quarta-feira, 27 de novembro de 2019

O PRIMEIRO VIGILANTE FECHA A LOJA. POR QUÊ?



Em 15/08/2019 o Respeitável Irmão Elierto da Silva Carvalho, Loja Acácia, 0177, REAA, GOB-RJ, Oriente de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, formula a seguinte pergunta:


PRIMEIRO VIGIANTE FECHA A LOJA


Nos Rituais de Aprendiz Maçom e Companheiro Maçom, quando da abertura da Sessão, o Venerável Mestre declara que a Loja está aberta no Grau de Aprendiz Maçom ou de Companheiro Maçom, mas no encerramento o 1º Vigilante declara que está fechada a Loja de Aprendizes Maçons ou de Companheiros Maçons. Poderia esclarecer o porquê?

CONSIDERAÇÕES.

Esse é um costume herdado da Maçonaria de Ofício (Operativa), ancestral da Moderna Maçonaria (Especulativa).
Na época dos Canteiros Medievais (guildas dos construtores) não existiam graus especulativos, porém classes de ofício. Eram apenas duas classes, a dos Aprendizes Admitidos e dos Companheiros do Ofício. Às Guildas do século X e XI deve-se o uso da palavra "loja" na Maçonaria.
Sistematicamente uma guilda de construtores era dirigida por um Companheiro escolhido entre os mais experientes. Esse dirigente levava o nome de Mestre da Obra e nada tinha a ver com o grau especulativo de Mestre Maçom como o que hoje conhecemos. O grau de Mestre especulativo só viria nascer na Moderna Maçonaria já no século XVIII (1725), enquanto que o Mestre da Obra do período operativo já era mencionado nos séculos X e XI.
Explicações à parte, a Moderna Maçonaria - especulativa por excelência - herdou muitos costumes dos nossos ancestrais. Assim, cabe, despido de fantasias e lendas, a seguinte explicação superficial:
Simbolicamente a Moderna Maçonaria trabalha alegoricamente num canteiro de obras estilizado e decorado conforme o rito, evidenciando as práticas operativas na transformação e aperfeiçoamento – do passado, onde a matéria prima era literalmente a pedra calcária, ao presente especulativo onde a pedra simboliza o próprio homem como matéria primitiva e passível ao aprimoramento.
Antes, quando os construtores se reuniam para efetivamente construir uma obra (igrejas, catedrais, abadias, etc.), os canteiros de obras eram abertos seguindo as regras e planos do ofício contratado (geralmente os ditados pela igreja-estado).
Assim, depois das conferências, averiguações e afins pertinentes ao ofício para o início dos trabalhos, em estando tudo "justo e perfeito", isto é, nos conformes com a exigência, o Mestre da Obra então mandava que se iniciassem os trabalhos intrínsecos àquela etapa da construção.
O canteiro de obra do passado - hoje especulativamente representado pela Loja - geralmente se distribuía por um imenso espaço cercado por cordas e paliçadas. Comumente de formato retangular, o canteiro tinha uma entrada principal que se divisava por dois postes mais altas e trazia junto ao poste da esquerda da entrada um depósito para guardar as ferramentas (almoxarifado). Denominava-se "lugar seguro". Nesse local é que ficava o primeiro auxiliar do Mestre da Obra e era conhecido então como 1º Warden (zelador). Como primeiro auxiliar, ele também era o responsável por pagar os obreiros ao final da jornada antes de despedi-los contentes e satisfeitos recomendado sua volta para o início da outra etapa (após o Inverno que se avizinhava). O título warden ficaria mais tarde conhecido como Vigilante.
Junto ao outro poste, o da direita da entrada, ficava o 2º Warden, ou o segundo auxiliar do Mestre da Obra. Era da sua responsabilidade receber e instruir os recém-admitidos no Ofício, assim como dispensá-los para a recreação e fazê-los retornar ao trabalho. Auxiliava também o 1º Warden na administração da construção – ambos verificavam o nivelamento e as aprumadas dos cantos. O 2º Warden, mais tarde ficaria conhecido como Segundo Vigilante (segundo auxiliar), destacando que o Mestre da Obra, especulativamente ficaria conhecido como Venerável Mestre – imemorial, espontâneo e universalmente aceito, esse é um verdadeiro Landmark da Ordem, o de uma Loja ser dirigida por três Luzes.
Em comparação aos costumes do passado é que em muitos ritos maçônicos, relembrando o período operativo, colocam o 1º Vigilante para fechar a Loja. É o caso, por exemplo do REAA quando revive inclusive as aprumadas e nivelamentos pela alegoria da transmissão da Palavra e faz com que ritualisticamente seja do 1º Vigilante o ofício de fechar a Loja no final da jornada de trabalho (especulativamente os trabalhos se encerram à Meia-Noite).
Por fim, nesse contexto, outras explicações aparecem, tal como o Segundo Vigilante instruindo os recém-iniciados (Aprendizes), a declaração para abrir e fechar condicionada ao jargão "justo e perfeito", as joias dos Vigilantes como instrumentos imprescindíveis para uma construção perfeita e durável (nivelada e aprumada) e a impropriedade do inverno para o trabalho (a Terra viúva do Sol). Tenho dito, nada está colocado na liturgia maçônica por acaso. Sem licenciosidade, para tudo há uma explicação racional.


T.F.A.

PEDRO JUK


NOV/2019

PROCESSO DE ADMISSÃO - ESCRUTÍNIO SECRETO


Em 15/08/2019 o Respeitável Irmão Marcos Antonio Rios Cruz, Loja Independência e Luz, 301, REAA, GOB-RJ, Oriente de Barra Mansa, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte questão:

PROCESSO DE ADMISSÃO.


Por que o Escrutínio Secreto do candidato não pode ser realizado assim que encerramos as prévias. Em minha Loja temos o costume de fazermos três prévias para colhermos o maior número de informações possíveis do candidato. Acho muito desagradável o candidato saber que foi indicado, pois, receberá a Proposta de Iniciação e dará andamento em documentações e certidões obrigatórias. Tal questionamento que faço é devido o candidato ter gastos com certidões, vestuário, calçados, etc. Fazendo o Escrutínio Secreto logo após as prévias, evitamos situações desagradáveis com o profano, em caso de recusa, pois, infelizmente temos Irmãos que não se manifestam em prévias e manifestam-se em escrutínios.

CONSIDERAÇÕES.

Porque existe toda uma legislação para ser cumprida. Houve inclusive mudanças recentes no processo de Iniciação – é importante conferir.
Assim, o processo de admissão deve andar conforme prevê o Regulamento Geral da Federação e os seus artigos correspondentes.
O decorrer do processo de Admissão envolve por primeiro o formulário de indicação do Candidato para consulta nos Livros. Em sendo possível dar prosseguimento, o formulário será fixado no edital no prazo previsto para só depois ser solicitada a entrega do restante dos documentos. Seguem-se então as sindicâncias com prazos previstos e, estando tudo nos conformes, é pedido o placet de iniciação do Candidato. Expedido este, procede-se a Iniciação. Recomenda-se a leitura dos Artigos 1º ao 34º do RGF atualizado, posto que, como mencionado, alterações houve no sentido de desburocratizar o processo – consulte o RGF in GOB LEX na página oficial do GOB.
Eu particularmente penso que antes de se fazer convite a alguém, sem que ele antes fique sabendo, deve seu nove ser aventado em Loja para essa possibilidade. Nesse caso, qualquer objeção ou fato que mereça atenção pode ser esclarecido antes, o que pode evitar constrangimentos no futuro. Em havendo ambiente favorável então o padrinho faz o convite e se inicia o processo conforme previsto na legislação.
Quanto à legislação, reitero que com a finalidade de desburocratizar, o RGF traz atualizações recentes para alguns artigos pertinentes ao processo de Iniciação, assim é preciso ficar atento.
Dando por concluído, alerto àqueles que porventura que venham se manifestar contrários no Escrutínio, devem fazê-lo seguindo rigorosamente os trâmites mencionados no RGF. O ato de votar contrário, sem dúvida é legítimo, mas deve estar fundamentado. Lembro que no Escrutínio Secreto somente tomam parte, membros do quadro, inclusive Aprendizes e Companheiros (parágrafo único do Art.º 17 do RGF). É de todo imprescindível o acompanhamento do processo pelo Orador, no caso do REAA.

T.F.A.

PEDRO JUK


NOV/2019

terça-feira, 26 de novembro de 2019

REAA - OCUPAÇÃO DO ORIENTE POR AUTORIDADES


Em 13.08.2019 o Respeitável Irmão Carlos Antonio de Oliveira da Silva, Loja Humanidade e Progresso, 3.623, REAA, GOB-PE, Oriente de Caruaru, Estado de Pernambuco, solicita o seguinte esclarecimento.

OCUPAÇÃO DO ORIENTE POR AUTORIDADES.


Em todas as sessões ordinárias, se a loja entrar ritualisticamente, os irmãos do quadro que são detentores de títulos (benemérito, grande benemérito, estrela da distinção,...) devem entrar com formalidades, ou poderão entrar em família e terem assento no oriente, (mesmo os que não são M\I\), ou só vão para o oriente os Irmãos visitantes, (autoridades, M\I\, detentores de títulos e recompensas).

CONSIDERAÇÕES.

Nas sessões ordinárias é obrigatório já estar hasteado o Pavilhão Nacional dentro do Templo. Em assim sendo, nenhuma autoridade, nem mesmo o Grão-Mestre Geral – Art. 2º do Decreto 1476/2016 que dispõe sobre o cerimonial para a Bandeira Nacional - será recebido com formalidade. Nas sessões magnas, o ingresso do Pavilhão Nacional se dá obrigatoriamente com formalidade atendendo ao Decreto já mencionado nos seus Artigos e parágrafos correspondentes. Assim, as autoridades têm o direito ingressar com formalidade antes da Bandeira Nacional.
No REAA as autoridades têm assegurados os seus lugares no Oriente da Loja conforme dispõe o título 1.3.2 – Planta do Templo, Ritual de Aprendiz Maçom em vigência, páginas 22 e 23.
O Regulamento Geral da Federação no seu Art.º 219, incisos I, II, III, IV, V e VI determina as faixas que correspondem às autoridades maçônicas.
Ainda o mesmo Regulamento, no seu Art.º 220, determina o tratamento das autoridades por suas respectivas faixas.
A despeito de que só ingressam no Oriente Mestres Maçons e, que por conseguinte, uma autoridade deva ser portadora do Terceiro Grau, a autoridade ocupa o Oriente em qualquer situação, sendo recebido na sua faixa e tratamento com as formalidades previstas nas sessões magnas (recepção de autoridades), ou sem formalidades em sessão ordinária quando ocupam seu lugares, também no Oriente, diretamente em respeito ao que prevê o Art.º 2º do Decreto 1476/2016.
Autoridades que preferirem entrar junto com os demais (em família), isto é, antes da abertura da Loja, preferencialmente ocupam os seus lugares destinados em Loja previstos no Ritual.
Vide também o título 2.7 Recepção de Autoridades e Portadores de Títulos de Recompensa, Ritual de Aprendiz do REAA em vigência, páginas 62 e seguintes, observando a ocupação das duas Cadeiras de Honra previstas no Decreto 1469/2016 que dispõe sobre a ocupação dessas cadeiras.
Com base nessas orientações o Irmão poderá prever a execução dessa liturgia não iniciática.


T.F.A.

PEDRO JUK


NOV/2019

OCUPAÇÃO DO ORIENTE POR DETENTORES DE TÍTULOS DE RECOMPENSA


Em 13/08/2019 o Respeitável Irmão Carlos de Oliveira, Loja Humanidade e Progresso, 3.623, REAA, GOB-PE, Oriente de Caruaru, Estado de Pernambuco, solicita esclarecimentos.

DETENTOR DE TÍTULO


Na Loja surgiu uma dúvida ritualística, após um questionamento de um irmão: um irmão da loja, que seja detentor de título de benemérito, grande benemérito ou outros, em não sendo Mestre Maçom, terá este assento no Oriente junto às autoridades.

CONSIDERAÇÕES.

Não é de minha expertise comentar assuntos relacionados a regimentos de recompensa, títulos e afins, até porque tenho minha opinião particular a esse respeito.
O que eu posso lhe adiantar é que sob o aspecto da liturgia do REAA, seguindo a tradição da sua senda iniciática, não se admite outros que não Mestres Maçons no Oriente de uma Loja aberta. Então, por uma questão lógica, não.
Aliás, é de se estranhar, na minha modesta opinião, a possibilidade de que alguém que não tenha atingido a plenitude maçônica (Exaltação ao 3º Grau) possa ser condecorado sob essas instâncias. Recomendo-o a perscrutar se isso é possível no Regimento de Recompensas do Grande Oriente do Brasil.
Assim, como esse não é um tema pelo qual dou preferência, só posso lhe responder, como ritualista, que no Oriente ingressam apenas iniciados portadores do grau de Mestre Maçom. Entenda-se que nos propósitos iniciáticos da Maçonaria, a Grande Iniciação se dá apenas após ter sido concluída pelo iniciado toda a sua jornada pelo Ocidente, do topo do Norte ao topo do Sul. Certamente isso só se dará quando ele de fato estiver apto para receber a chave para ingressar no lugar da Luz. Para o maçom, aplausos, medalhas e recompensas somente devem vir se ele comprovadamente merecer e depois de ter ele alcançado a plenitude maçônica.


T.F.A.

PEDRO JUK


NOV/2019



REAA - A SUA RELAÇÃO COM A ASTRONOMIA - ORIENTAÇÃO.


Em 12/08/2019 o Respeitável Irmão José Roberto D’Ambrozo, Loja Liberdade e Trabalho, 2.242, REAA, GOSP, Oriente de Piracicaba, Estado de São Paulo, apresenta a questão que segue:

REAA E SUA RELAÇÃO COM A ASTRONOMIA


Fui "fisgado" por assuntos astronômicos aos nove anos. Hoje beiro os 72 anos.
Pertenci à Associação dos Astrônomos Amadores de Piracicaba. Graças a essa Associação, Piracicaba conta com um Observatório Astronômico, muito ativo por sinal, dirigido pelo Astrônomo profissional, o Sr. Nelson Travinick. Ele administra aquele espaço cultural com muita dedicação. Nesse mês de julho, montou atrativa exposição para comemorar os 50 anos da ida do homem à Lua. Foi um sucesso!!!
É importante ressaltar a importância da conquista do espaço, pois tudo o que se descobre para subir, tem como efeito colateral a descida de tecnologia que beneficia a humanidade em todas áreas.
Mas, gostaria de sua sempre bem vinda opinião sobre as considerações abaixo.
Considerando que REAA é um Rito Solar.
1.    Considerando que a movimentação da Terra, em torno do Sol, deu base para elaboração desse Rito. (Onde o Sol nasce no Or\ e nas comemorações dos SSolst\ em BBanq\ RRit\ etc.).
2.    Considerando que a Terra é nossa plataforma de observação do Universo (Abóboda Celeste). 
3.    Considerando que o Templo é dividido em Or\ (parte material) e Oc\ (parte imaterial)
4.    Considerando que o 2º Vig\ pela planta baixa do Templo, está posicionado no meio do Oc\
5.    Considerando que é dali que o 2º Vig\observa o Sol no seu meridiano"
6.    Considerando que, pela Astronomia, meridiano é resultado do corte de um plano que passa pelos polos Norte e Sul da Terra dividindo-a em duas metades.
7.    Considerando que a Col\ do N\ do Templo contém o Polo Norte, e que a Col\ do Sul contém o Polo Sul.
8.    Considerando que Trópico de Câncer passa pela Col\ B\
9.    Considerando que o Trópico de Capricórnio passa pela Col\ J\
10. Considerando que o Equador passa pela parte central do Oc\
Diante dessas considerações, podemos afirmar que:
a)    Uma metade da Terra está à esquerda do 2º Vig\ indo dele até a porta do Templo?
b)    E que a outra metade da Terra está à direita do 2º Vig\ indo dele até a balaustrada?
c)    E que a Terra ocupa a totalidade do piso do Oc\ da Balaustrada até a porta de Entrada?

COMENTÁRIOS

O raciocínio está correto. Nesse caso, o Oriente é alegoricamente a morada da Luz. É essa a razão pela qual somente os que alcançam a plenitude lá podem ingressar.
Alegoricamente, o que acontece além desse limite é o espaço do abstrato, ou do espiritual, já o aquém é o espaço para o trato com o mundo material. Note que não existem Colunas Zodiacais nas paredes além da balaustrada. Isso se dá porque a revolução anual do Sol é percebida da face da Terra e não do lugar da Luz. Hipoteticamente o cruzamento do meridiano do Meio-Dia com o Equador é o ponto central de observação.
Elevar o Oriente para limitá-lo com o Ocidente, na verdade isso não deveria existir no REAA. O seu primeiro ritual simbólico, construído em 1804, não trazia essa diferenciação de ambientes – demarcado e elevado. Já expliquei bastante que esse é um enxerto haurido das extintas Lojas Capitulares.
Essa separação de ambientes se deu no primeiro quartel do século XIX para se adaptar ao Capítulo, num tempo em que o Grande Oriente da França evocou para si o governo do simbolismo e do Capítulo, ficando à mercê do Segundo Supremo Conselho (França) apenas os graus acima do 18º. Com isso o Oriente acabaria elevado e dividido por balaustrada também no simbolismo, o que originalmente nele não existia conforme o primeiro ritual criado em 1804 em França.
Mesmo com as coisas voltando mais tarde ao seu devido lugar, com todos os graus superiores – do 4º ao 33º - voltando à tutela do Supremo Conselho e os três graus simbólicos ficando originalmente com o Grande Oriente, o Oriente da Loja, no entanto, no simbolismo permaneceria à moda capitular, elevado e dividido como o conhecemos até os dias atuais – provavelmente para atender "as adoráveis distinções latinas".
Com isso, começaram as improvisações e acomodações que ocorreriam no aperfeiçoamento dos rituais a partir no final do século XIX e começo do século XX.
É interessante notar que o ritual de 1804, que seria publicado estimadamente em 1821 no Guia dos Maçons Escoceses, era baseado nos Rituais da Grande Loja dos Antigos ingleses[1]. Isso pode explicar o porquê da influência anglo-saxônica num rito de origem francesa como é o REAA. Atente-se que a vertente maçônica anglo-saxônica originalmente não separa o Oriente do Ocidente, tratando apenas o lado oriental como Leste e o Ocidental como Oeste. Assim, essa disposição, literalmente revela o Segundo Vigilante situado no meridiano do Meio-Dia (ponto mediano entre o Leste e o Oeste) para atender, inclusive, a dialética ritualística – "Onde tem assento o Segundo Vigilante? Ao Meio-Dia" (...) para observar a passagem do Sol no Meridiano...".
No caso do REAA, rito que teve o seu oriente adaptado à moda capitular, o Segundo Vigilante fica no espaço mediano Sul entre a balaustrada e a parede ocidental, sobretudo para atender ao perfil deísta do Rito que traz no seu arcabouço doutrinário principal a investigação da Natureza e melhoramento do homem como parte dela integrante.
Cabe lembrar que os Ritos de origem francesa, geralmente trazem os dois Vigilantes lado a lado no Sul e no Norte ao extremo do Ocidente (vide o Rito Moderno e o Rito Adoniramita, por exemplo). Até mesmo isso também pode ser reparado nos graus superiores do próprio REAA onde os Vigilantes tomam assentos em lugares simétricos no extremo do Ocidente. Já no seu simbolismo, seguindo a influência anglo-saxônica para se adaptar à estrutura da sua senda iniciática, o lugar do Segundo Vigilante também é colocado ao Meio-Dia como acontece nos trabalhos do Craft inglês, e norte-americano.
Concluindo, se essas colocações fossem de fato bem compreendidas, talvez não tivéssemos essa desenfreada e desmedida preferência de "alguns" por um ambiente mais elevado para o desfile de vaidades, às vezes. Se o Oriente, como antes, tivesse se mantido no mesmo nível do Ocidente após a extinção das Lojas Capitulares, talvez não tivéssemos tanto que nos preocupar com normas incomodativas para títulos e cargos de ocupantes do Oriente, que não os propriamente de ofício.


T.F.A.

PEDRO JUK


NOV/2019


[1] Primeiro Ritual do REAA que seria publicado no Guia dos Maçons Escoceses se daria pela volta de Grasse Tilly à França de retorno do EUA trazendo consigo as influências das Lojas Azuis norte-americanas que se baseiam na Grande Loja dos Antigos da Inglaterra (1751). Também o ritual se baseava no Regulador do Grande Oriente da França e nas práticas das Lojas Mães Escocesas de Avinhão, Marselha e Paris. Vide Guide des Maçons Écossais estimadamente de 1821; rituais ingleses antigos revelados na exposure dos Antigos The Three Distinct Knocks datado de 1760; rituais do Rito Francês Régulateur du Maçon e tradições das Lojas Mães Escocesas (cor vermelha, pilares).