segunda-feira, 15 de outubro de 2018

ASPECTOS RITUALÍSTICOS DO REAA


Em 01/08/2018 o Respeitável Irmão Juarez Bretas Armond, Loja Vale do Peruíbe, REAA, GOEB-GOB, Oriente de Nova Viçosa, Estado da Bahia, solicita os seguintes esclarecimentos:

ASPECTOS RITUALÍSTICOS DO REAA


Tenho algumas questões sobre ritualística:
1 - O Irmão ao ir para o Oriente para no primeiro degrau depois sobe: por que?
2 - No oriente ele para e faz sinal depois continua?
3 - Ao descer ele faz o sinal e gira o corpo pra descer?
4 - Ao fechar o Livro da Lei o Orador levanta o Livro e bate pra fechar?
5 - O Cobridor Interno fica do lado direito dentro do Templo, na saída ele vai para o lado esquerdo?
6 - O Mestre de Cerimonias ao abrir o Painel do Grau ele levanta e mostra para o Oriente?
7 - Na bateria o braço esquerdo fica colado no corpo?

CONSIDERAÇÕES.

As orientações que seguem atendem o REAA\ conforme o ritual em vigência no Grande Oriente do Brasil.
  1. Não existe esse procedimento. Não há parada alguma antes de se atingir o Oriente. O que acontece é que o obreiro, ao ingressar no Oriente, sempre o faz pelo nordeste e próximo à balaustrada. Com isso, ele deve nesse momento saudar pelo Sinal o Venerável Mestre. Nesse sentido, assim que ele ingressar (estiver no nível do Oriente) ele para, fica à Ordem e faz a saudação pelo Sinal. Concluída a saudação, imediatamente ele prossegue no seu trajeto - obviamente com o Sinal desfeito. Nesse sentido, não existe essa tal parada no primeiro degrau antes de se subir definitivamente no Oriente – isso é invenção.
  2. Essa questão já está respondida no item nº 1. Entretanto se faz oportuno mencionar que se o protagonista estiver com a(s) mão(s) ocupada(s) por dever de ofício, ele não faz nenhum sinal, porém faz uma parada rápida e formal, sem inclinação com o corpo ou meneios com a cabeça. Não se faz Sinal “com” objeto ou instrumento de trabalho.
  3. Antes de sair do Oriente, sempre pelo sudeste em direção à Coluna do Sul e próximo à balaustrada, o protagonista volta-se para o Venerável, fica à Ordem e o saúda pelo Sinal. Ato seguido volve-se para o Ocidente, desce e prossegue no seu deslocamento pela Coluna do Sul.
  4. Mais uma fantasia. Obviamente que não! Ao ser autorizado, simplesmente o Orador retira o Esq\ e o Comp\, fecha normalmente o Livro da Lei (sem elevá-lo e nem batê-lo) depositando ao seu lado, sobre o Altar, os outros dois instrumentos emblemáticos.
  5. A rigor, note que tanto no início como no final a Loja não está aberta. Assim, costumeiramente para o ingresso no Templo, antes da abertura dos trabalhos, o Cobridor Interno, pelo lado de dentro abre a porta e, próximo dela, se posta no Sul. Concluída a passagem ele fecha a porta e se coloca no seu lugar. Quando da retirada dos Obreiros, depois de fechada a Loja, o Cobridor Interno abre a porta e fica postado no mesmo lado Sul da mesma permanecendo ali até a saída de todos. Por fim, ele é o último a se retirar.
  6. Isso também não existe. É puro produto de invenção. O Mestre de Cerimônias na abertura simplesmente expõe (vira, deixa a mostra) o Painel no dispositivo que serve para suportá-lo. O Mestre de Cerimônias não o levanta ao alto na intenção de mostra-lo à Loja. Isso não está previsto e não é prática correta. Para o encerramento dos trabalhos, a atitude é a de simplesmente virar o Painel (cobri-lo) sem também elevá-lo em atitude de demonstração.
  7. A Bat\ do Gr\ nesse caso é dada com a palma da mão direita sobre a palma da mão esquerda que fica parada. Não necessariamente o braço esquerdo precise estar colado ao corpo, porém bem próximo dele. É primordial que ele fique estático enquanto a palma da mão direita percute a bateria sobre a respectiva palma da mão esquerda que estará voltada para cima.


T.F.A.

PEDRO JUK

OUT/2018

domingo, 14 de outubro de 2018

ALTAR INDIVISÍVEL? PURA LOROTA!


Em 01.08.2018 o Respeitável Irmão Renato Coelho, Venerável Mestre da Loja Trajano Theodomiro da Silva, 2.267, REAA, GOB-MG, sem mencionar o nome do Oriente, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

ALTAR INDIVISÍVEL? PURA LOROTA.


Peço esclarecimentos quanto o Altar, pois, temos correntes que alegam que ele é indivisível, entretanto, no Ritual do GOB - REAA é claro quanto a giro na circulação do Saco de Proposta e Informações, Escrutínio Secreto e Tronco de Beneficência.
Pergunta, estando as cadeiras laterais ao Trono ocupadas, o Mestre de Cerimônias, seguirá o informado no Ritual (página 42) ou terá de considerar o Altar indivisível?

CONSIDERAÇÕES.

Eu já escrevi bastante sobre isso. Não existe essa “estória” de “altar indivisível”. Isso é mera especulação, pois se assim fosse, nesse caso, então o Venerável e os ocupantes das duas cadeiras de honra teriam que depositar juntos (ao mesmo tempo) a proposta ou o óbolo. Isso simplesmente é pura fantasia. Invenção esdrúxula e sem cabimento.
Ora, sem invencionices, a abordagem é exatamente aquela que está descrita no ritual. Destacando que em qualquer situação, por primeiro a abordagem será sempre feita hierarquicamente entre aqueles que estiverem portando o malhete – Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilantes. Na sequência segue-se o que está previsto no ritual.
Desse modo os ocupantes das cadeiras de honra só serão abordados pelo oficial circulante quando da coleta dos demais Mestres que ocupam o Oriente, ou seja, nesse momento os dois primeiros - a partir do da direita do Venerável – que virão logo após ter sido abordado o Cobridor Interno conforme prevê a tradição e o ritual.
Não existe nenhum procedimento que recomende a coleta dos demais ocupantes do altar junto com a do Venerável. Se assim fosse, sem dúvida isso estaria explícito no ritual.
Concluindo, esse tal “altar indivisível” sem dúvida nada mais é do que uma afirmativa aventureira.


T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2018

GRÃO-MESTRE GERAL INTERINO


Em 28/07/2018 o Respeitável Irmão Paulo Fernandes, Loja Sebastião Vasconcelos dos Santos, 3.759, REAA, GOB-RN, Oriente de Mossoró, Estado do Rio Grande do Norte, formula a questão seguinte:

GRÃO-MESTRE GERAL INTERINO


Diante do Grão-Mestrado Geral assumido interinamente, o Maçom ocupante interino s
erá tratado como "Soberano"? E o interino recebe malhete em Loja? Por fim, qual a cadeira esse interino assumirá, quando presente o Grão-Mestre Estadual ou seu Adjunto.

CONSIDERAÇÕES.

InterinoAdjetivo. 1 – Provisório; temporário. 2 – Que exerce funções só durante o tempo de impedimento de outrem.
Em assim sendo, obviamente que aquele que assume o cargo, não como representante, mas interinamente, nesse caso é o Soberano Grão-Mestre Geral, gozando, portanto de todas as prerrogativas do seu cargo. Assim, dentre outros, ele em visita a uma Loja recebe o malhete conforme preceitua o RGF e toma assento na cadeira que fica à direita (ombro direito) do Venerável Mestre conforme o Decreto 1469/2016 que regula a ocupação das duas cadeiras de honra que ficam ao lado do trono.
Atente-se que o Grão-Mestre Geral “interino” é único, portanto é ele o dirigente maior da Obediência enquanto designado para tal.


T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2018


sexta-feira, 12 de outubro de 2018

ESTRELA - CINCO OU SEIS PONTAS?


Em 24/07/2018 o Respeitável Irmão Eflaviano Pires Macedo, Loja Caratinga Livre, 0922, REAA, GOB-MG, Oriente de Caratinga, Estado de Minas Gerais, solicita o seguinte esclarecimento:

ESTRELA. CINCO OU SEIS PONTAS?


Estudando o Grau 2 passei por uma citação sem referências que a Estrela Flamejante no passado tinha 6 pontas e depois passou ser adotada com 5, você tem alguma referência que trata do assunto?

CONSIDERAÇÕES.

Lamento dizer, mas não é nada disso.
A Estrela Flamejante, a de cinco pontas, é símbolo especulativo, sobretudo da vertente francesa da Maçonaria (latina). De origem pitagórica, ela somente ingressou na constelação simbólica maçônica nos meados do século XIV. Como símbolo hominal e com a letra G no centro, a Pentalfa é um dos ornamentos da Loja de Companheiro no REAA\ (rito de origem francesa). Nesse sentido a sua interpretação se coaduna com espinha dorsal doutrinária no escocesismo como uma Luz intermediária (entre o Sol e a Lua). De concepção mais próxima ao deísmo, característica comum a quase toda a Maçonaria francesa, ela é objeto de estudo nos ritos que detém esse formato. No caso do REAA\, embora ele pelas suas raízes até possua alguma influência teísta haurida da sua banda anglo-saxônica, a Estrela Flamejante concentra uma belíssima alegoria de transformação e comunicação entre o espírito e a matéria (cinco princípios). Nesse particular ela é um símbolo direcionado ao Segundo Grau.
A Estrela Hexagonal, ou a de seis pontas, é a conhecida Blazing Star comum à Maçonaria anglo-saxônica, cuja qual é reconhecidamente de concepção teísta. Pelo caráter de Estrela de Davi ela é admitida nas preleções inglesas da Tábua de Delinear. Tem a mesma função flamejante, porém com aspecto doutrinário que condiz com a sua essência bíblica. Assim, a Magsen David é própria como símbolo do Craft e em linhas gerais representa a integração homem-espírito que vislumbra o aprimoramento daquele que busca o aperfeiçoamento calcado na Fé e na Esperança pelo alcance do objetivo.
Ambos os símbolos flamejantes, a Estrela Pentagonal (Pentalfa) e a Hexagonal (Ardente) são símbolos exclusivamente especulativos e nem eram conhecidos dos Maçons Operativos. Assim, essa justificativa de que uma se transformou na outra é mera justificativa capenga e temerária.
É preciso que se compreenda que com o advento dos ritos maçônicos a partir do século XVIII, cada um deles traz tradição oriunda das suas raízes (sociais, políticas e religiosas), portanto particularidades doutrinárias, em muitos pontos, se diferem entre eles. É impossível se imaginar um mesmo relicário simbólico para todos os ritos maçônicos. Pelas suas vertentes, embora de mesmo objetivo, os ritos não raras vezes consagram para si particularidades únicas.


T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2018

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

MARCHA DO GRAU ALTERADA - REAA


Em 23/07/2018 o Respeitável Irmão Carlos Alberto B. Santiago, Loja Liberdade, 01, REAA, GLEB, sem mencionar o nome do Oriente, Estado da Bahia, apresenta, através da Revista Maçônica A Trolha, a seguinte questão:

A MARCHA DO GRAU ALTERADA.


Há 3 anos a Grande Loja fez algumas mudanças no Ritual, principalmente no grau de Companheiro Maçom.
Foram alterados os Passos de Companheiro; em vez de c\ como havia sendo ensinad
o, passaram a divulgar que são d\, apenas os d\ últimos, que se deslocam lateralmente.
Os t\ anteriores são considerados parte da Marcha, pois dizem que há diferença entre Passos e Marcha.
Assim afirmam que os Passos são os d\, os que se deslocam lateralmente e a Marcha os c\ pp\, incluindo assim os de Aprendiz.
A minha pergunta é:
a) Qual a origem dos Passos de Companheiro?
b) Eles são 2 como adotado pela GL\ ou 5 como aprendemos há mais de 30 anos?
No caso do Grau 3, Mestre Maçom a mesma alteração foi feita, adotaram somente os pp\ sobre o Esq\, ignorando os 5 dados anteriormente.
Por favor, os prezados Irmãos poderiam esclarecer esta dúvida?
Tenho vários livros dessa editora e em nenhum consta uma informação que possa dirimir essa dúvida.

CONSIDERAÇÕES:

O que eu posso dizer é que é mesmo lamentável o que os inventores impõem à ritualística maçônica. Simplesmente por não conhecerem a sua história, ficam então a arrumar desculpas como essa da Marcha ser diferente da dos Passos.
Ora, em Maçonaria, especificamente quando nos referimos aos passos de um grau, marcha é seu sinônimo, pois os passos (no plural) compreendem a marcha. Assim tanto faz definir o ato completo como “marcha” ou “passos”, já que ambos compreendem um mesmo conjunto de formalidade ritualística.
Mesmo no Dicionário Aurélio (versão eletrônica) isso pode ser comprovado. Nele a palavra passo significa o ato de andar; andamento; marcha (o grifo é meu), enquanto que a palavra marcha, nele designa modo de andar; andadura, passo (o grifo é meu).
A despeito desses comentários, os “entendidos” antes de procurar conjecturas temerárias precisavam conhecer a origem dos passos, ou marcha no REAA\. Para tal deveriam consultar os primeiros rituais simbólicos do Rito em questão – a partir de 1804 – quando então existia apenas uma única marcha composta por “oito passos normais”. Eram, no princípio, passos únicos que serviam os três graus.
Posteriormente, com o aprimoramento e a evolução dos rituais ao longo do século XIX e a separação doutrinária dos graus, houve a divisão dos oito passos de outrora, sendo que a partir daí, cada Marcha (conjunto de passos) corresponde à idade simbólica do maçom - t\ pp\ igual a t\ aa\ para o Aprendiz, c\ pp\ igual a c\ aa\ para o Companheiro e o\ pp\ para os s\ aa\ e m\ do Mestre.
Doutrinariamente a Marcha segue a seguinte explicação:
O Aprendiz - Em linha reta, acompanha a vereda dos justos ao executar a Marcha sobre o eixo longitudinal do templo. A interseção das linhas oblíquas do Pavimento Mosaico orienta a posição dos pés a cada passo dados na forma de costume. Vindo do Ocidente para o Oriente, simbolicamente o Aprendiz não pode se desviar do rumo já que pela sua pouca idade (apenas t\ aa\), sem referência e pouca instrução, um eventual desvio faria com que ele acabasse se perdendo.
O Companheiro - Não sem antes ter tido passado pela senda do Aprendiz (escalada iniciática), ele rompe a sua Marcha como Aprendiz (revivendo o aprendizado) e em seguida dá obliquamente um passo como que a se afastar do eixo determinado. Para concluir ele dá mais um passo de retorno ao eixo. Do mesmo modo, o cruzamento das linhas oblíquas do Pavimento distribuem os passos da sua jornada. Em síntese, os c\ pp\ correspondem a sua idade simbólica e a evolução de conhecimento adquirido durante o seu aprimoramento na Arte. Graças a isso é que se diz que o Companheiro, mesmo se desviando do eixo (passo oblíquo), tem capacidade de retomar ao rumo.
O Mestre - Como senhor de todos os quadrantes da Loja ele revive toda a jornada dos dois graus anteriores. Primeiro executa todos os passos que compõem a Marcha do Companheiro, iniciando pelos do Aprendiz. Em seguida soma a eles mais t\ longos pp\ oblíquos à direita, à esquerda e ao centro (ponto pedest\) como que se deslocasse por sobre um esq\. Assim, somando-se os c\ pp\ anteriores aos t\últimos pp\ encontra-se o total dos o\ pp\ de outrora. De qualquer maneira, a Marcha do Mestre também lembra a sua idade, s\ a\ e m\, já que para se chegar ao o\ é preciso primeiro se passar pelo s\ (s\ alude à criação). Na realidade, o Mestre renascido não estaciona no número s\. Esotericamente, sua Marcha revive toda a escalada iniciática - os c\ primeiros dados sobre o Pavimento (material) e os t\ outros de modo elevado sobre o esq\ (espiritual). Os três últimos passos do Mestre simbolizam a alegoria da Natureza e o movimento do Sol em sua eclíptica com os solstícios e os equinócios. Nesse teatro, a Natureza morre no inverno (a Terra fica viúva do Sol) para renascer na primavera. Como as Marchas representam a senda iniciática, os passos por sua vez vão se somando respectivamente a partir do Primeiro Grau.
Obviamente esse é apenas um resumo, pois muitos outros aspectos se incluem à rica alegoria que envolve as Marchas no REAA\, entretanto, em nome do sigilo exigido no trato com as coisas maçônicas, esse não é espaço apropriado para se aprofundar nessa questão.
Dando por concluído, a origem da Marcha (Passos) advém de uma forma especulativa de reconhecimento iniciático e que ao mesmo tempo, conforme o Rito, expressa lições para o aperfeiçoamento do maçom. Propriamente nos três graus simbólicos do REAA\ a Marcha se constitui por t\, c\ e o\ passos respectivamente. Não existe Marcha isolada por grau conforme o Irmão comenta na questão. Por ser também uma forma de telhamento, independente do grau simbólico, ela sempre se inicia pelos t\ pp\ do Aprendiz. No REAA\ a sua raiz advém dos seus primeiros rituais simbólicos que apareceram na França a partir do início do século XIX.

P. S. – No trato dessa questão abordou-se apenas o número de pp\. Sinais e outras particularidades que envolvem a forma de se executar a Marcha não foram aqui comentados.


T.F.A.


PEDRO JUK


OUT/2018

terça-feira, 9 de outubro de 2018

OS DIÁCONOS E A TRANSMISSÃO DA PALAVRA SAGRADA - ORIGEM - II


Em 21/07/2018 o Respeitável Irmão Ricardo Guedes, Loja Filhos de Abraão, 322, REAA, GLMMG, Oriente de Carmo da Mata, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

OS DIÁCONOS E A TRANSMISSÃO DA PALAVRA SAGRADA

 
Gostaria de receber material sobre a transmissão da palavra sagrada, tendo em vista que vou compor a comissão de Liturgia e como responsável pela parte ritualística de minha Oficina.
Quando falo em material seria a explicação histórica do papel dos diáconos, e não só a parte ritualística, pois essa todos somos sabedores;

CONSIDERAÇÕES:

Caro Irmão, eu não forneço material. Nas pesquisas sobre Maçonaria a grande maioria dos temas é elemento disperso e carece de muito tempo para catalogação. Eu não tenho tempo disponível para digitalizar documentação, fragmentos e escritos de rodapés de antigas obrigações dos construtores medievais e remeter para os meus leitores. Para tanto, existem obras e autores autênticos para serem consultados. Dentre outros, por aqui eu poderia citar José Castellani, Francisco de Assis Carvalho, Theobaldo Varolli Filho, Frederico Guilherme da Costa, Ambrósio Peters, etc. No exterior eu citaria Jasper Ridley, Joseph Fort Newton, Harry Carr, Alec Mellor, Bernard E. Jones, Alex Horne, etc., além de uma viagem pelas Atas da Quatuor Coronati Lodge 2076 de Londres.
Vou então comentar alguns aspectos para norteá-lo nessa pesquisa. A propósito, no campo da história, opiniões laudatórias dependem de muito estudo e comparação por método acadêmico. Nada existe de pronto quando se coloca na pauta da pesquisa, assuntos que envolvem tradições, usos e costumes da Maçonaria. Isso se deve principalmente à amplitude e a abrangência que envolve a história da nossa Sublime Ordem.
No tocante ao assunto em epígrafe, na Moderna Maçonaria (a dos Aceitos por excelência), os Diáconos são simbolicamente oficiais mensageiros.
Especialmente no REAA\ eles são personagens que compõem a ritualística na alegoria da transmissão da Palavra Sagrada, o que ocorre entre as Luzes da Loja para a abertura e encerramento dos trabalhos.
Assim meu Irmão, a questão, não é bem a de que “todos somos sabedores”, porém a de compreender o porquê desse exercício que envolve os Diáconos e as Luzes da Loja. É sempre de boa geometria por primeiro se compreender as características que permeiam a originalidade de um ato ritualístico.
No tocante à originalidade, embora existam rituais no Brasil que mencionem o contrário, genuinamente no REAA\ os Diáconos não usam bastão e, por consequência, não existe o cruzar de bastões e muito menos com eles a formação de pálio. A propósito, isso é prática de outro(s) rito(s), mas que desafortunadamente tem sido enxertada indevidamente no escocesismo. Aqui não se está discutindo se esse ou aquele ritual está certo, ou mesmo se um é melhor do que o outro, mas sim a autenticidade de um ato litúrgico. Ademais, ritual em vigência, mesmo que equivocado, deve ser respeitado.
Sob a óptica da autenticidade, o cargo de Diácono é originário da ainda Maçonaria de Ofício (operativa). Nela eles eram denominados como os antigos “oficiais de chão” e serviam o Mestre da Obra e os Zeladores (wardens) - esses últimos os ancestrais dos atuais Vigilantes da Loja. O título “Diácono” apareceria mais tarde e por influência da igreja.
A propósito, eu já escrevi bastante sobre isso, e existem respostas sobre esse assunto publicadas no meu Blog em http://pedro-juk.blogspot.com.br
Segue então um pequeno comentário sobre os antigos “oficiais de chão”, antepassados dos atuais Diáconos e oficiais mensageiros na Maçonaria Especulativa.
Na época das associações dos construtores medievais (antepassados da Maçonaria), quando das construções das catedrais góticas no século XI, os imensos canteiros de obras acolhiam nos seus quadros de operários várias centenas de trabalhadores. Dentre esses, haviam os operários especializados que eram privilegiados por conhecerem amiúde o segredo técnico da construção. Assim, quando uma obra, ou uma etapa da mesma iria ser iniciada, o Mestre da Obra (atual Venerável Mestre) enviava, por intermédio dos seus “oficiais de chão”, ordens aos seus Vigilantes para que eles nivelassem e aprumassem os cantos da construção para que os trabalhos fossem iniciados com força e vigor. Em linhas gerais, os oficiais de chão (atuais Diáconos), como mensageiros, levavam a ordem aos Vigilantes que então executavam a missão. Isto é: aprumavam e nivelavam os cantos, comunicando em seguida ao Mestre pelos mesmos oficiais mensageiros que tudo estava “justo e perfeito”. Certificado disso, o Mestre da Obra então ordenava à sua plêiade de operários que iniciassem os trabalhos – os cantos nivelados e aprumados eram as balizas para a colocação do cordel seguido na elevação da obra. Destaque-se a vastidão de um canteiro de obras medieval onde a comunicação entre os operários comumente era feita se servindo de mensageiros que se locomoviam pelos meandros e vielas do espaço.
Concluída a etapa contratada da construção, o Mestre da Obra ordenava novamente aos seus oficiais de chão (mensageiros) que comunicassem os Vigilantes, pois era chegada a hora de conferir o resultado dos trabalhos até então executados. Recebida a ordem, os Vigilantes, cada qual cumprindo o seu ofício, conferiam o nivelamento e a aprumada daquilo que havia sido até então construído. Estando tudo de acordo com os planos da obra, os Vigilantes informavam através dos mesmos mensageiros que tudo estava “justo e perfeito”. Em assim sendo, o Mestre mandava o seu Primeiro Vigilante encerrar os trabalhos e em seguida pagar os obreiros despedindo-os contentes e satisfeitos, mas não sem antes recomendá-los a retornar após o inverno para o início de uma nova etapa da construção.
Esse é então um resumo do que ocorria nos Ofícios-Francos, o que dá um panorama da razão pela qual a Moderna Maçonaria adota no REAA\ uma alegoria que revive essa antiga prática, substituindo os nivelamentos e aprumadas pela transmissão de uma palavra que, se transmitida corretamente (justa e perfeita) denota a qualidade para abrir e fechar os trabalhos de uma Loja maçônica. Essa qualidade representa o aperfeiçoamento moral e ético que o maçom procura no canteiro especulativo da Maçonaria.
Estabelecendo uma relação entre o operativo e o especulativo, os Diáconos são os antigos oficiais de chão enquanto que o Mestre da Obra é atualmente o Venerável Mestre. Já os “zeladores” de outrora são os atuais Vigilantes.
Como a Moderna Maçonaria é atualmente especulativa, o maçom, no lugar da pedra, passou a ser o elemento primário (matéria prima). Assim, o nivelamento e a aprumada são apenas práticas simbólicas o que se traduz pela transmissão de uma palavra, tanto no início como no encerramento dos trabalhos. Estando ela transmitida nos conformes, justa e perfeita, figuradamente o ato significa a boa geometria de uma construção perfeita e durável. É essa a razão pela qual acontece a transmissão da Palavra Sagrada entre as Luzes da Loja com a utilização dos Diáconos que são os mensageiros que a transportam pelo recinto.
Ainda, no intuito de esclarecer, foi pela razão das aprumadas e nivelamentos de antigamente que os Vigilantes trazem consigo joias distintivas - o Nível e o Prumo. É também por essa razão que é o Primeiro Vigilante quem declara a Loja fechada (vide o ritual).
Por fim, no REAA os Diáconos servem o canteiro especulativo (a Loja) como mensageiros durante a transmissão da Palavra Sagrada para a abertura e o encerramento dos trabalhos. Eles relembram os antigos oficiais de chão que no passado serviam diretamente o Mestre da Loja e os Vigilantes como seus mensageiros e auxiliares. Nos ritos onde não existe a alegoria da transmissão da Palavra Sagrada, geralmente os Diáconos relembram o ofício de auxiliares de ordens das Luzes da Loja.

P.S. – Como elemento para sua pesquisa eu sugiro consultar no Blog do Pedro Juk em Peças de Arquitetura o título: “Bastões, Varas, Hastes – Instrumentos de Trabalho na Liturgia Maçônica” que foi publicada em 29/01/2018. Esse escrito por certo lhe dará uma ideia a respeito da amplitude que envolve o trato da pesquisa maçônica.



T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2018