quinta-feira, 24 de outubro de 2019

INCENSO E ALTAR DOS PERGUMES


Em 21/07/2019 o Respeitável Irmão Miguel A. Atensia, Loja Barão Geraldo de Rezende, 2.668, REAA, sem mencionar a Obediência, Oriente de Campinas, Estado de São Paulo, apresenta o que segue:

ALTAR DOS PERFUMES


O Altar dos Perfumes no REAA foi realmente suprimido? Podemos colocar incenso no Altar dos Juramentos?

CONSIDERAÇÕES

Dizer se ele foi suprimido ou não eu não saberia lhe dizer, pois como bem sabe o Irmão, conforme a Obediência vem o Ritual. Como o Irmão não informou a Obediência, fica prejudicado afirmar se ele foi ou não suprimido.
De imediato, posso afirmar que no GOB ele continua como parte do mobiliário da Loja de Aprendiz do REAA.
É bem verdade que esse Altar é apenas um resquício da cerimônia de Sagração do Templo (consagração). Em síntese a sua utilização somente se dá nessa ocasião. Assim, como a sagração (dar dignidade ao espaço) acontece apenas uma vez, a sua permanência é simplesmente obsoleta.
Infelizmente a sua permanência só acaba servindo para trazer práticas inexistentes no rito, como é o caso de queimar incenso sobre o mesmo durante as sessões. Reitero, colocação de incenso no Altar dos Perfumes não é ato previsto no REAA.
No ritual do GOB, em que pese esse Altar permanecer após ter sido usado para a consagração do espaço, sobre ele não mais é previsto nenhum ato litúrgico como, por exemplo, o de sobre ele acender vela ou queimar incenso.
Também no Altar dos Juramentos não existe queima de incenso.
Quando concluirmos o Sistema de Orientação Ritualística e a preparação para edição de novos rituais no GOB, provavelmente esses e outros elementos contraditórios e obsoletos serão então retirados, mas por enquanto não.

T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2019

INCINERAÇÃO DA PALAVRA SEMESTRAL


Em 20/07/20219 o Respeitável Irmão Henry Marinho, Loja D. Pedro I, 13, REAA, Grande Loja Maçônica do Maranhão (CMSB), Oriente de São Luís, Estado do Maranhão, apresenta a questão seguinte:

INCINERAÇÃO DA PAL. SEMESTRAL


Respeitabilíssimo Mestre Pedro Juk, meus respeitos e minhas saudações fraternais. Agradeço muito o envio do e-mail e aqui estou novamente. A fim de encurtar o seu tempo, vou expor o assunto que me trouxe à sua procura.
Trata-se dos procedimentos sobre à queima ritualística da Palavra Semestral.
Lembro-me de ter lido em algum lugar que este ato era realizado num dos cantos do Oriente, com o Mestre de Cerimônias levando o papel na ponta da espada e queimando após ordem do Venerável.
Por favor, nos ilumine, Mestre Pedro Juk.

CONSIDERAÇÕES.

É sabido que essa Palavra Semestral só é transmitida àqueles que possuem penhor de regularidade.
Não sendo um costume universal, essa prática teve sua origem na França e é ainda parte dos procedimentos nas Obediências que adotam principalmente ritos oriundos da vertente latina de Maçonaria.
Assim, geralmente de seis em seis meses, o Grão-Mestre emite uma palavra que serve como uma espécie de senha de reconhecimento para comprovar a regularidade do maçom (frequência e obrigações pecuniárias).
Devido ao seu caráter sigiloso, é comum que o papel que recebe a palavra por escrito seja destruído logo após ter ela sido transmitida na forma de costume. Com isso, geralmente essa destruição se dá por incineração diante de todos os presentes como prova de que ela desapareceu.
Entretanto, esse costume de destruí-la por incineração “in loco” paulatinamente tem sido abandonado pelas Lojas, sobretudo pelas circunstâncias de se poluir o ambiente com fumaça. Assim, a sua destruição fica a cargo do Venerável Mestre que preferencialmente a faz em lugar apropriado e fora do ambiente da sala da Loja.
Algumas Lojas, entretanto, no intuito de preservar essa tradição continuam a fazer a sua incineração dentro da Loja, não se importando com o desconforto que essa atitude porventura possa causar. Assim, se for esse o caso, destaco que não existe liturgia para a essa incineração. Também não existe nenhuma formalidade que aponte a existência de conotações esotéricas para esse ato.
Concluindo, destruir os vestígios materiais que possam existir envolvendo a Palavra Semestral é simplesmente um ato de proteger o seu sigilo. Para tal não há formalidade especial. Sem invencionices, como a de espetar a palavra feito um churrasco, basta fazer com que seu registro desapareça e fique só gravada na memória dos Irmãos.


T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2019

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

INGRESSO ANTES DO PRÉSTITO - MESTRE DE HARMONIA


Em 19/07/2019 o Irmão Gilbert Alessandro Povidaiko, Loja Cavaleiros em Ascensão, 3.004, GOB-SP, REAA, Oriente de Guarulhos, Estado de São Paulo, solicita esclarecimentos.

QUEM ENTRA POR PRIMEIRO


Tenho a seguinte dúvida: Na organização do préstito, no início dos trabalhos, quem entra no Templo, apenas o Cobridor Interno ou o Mestre de Harmonia também? Pergunto, pois é prática em nossa Loja a entrada conjunta destes 02 Mestre, e após as batidas na porta, ingressarmos com a execução de música (orquestrada) reproduzida pelo Mestre de Harmonia. Grato por antecipação e convidado a visitar nossa Loja quando estiver em nossa cidade.

CONSIDERAÇÕES.

Correto. As Lojas que fazem a Coluna da Harmonia funcionar têm por norma dar ingresso antes do préstito, por primeiro, junto ao Cobridor Interno, também o Mestre de Harmonia.
Isso é altamente recomendável e salutar já que a Música, a sexta das Sete Ciências e Artes Liberais da Antiguidade, sempre teve posição de destaque nos trabalhos maçônicos.
O Mestre de Harmonia está ali colocado para cuidar da harmonia, preparando com isso um ambiente propício para oportunidades em que há necessidade do seu ofício. Tanto isso é verdade que o cargo existe.
Obviamente que as músicas devem atender ao ambiente de trabalho maçônico. Assim o titular do cargo deve preparar uma trilha sonora compatível com a ocasião.
Dentre as ocasiões em que a Harmonia se faz presente está a do ingresso para a abertura e a retirada após o encerramento.
Concluindo, acho oportuno recomendar a obra denominada Coluna de Harmonia, autoria do Irmão Zaly Barros de Araújo, àqueles que estiverem revestidos nesse cargo.


T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2019

terça-feira, 22 de outubro de 2019

SIGNIFICADO DO LADO ESQUERDO


Em 19/07/2019 o Respeitável Irmão Augusto Fabiano de Souza Bernardino, Loja José Garibaldi, 36, REAA, GOMG (COMAB), Oriente de Nova Lima, Estado de Minas Gerais, solicita o seguinte esclarecimento:

LADO ESQUERDO.


Venho através deste e-mail tentar aclarar um questionamento que venho observando ao longo de meus estudos e trabalho em loja.
Estou terminando um trabalho para aumento de salário sobre a circulação em loja, durante o desenvolvimento do trabalho tendo a referência destrocêntrica relativa ao movimento diário do Sol como explicação da circulação no templo, cheguei a algumas observações enumeradas abaixo, que gostaria de saber se tem alguma correlação.
1 - A circulação em loja é feita no sentido horário, ou seja, da ESQUERDA para Direita.
2 - A transmissão da Palavra Sagrada é feita inicialmente pelo lado ESQUERDO.
3 - A Marcha de Aprendiz é dada com o pé ESQUERDO voltado o para o Ocidente e o primeiro passo é dado como pé ESQUERDO
4 - Em Cadeia de União a palavra semestral é transmitida pelo lado ESQUERDO.
Diante o exposto gostaria de saber se existe alguma correlação entre os procedimentos e qual a importância ou significado/simbologia do lado esquerdo para nós Maçons.

CONSIDERAÇÕES.

  1. Circulação - seguindo a marcha diária do Sol, o obreiro ao transitar no Ocidente, de uma para outra Coluna, o faz no sentido horário, isto é, girando na mesma direção que fazem os ponteiros do relógio. A perambulação em dextrogiro é feita tendo o ombro direito para o lado interno do círculo (ponto central imaginário).
- Como no REAA originalmente o Painel da Loja fica no centro do Ocidente, o mesmo é tido também como referência a circulação.
  1. Pal Sagrada - não existe uma regra pré-definida a indicar obrigatoriedade nesse ou naquele ouvido. Depende muito dos rituais. A transmissão pode se dar tanto pelos ouvidos esquerdos como pelos direitos. Reitero, conforme especifica cada ritual.
- Sob o aspecto iniciático a transmissão da Pal tem tudo a ver mesmo é com a forma de como ela é transmitida, soletrada ou silabada. O ouvido pelo qual ela é transmitida é o de menos importância.
  1. Marcha do Grau - avançar o pé esq é apenas uma conduta ritualística adquirida, provavelmente por influências marciais. Nada de especial nisso. Há ritos, inclusive que iniciam a Marcha do Grau com o pé dir.
No caso do REAA, a formação da esq com os pés denota que o ângulo interno do esquadro fique voltado para frente. Cada passo é dado normalmente, avançando-se por primeiro o pé esq, juntando em seguida o outro pelos cc. Não existe o arrastar de pés e nem o pé esq apontado para frente.
- No escocesismo, a disposição oblíqua do Pavimento Mosaico figuradamente orienta a posição dos pés (os quadrados oblíquos regulam os passos). A referência da Marcha é sempre sobre o equador do Templo, destacando-se que a sua direção de deslocamento é sempre do Ocidente em direção ao Oriente.
  1. Na Cadeia de União, que no REAA só é formada para a transmissão da Pal Sem, a Pal parte sempre do Venerável Mestre (sobre o equador) de modo sussurrado e no ouvido direito daquele que estiver imediatamente a sua esquerda, e no ouvido esquerdo daquele que estiver imediatamente a sua direita.
- Assim a Pal segue sucessivamente até encontrar o M de CCer colocado no lado oposto do círculo (sobre o equador e em frente ao Venerável). Nesse sentido, observe que não é só pelos ouvidos esquerdos que a Pal segue transmitida, mas também pelos ouvidos direitos (depende do lado que ela percorre). Em síntese, os da esquerda do Venerável a recebem nos seus ouvidos direitos e os da direita nos seus ouvidos esquerdos.
No tocante a importância do lado esquerdo para os maçons, eu diria que ele tem a mesma importância que o direito, ou seja, segue apenas regras para diferenciarem ou marcarem ações da liturgia e ritualística maçônica.
Há, porém, algo plausível nesse sentido quando nos referimos às perambulações em Loja seguindo giro dos ponteiros do relógio, já que isso significa, em linhas gerais, o mesmo que acompanhar a marcha da Luz, prática comum ao iniciado que sai das trevas do Ocidente em busca da Luz no Oriente (caminho iniciático).
Sendo, portanto, a Maçonaria uma Obra de Luz (busca do conhecimento), o dextrogiro se adéqua simbolicamente a esse objetivo, enquanto que o giro sinistrocêntrico (ao contrário) é evitado por simbolizar o oposto do conhecimento, ou as trevas da ignorância.
Por fim, cabe comentar que a Luz, sinônimo do esclarecimento, tem por objetivo combater superstições que só tendem a fazer o homem regredir, isto é, inverter o caminho ao contrário da evolução.


T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2019

domingo, 20 de outubro de 2019

NO GIRO A ORDEM DE ABORDAGEM NA COLETA


Em 19/07/2019 o Respeitável Irmão Carlos A. Sousa, Loja Antediluvianos, 3.534, REAA, sem mencionar o nome da Obediência, Oriente de Itaquá, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

ORDEM DE ABORDAGEM NA COLETA


Recentemente lendo a cartilha de dinâmica ritualística em dada pagina observei que a circulação seria Venerável Mestre, 1º e 2º Vigilantes, Orador, Secretário, formando estrela de 5 pontas; no entanto o Ritual Aprendiz fala que seria Venerável Mestre, 1º e 2º Vigilantes, Orador, Secretário e Cobridor Interno formando estrela de 6 pontas. A de 5 pontas fica mais célere e atende aos números dos graus simbólicos, já a de 6 tem um cunho esotérico. Qual realmente é a correta, a da cartilha ou o ritual?

CONSIDERAÇÕES.

Infelizmente ainda persiste a ideia anacrônica de que durante a circulação da bolsa no REAA o trajeto coincide com a formação de uma estrela de seis pontas, ou mesmo cinco como a mencionada na questão.
Na realidade nada disso existe, pois em qualquer das situações, seis ou cinco pontas, essa estrela ficaria disforme e sem nenhuma proporção em se seguindo os trajetos de costume. O que há na verdade é apenas uma relação com seis primeiros cargos que devem ser abordados.
Explica-se: por regra, primeiro abordam-se as cinco Dignidades da Loja e em seguida o Cobridor Interno. Antes, porém, é bom que se diga que Dignidades de uma Loja são “cinco” e não “sete” como desafortunadamente no GOB são confundidas com “cargos eletivos”. Assim, verdadeiramente as Dignidades de uma Loja são as três Luzes, compostas pelo Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilantes, mais o Orador e o Secretário.
No caso das abordagens por ocasião do giro das bolsas, soma-se às Dignidades ainda o cargo do Cobridor Interno. Com isso se completam os seis cargos que devem ser primeiramente abordados.
A presença do Cobridor Interno junto às Dignidades como o sexto cargo em importância se explica porque nenhuma Loja pode ser aberta sem a presença de um Cobridor, mormente para atender o legítimo Landmark do sigilo.
No caso do REAA, esses seis primeiros cargos somados ao cargo do Mestre de Cerimônias preenchem o número mínimo de sete Mestres necessários para se abrir uma Loja (três governam, cinco a compõem e sete a completam). Isso nada tem a ver com estrelas, nem de cinco, seis ou sete pontas.
Infelizmente, em relação ao giro da bolsa (de propostas ou de beneficência) criou-se a fantasia de que o percurso configura dois triângulos relacionados consecutivamente à espiritualidade e à materialidade, o que não passa de mera especulação, pois nada disso é autêntico na doutrina do REAA.
A explicação litúrgica mais apropriada para a sequência das abordagens é a de que ela se dá numa sequência hierárquica, ou seja, começando pelas Luzes, cuja detenção dos malhetes representam as autoridades da Loja, seguida da do Guarda da Lei que ali está para fazer cumprir a Lei, da do Secretário que ali está para registrar tudo o que se passa e, por fim, a do Cobridor que ali está para guardar e manter a cobertura do recinto.
Dessa forma, assim também estão descritos os seis primeiros cargos no Sistema de Orientação Ritualística do GOB, atualmente em http://ritualistica.gob.org.br/ instituído pelo Decreto 1784/2019 e publicado no Boletim Oficial nº 31 de outubro de 2019. Essa orientação então traz a seguinte ordem de abordagem para os seis primeiros cargos durante a circulação das bolsas de Propostas e Informações e de Beneficência: Venerável Mestre, 1º e 2º Vigilantes, Orador, Secretário e Cobridor Interno; depois os dois ocupantes das duas cadeiras de honra (se estas estiverem ocupadas), demais do Irmãos do Oriente, os Mestres da Coluna do Sul e da Coluna do Norte respectivamente, Companheiros, Aprendizes e, por último, auxiliado pelo Cobridor Interno o próprio Mestre de Cerimônias ou o Hospitaleiro conforme o caso.
Cabe mencionar ainda que em qualquer situação serão rigorosamente sempre os seis primeiros cargos mencionados a serem primeiramente abordados. Independentemente de quem esteja ocupando as cadeiras de honra, a coleta nesse momento será recolhida apenas do Venerável Mestre. Nem o Grão-Mestre, se estiver ao seu lado deposita junto com o Venerável. Reitera-se: os ocupantes das duas cadeiras de honra só serão abordados depois do Cobridor Interno.
Concluindo, o giro das coletas não possui nenhuma relação com “estrelas”, no caso, nem a de cinco e nem a de seis pontas.

T.F.A.

PEDRO JUK

OUT/2019

sábado, 19 de outubro de 2019

CONCESSÃO DE TÍTULOS HONORÍFICOS - REGIMENTO DE RECOMPENSAS


Em 17/07/2019 o Respeitável Irmão Ademir José Rocha Couzi, Loja Liberdade e Luz, 1.029, sem mencionar o nome do Rito, GOB-ES, Oriente de Guaçuí, Estado do Espírito Santo, faz a seguinte pergunta:

CONCEDER DISTINÇÕES HONORÍFICAS


Const. do GOB - Dos Direitos da Loja: Art. 26  - X Conceder distinções honoríficas. Art. 32  - III - São Honorários... O Venerável Mestre quis conceder esta Titularidade a dois ex-membros Regulares de nossa Loja. Foi questionado pelo Irmão Orador que não podia pelo fato de a Loja não ter um Regimento de Títulos e Recompensa e deu o processo como errado. Que não é o meu entendimento pois acho que pode pois consta na Constituição e RGF.

CONSIDERAÇÕES.

No caso do Grande Oriente do Brasil, os títulos e condecorações maçônicas previstos na Constituição são regulados pela Lei nº 88 de 21 de setembro de 2006 com a nova redação dada pela Lei nº 146 de 10/12/2013 publicada no Boletim Oficial do GOB nº 13 de 25/07/2014, com o título de Regimento de Recompensas.
Assim, remeto o Irmão a consultar a legislação vigente para saber se a sua súplica se enquadra no que está previsto.
Não tome essas considerações como laudatórias, sobretudo em se levando em conta de que o meu ofício não é o de interpretar Leis.


T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2019

VENERÁVEL MESTRE DEIXANDO O SEU LUGAR EM LOJA


Em 16/07/2019 o Respeitável Irmão Douglas Luciano Alves, Venerável Mestre da Loja Resplendor Unido, 1.202, REAA, GOB-MG, Oriente de Resplendor, Estado de Minas Gerais, apresenta o que segue:

VENERÁVEL FORA DO SEU LUGAR


Gostaria que o irmão esclarece uma dúvida:
Há alguns dias, usei o tempo de estudos para apresentar um trabalho sobre as novas orientações ritualísticas, disponibilizadas no GOB RITUALÍSTICA. No momento da apresentação do trabalho, saí do trono, e posicionei-me de pé, entre o altar dos juramentos e a balaustrada. De lá, como entendi que ficaria mais visível aos irmãos, e até mesmo, para facilitar a comunicação gestual e corporal, ministrei a instrução naquele local. Acho um tanto ante didático e cansativo ficar apenas sentado no trono e ler o trabalho. Porém, no momento da palavra a bem da ordem em geral e do quadro em particular, um dos irmãos, um Ex-Venerável, me chamou a atenção de forma veemente, perante a assembleia, dizendo que em hipótese nenhuma eu poderia sair do trono, que eu deveria ministrar a instrução, mesmo que optasse em faze-la de pé, deveria ter sido feita de lá.
No momento não quis polemizar a situação, até porque esse irmão é antigo na loja, mestre instalado, não quis debater com ele na frente dos outros irmãos, inclusive na presença de visitantes. Apenas disse a ele, que não encontrei nada na legislação que restringisse o meu deslocamento dentro do templo por ocasião do tempo de estudos. disse ainda que adotei aquela postura por questões didáticas, pois comunicamos muito através da expressão corporal, não somente da fala. Enfim, ele não aceitou muito...
Gostaria que, se possível, o irmão discorresse sobre o tema, dizendo-me se há algo na ritualística que proíba o venerável a ausentar-se do trono, no período necessário a realização de instrução, trabalhos, palestras, etc... Preocupo-me muito em obedecer a nossa ritualística, caso haja algo nesse sentido, iria cessar imediatamente a prática. Desde já agradeço a atenção e a consideração.

CONSIDERAÇÕES.

E continuamos a viver dos absurdos.
Digo absurdo porque não existe nenhuma regra, mesmo que consuetudinária, que proíba um Venerável Mestre, quando necessário, de se ausentar do sólio.
Seria talvez oportuno perguntar ao nosso Irmão crítico como faria então o Venerável Mestre ao ter que proceder a consagração de um Candidato, por exemplo? Ele o faria do seu lugar? E quando ele tivesse que cumprir a liturgia especificada no ritual que envolve outras práticas realizadas abaixo do sólio?
Há que se perguntar também: como procederia o Venerável Mestre durante a exposição da Lenda do Terceiro Grau? Onde ficaria o Venerável nessa oportunidade? No sólio? Parece que não, pois o Venerável tem que deixar o seu lugar para participar da cena no Ocidente da Loja!
Ainda mais, como faria o Venerável Mestre para entregar o malhete ao Grão-Mestre conforme a legislação? Teria ele que enviar o malhete por alguém já que, segundo o crítico, o Venerável não pode deixar o seu lugar?
Ora, ora, ora... Obviamente que isso não procede. Por certo que o Venerável Mestre pode deixar o seu lugar, desde que não seja em definitivo e nem afronte o ritual. Não há problema algum que ele se desloque pelo recinto para ministrar uma instrução e depois retorne ao seu lugar. Isso é perfeitamente exequível e livre de qualquer contestação.
Por fim, todos somos sujeitos às críticas, entretanto, é preciso que elas ocorram em momentos apropriados e avaliados quanto à sua necessidade. Chamar a atenção de outrem diante da assembleia não é atitude seguida de boa geometria. Seria mais apropriado, nesse caso, que o crítico procurasse o Venerável extra Loja para expor os seus argumentos. Idade é sinônimo de experiência. Por ela poderemos entender o porquê de a colheita se dar conforme a semeadura.


T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2019