sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

APLAUDINDO QUEM USA A PALAVRA

Em 02.07.2021 um Respeitável Irmão de uma Loja que pratica o REAA, GOB-AM, Oriente de Manaus, Estado do Amazonas, apresenta, através do New GOB Net, a questão:

 

APLAUSOS NO USO DA PALAVRA

 

Quando o Venerável Mestre, concede a "Palavra a Bem da Ordem em Geral e do Quadro em


Particular" é correto aplaudir o Irmão pela bateria do Grau?

 

CONSIDERAÇÕES

 

E assim prossegue o FEBEAMA, Festival de Besteiras que Assola a Maçonaria. A bem da verdade é indescritível onde chega à imaginação de alguns maçons.

Acredito que essa questão deva ser inerente ao REAA. Em assim sendo isso simplesmente não existe - não consta no ritual e nem no Sistema de Orientação Ritualística.

Inexistindo, não deve ser praticado por se tratar de pura obra da imaginação. Consulte a plataforma do GOB RITUALÍSTICO e, nele o Sistema de Orientação Ritualística - SOR. Note que nada disso ali se encontra. Enfim, nem quem concede a palavra aplaude, e nem que usa da palavra assim o faz.

O previsto é que a palavra seja pedida nas Colunas aos Vigilantes e no Oriente ao Venerável Mestre. Concedida a palavra o usuário procede na forma de costume e usa a palavra. Não há nenhum aplauso que acompanhe a prática.

 

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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DEZ/2021

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

USO DO BALANDRAU POR APRENDIZES E COMPANHEIROS

Em 01/07/2021 o Respeitável Irmão Fernando Rodrigues de Souza, Loja Virtude e Bondade, 146, GOB-AL, REAA, Oriente de Maceió, Estado de Alagoas, formula a seguinte pergunta:

 

BALANDRAU

 

O uso de balandrau é permitido entre Aprendizes e Companheiros em sessões ordinárias?


 

CONSIDERAÇÕES:

 

Alguns ritos maçônicos permitem o uso do balandrau, outros não. No caso do REAA ele é uma vestimenta permitida para todos os Irmãos nas sessões ordinárias, isto é, vestem-no Aprendizes, Companheiros e Mestres.

Obviamente que o uso do balandrau na Maçonaria deve seguir regras como a de ser de cor negra, sem nenhuma inscrição ou símbolo, talar (até os talões), manga comprida e abotoado no colarinho.

No que diz respeito à sua gradação negra, é porque o matiz alude à neutralidade. Para a Maçonaria nada existe de iniciático e esotérico quanto à sua cor.

Infelizmente aqui no Brasil alguns cultuam antipatia contra o uso do balandrau, talvez mais por questão cultural, já que o terno preto e camisa branca é o velho traje de missa da igreja que era usado com frequência no passado tupiniquim.

É bom que se diga que o terno preto - embora usem normalmente a parelha - também não é unanimidade na Maçonaria Universal, pois existem países em que os maçons se vestem conforme sua cultura e mesmo não adotam nem o terno e nem o balandrau, aceitando um traje compatível com os trabalhos maçônicos, desde que acompanhado do avental. A propósito, longe está a qualidade de um rito ser melhor do que outro porque uniformiza os seus obreiros. É bom lembrar que a verdadeira vestimenta do maçom é o avental e esse todos os ritos obrigatoriamente adotam.

A bem da verdade, embora alguns contestem, o balandrau acompanha a Maçonaria desde os tempos do ofício, a exemplo das Associações Monásticas e Confrarias Leigas até as Guildas de Construtores da Idade Média.

Como vestimenta de construtores, o balandrau é registrado já na primeira associação de ofício organizada como a dos Collegia Fabrorum, século VI a.C. que acompanhavam as legiões romanas para reconstruir o que a atividade bélica havia destruído durante as conquistas. Nesse caso, o balandrau como traje os diferenciava da vestimenta dos legionários.

Em tempo, vale ainda lembrar que não existia Maçonaria no século VI. A citação aqui é apenas para registrar o uso de uma indumentária e não o tornar como prova de existência da Maçonaria.

Deste modo, como se pode ver, o balandrau não é nenhum monstrinho que possa escandalizar alguns apaixonados pelo terno preto. Contudo, aqui no Brasil, cada rito determina o seu traje, portanto, sem nenhum juízo de valor, segue-se o que está previsto no regulamento e no ritual em vigência.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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DEZ/2021

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

TELHAMENTO OU TROLHAMENTO. QUAL É O TERMO CORRETO?

Através do New GOB Net, em 21/06/2021 o Respeitável Irmão Gustavo Velásquez Santos, Lojas União Araguarina, 924, GOB, Oriente de Araguari, MG e Justiça e Verdade, 1.459, GOB, Oriente de Capinópolis, MG.

 

TELHAMENTO OU TROLHAMENTO.

 

Qual é o termo correto na aferição, Telhamento ou Trolhamento?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Termo correto em Maçonaria é Telhamento, como consta na maioria dos rituais. Telhamento tem a ver com a "cobertura" do Templo. Portanto, cobre-se o Templo com telhas e não com trolhas.

O termo foi equivocamente difundido pela Maçonaria brasileira em tempos passados. Tem-se feito o possível para extirpar esse erro que se espalhou pela maçonaria tupiniquim, contudo, como uma erva daninha, vez por outra ele aparece.

A palavra telhamento é um neologismo maçônico consagrado. A cobertura dos trabalhos é um Landmark e trata do sigilo. Os oficiais encarregados da cobertura são os Cobridores - termo que tem tudo a ver com telhadura (telhamento). Assim, o Cobridor é quem cobre o Templo. Por exemplo, quem se retira é que tem o Templo coberto para si, no caso, coberto pelo Cobridor. Quem examina a qualidade maçônica de alguém procede o “telhamento”.

Trolha é a colher do pedreiro e, segundo bons dicionários, é também a desempoladeira que está muito longe, como objeto, de ser utilizado para cobrir o espaço para alguém. Trolha, como elemento simbólico na Maçonaria, alisa e significa aparar eventuais arestas que possam existir entre os Irmãos. Já a telha é o elemento utilizado para cobrir - dentre outros, proteger da chuva e das "goteiras".

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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DEZ/2021

TRABALHOS PROFANOS E TRABALHOS MAÇÔNICOS - USO DE NOTEBOOK NA LOJA

Em 09.06.2021 um Respeitável Irmão de uma Loja do REAA, GOB-AL, Oriente de Maceió, Estado de Alagoas, apresenta o que segue:

 

NOTEBOOK NA LOJA POR MOTIVOS DE TRABALHOS PROFANOS

 

Trabalho através de uma plataforma de atendimento on-line e preciso levar o notebook comigo para as sessões para que não precise faltar aos trabalhos maçônicos e também no
meu trabalho profano. Nesse caso, utilizar o notebook durante a sessão, para questões de trabalho profano, é permitido?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Caro Irmão, obviamente que isso não pode. Ora, durante os trabalhos maçônicos em Loja aberta é momento para trabalhos maçônicos. Não tem cabimento uma oficina trabalhando e um membro do seu quadro presente (assinou o livro de presença para os trabalhos maçônicos) executando ofício profano no decorrer dos trabalhos dentro da Loja.

Eu diria que isso, por si só, é alguma coisa que beira as raias do absurdo, nem merecendo comentários.

Se o compromisso profano for inadiável e coincidente com o horário da sessão da Loja, simplesmente não se comparece à sessão.

Aliás, se a performance do seu ofício profano exige sua atuação a qualquer hora, lamento dizer que o Irmão deveria ter esclarecido isso no seu processo de admissão e assim teria sido melhor ter deixado a sua iniciação para outra oportunidade.

Em se tratando dos trabalhos maçônicos e profanos, nesse caso é impossível conciliar as duas coisas ao mesmo tempo.

Concluindo, a Loja se sustenta pela dedicação ao trabalho dos seus obreiros, não se admitindo, por isso, que um obreiro seu registre a sua presença e, figuradamente, esteja ausente dos trabalhos.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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DEZ/2021

domingo, 19 de dezembro de 2021

VENERÁVEIS VITALÍCIOS E DONOS DE LOJA - MAÇONARIA FRANCESA DO SÉCULO XVIII

Em 04.06.2021 o Respeitável Irmão Ronaldo Fernandes, Loja Jacques DeMolay, 33, GLMES, REAA, Oriente de Vitória, Estado do Espírito Santo, apresenta a seguinte questão.

 

VENERÁVEIS VITALÍCIOS

 

Tenho buscado informações, como você nos ensina, fidedignas, sobre os Veneráveis vitalícios que existiu século XVIII em França.

Tenho curiosidade de conhecer como se dava, como era eleito, como era substituído, etc., o que se rotulou "donos de loja".

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Essa não é uma história que se possa contar em poucas linhas, pois ela é construída sofre fatos e acontecimentos pertinentes ao desenvolvimento da Maçonaria Francesa nos séculos XVIII e XIX.

Em resumo, os episódios se alinharam pelo aparecimento de dois ramos de Maçonaria em solo francês: um “stuartista” (escocesismo), livre, que não se sujeitava a nenhuma Obediência e a outra dependente da Primeira Grande Loja que fora fundada no ano de 1727 em Londres.

Essa última vertente francesa absorvia o sistema dos Modernos ingleses que
havia se expandido pelo continente europeu na época. Segundo alguns autores, na França a Maçonaria foi introduzida em Paris por volta de 1725 em uma Loja instalada por iniciativa de Charles Radclyffe, o Conde de Derwentwater e teria sido frequentada principalmente por maçons de origem irlandesa e jacobitas (católicos) exilados.

Desse modo, no curso da história as Lojas francesas ficariam então divididas em dois grupos – as Lojas derivadas do “stuartismo” e as derivadas da Grande Loja inglesa de 1717. Essas últimas que eram em menor número.

Embora sem existir ainda uma Obediência genuinamente francesa, em 1728 o Duque de Wharton, Ex-Grão-Mestre da Primeira Grande Loja londrina (1722 e 1723), foi reconhecido como o 1º Grão-Mestre dos maçons franceses, sendo sucedido por outros dois Grão-Mestres que eram também ingleses – James H. MacLean e Charles Radclyffe (todos ingleses).

Em 1735, pelo grande número de Lojas stuartistas (tronco do escocesismo) então surgidas, pleiteou-se a necessidade de se designar um Grão-Mestre para uma Obediência genuinamente francesa, com isso as poucas Lojas de Paris ligadas à 1ª Grande Loja em Londres acabariam fundando uma Loja Provincial Na França, mesmo que a contragosto dos ingleses.

Assim, a 24 de junho de 1738 era instalado Louis de Pardaillan de Gondrin, o Duque d’Antin como “Grão-Mestre Geral e Perpétuo dos Maçons do Reino da França”. A bem da verdade, esse acontecimento estancava a subserviência da Maçonaria francesa à Primeira Grande Loja londrina.

Mais tarde, no curso dos acontecimentos e com o falecimento do Duque d’Antin em 1743, assume o grão-mestrado francês o personagem Louis de Bourbon Condé, o Conde de Clermont.

Esse grão-mestrado, contudo, trouxe consequências graves para a Maçonaria francesa, sobretudo pelo seu desinteresse pelas práticas maçônicas, o que fez com que fossem nomeados prepostos para dirigir a Grande Loja, cujos quais exercendo todo o seu poder, acabariam por fraccionar a recém criada Obediência francesa, principalmente pelas oposições que entre si eles mesmo provocavam.

Nesse contexto, pode-se citar como exemplo, o extraordinário tumulto ocorrido na festa dedicada a São João Evangelista em 27 de dezembro de 1766, quando maçons excluídos por motivos de rixas internas invadiram o local onde se realizavam os trabalhos. Houve necessidade de intervenção policial para que a ordem pudesse ser restabelecida.

O resultado desse tumulto foi a proibição das atividades maçônicas que durariam até 1771 (cinco anos de paralização).

Em 1771, com o falecimento do Conde de Clermont, muitos maçons que haviam sido excluídos, conseguem o aval do Duque de Luxemburgo para conduzir Louis Philippe Joseph d’Orléans, o Duque de Chartres, primo do rei, para ser o Grão-Mestre da França, contudo esse Grão-Mestre deixa toda a administração da Grande Loja francesa para o Duque de Luxemburgo. A bem da verdade, era essa a intenção, pois visava-se aproveitar o prestígio do Duque de Chartres, que era primo do Rei, para ajudar a reerguer a então combalida Maçonaria francesa – proliferação e descontrole de Altos Graus e a fundação de centenas de Lojas com veneráveis vitalícios que ficariam conhecidos como “donos de loja”.

Ainda em 1771, um grupo de maçons, então reintegrados e consorciados com o Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente que havia sido criado em 1758 por Pirlet, formam uma comissão com a finalidade de organizar uma reforma administrativa na Maçonaria francesa, elaborando assim novos estatutos para fazer uma reorganização na desordem que prevalecia no ambiente dos Altos Graus, dentre outros.

Destaca-se nessa reforma administrativa a introdução de eleições periódicas para Venerável Mestre, o que desagradou de imediato os tais “veneráveis vitalícios”, também conhecidos como donos de Lojas, comuns nas lojas parisienses como já comentado.

Esses veneráveis vitalícios nada mais eram, de fato, do que donos das suas Lojas já que na conturbada organização da Maçonaria francesa, muitos criavam suas próprias Lojas e assumiam seus mandatos pela vida toda, isso quando não criavam ainda Altos Graus para se promover perante a aristocracia francesa.

Esses Veneráveis com mandatos para a vida inteira acabariam resistindo contra essa reforma e por isso se ligaram a outra Grande Loja que ficaria conhecida como a Grande Loja de Clermont ou o Capítulo de Clermont. Esse Capítulo, que fora criado em 1754 pelo Cavaleiro de Bonneville, objetivava sacramentar definitivamente uma classe especial de maçons com os seus Altos Graus, dando-lhes, principalmente, uma conotação aristocrática. Teve vida efêmera e acabou se extinguiu-se em 1789.

Por conta das reformas, no final do ano de 1771, uma assembleia especialmente convocada para esse fim, declarava extinta a Grande Loja da França e, em 1772 era criada uma nova Obediência denominada Grande Loja Nacional da França. Ainda nesse mesmo ano, a 22 de outubro, a Grande Loja Nacional da França se reunia em assembleia geral e adota para si no nome de Grande Oriente da França.

Nesse sentido, a grande inovação promovida, agora pelo Grande Oriente da França, foi a chamada “democracia maçônica” que é baseada num poder central assessorado por um grupo de deputados de todas as Lojas. Enfim, esse tem sido, desde então, uma característica dos Grandes Orientes.

Vale mencionar que já ano de 1758 era criado por Pirlet o Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente. Desse Conselho se originaria em solo francês o Rito de Perfeição, ou Heredom, com 25 graus. A bem da verdade uma concepção organizada para organizar o caos que vivia o sistema de Altos Graus na França.

É bom que se diga que boa parte desses Altos Graus foram criados aleatoriamente por “donos de lojas” e serviam mais para explorar as vaidades e satisfazer egos do que trazer crescimento iniciático.

Assim, em 1778 o Grande Oriente da França nomeia uma comissão de maçons esclarecidos para realizar um profundo estudo do sistema de graus vigente, visando com isso eliminar doutrinas estranhas ao pensamento maçônico, principalmente.

Na realidade, o que se buscava era um Rito com menor número possível de graus em contraposição ao emaranhado de graus existentes no contexto francês de Maçonaria.

Depois de três anos essa comissão concluiu que o melhor para o Rito era trabalhar apenas no franco-maçônico básico – Aprendiz, Companheiro e Mestre (o termo simbolismo ainda não era conhecido). Mas, infelizmente, para não fugir à regra latina, o Grande Oriente “achou” que isso poderia gerar descontentamentos e até mesmo cisão, tendo em vista o grande número de maçons existentes já condecorados com os Altos Graus. Com isso, mesmo antes de um parecer oficial, a comissão achou por bem renunciar.

Refletindo melhor sobre a situação, o Grande Oriente acabou acatando o parecer da comissão e expediu uma circular em 03 de agosto de 1777 na qual declarava que só reconheceria os 3 primeiros graus.

Foi o que bastou para que aflorassem enormes ressentimentos no seio da Maçonaria Francesa, pois a contaminação pelo amor a esses graus de paramentos vistosos estava por demais radicado. Para muitos maçons do Grande Oriente, sobretudo aqueles que tinham perdido o cargo de venerável vitalício, a redução de graus os levaria ainda mais a um caráter de inferioridade.

Assim, mais uma vez, diante dos descontentamentos aflorados, é que em 1782 o Grande Oriente instituiu uma Câmara dos Graus, sob a liderança de Alexandre Roëttiers de Montaleau, para formatar o Rito dando-lhe Altos Graus, porém apenas os essenciais. Com isso, em 1784 sete Lojas Capitulares Rosa-Cruz constituem o Grande Capítulo Geral da França para trabalhar nessa nova formatação capitular. Em 1786, um projeto de um Rito com apenas 7 Graus seria aprovado pela assembleia e posto em prática.

A título de ilustração, é somente em 1801, época pós Revolução Francesa, com a publicação do Le Régulateur du Maçon, é que o Rito Francês passa a ter os seus rituais e fica conhecido com sistema dos 7 graus do Grande Oriente da França.

Em 1804 a vertente maçônica francesa do escocesismo passa a ter em Paris o 2º Supremo Conselho do REAA, cujo Rito, herdado do Rito de Perfeição, ou de Héredon, com seus 25 Graus que passa para 33 Graus nos EE. UU. da América do Norte, passa a ser chamado de Escocês, Antigo e Aceito.

Aí começa um segundo capítulo da Maçonaria Francesa com uma Loja Mãe Escocesa, Lojas Capitulares em 1816 e o ingresso do 1º ritual para o simbolismo do REAA no Grande Oriente da França.

Desse modo o simbolismo do REAA constrói a sua história na Europa a partir do seu primeiro ritual para o franco-maçônico básico datado de 1804 e já deturpado em 1821 por imposição do Grande Oriente da França ao adaptá-lo para Loja Capitular, mas essa é outra história.

Ainda sobre o Rito Moderno, o mesmo passaria ainda por revisões no curso da sua história, principalmente entre os séculos XIX e XX a exemplo da de Murat, em 1858; Amiable, em 1887; Blatin, em 1907; Gérard em 1922; Groussier, em 1946.

Foi então do ambiente conturbado da Maçonaria francesa do século XVIII, principalmente antes da Revolução Francesa, que os Veneráveis vitalícios – que criavam suas próprias Lojas – se desenvolveram e desapareceram após a reforma e a criação do Grande Oriente da França, oportunidade na qual Veneráveis Mestres passavam a ser eleitos pelos membros das Lojas.

Graças a esses acontecimentos, onde a depuração fez com que muitos maçons perdessem seu irregular status simbolizado por aventais vistosos e títulos hauridos de graus aristocráticos e cavalheirescos é que surgiu, em 1777, a Palavra Semestral como penhor de regularidade na Maçonaria francesa.

A história, mesmo que contada de modo superficial, carece muitas vezes de abordagem em tópicos que construíram as causas dessa mesma história. Assim, peço perdão pela prolixidade, mas foi o modo mais abreviado que pude encontrar para dissertar um pouco sobre a existência no passado dos então chamados “donos de loja” e os seus “mandatos vitalícios”. Na academia da história, muitas vezes os fatos somente se explicam quando lhes revelamos a sua causa.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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DEZ/2021

sábado, 18 de dezembro de 2021

TRABALHO DE APRENDIZ SOBRE O CARGO DE VENERÁVEL MESTRE

Em 03/06/2021 o Respeitável Irmão Valmir Heleno, Lima, Loja Liberdade e Glória, 4.033, REAA, GOB-BA, Oriente de Glória, Estado da Bahia, apresenta a dúvida seguinte:

 

TRABALHO DE APRENDIZ SOBRE O VENERÁVEL MESTRE

 

Gostaria de tirar uma dúvida. No meu tempo de Aprendiz a gente não poderia apresentar um trabalho falando do Venerável Mestre. Ontem em reunião um Aprendiz apresentou seu trabalho em Loja falando sobre o Venerável Mestre. Me dirigi ao 1º Vigilante e falei que o Aprendiz só poderia apresentar Trabalho sobre tema Aprendiz mesmo que ele tenha 4 meses de Iniciado como ele consentiu o Aprendiz apresentar uma peça acima do seu Grau se ainda não tinha conhecimento. (Na minha opinião não pode, mais gostaria da opinião do Irmão.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Entendo que vai depender do que o Aprendiz abordou no seu trabalho. Se for algo que envolva história, origens desse cargo, etc., e não tenha se enveredado para aspectos velados como, por exemplo, da Instalação e do próprio grau de Mestre Maçom, é perfeitamente possível e natural essa abordagem por um Aprendiz. Eu diria, até salutar.

Vale mencionar que o Venerável Mestre é também o dirigente da Loja em que
o Aprendiz faz parte do quadro, portando não há nenhum problema nesse sentido. O próprio RGF, inclusive, menciona as obrigações e os direitos do Venerável Mestre, destacando que esse Diploma Legal é aberto a todos os maçons da Obediência, sejam eles Aprendizes, Companheiros ou Mestres.

Aliás o tema que envolve cargos em Loja é matéria importante para que os praticantes do 1º Grau de início já conheçam a organização iniciática e administrativa da Loja. É, inclusive matéria abordada em livros que compõem as bibliotecas maçônicas.

Assim, não há o porquê de se escandalizar com o tema abordado pelo Aprendiz, desde que ele não tenha avançado por veredas que ainda não lhe digam respeito.

Completando, lembro que a Maçonaria Brasileira já viveu sua noite dos mil anos (como ficou conhecida a Idade Média pela sua obscuridade) por um bom tempo, isto é, caminhava no passado ainda sustentada por folguedos, crendices e superstições, coisa natural de uma época em que muito pouco se sabia sobre a história da Sublime Instituição. Hoje, graças às luzes do esclarecimento, mas sem ferir nossas tradições, usos e costumes, muitos desses conceitos anacrônicos, a bem da Ordem, academicamente perderam guarida diante da razão e da verdade, preceitos que amparam a Moderna Maçonaria.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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DEZ/2021

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

COLUNAS ZODIACAIS - ORDEM DE ARQUITETURA

Em 02/06/2021 o Respeitável Irmão Wanderley Gonzatto, Loja Marechal Deodoro, 31, REAA, GLMRGS, Oriente de Caixas do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, formulou a seguinte questão:

 

ORDEM DE ARQUITETURA DAS COLUNAS ZODIACAIS

 

Parabéns pela qualidade do conteúdo, tanto em abrangência, como em profundidade! Uma dúvida: Qual, ou quais as ordens arquitetônicas das colunas zodiacais?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

As colunas zodiacais, elementos simbólicos que representam no REAA, como um rito solar, a revolução anual do Sol, constroem uma alegoria iniciática relativa à jornada do iniciado, isto é, compara as etapas iniciáticas aos ciclos da Natureza.

Na verdade, esses pilares seccionados em meias-colunas marcam, ou projetam, na base da abóbada as doze constelações do Zodíaco.

Cada grupo de três constelações, a partir de Áries, sob o ponto de vista do hemisfério Norte, se identifica como uma estação do ano. No caso, a primavera a partir de 21 de março.

Quanto a ordem de arquitetura das colunas zodiacais, não há para elas nenhuma ordem específica. Alguns rituais adotam colunas Jônicas, outros Coríntias, outros ainda com capitéis que não expressam nenhuma ordem. Há ainda aqueles que trazem apenas as constelações zodiacais representadas na base da abóbada.

De fato, o que é importante é que as Colunas sejam em meia secção longitudinal e apareçam equidistantes encravadas nas paredes Norte e Sul do Templo, isto é, do canto ocidental até a balaustrada em ambos os lados do Ocidente. Não existem colunas zodiacais no Oriente.

Vale mencionar que nos rituais primitivos do REAA essas colunas nem mesmo eram mencionadas, importando sim é que as constelações do Zodíaco aparecessem na decoração setentrional e meridional da abóbada.

Somente mais tarde é que as constelações da base da abobada acabariam sendo também representadas pelas doze colunas. Muitos rituais do REAA adotados na Europa, por exemplo, não trazem essas Colunas, restringindo-se apenas a marcação na base da abóbada do emblema zodiacal.

Assim, quanto a ordem de arquitetura das doze colunas, originalmente não há para elas nenhuma padronização, salvo se o ritual trouxer algum padrão nesse sentido.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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DEZ/2021