglaterra a Grande Loja não reconhece ritos, mas Trabalhos (workings) a exemplo do ritual de Emulação, Bristol, Taylor’s, Humber, West End, etc. O nome Rito de York nem se faz presente na Moderna Maçonaria inglesa senão como uma referência lendária aos maçons de York, uma pequena cidade medieval existente em North Yorkshire na Inglaterra.
Já nos Estados Unidos da América do Norte, o Craft americano se baseia na organização do sistema antigo inglês (1751) organizado em solo norte-americano por Thomas Smith Webb, cujo rito ficaria conhecido como Rito de York ou Rito Americano.
Concluindo, em se tratando de ritos ou trabalhos derivados da Maçonaria inglesa e norte-americana, o seu traje mais apropriado é o formal (terno preto), dispensando-se completamente o uso do balandrau negro talar, pois embora seja ele também genuinamente maçônico, não é adotado e até mesmo contestado por alguns exegetas, sobretudo se mencionado no Rito de York.


T.F.A.

PEDRO JUK


JULHO/2017


terça-feira, 18 de julho de 2017

LIVRO DA LEI - ABERTURA E JURAMENTO

Em 01/06/2017 o Respeitável Irmão Julio Cesar Bomfim, Loja 22 de Abril, 152, sem mencionar o nome do Rito, Grande Oriente Paulista (COMAB), Oriente de Alumínio, Estado de São Paulo, através do meu Blog http://pedro-juk.blogspor.com.br solicita o seguinte esclarecimento.

LIVRO DA LEI - ABERTURA E JURAMENTO


Tenho uma duvida, se a Maçonaria não tem religião, por que na abertura dos trabalhos sempre é feita a leitura de um trecho da Bíblia? Por que não lemos um trecho do Alcorão ou da Torá?

CONSIDERAÇÕES.

Não é o caso da Maçonaria não ter religião, o caso é que ela não é uma religião, todavia não proíbe os maçons que eles sejam adeptos da sua própria religião, desde que cada um a cultue nos seus próprios templos, não usando os recintos das Lojas maçônicas para nelas professar sectarismos religiosos.
A priori as coisas precisam ser mais bem analisadas. São dois pontos de vista que precisam ser levados em consideração. Veja: Existe o juramento (obrigação) sobre o Livro da Lei prestado pelo candidato na ocasião da sua Iniciação, Elevação ou Exaltação, e existe a liturgia de abertura da Loja que obrigatoriamente é feita na presença das Três Grandes Luzes Emblemáticas, ou Luzes Maiores da Maçonaria (é um Landmark imemorial, espontâneo e universalmente aceito da Ordem).
No primeiro caso, a Moderna Maçonaria consuetudinariamente orienta, na maioria dos seus Ritos e Trabalhos, que cada candidato tenha o direito de prestar a sua obrigação sobre o Livro que simboliza a religião pela qual nele ele professa a sua fé. Assim, dependendo da ocasião na Sessão Magna, junto da Bíblia no ato do juramento pode ser colocado outro Livro que oriente a fé do protagonista - o que pode ser o Corão para os muçulmanos, a Torá para os judeus, etc.
Entretanto observe-se a seguinte regra: se o candidato tiver que prestar obrigação sobre outro Livro que não seja a Bíblia, mesmo assim ela deverá permanecer disposta sobre o Altar com o Esquadro e o Compasso na forma de costume – de modo algum ela deve ser removida ou substituída. Nesse caso, o outro Livro ficará arrumado de tal modo que não interfira no conjunto emblemático primário (Bíblia, Compasso e Esquadro).
Sendo prestada a obrigação e constituída a consagração (depende do Rito), respeitosamente o segundo Livro pode ser retirado, permanecendo apenas o conjunto emblemático original.
A tradição da Bíblia como Luz Emblemática é reminiscente de épocas primitivas da Ordem, já que a Maçonaria Operativa floresceu no período medieval sob a égide da Igreja Católica – isso é parte da história da Sublime Instituição.
Assim, na Moderna Maçonaria geralmente ela tem sido conservada como o Livro da Lei Moral, porém sem nenhuma afirmativa de que se possa considerar como adoção de uma religião.
Em Maçonaria o Livro da Lei não tem o sentido de pregação religiosa, mas sim representar um código de moral e ética pelo qual o candidato se submete a cumprir. Nesse sentido outros Livros, além da Bíblia podem, junto com ela, possuir o mesmo significado se a ocasião exigir. Em síntese, usar também o Livro onde o candidato professa a sua fé para que ele preste sobre ele o seu juramento.
De modo prático, é oportuno mencionar que havendo necessidade de se usar de outro Livro que não seja a Bíblia para os préstimos da obrigação (juramento) em uma sessão maçônica, a Loja deve preventivamente estar preparada para essa ocasião, evitando atropelos de última hora, inclusive comunicando antecipadamente o candidato dessa possibilidade.
Segundo caso. Quando se tratar apenas da abertura da Loja, situação essa onde nela não existe nenhuma tomada de obrigação (juramento) senão a prática ritualística para a abertura dos trabalhos de acordo com o Rito, apenas permanece sobre o Altar dos Juramentos as Luzes Emblemáticas, ou Luzes maiores previstas no ritual. A liturgia desse procedimento também nada tem a ver com religião.
Além do mais, considere-se que a abertura da Loja se desenvolve conforme o rito praticado e nesse caso alguns dos procedimentos podem se diferenciar. Existem ritos que preveem a leitura de um trecho do Livro da Lei, no caso a Bíblia, outros que apenas predizem a abertura do Livro expondo-o sobre o Altar e outros ainda que só preconizem a sua presença sobre o Altar sem que o mesmo nem seja aberto.
A despeito disso, nas ocasiões de abertura dos trabalhos da Loja, independente da crença dos seus adeptos, não se prevê a presença de outro, ou de outros Livros da Lei além do previsto, até porque mesmo naqueles ritos que seguem alguma leitura, os trechos neles destacados não são tomados como preces, orações ou súplicas religiosas, mas sim como destaques relativos a um conjunto de regras de conduta.
É em face disso que ao termino dessas leituras não é nem mesmo apropriada à repetição do termo “assim seja” (amém), senão o de se fazer um breve silêncio reflexivo. A propósito, Maçonaria não é religião e a presença da Bíblia ou de qualquer outro Livro religioso na sua liturgia não é motivo para se tecer essa afirmativa.
Assim, por todas essas considerações até aqui emitidas que, no primeiro caso é possível, se a ocasião exigir, a colocação de outro Livro da Lei além da Bíblia no ato de uma obrigação (juramento), entretanto, já no segundo caso, para a abertura dos trabalhos da Loja, isso não é necessário, bastando para tal apenas a presença do Livro da Lei previsto no ritual.
Concluindo, essa compreensão somente é possível quando o maçom efetivamente separa as práticas comuns à sua crença religiosa das práticas que constituem a liturgia maçônica – só assim ele compreenderá que Maçonaria não é religião. A Maçonaria propõe aos seus membros que cada um procure conforto espiritual na sua crença, exigindo apenas do maçom a crença em “Deus” como “Arquiteto Criador”, ou “O Grande Arquiteto do Universo”, cujo titulo a “Ele” concebido tem por objetivo conciliar todos os homens no seio da Loja.


T.F.A.

PEDRO JUK



JULHO/2017

sábado, 15 de julho de 2017

ENTRADA FORMAL NA LOJA

Em 01/06/2017 o Respeitável Irmão Francisco Elias P. Amorim, Loja Luz e Fraternidade Castanhal, 28, REAA, sem mencionar a Obediência, Oriente de Castanhal, Estado do Pará, através do Consultório Maçônico José Castellani, apresenta a seguinte questão:

ENTRADA FORMAL NA LOJA


Se possível, gostaria de obter informações sobre a entrada em Loja, "romper a marcha com o pé esquerdo" e seu real significado.

CONSIDERAÇÕES.

Em Loja aberta ao se passar pela porta do Templo passa-se andando normalmente. Tanto faz com qual pé se entra no recinto. Ocorre é que logo após o ingresso, quem adentrou no recinto deve primeiro parar próximo à porta e aguardar ordens.
Como existem diferenças de procedimentos ritualísticos entre os Ritos e Trabalhos maçônicos, esse distingue se apresenta, principalmente nesse caso, logo após o protagonista ter entrado no recinto.
É nesse sentido que será então abordada a prática litúrgica da Marcha do Grau no REAA\ ao se ingressar no Templo depois de a Loja ter iniciado os trabalhos.
Ratifico, trata-se do ato de romper a Marcha (passo) como formalidade de ingresso após já se te adentrado ao recinto.
Vamos aos procedimentos: como a Loja já está trabalhando, quem nela ingressar pela primeira vez na sessão (um visitante ou um retardatário), se devidamente autorizado o faz vindo do Átrio andando normalmente. Assim que ele passar pela porta, a uma distância dela compatível (no extremo do Ocidente), fica à Ordem de frente para o Oriente – corpo ereto, pés em esquadria e sinal composto. Ao passar pela porta tanto faz o pé que ingressa por primeiro no recinto. Não existe nenhuma regra para isso. Qualquer menção nesse sentido é mera invenção.
Prosseguindo: tendo ingressado, estando à Ordem, inicia-se a Marcha do Aprendiz sempre com o pé esquerdo por tratar-se do REAA\, até porque todos os três passos que compõe a Marcha são sempre feitos avançando primeiro o pé esquerdo e juntando a ele o direito pelos calcanhares. Nunca é demais lembrar que a Marcha de qualquer Grau Simbólico no REAA\ principia-se sempre pela de Aprendiz, por conseguinte, o início de contínuo se dará com o pé esquerdo.
Quanto à razão do procedimento se principiar com o pé esquerdo, esse hábito se sacramentou com a evolução dos rituais simbólicos escoceses no século XIX, já que primitivamente não existia propriamente a Marcha, mas sim a evolução de oito passos normais em linha reta do Ocidente para o Oriente. Provavelmente o hábito de se romper a Marcha com o pé esquerdo fora adquirido de costumes marciais.
Existem algumas correntes místicas que até atribuem esse costume às suas convicções e credos pessoais, entretanto essa teoria cai por terra, especialmente quando se tratar de ritos oriundos da vertente francesa de Maçonaria (como é o caso do REAA\), cuja qual evoluiu a partir do Século das Luzes se embasando, portanto nos princípios da razão não admitindo nela ideias supersticiosas.
Assim, no escocesismo simbólico a regra de avançar por primeiro o pé esquerdo durante a execução da Marcha é apenas um procedimento que torna a prática uniforme em qualquer situação. Nunca é demais lembrar que existem ritos nos quais, ao contrário do pé esquerdo, rompem a Marcha com o pé direito, enquanto que outros ainda nem Marcha adotam.
Não obstante ao hábito do pé esquerdo, o que existe no REAA\ é a disposição litúrgica com que ocorrem as suas respectivas Marchas nos três graus, isso porque o mote doutrinário do rito é a evolução do homem a partir da sua infância, juventude e maturidade associado à evolução da Natureza, o que faz com que nele exista um simbolismo particular em cada grupo de passos correspondentes aos três graus do franco-maçônico básico – o primeiro (Aprendiz), ao juntarem-se os pés a cada passo em linha reta sugere a infância e os primeiros caminhares guiados pelo tutor; o segundo (Companheiro) se refere à capacidade de naturalmente saber retornar ao caminho original numa eventual necessidade de desvio para investigar a Natureza, o que sugere a pragmática de ação e trabalho característica da segunda etapa da vida, a juventude; por fim o terceiro (Mestre) representa a evolução anual do Sol e a morte da Natureza, sugerindo o início, meio e fim da existência humana e a Obra realizada ao longo da vida. Nada disso, entretanto, tem a ver com o pé que se rompe a marcha, a despeito de que mesmo sendo uma longa jornada ela se inicia sempre pelo primeiro passo.
Concluindo, o costume de romper a Marcha com o pé esquerdo ou direito (conforme o rito), não é o mesmo que passar com passos normais pela porta que dá acesso à Sala da Loja. O primeiro caso é regra litúrgica, já no segundo é apenas o ato literal de se deslocar (caminhar), não existindo para tal, digamos, como regra de entrar no recinto com o pé direito ou com o esquerdo. Isso tanto faz.



T.F.A.

PEDRO JUK



JULHO/2017

quinta-feira, 13 de julho de 2017

CANDIDATO - CALÇA ARREGAÇADA

Em 01/06/2017 o Respeitável Irmão Marco Nascimento, Loja José Caraver, 101, GLMERGS, REAA, sem mencionar o nome da Cidade, Estado do Rio Grande do Sul, através do meu Blog http://pedro-juk.blogspot.com.br solicita o seguinte esclarecimento:

CALÇA ARREGAÇADA


Novamente venho encaminhar uma curiosidade sobre o "porque da calça recolhida até a altura do joelho por ocasião de nossa Iniciação”. Qual o seu significado? Já procurei através das leituras, mas não localizei algo que pudesse esclarecer esta duvida.

CONSIDERAÇÕES.

De modo geral a iniciação maçônica dá suporte à alegoria do nascimento de um novo homem.
Assim, aquele que se propõe a ingressar na Maçonaria deve acima de tudo manifestar humildade e se apresentar despojado das vaidades mundanas. Nesse sentido os ritos maçônicos preparam esse novo Homem para receber a Luz, o que fazem apresentando-o alegoricamente conforme exaram os seus respectivos rituais na primeira etapa da Iniciação.
No caso do REAA\, dentre outros, o candidato ao se apresentar com a calça da perna direita arregaçada até um pouco acima do respectivo joelho, está representando um homem despojado das vaidades terrenas – uma das condições para ser recebido maçom.
Essa alegoria na realidade é fruto haurido de teatros iniciáticos antigos e usados, conforme o ecletismo da Moderna Maçonaria, para construir pelos seus ritos e rituais o seu arcabouço doutrinário, sobretudo aqueles que constroem essa relação com base nos cultos e mitos solares da antiguidade – a morte e o renascimento da Natureza.
Em inúmeras dessas concepções antigas, quando o iniciado passava pela prova dos elementos, em especial a da Terra, ele era despojado dos costumes e vícios adquiridos durante a vida de até então. Em síntese era a preparação para a purificação pelos elementos, quando então era comum o candidato ser apresentado com partes do seu corpo desnudo, o que sugeria o desprendimento dos costumes mundanos.
No caso da Moderna Maçonaria, a exemplo do REAA\, esse costume ancestral é revivido quando o iniciado morre simbolicamente na Câmara de Reflexão (testamento filosófico) para mais tarde, já no Templo, renascer para a Luz, porém não sem antes estar despido das concepções mundanas que o afligiam.
Assim, no intuito de representar essa condição é que o candidato se apresenta com o pé direito descalço (respeito ao ambiente consagrado) e a perna direita desnuda até o joelho (humildade e desapego das coisas materiais).
É oportuno salientar que os procedimentos ritualísticos se diferem na Moderna Maçonaria conforme os seus ritos e trabalhos maçônicos, contudo a ideia é sempre a mesma, a de reconstruir um novo Homem e, esse novo Homem trará sempre consigo a virtude da humildade.

E.T. – qualquer menção aqui feita à Antiguidade como período da história da civilização humana, a mesma não tem a pretensão de sugerir existência de Maçonaria naquela época.


T.F.A.

PEDRO JUK



JULHO/2017

terça-feira, 11 de julho de 2017

SINAL DE SOCORRO

Em 24/05/2017 o Respeitável Irmão Alex Martins de Oliveira, Loja Mensageiros da Luz, REAA, GOB-ES, Oriente de São Mateus, Estado do Espírito Santo, formula a questão seguinte:

SINAL DE SOCORRO


Venho através dessa, solicitar mais uma vez, seus conhecimentos. No ritual de Mestre Maçom existe uma forma de pedirmos auxílio (socorro) a outros Irmãos.
Minha pergunta é: como devemos instruir os Aprendizes e Companheiros que por ventura necessitarem desse auxílio?

CONSIDERAÇÕES.

De modo geral o Sinal de Socorro na Moderna Maçonaria, desde a criação do Terceiro Grau especulativo em 1725, tem sido de domínio apenas daqueles que atingiram a plenitude maçônica. Assim, os Aprendizes e os Companheiros dele ainda não podem ter conhecimento.
Essa norma se prende principalmente ao hábito de que no passado operativo (Maçonaria de Ofício), apenas tinham a liberdade para contratar obras aqueles que comprovadamente dominavam a arte de construir e eram proprietários de guildas de construtores.
Na época da Maçonaria Operativa ainda não existia o grau de Mestre especulativo tal como hoje o conhecemos, já que na realidade existiam apenas duas classes de profissionais (Aprendizes e Companheiros) dos quais deles, apenas um Companheiro experiente era escolhido para liderar a guilda de construtores. Em síntese esse Companheiro era eleito pelos membros da confraria de pedreiros e tido como o Mestre da Obra e, pelo seu padrão profissional lhe era dado o direito de pleitear junto às autoridades, principalmente as eclesiásticas, seu livre deslocamento pelos longínquos rincões da Europa medieval em busca de contratos profissionais.
Naquelas ocasiões, sobretudo se levando em conta as dificuldades enfrentadas e comuns àquele período da história, esses profissionais ao se deslocarem geralmente careciam de ajuda para encarar as agruras do ambiente. Em face dessa situação eles então adotavam, diante das necessidades, sinais convencionais e discretos que objetivavam chamar atenção e pedir ajuda àqueles que os reconhecessem também como construtores da pedra calcária. Na verdade esse sinal era propriamente um pedido de socorro (não confundi-lo com os sinais de reconhecimento profissional).
Como os Aprendizes Admitidos e os Companheiros do Ofício (nomes dado às classes profissionais da época) geralmente permaneciam nas guildas e só se deslocavam eventualmente, porém sempre acompanhados do seu líder, eles não detinham o conhecimento do Sinal de Socorro, ficando o mesmo restrito apenas ao Mestre da obra que era também o líder da guilda de pedreiros e, havendo necessidade de pedir ajuda para alguém, ele é que assim procedia pelo Sinal.
Foi desse costume que mais tarde muitos ritos da já Moderna Maçonaria, especulativa por excelência, adotariam também um simbólico Sinal de Socorro que, diga-se de passagem, pode variar de acordo com as práticas ritualísticas dos diversos ritos hoje existentes e conhecidos. Nessa concepção, sugestivamente apenas os Mestres Maçons dele têm conhecimento.
Na Moderna Maçonaria, esteticamente essa conotação ganharia reforço a partir de 1725, sobretudo pelo aparecimento da Lenda do Terceiro Grau, cuja alegoria destaca o suplício simbólico recebido pelo Mestre Hiran e que fora aplicado pelos três maus Comp\ - J\, J\, e J\.
Não obstante a importância que tem para a Maçonaria todos os seus Sinais, sobretudo como elementos do seu verdadeiro penhor de segredo, o de Socorro geralmente se mantém mais como figura decorativa decalcada na tradição do que uma prática efetiva que possa se apresentar diante de uma real necessidade, pois isso obviamente se dá pelas circunstâncias atuais em que vivemos onde, devido à evolução das coisas, existem hoje inúmeros meios para que se possa pedir ajuda, ou mesmo identificar alguém que dela esteja carecendo, inclusive, se for o caso, também dos Aprendizes e Companheiros, mesmo que na liturgia maçônica tradicional o Sinal de Socorro continue sendo ainda privativo dos Mestres Maçons.
Na Maçonaria da atualidade não cabe mais a regra de que um pedido de socorro fique restrito a um Sinal. Embora ele exista entre os Mestres, a sua presença possui apenas uma faceta emblemática haurida dos nossos ancestrais.
Precisamos avaliar que vivemos hoje em dia num mundo onde nenhum maçom que porventura precise de ajuda, dar-se-á satisfeito apenas em compor um Sinal e ficar aguardando providências. Pensar assim é fugir à realidade, portanto deixemos que as nossas tradições permaneçam como respeito aos nossos antepassados e se perpetuem como nossos usos e costumes, mas não ao ponto de se imaginar que atualmente um maçom carente de ajuda (seja ele Aprendiz, Companheiro ou Mestre) precise ficar fazendo Sinal até que outro Irmão eventualmente possa perceber.
Essas práticas antigas eram válidas nos tempos dantes e que serviam às vezes até para que um maçom pudesse preservar a sua própria vida ao se encontrar diante de uma situação onde Irmãos lutavam em ambos os lados de uma contenda, mas isso nem sempre foi uma regra, senão uma exceção.
Na Moderna Maçonaria fica a tradição simbólica de que o Sinal velado de Socorro só é reconhecido entre os Mestres Maçons, porém ratifica-se que isso não implica que socorrer ou pedir ajuda para alguém seja coisa restrita aos detentores do Terceiro Grau. Diante da justa necessidade, todos os maçons, sem qualquer exceção, têm o direito e a obrigação de dar, pedir e receber ajuda, seja por meio de um Sinal ou não.
Por fim, aproveito a oportunidade para alertar que sinais maçônicos são privativos dos maçons, e dentre eles próprios existem regras particulares relativas aos seus graus. Assim é oportuno salientar que não existe e é fruto da mais pura invenção e absoluta imaginação a tal “estória” da existência de um Sinal de Socorro feito com as luvas e restrito às esposas dos maçons. Isso é pura bobagem e não existe na tradição maçônica. Sinais maçônicos, sejam eles quais forem, somente são conhecidos daqueles que foram iniciados na Maçonaria regular. A propósito, a entrega de luvas femininas ao iniciado não é regra maçônica universal.



T.F.A.

PEDRO JUK


JULHO/2017



domingo, 9 de julho de 2017

INICIAÇÃO NA LOJA ESTRELA DE MORRETES, 3.159 - BENFEITORA DA ORDEM

Dia 08 de julho do corrente ano, como parte da comemoração do seu aniversário (02/07/1979), a Loja Estrela de Morretes, 3.159, Benfeitora da Ordem, GOB-PR, realizou a Iniciação do Irmão Marcy Alves Pinto Jr. 
Parabéns a Loja e ao novo Aprendiz Maçom e a todos os Irmãos que abrilhantaram a Sessão consagrando a ritualística. A Loja contou com a presença e auxílio de Irmãos da Loja Perseverança de Paranaguá, Estrela do Mar de Matinhos e Taberna da Pirâmide de Pontal do Paraná. 
A Loja Estrela de Morretes é fruto de uma Maçonaria que se iniciou no Litoral do Paraná, tendo a centenária cidade de Morretes contribuído para tal com Lojas Conciliação Morretense (1867) e posteriormente com a Loja Modéstia de Morretes (1872). No ano de 1939 por questões políticas e o início da Segunda Grande Guerra Mundial, a Loja Modéstia abateria suas Colunas. Em Julho de 1979 a Maçonaria Morretense voltaria a atuar com força e vigor com o nascimento da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Estrela de Morretes.

Pedro Juk, membro da Loja de Morretes e atual Secretário de Orientação Ritualística do Grande Oriente do Brasil - Paraná.







quinta-feira, 6 de julho de 2017

SAUDAÇÃO E USO DA PALAVRA


Em 24/05/2017 o Respeitável Irmão Euro Ferreira Guedes, Loja Pedro Michael Struthos, 2065, REAA, GOB-RO, Oriente de Guajará Mirim, Estado de Rondônia, solicita a seguinte informação:

 SAUDAÇÃO E USO DA PALAVRA.


Eis minha dúvida, em relação à SAUDAÇÃO no REAA: Nosso Ritual do REAA/GOB, não faz referência alguma do modo como os Irmãos, ao usarem a palavra, devem saudar os presentes. Quem deve ser saudado, qual a ordem, em que momentos? As Luzes tem prioridade, isto é, devem ser saudadas por primeiro, ou são colocadas na Ordem hierárquica normal? A saudação inicia-se na mais alta autoridade presente, desce pelas faixas e termina onde? No Aprendiz? Tenho visto Irmãos saudarem as autoridades, uma a uma, e terminarem em Mestres Instalados, Mestres, Companheiros e Aprendizes. É necessário tudo isso?
Muitas vezes a saudação fica mais longa que as palavras do Irmão. Em que ocasiões devem ser feitas essas saudações? Toda vez que for necessário usar a palavra, isto é, na Ordem do Dia e na Palavra a Bem da Ordem? Aguardo luzes.

CONSIDERAÇÕES.

Primeiro. Já comentei bastante a respeito. Tenho dito: “quando do uso da palavra o obreiro cumpre antes o protocolo que é o de mencionar as Luzes, demais Dignidades e apenas alguns dos presentes a Loja, sem o exagero de dirigir individualmente a todos que a compõem”.
Segundo. Na verdade essa atitude não é saudação, pois quando o obreiro se posiciona à Ordem para usar da palavra ele está primeiro cumprindo uma formalidade consuetudinária do Rito que diz: “todo o obreiro que estiver em pé e parado em Loja aberta fica à Ordem e, antes de sentar novamente, desfaz o Sinal na forma de costume”.
O mais comum e recomendável para a ocasião do uso da palavra é a de que o obreiro ao fazer uso da mesma, estando à Ordem, assim proceda mencionando protocolarmente por primeiro: “Luzes da Loja, demais Dignidades, Autoridades (sem descrevê-las uma a uma), meus Irmãos” [1]. A partir daí ele simplesmente faz o seu pronunciamento e, ao final, desfaz o Sinal pela pena simbólica e torna a tomar assento.
Só isso basta. É de péssima geometria o usuário da palavra ficar mencionando exageradamente uma a uma as autoridades e demais presentes na sessão antes de usar propriamente a palavra. Quem assim o faz, além de desnecessariamente querer “dourar a pílula”, ainda toma tempo da sessão e esgota a paciência dos outros. Em síntese é uma atitude improdutiva.
A postura de se estar à Ordem para o uso da palavra não deve ser confundida com saudação maçônica, embora que para tal também se fique à Ordem.
A liturgia da saudação maçônica é feita a partir do Sinal de Ordem que deve ser composto e desfeito imediatamente pela pena simbólica quando se estiver em Loja aberta conforme especifica o Ritual de Aprendiz na sua página 42, último paragrafo. Nele está escrito que a saudação se faz apenas ao Venerável Mestre quando se entra e sai do Oriente, ou às Luzes da Loja após a entrada formal (depois da Marcha do Grau). Isso nada tem a ver com procedimentos para o uso da palavra.
Dadas essas premissas, quando alguém fica à Ordem durante o uso da palavra dirigindo-se protocolarmente às Luzes, demais Dignidades, Autoridades e demais Irmãos presentes, por exemplo, não se está saudando ninguém pelo Sinal, mas sim cumprindo a tradição de assim se postar antes de fazer uso da palavra (quem estiver em pé, obrigatoriamente compõe o Sinal de Ordem). Terminada a fala, antes de sentar, desfaz-se o Sinal. Ratificando, isso não é saudação maçônica.
Todas as saudações em Loja são feitas pelo Sinal, entretanto nem sempre quem estiver compondo o Sinal estará obrigatoriamente saudando alguém. Infelizmente, uma boa parte dos que se dizem conhecedores de ritualística e escrevem nossos rituais (quando não os copiam apenas), na verdade não a entendem a contento, portanto não se apercebem desses detalhes. São eles apenas subservientes da moda peripatética latina que é a de se cumprir apenas o que está escrito, mesmo sem saber se o que está escrito faz algum sentido ou não. Aliás, desses, a grande maioria ainda não sabe nem o porquê das nossas práticas litúrgicas.


T.F.A.

PEDRO JUK

JULHO/2017




[1] Existem outras variações protocolares tais como: “Venerável Mestre, Irmãos Primeiro e Segundo Vigilantes, demais Dignidades, Autoridades, meus Irmãos”. Na hipótese de estar presente o Grão-Mestre, ele é mencionado pelo cargo logo após as Luzes da Loja: “Luzes da Loja, Soberano (ou Eminente) Grão-Mestre, demais Dignidades...”. Existem ainda outras variações que podem, dependendo da situação, ser usadas, desde que as mesmas não se prendam aos excessos de preciosismo. – é tudo uma questão de bom senso.