sábado, 24 de março de 2018

SESSÃO ADMINISTRATIVA OU ECONÔNICA - PARTICIPAÇÃO DOS APRENDIZES E COMPANHEIROS


Em 13/12/2017 o Respeitável Irmão Marcelo Souza, Loja Montsalvat, 123, sem mencionar o nome do Rito e do Oriente, Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

SESSÃO ADMINISTRATIVA OU ECONÔMICA COM APRENDIZES E COMPANHEIROS.


Queira esclarecer, meu Irmão, se há alguma restrição à presença de Aprendizes e Companheiros em Sessão Administrativa ou Econômica.

CONSIDERAÇÕES.

No que diz respeito ao assunto, às Sessões Econômicas (Ordinárias) elas se dão por grau ou por transformação de grau em alguns casos. Assim, existem as Sessões Econômicas no grau de Aprendiz, no de Companheiro e no de Mestre – tudo conforme o calendário da Loja. Atenção, Sessão Econômica nada tem a ver com Sessão Administrativa.
Das sessões somente participam aqueles que detêm a condição iniciática para delas participar (possuem grau suficiente). Nesse sentido, nas Sessões de Aprendiz ingressam, além deles, os Companheiros e os Mestres. Nas de Companheiro participam Companheiros e Mestres e nas do Terceiro Grau, por óbvio só ingressam Mestres.
A dinâmica de uma Sessão Econômica (Ordinária) também pode como acima mencionada, se dar por transformação da Loja. Nesse caso os trabalhos são cobertos temporariamente àqueles que não possuírem grau suficiente para participar e em seguida abre-se a Loja noutro Grau. Debatido o assunto, revertem-se os trabalhos. Para cada sessão transformada há que se redigir um Balaústre (Ata).
No tocante às Sessões Administrativas, cujas quais não carecem da liturgia, elas se dão quando assim previamente convocadas no grau pertinente. Sob essa óptica, Aprendizes e Companheiros podem delas perfeitamente participar desde que o assunto administrativo que será debatido comporte às suas presenças e tudo esteja de acordo com o grau mencionado na convocação. No caso de uma Sessão Administrativa não faz sentido transformá-la já que ela fora previamente convocada para o Grau específico.


T.F.A.

PEDRO JUK

MARÇO/2018

USO DA PALAVRA NO ORIENTE - SENTADO OU EM PÉ?


Em 11/12/2017 o Respeitável Irmão Teodoro Robens Freitas Silveira, Loja Apóstolos da Galiléia, 2.412, REAA, GOB-MG, Oriente de Montes Claros, Estado de Minas Gerais, solicita esclarecimentos.

USO DA PALAVRA NO ORIENTE – SENTADO OU EM PÉ?


Em nossa Loja, quando se usa a palavra, "as Luzes" (Venerável Mestre, 1º e 2º Vigilantes) permanecem sentadas; e também o Orador e Secretário por força do seu ofício.
Em muitos livros maçônicos deparamos com informação de que "o único que tem a palavra franqueada a todo tempo da sessão e estando SENTADO, é o Venerável Mestre", ou "os Vigilantes DEVEM LEVANTAR e permanecerem de pé e à Ordem como todo e qualquer obreiro de sua coluna" e que o Orador e o Secretário se forem manifestar como obreiros (em caráter particular), deverão proceder como todos, ou seja: ficarem de pé e à Ordem, cumprimentar as Luzes, Autoridades presentes e demais Irmãos.
Instrua-me, por favor.

CONSIDERAÇÕES.

No que diz respeito à originalidade do REAA\, desde o aparecimento do Oriente elevado o qual fora consumado nas hoje já extintas Lojas Capitulares, mas que conservou o costume de demarcar o oriente à moda capitular no simbolismo, os que ali trabalham ou tomam assento falam sentados, entretanto quem desejar falar em pé se posiciona à Ordem. Essa regra só é quebrada nas ocasiões em que o ritual determinar o contrário.
Não existe essa história de que Orador e Secretário usando a palavra em caráter particular (fora do seu ofício) necessitem falar em pé. Como membros do Oriente eles podem falar sentados em qualquer ocasião.
Já no Ocidente falam sentados por direito apenas os Vigilantes, salvo nas ocasiões em que ritual determinar o contrário. Assim, esses falando em pé, falam à Ordem.
É oportuno mencionar que as Luzes da Loja se posicionam à Ordem como os demais, isto é, compondo o Sinal com a mão, ou mãos se for o caso. Nessas oportunidades eles deixam o malhete sobre o móvel e fazem o Sinal de Ordem. É regra: não se faz Sinal com o instrumento de trabalho, ou seja, não se usa o objeto para fazer o Sinal, bem como ninguém fica à Ordem sentado.
A despeito do que fora até aqui mencionado, essas são regras consuetudinárias do Rito e, por serem tão óbvias, não carecem estar escritas. Aliás, em respeito ao sigilo maçônico, bons rituais não ficam por aí a esmiuçar procedimentos ritualísticos. Explicá-los é dever de ofício dos Mestres. É péssima a geometria de se procurar a lei do menor esforço, onde tudo deve irremediavelmente estar escrito.
Por fim, quem usa a palavra, em pé ou sentado, deve protocolarmente antes se dirigir genericamente às Luzes, autoridades e demais Irmãos, mas sem individualiza-las. Isso não é cumprimento nem saudação, senão outra regra consuetudinária do Rito – a de se dirigir a palavra seguindo essa ordem.

P.S. –. Nem tudo que reluz é ouro. Ainda existem muitas concepções anacrônicas que insistentemente continuam publicadas no nosso mercado livreiro. Eu diria: verdadeiras carcaças de dinossauro que, pelo tamanho da bobagem, são difíceis de consumir.




T.F.A.

PEDRO JUK


MARÇO/2018

sexta-feira, 23 de março de 2018

QUESTÃO SOBRE PARAMENTOS DA LOJA


EM 09/12/2017 o Respeitável Irmão Waldemar Marconato, Loja Maçônica nº 08, REAA, Grande Oriente do Estado do Mato Grosso (COMAB), Oriente de Cuiabá, Estado do Mato Grosso, solicita esclarecimentos para o que segue:

PARAMENTOS DA LOJA



Em minha Loja, houve apresentação de trabalho por um Aprendiz, com tema Paramento da Loja. Entretanto ao fazer a apresentação, o Esquadro e o Compasso, foram feitos separadamente e não em conjunto como determina o ritual, mesmo o Aprendiz ter dito que assim procedia por questões de metodologia. Houve manifestações de Mestres, que o trabalho não se apresentava dentro da formalidade ritualística, portanto poderia

ser considerado fora do Grau. Estou interessado em colher luzes conceituais a respeito para elucidação e melhor aprendizado. Eu particularmente entendo também não ser possível, por razões obvias de graus superiores e também pelas preliminares do REAA, previsto no Ritual de Iniciação que diz: O Ritual deve ser executado rigorosamente conforme foi elaborado. Nos trabalhos litúrgicos e EM QUALQUER SESSÃO, é vedada a inclusão de cerimônias, palavra, expressões ou atos que não constem do presente Ritual.
Pela sua generosa atenção antecipo os meus agradecimentos, pois no momento não estou conseguindo literatura especifica de conceitos mais amplos.

COMENTÁRIOS.

Os Paramentos de uma Loja são constituídos pelo Livro da Lei (geralmente a bíblia), o Esquadro e o Compasso. Esse conjunto tem presença obrigatória nos ritos que compõem a Moderna Maçonaria.
Nesse particular o Esquadro e o Compasso, na grande maioria dos ritos, somente se mostram unidos em Loja e, junto ao Livro, eles possuem um altíssimo significado simbólico.
Genericamente, no sentido figurado o Livro é a lei moral, o Esquadro (ética) é a retidão e o Compasso (moral) é a justa medida. Já no sentido esotérico, o Livro é a fé que sustenta e anima, o Esquadro é a matéria (passível de aperfeiçoamento), e o Compasso é o espírito (passível de aprimoramento). Esse ternário emblemático foi constituído para representar a alma da Loja.
A despeito desses comentários, é mister se compreender que no simbolismo maçônico existem, longe da licenciosidade, três métodos de interpretação: a literal, a figurada e a esotérica.
Assim, nas peças de arquitetura, o conjunto emblemático que constitui os Paramentos da Loja pode ser dissertado, ou individualmente em relação às suas partes, ou mesmo sob a óptica do emblema que essa tríade representa. Para essa questão depende do enfoque que o autor queira lhe dar, portanto nada impede que se aborde um, dois ou três desses objetos, unidos ou separados, desde que se destaque que o a abordagem é relativa, nesse caso, aos Paramentos da Loja. Afinal, se são “paramentos”, eles excedem à unidade, portanto passiveis de serem conjugados um a um.
É oportuno se considerar que além do Esquadro e do Compasso, que só se mostram unidos sobre o Livro da Lei, existem ainda outros deles apresentados individualmente como instrumentos simbólicos operativos herdados da Maçonaria de Ofício – ancestrais da Maçonaria Especulativa.
Um bom exemplo disso é o Esquadro operativo (com cabo e graduação) que representa a joia do Venerável. Já o que representa uma das Luzes Emblemáticas não é operativo (sem graduação e de ramos iguais) - infelizmente nesse particular andam por aí inúmeros rituais equivocados que não atentam para esse detalhe, inclusive invertendo esses instrumentos quanto a sua finalidade (mera desatenção ou falta de conhecimento de pseudos-ritualistas).
Em relação ao Compasso, existe o que é um dos Paramentos da Loja, enquanto que outro, por exemplo, é uma das ferramentas de trabalho do Mestre.
No que diz respeito a essa concepção, é então primordial se atentar ao que se refere efetivamente à abordagem do símbolo.
No que diz respeito à sua questão propriamente dita, o “estar fora do grau”, depende do enfoque que o autor do trabalho lhe deu, mas nunca simplesmente por ter abordado individualmente um desses objetos simbólicos emblemáticos. No tocante ao ritual mencionar o que é vedado, não se vê no que algo pode ter sido incluído ao ponto de tê-lo desrespeitado, até porque fica difícil opinar sem se conhecer o conteúdo do trabalho e o seu objetivo.


T.F.A.

PEDRO JUK




segunda-feira, 19 de março de 2018

LADO DA ABORDAGEM NA TRANSMISSÃO DA PALAVRA


Em 08/12/2017 o Respeitável Irmão Thiers Trindade, Loja José Mesquita Silveira, 2.548, Rito Brasileiro, GOB-SE, Oriente de Itabaiana, Estado do Sergipe, apresenta a questão que segue:

ABORDAGEM NA TRANSMISSÃO DA PALAVRA SAGRADA.


Li em um blog na internet uma peça de sua autoria (TRANSMISSÃO DA PALAVRA SAGRADA) e me chamou muita atenção sobre a chegada dos Diáconos aos altares dos Vigilantes para a transmissão da palavra.
Esse é um assunto que gera muitos debates em nossa oficina, em nosso ritual lê-se que: (os diáconos chegam pela esquerda dos altares dos vigilantes) é nesse ponto que começ
a as dúvidas, muitos entendem que a chegada deve ser feita pelo lado esquerdo do vigilante que está de pé, já outros (como eu) entendem que a chegada deve ser pelo lado esquerdo do diácono que está chegando, sendo assim pelo lado direito do Vigilante e para pensar assim, tomei como base alguns fatos...
1º - O recebimento da palavra no oriente se dá da mesma forma, no ritual lê-se da mesma forma (chega pela esquerda do altar do Ven\) com a diferença que lá explica sobre o lado nordeste, sendo assim fica claro que no Oriente a chegada é pelo lado esquerdo do Diácono e consequentemente à direita do Ven\, sendo assim, supõe-se que no Ocidente deve-se fazer da mesma forma.
2º - A circulação no ocidente deve ser feita no sentido horário, sendo assim, quando o Diácono chega para transmitir a palavra, esse deve chegar pelo lado esquerdo dele e direito do vigilante, pois caso seja feito o inverso, o Diácono passará primeiro pela frente do altar do Vigilante e depois voltará p/ chegar ao lado esquerdo do Vigilante, quebrando assim a forma correta de circulação.
Esses são alguns pontos que geram muitos debates por aqui e que nunca tivemos nenhum esclarecimento nem do GOB e nem da própria delegacia do Rito.
Ao ler sua peça, notei que pensa como eu e queria saber se tem mais algum esclarecimento sobre este assunto.

CONSIDERAÇÕES.

Sem inventar e sem complicar, as Luzes da Loja costumeiramente são abordadas pela sua direita, isto é, pelo seu ombro direito. Não existe a complicação de se ficar contornando as mesas na intenção de fazer firulas ritualísticas horárias.
Infelizmente nossos rituais não raras vezes tem sido muito confusos devido aos “fazedores de ritual” que não atentam para os detalhes que são necessários para a execução de um procedimento ritualístico.
Nessas descrições é preciso que fique bem claro se o lado direito e esquerdo é daquele que aborda, ou daquele que é abordado. Geralmente se usa o termo “ombro direito” para aquele que está sendo abordado.
Se observado esse detalhe, solucionam-se os problemas de interpretação nesse caso.
Devo ainda esclarecer que a abordagem pela direita, em se tratando da direita das Luzes, ela atende apenas a praticidade da ação sem que nela nada exista de esotérico, oculto ou místico.
É mesmo impressionante como uma ação tão simples se complica ao ponto de gerar debates sobre assuntos que nada constroem.
Para piorar ainda mais, editam-se rituais complicados e prolixos, mas quando é solicitada uma explicação à autoridade competente ela só faz em se calar – provavelmente porque não tem fundamento para responder.
Esse ritual mencionado na questão poderia pelo menos indicar sob qual ponto de vista se vislumbra o lado direito e o lado esquerdo de alguém ou de alguma coisa.
No que diz respeito à circulação horária no Ocidente, que é comum em alguns Ritos, ela só deveria se dar quando da passagem de alguém em Loja aberta de uma para outra Coluna. Nesse caso a referência é o centro do Templo no Ocidente e com o ombro direito para o lado de dentro do trajeto circular imaginário.
Assim, do Norte para o Sul se passa pelo espaço mais próximo do limite do Ocidente com o Oriente, enquanto que do Sul para o Norte se faz passando pelo extremo do Ocidente no espaço próximo à porta de entrada da Sala da Loja.
Como o Rito Brasileiro teve a sua criação fundamentada no REAA, genuinamente na mesma Coluna não existe, ou pelo menos não deveria existir circulação, portanto dispensam-se as “voltinhas” em torno dos lugares dos Vigilantes.
Concluindo, menciono que essas considerações se prendem à originalidade ritualística e não possui nenhuma intenção de desrespeitar ritual em vigência.



T.F.A.

PEDRO JUK


MARÇO/2018

sábado, 17 de março de 2018

MARCHA DO APRENDIZ NO RITO ADONHIRAMITA


Em 05/12/2017 o Respeitável Irmão Luís Torres, sem mencionar o nome da Loja e do Oriente, Rito Adonhiramita, GLESP, Estado de São Paulo formula a seguinte questão:

MARCHA DO APRENDIZ – RITO ADONHIRAMITA.


Lendo algumas matérias que assinou, gostaria de consulta-lo se há alguma informação nova sobre a Marcha do Aprendiz do Rito Adonhiramita – em caso positivo - onde posso encontra-la. O Ritual não é conclusivo, apenas fala de passos, que hoje são interpretados de formas diversas – inclusive a de arrasta-los (que eu não concordo). Estou buscando fundamentos para fazer uma boa prancha sobre o assunto. Se tiver algum material para me enviar, ou mesmo tiver notícia sobre algum Ritual que esclareça a questão, por favor, me avise que tentarei adquiri-lo.

CONSIDERAÇÕES.

Em regra geral as Marchas (passos) nos ritos que as possuem determinam simbolicamente o início do caminho do Aprendiz em direção à Luz – das trevas da ignorância à Luz do esclarecimento.
O que ocorre, entretanto, é que os Ritos possuem suas particularidades doutrinárias e ao mesmo tempo históricas. No caso do Rito Adonhiramita, além dele estar voltado para o conceito metafísico-filosófico do ser humano, ele é também oriundo da corrente teísta de Maçonaria, muito embora ele seja um rito nascido no século XVIII na França.
No caso especialmente da Marcha do Aprendiz no Rito, alguns autores divulgam que ela é executada de forma invertida em relação ao REAA, o que não é verdade, pois isso não pode ser tratado como inversão, senão como uma característica Adonhiramita que provavelmente tenha surgido na época pela tentativa de resguardar os segredos que vinham sendo comumente revelados os jornais semanais sob o título de “revelações maçônicas”. Com essa atitude muitos procedimentos ritualísticos acabaram sendo invertidos em relação a outros na intenção de confundir os bisbilhoteiros do mundo profano.
Assim, a Marcha de Aprendiz do Rito Adonhiramita é sempre executada com o p\ d\ à frente, formando a cada um dos t\ pp\ uma esq\. Essa característica a difere do escocesismo que executa a Marcha sempre com o p\ e\. Note que isso não é “inversão”, mas característica do Rito.
No que diz respeito ao significado básico dessa alegoria, o mesmo está na retidão (esq\) associada ao caráter do maçom, pois os t\ grandes p\ pela esq\ têm o desiderato de ensinar ao Aprendiz o caminho que ele deve seguir na Ordem.
Essa é uma ideia representativa e significa o zelo no caminho percorrido e que será avaliado pelo seu instrutor. Tudo se resume na esq\ por ser ela o grande símbolo da vereda dos justos.
Ainda os t\ pp\, eles revelam o princípio da retomada do caminho após a Iniciação. Nesse particular o maçom revela nos seus primeiros passos a alegoria da sua infância.
Quanto à expressão “arrastar os pés”, eu posso lhe afirmar que bons e verdadeiros rituais não mencionam essa prática, simplesmente porque ela não existe, senão como fruto de imaginação de fantasistas que adoram rechear rituais com as suas “brilhantes ideias”.
A rigor, simplesmente a cada p\ avança-se por primeiro o p\ d\ apontado para frente, unindo-se em seguida o outro p\ na forma de costume. Originalmente não existe o arrastar de pés nesse movimento.
Dada à característica espiritualizada do Rito Adonhiramita, muitos outros conceitos podem se apresentar na sua doutrina. A questão talvez seja a de separar o joio do trigo.
O verdadeiro Rito Adonhiramita foi construído com três graus simbólicos e mais nove graus ditos superiores, o que lhe deu a originalidade de doze graus.
A posteriori, segundo alguns autores, em homenagem a Frederico, o Grande, o superado Ragon acabou vendo nele mais um grau pertinente, o que acabou se consolidando como um Rito de treze graus.
Para piorar as coisas, infelizmente aqui no Brasil, já no final do século XX, alguns rituais Adonhiramitas acintosamente apareceram e foram aprovados com trinta e três graus à moda do escocesismo e sob a justificativa capenga de que o acréscimo de mais graus fortaleceria a prática do Rito.
Dados esses comentários e concluindo, sugiro ao Irmão que consulte a obra de Gilvan Barbosa que trata da Coletânea Preciosa do Rito Adonhiramita aqui no Brasil. Veja também os rituais Adonhiramitas do Grande Oriente Independente do Estado de Santa Catarina (COMAB) que sem dúvida tem sido por aqui os mais próximos da originalidade. Recomendo o livro Passos de Um Aprendiz Adonhiramita de Amauri de Souza, Editora Maçônica A Trolha, 2016, dentre outros.


T.F.A.

PEDRO JUK


MARÇO/2018.

sexta-feira, 16 de março de 2018

QUESTÕES SOBRE O REAA NO RITUAL DO GOB


Em 04/12/2017 o Respeitável Irmão Enéas Dourado, Loja Irmão Valdez Pereira, 4.077, REAA. GOB-PA, Oriente de Paragominas, Estado do Pará, solicitas informações abaixo:


 QUESTÕES SOBRE O REAA - GOB

Gostaria de merecer sua ajuda no entendimento da ritualística do Rito Escocês Antigo e Aceito jurisdicionado ao GOB.
Fui recentemente nomeado presidente de ritualística de minha Loja.
São muitas dúvidas, se houver um manual com passo eu agradeceria receber, vou citar algumas duvidas expostas pelos irmãos:
  1. Como proceder com a entrada do pavilhão nacional? Posição para segurar a bandeira? Fica entre colunas até acabar o hino ou segue caminhando com o hino acontecendo? Ou entra segue ate o oriente e lá se toca o hino? Quando chegar ao oriente, qual a posição das mãos e braços e da bandeira? A guarda sobe no oriente? E a saída do pavilhão?
  2. Quando se pede a palavra, existe o comando do venerável "podeis ficar sem esta a ordem" ou o obreiro tem que falar a ordem não podendo desfazer ate o final de sua fala?
  3. Quando é solicitado que as colunas fiquem a ordem por ocasião de verificar se são maçons, ficam à Ordem voltados para a Câmara do Meio ou voltados para o Oriente?
  4. Temos muitas duvidas que muitas vezes não estão em letras azuis no ritual para deixar clara sua execução, se houver um material com informações nesse modelo iria nos ajudar muito a compreender a ritualística de forma correta e não correr o risco de transferir a informação de forma errada aos aprendizes.

CONSIDERAÇÕES.

  1. Ingresso do Pavilhão Nacional.
a)    A Bandeira é conduzida pelo Porta-Bandeira na posição vertical à frente do corpo empunhando o mastro com as duas mãos - à direita logo acima da esquerda. Braços e antebraços respectivos são mantidos horizontalmente na condução.
O Porta-Bandeira ao ingressar no Templo coloca o Pavilhão sobre o seu ombro direito inclinando o mastro para trás e mantendo as mãos na mesma forma da empunhadura da condução. Esse procedimento se dá para que a Bandeira não se choque com a verga da porta na passagem. Passando pela mesma, o condutor volta a posicioná-la na vertical.
b)    Ingressando, o Porta-Bandeira, seguido pela Guarda de Honra, para próximo à porta entre Colunas com o Pavilhão empunhado pelo mastro à frente do seu corpo na vertical. A Guarda também com as espadas em ombro-arma (na vertical pelo lado direito do corpo) para ao mesmo tempo na retaguarda do Pavilhão.
c)     Assim que o Porta-Bandeira esteja posicionado entre Colunas, dá-se o canto do Hino Nacional. A Comissão de Recepção posicionada no Norte e no Sul, assim como a Guarda de Honra, permanece com as espadas em ombro-arma. Dá-se então o canto do Hino.
d)    Encerrado o canto do Hino Nacional o Porta-Bandeira acompanhado da Guarda de Honra se desloca para o Oriente passando todos pela Coluna do Norte. À passagem da Bandeira a Comissão de Recepção abate espadas.
e)    O Porta-Bandeira ingressa no Oriente enquanto que a Guarda de Honra para no Ocidente próximo à entrada do Oriente se mantendo com as espadas em ombro-arma.
f)      O condutor do Pavilhão então coloca o mesmo no lugar devido e se posiciona no seu lugar enquanto que o Venerável Mestre ordena ao Mestre de Cerimônias que desfaça a Guarda de Honra e a Comissão de Recepção.
g)    Sugere-se também consultar o Decreto nº 1476 do GOB, datado de 17/05/2016 em vigência e que dispõe sobre o Cerimonial para a Bandeira Nacional, inclusive a sua retirada do Templo.
  1. Em Loja aberta no REAA\ todo o obreiro que fizer o uso da palavra e estiver em pé, se posiciona à Ordem. Antes de usar a mesma propriamente dita, ele protocolarmente se dirige genericamente (sem a necessidade de individualizar nomes) às Luzes da Loja (Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilantes), autoridades presentes e demais Irmãos – isso não é saudação.
Feita a menção protocolar, em casos esporádicos, o Venerável Mestre pode autorizar o usuário da palavra a falar a vontade, isto é, desfazendo o Sinal. Num caso desses, que não deve ser usualmente utilizado, o obreiro desfaz o Sinal e respeitosamente se posta para usar a palavra. Terminando a sua fala ele volta imediatamente a compor o Sinal e, antes de tomar assento, desfaz o mesmo na forma de costume.
É de péssima geometria o que fazem alguns Veneráveis ao dispensar corriqueiramente a composição do Sinal. Essa é uma atitude permitida, porém somente em casos que realmente mereçam esse procedimento. É ilegal também o obreiro pedir para falar à vontade.
É oportuno mencionar que o obreiro estando à Ordem fala objetivamente devido ao desconforto de se posicionar com o Sinal composto. Com essa atitude evitam-se pronunciamentos extensos e providos de rançoso lirismo que mais servem para esgotar a paciência dos demais. Obreiro à Ordem fala pouco e somente o necessário, poupando inclusive o Secretário de ficar anotando verborragias que serão repetidas quando da leitura da ata.
  1. Nem uma coisa e nem outra. Os obreiros ficam sim à Ordem tendo como referencia o assento à sua retaguarda. Conforme estiver disposta a sua cadeira o Obreiro simplesmente dela se levanta. Nesse caso não existem outras recomendações. Em síntese cada Irmão fica em pé conforme o seu lugar em Loja. Não existem movimentos de se voltar para esse ou para aquele lado.
A propósito, o centro da sala da Loja (Templo) não é a Câmara do Meio. A Câmara do Meio é toda a Loja de Mestre e não um lugar específico do Templo. Assim, ficaria mais apropriado o termo “voltados para o eixo do Templo”.
  1. Na realidade um bom ritual, em nome do sigilo, não traz explicativos detalhados. Isso na mão de um não iniciado daria oportunidade para ele conhecer por completo uma Sessão Maçônica.
O que me parece que está faltando é instrução por parte de ritualistas que verdadeiramente entendam da liturgia maçônica.
A maioria das questões é elementar e é inadmissível que muitos Mestres não as conheçam. De qualquer modo, espera-se futuramente do GOB um Manual de Dinâmica que possa pelo menos homogeneizar as práticas ritualísticas. Por enquanto no GOB, todos os manuais encontram-se suspensos conforme os Decretos de 2009 do Grão-Mestre Geral que instituem os rituais. Aguardam-se providências nesse sentido.

T.F.A.

PEDRO JUK

MAR/2018.