segunda-feira, 23 de outubro de 2017

TRATAMENTO DO VENERÁVEL SUBSTITUTO

Em 02/08/2017 o Respeitável Irmão Gedir Sardino Lima, Loja Prof. Hermínio Blackman, 1.762, sem mencionar o nome do Rito e Obediência, Oriente de Vila Velha, Estado do Espírito Santo, solicita o seguinte esclarecimento:

TRATAMENTO DO VENERÁVEL SUBSTITUTO.


Caso possa favor responder: Que tratamento deve ser dado a um Mestre Ma
çom 1º Vigilante de ofício quando presidindo uma sessão na ausência do Venerável Mestre. Segue-se o ritual chamando-o de Venerável Mestre? Ou dá-se outro tratamento. O fato de estar presidindo uma sessão dá a ele o direito de ser chamado de Venerável Mestre?

CONSIDERAÇÕES

Deixemos os excessos de preciosismo de lado.
O substituto precário é tratado também como Venerável Mestre. Esse é apenas um tratamento surgido por uma situação em que o Venerável de ofício está ausente, portanto quem dirige a Loja nessa oportunidade é assim tratado, a despeito de que essa situação não dá ao substituto legal a condição de ser o Venerável Mestre de ofício (definitivo).
Tratar o substituto como Venerável é de fato trata-lo pelo cargo que eventualmente ele está exercendo naquela oportunidade.
Assim, não existe nenhum tratamento especial para essa ocasião.
Além do mais é sabido que se porventura houver impedimento definitivo do Venerável Mestre, realiza-se uma nova eleição e, por conseguinte uma nova instalação ou, se for o caso, uma reassunção.


T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2017

terça-feira, 17 de outubro de 2017

SIGNIFICADO DA PAL.'. SAGR.'. DO MESTRE - REAA.

Em 01/08/2017 o Respeitável Irmão Perílio Barbosa Leite da Silva, Loja Arte e Virtude, REAA, GOB-MG, Oriente de Lajinha, Estado de Minas Gerais, formula a seguinte questão:

SIGNIFICADO DA PAL\ SAGR\ DO MESTRE - REAA


Gostaria de saber a real Pal\ de Pas\ no Grau de Mestre Maçom. Com o saudoso Irmão Antônio Gouvea aprendi que a palavra é M\ (que em hebraico significaria a c\ s\ d\ dd\ oo\), entretanto, um Irmão de uma coirmã vizinha insiste em dizer que a palavra seria M\ (com outra variação), pois segundo ele foi como aprendeu em 1987 e que seria em referencia aos Moabitas. Afinal qual é a real e qual é invencionismo:

CONSIDERAÇÕES.

Vamos lembrar primeiro que a palavra M\ não é a de Pas\ do Terceiro Grau no REAA\, mas a Pal\ Sagr\.
Na realidade existe um grande equívoco em se afirmar que M\, Pal\ Sagr\ do Mestre no REAA\, corresponda literalmente à tradução em hebraico da frase “a c\ s\ d\ dd\ oo\”. O termo M\, tal como tem sido comumente ensinado, sem variação alguma (até como a mencionada na questão), se deriva do vocábulo “moabita”, ou os habitantes da região de Moabe.
Esclarecendo melhor essa origem, o termo “moabita” advém de um povo nômade que habitou a região de Moabe ao leste do Mar Morto por volta do século XIII a. C. Segundo a Bíblia os moabitas foram combatidos e subjugados pelo Rei Davi, entretanto readquiriram a sua independência em razão dos cisma que envolveu as doze tribos de Israel. Tempos mais tarde a região de Moabe seria anexada como parte da província romana da Arábia.
Um dos principais eventos que envolvem a origem do povo moabita, segundo Gênesis, 19; 30-38, foi um incesto promovido pela filha mais velha de Ló, sobrinho de Abraão, logo em seguida à destruição de Sodoma e Gomorra.
Conforme conta a história bíblica, logo depois de ser retirado de Sodoma pelos anjos, Ló dirigiu-se para as montanhas e passou a habitar em uma caverna. Sua filha mais velha, dialogando com a irmã mais nova, argumentou que o pai, Ló, já era um homem bastante idoso e não havia tido nenhum outro filho homem para dar continuidade na ascendência do pai - fato que o povo da época levava muito a sério.
Assim, as filhas tramando embebedaram o pai e com ele “se deitaram”, concebendo cada uma um filho do próprio pai. A mais velha gerou Moabe, patriarca do povo moabita e a mais nova gerou Bem-Ami, patriarca dos amonitas (povo de Amom).
Vale mencionar ainda que foi devido ao episódio da destruição de Sodoma e Gomorra que Ló ficou viúvo, isso porque quando a cidade estava sendo destruída por Deus, o Senhor ordenou que Ló e sua família fossem embora e não olhassem para trás. Contudo, quando estavam saindo, a esposa de Ló em desobediência voltou seu olhar para trás e virou uma estátua de sal – seu espírito ainda estava ligado àquele lugar pecaminoso.
A despeito dessa narrativa bíblica, é fácil se perceber que a palavra M\ utilizada na Maçonaria, além de uma tradução equivocada e fantasiosa, nada tem a ver com o contexto da Lenda do Terceiro Grau, já que em nenhum trecho da narrativa lendária maçônica existe alguma referência à Moabe e os moabitas.
Provavelmente isso aconteceu porque alguns descuidados e imaginosos compiladores latinos de rituais, se utilizando da lei do menor esforço, simplesmente criaram a palavra M\ com base na fonética do termo inglês “marrow in bone” e dela fizeram a corruptela que ficou conhecida como uma Pal\ Sagr\ do REAA\.
Para justificar o vocábulo M\ na Lenda de Hiran, absurdamente inventou-se para ele uma suposta tradução do hebraico como sendo “a c\ s\ d\ dd\ oo\”.
Já o termo marrow in bone (origem da corruptela M\), ou “tutano no osso”, de fato tem a ver com a alegoria lendária que envolve a morte mítica de Noé e a tentativa dos seus três filhos em ressuscitá-lo – essa lenda é muito similar à Hirâmica, sendo inclusive defendida por muitos respeitáveis autores como ancestral da Lenda do Terceiro Grau criada na Moderna Maçonaria.
Obviamente que no conteúdo da Lenda Hirâmica a frase “a c\ s\ d\ dd\ oo\” é perfeitamente ajustável, mas daí querer justifica-la como a tradução hebraica do vocábulo M\, de fato não faz sentido algum.
Assim, a palavra M\, longe de ser uma tradução do hebraico, subsiste melhor se justificada como uma corruptela surgida da pronuncia da locução inglesa marrow in bone - tutano no osso, ou no contexto da lenda, ainda há tutano no osso.
Já uma relação como o termo moabita ela pode até parecer viável, entretanto essa origem não se adapta sob nenhuma hipótese ao contexto literário da Lenda do Terceiro Grau, pois é sabido que no seu conteúdo não existe nenhuma referência à Moabe e aos moabitas.
Como à moda latina uma mentira contada muitas vezes acaba se parecendo com verdade, M\ acabou consuetudinariamente se tornando um vocábulo reconhecido como a Pal\ Sagr\ do Mestre no REAA\.
Outros comentários correlatos poderão ser encontrados no Blog do Pedro Juk em Perguntas e Respostas no título “MB no Avental”.


T.F.A.


PEDRO JUK




OUT/2017

sábado, 14 de outubro de 2017

AUMENTO DE SALÁRIO

Em 01/08/2017 o Respeitável Irmão Perílio Barbosa Leite da Silva, Loja Arte e Virtude, REAA, GOB-MG, Oriente de Lajinha, Estado de Minas Gerais, formula a seguinte questão:

AUMENTO DE SALÁRIO


Existe algum procedimento ritualístico para aumento de salário de Aprendizes e Companheiros no REAA?

CONSIDERAÇÕES.

Os métodos de avaliação de um Obreiro para aumento de salário conforme previsto no Regulamento Geral da Federação devem ficar a critério dos Mestres da Loja em geral e da Comissão de Admissão e Graus em particular.
Afinal, além do Vigilante correspondente, conforme menciona o ritual, é também de responsabilidade dos outros Mestres instruírem os aspirantes à mudança de graus.
Seria muito comodismo, a meu ver, ter que existir um manual com procedimento ritualístico para tal.
A Comissão de Admissão e Graus é quem deve preparar uma grade de instrução abordando, história, filosofia liturgia e ritualística do grau, sem esquecer também dos aspectos legais previstos nos dispositivos constitucionais da Obediência e do Regimento Interno da Loja.
Em linhas gerais, regimentalmente os procedimentos legais para a Elevação ao grau de Companheiro estão previstos no Regulamento Geral da Federação com o seguinte conteúdo, destacando-se o Art. 35, § 1º:
Art. 35. O Aprendiz para atingir o Grau de Companheiro frequentará durante doze meses Lojas do Grande Oriente do Brasil com assiduidade, pontualidade e verdadeiro espírito maçônico. O responsável por sua instrução maçônica (o grifo é meu) pedirá que o Aprendiz seja submetido ao exame relativo à doutrina do Grau.
§ 1º. Será exigido, no mínimo, que o Aprendiz elabore um trabalho escrito, a ser devidamente analisado pela Comissão de Admissão e Graus. A Loja fará também um questionário sobre os conhecimentos adquiridos pelo Aprendiz e permitirá que se façam arguições orais (o grifo é meu). Concluído o exame, o Aprendiz terá o Templo coberto e a Loja passará ao Grau de Companheiro. O Venerável Mestre abrirá a discussão sobre o exame prestado. Em seguida colocará em votação o pedido de colação ao Grau de Companheiro o qual será decidido pela manifestação da maioria dos Irmãos do Quadro presentes à sessão.
No que diz respeito à Exaltação, exara o mesmo Diploma Legal, destacando-se o Art. 36 § 1º:
Art. 36. O Companheiro que tenha frequentado, em sessões ordinárias, Lojas do Grande Oriente do Brasil com assiduidade, pontualidade e verdadeiro espírito maçônico, durante seis meses, pelo menos, e assistido a no mínimo quatro sessões de instrução do grau (o grifo é meu) poderá, a pedido do responsável pela sua instrução maçônica (o grifo é meu), ser submetido a exame relativo à doutrina do grau para atingir o Grau de Mestre.
§ 1º. Será exigido, no mínimo, como instrução que o Companheiro elabore um trabalho escrito, que será devidamente analisado pela Comissão de Admissão e Graus e que a Loja faça um questionário sobre os conhecimentos adquiridos, sendo permitido também arguições orais (o grifo é meu). Após análise e findo o exame, o Companheiro a terá o Templo coberto, passando a Loja a funcionar em Sessão de Mestre. O Venerável Mestre abrirá a discussão sobre o exame prestado e, encerrada esta, colocará em votação o pedido de colação ao Grau de Mestre, o qual será decidido pela manifestação da maioria dos Irmãos do Quadro presentes à sessão.
Transcritos os textos dos Artigos correspondentes acima, deixei partes sublinhadas para dar ênfase às responsabilidades da Loja nesse particular, destacando que além das instruções previstas no ritual, o conteúdo do programa instrutivo será elaborado pelas Oficinas.
Não existe nada pronto sobre a mesa.


T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2017.


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

FALAR À VONTADE

Em 01/09/2017 o Respeitável Irmão João Pires Castanho, Loja Fraternidade Sãoroquense, 3.931, REAA, GOSP/GOB, Oriente de São Roque, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

FALAR À VONTADE


Vejo em muitas Lojas uma situação que me causa dúvidas, quando se faz uso da palavra o Irmão compõe o Sinal de Ordem e faz as referencias de praxe, e quando vai começar a falar o Venerável o dispensa do Sinal, ao terminar sua fala, vejo que a maioria, pra não dizer todos, compõe novamente o Sinal e o desfaz antes de sentar. Minha interpretação é que existe aí uma confusão, pois na verdade o Irmão deveria falar à Ordem, e ao terminar desfazia o sinal e sentaria. Não vejo lógica para compor e desfazer o Sinal ao sentar-se. Gostaria que o Irmão me esclarecesse essa questão.

CONSIDERAÇÕES.

O que realmente não tem muita lógica é o que muitos Veneráveis Mestres andam fazendo por aí quando indiscriminadamente ficam dispensando o Sinal para aqueles que usam a Palavra sem qualquer motivo.
Na realidade estão transformando um procedimento ocasional em um corriqueiro.
A regra no REAA\ é a de que quando um obreiro estiver em pé e parado em Loja aberta ele estará obrigatoriamente à Ordem (corpo ereto, pés em esq\, compondo o Sinal).
Assim, quando alguém estiver em pé e parado, no caso usando a palavra, esse alguém fica à Ordem. Concluindo a sua fala, ele desfaz o Sinal pela pena simbólica e senta - é bom que se diga que isso não é saudação.
Ocorre que em poucas e determinadas situações o Venerável pode, ao seu juízo, em casos excepcionais dispensar o Sinal para que o obreiro fale respeitosamente à vontade. Mas isso não é regra, é exceção.
Caso essa dispensa de Sinal seja realmente necessária e venha ocorrer, o usuário da palavra depois de à Ordem ter se dirigido à Loja protocolarmente e tiver recebido autorização do Venerável desfaz o Sinal na forma de costume e usa a palavra. Concluído o seu pronunciamento, imediatamente o protagonista volta à Ordem, desfaz o Sinal e, por fim, toma assento novamente. Volto a repetir: isso não é saudação.
A atitude de voltar à Ordem ao final do pronunciamento e antes de sentar é porque no início, antes de receber autorização para falar à vontade, o protagonista estava compondo o Sinal de Ordem. Note que ele só o desfez depois de autorizado para fazer em seguida o seu pronunciamento.
Nesse sentido, é por isso que o obreiro imediatamente antes de retomar seu assento, recupera o Sinal de Ordem e o desfaz na forma de costume.
É esse o procedimento correto para aquele que eventualmente recebeu autorização para falar à vontade.
Ratifico que os Veneráveis não devem tornar esse um ato corriqueiro, pois salvo se por comprovada necessidade, “ficar à vontade” é mais um atentado contra a ritualística do que uma medida prática e salutar.
No REAA\ quem fala em pé deve falar à Ordem, pois afora ser uma regra tradicional do Rito, ela serve também para que um obreiro, com o Sinal composto, abrevie o suficiente seu pronunciamento (provavelmente pelo desconforto que traz a posição corporal). Já estando ele “à vontade” o desconforto fica mesmo é para os ouvidos alheios que, em não raras vezes, têm que aguentar intermináveis palavreados providos de rançoso lirismo. Estar à Ordem também evita esses excessos.

T.F.A.

PEDRO JUK



OUT/2017

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

LUZ VERMELHA

Em 20/07/2017 o Respeitável Irmão Leonardo Lorenzo, Loja Saldanha Marinho II, nº 05, sem mencionar o nome do Rito, Grande Oriente do Paraná, (COMAB), Oriente de Santo Antonio da Platina, Estado do Paraná, formula a seguinte questão:

LUZ VERMELHA


Tivemos uma duvida em conversas, a respeito de uma luz vermelha que existe sobre a porta de entrada de nossos templos da COMAB aqui no norte do Paraná. Disseram que essa luz sempre tem de estar acesa, porém pesquisamos e nunca achamos nada que fale sobre ela ou seu significado. O Irmão tem conhecimento dela?

CONSIDERAÇÕES.

De fato não é possível encontrar nada sério a respeito, simplesmente porque essa é mais uma daquelas grosseiras invenções que se espalharam pelo fértil e imaginativo solo da Maçonaria.
Esse anacrônico costume que povoou a decoração de muitos templos maçônicos no passado, infelizmente ainda hoje, de vez em quando, ganha espaço nas nossas lides.
Quiseram os inventores dessa lâmpada de “iluminação avermelhada” nos templos justificar como fosse ela um símbolo da presença da Divindade no recinto, o que, por extensão, deveria ela permanecer “eternamente acesa”!!!
Ora, além de desmedido despropósito comparar a Divindade com uma “lâmpada vermelha acesa”, ao que parece é que realmente os seus inventores nunca aprenderam que nas Lojas que praticam o REAA\, assim como naqueles em que há a representação da Divindade existe apenas e tão somente o Delta Radiante que vai representado por um triângulo equilátero preenchido ou não com caracteres (variando conforme o rito) e cujo qual fica posicionado ao alto e centro do Retábulo do Oriente (parede imediatamente atrás do lugar do Venerável) entre o Sol e a Lua logo abaixo do dossel.
Outros artífices do absurdo ainda tentaram justificar essa bobagem mencionando que a “luz vermelha”, depois trazida para dentro do templo, era reminiscência de um artifício para chamar a atenção dos maçons no sentido de indicar que ali era um lugar de reunião maçônica.
Na verdade, além de não fazer sentido, esse nada mais foi do que outro disparate, já que em nome do sigilo, nunca foi à intenção da Maçonaria chamar atenção para os seus locais de reunião (muito menos dentro da Loja), além do que os maçons sempre souberam por métodos próprios a encontrar as suas oficinas de trabalho. Aliás, uma luz vermelha poderia mesmo era chamar a atenção para outra coisa...
Assim, essa “luz vermelha” retrógrada, que alguns queriam compará-la com um símbolo da Divindade, ou mesmo chamar atenção para um local de trabalho maçônico, nos parece mesmo é com algo que até identifica um lugar, mas que eu, respeitosamente aos meus leitores, prefiro nem comentar.
Concluindo, essa é mais uma daquelas carcaças de dinossauro que vez por outra ainda aparece na nossa Sublime Instituição. Como diz o caso, matar o bicho é fácil, difícil é consumir seus restos mortais. Essa lâmpada avermelhada genuinamente não existe.


T.F.A.

PEDRO JUK



OUT/2017

PRIORIDADE NA CARIDADE FRATERNAL

Em 22/07/2017 o Respeitável Irmão Enéias de Assis Rosa Ferreira, Loja Amor e Concórdia nº 5, REAA, Grande Oriente Paulista (COMAB), Oriente de Jundiaí, Estado de São Paulo, formula a seguinte questão:

PRIORIDADE NA CARIDADE FRATERNAL


Mais uma vez recorro aos seus ensinamentos. Fui iniciado na ARLS Cruzeiro do Sul, Oriente de Brasília – DF, em dez de 1979. Recebi, dentre outros, exemplar cuja capa segue no anexo. Um dos tópicos trata das antigas leis fundamentais e nele está item relativo à conduta do maçom e por fim, na página 30, conceitua-se a importância da caridade fraternal, como “…pedra fundamental, a chave, o cimento e a glória de nossa antiga Confraria….”. Parece-me que nos primórdios (guildas etc.) a associação então empírica v
icejava na direção de autoproteção dos Irmãos e respectivas famílias diante de infortúnios (invalidez, óbito, desemprego, etc.). Com propriedade James Anderson cunha o conceito supra de Caridade Fraternal. Acredito que tenha sido até agora um pilar fundamental da Ordem. Constam dos rituais das Obediências que em igualdade de situação, opta-se pelo Irmão em face do profano.
Ocorre que por vários motivos (exposição pública, vaidade, orgulho ou o que for) muitas Lojas têm-se transformado em verdadeiras ONG’s de benemerência, priorizando terceiros sobre situações de Irmãos que demandam auxílio, em especial os mais velhos, aposentados e dependendo dos exíguos proventos.
Consulto-lhe:
1 – procederia minha interpretação de que a prioridade de concessão de benemerência seria ao Irmão necessitado (evidentemente após o devido estudo da situação, pelo Hospitaleiro e outros oficiais, em seguida o assunto proposto em Loja), pois se assim não fosse, apresenta-se claro e inequívoco desvirtuamento de um dos Princípios Fundamentais da Ordem, arranhando sobremodo a fraternidade?
2 – se possível informar-me onde posso obter o texto completo dessas Antigas Leis Fundamentais, seus Regulamentos e Constituições de Anderson, de procedência confiável e no idioma português.

CONSIDERAÇÕES:

Caridade desinteressada é indubitavelmente um dos principais esteios (alicerce) da Sublime Instituição. De atitude prática e objetiva historicamente ela é de fato na Maçonaria oriunda das antigas corporações de ofício medievais que tinham como objetivo, também se preocupar com o bem estar dos seus componentes e desenvolviam, por justa necessidade, ações de amparo e solidariedade que abrangia os filhos, esposas e viúvas do operariado (Box Club).
Seguindo o curso da história e com o advento da Moderna Maçonaria com a prática especulativa do ofício, a caridade virtuosa continuou a ser um dos principais artifícios da construção social, sobretudo primeiro aplicado entre os seus confrades, até porque para a construção sólida de uma sociedade melhor, o exemplo deve partir da própria casa. De fato, constitui ordem nas coisas.
Assim, é evidente que a prática da caridade deve vir acompanhada da justiça. Em Maçonaria a regra se aplica sempre em igualdade de condições e nunca em interesses.
Na ordem natural das coisas, em Maçonaria a caridade sigilosa começa por nunca se deixar um Irmão desamparado, embora ainda muitas Lojas não tenham se dado conta disso, deixando essa obrigação em segundo plano, elegendo prioridades como campanhas de benemerência e outros aspectos correlatos, mas além Loja.
Caridade maçônica verdadeiramente se aprende por primeiro entre os Irmãos e no seio da Loja, pois só assim é que essa virtude poderá ganhar sustentação suficiente para ser praticada fora dos umbrais dos nossos Templos.
Obviamente que a solidariedade maçônica se aplica aos que, sofrendo os revezes da vida têm uma justa necessidade. Não se está aqui elegendo indiscriminadamente prioridades de ajuda, mas a aplicação do bom-senso sem que nunca antes se tenha deixado de fazer a lição de casa.
Há que se analisar também que é a Loja que ensina o maçom a progredir na sociedade. É ela que ensina a disciplina da caridade, esperando que cada um dos seus membros sejam operários construtores de um edifício social justo, solidário e humano.
Não é propriamente a Maçonaria que é uma instituição filantrópica como querem algumas definições latinas e que são meramente transcritas nas constituições maçônicas. Há então que se compreender que beneficência é um dos ofícios do maçom que a aprende ao ser forjado na Loja. A virtude da caridade é uma virtude exigida do maçom pela Maçonaria, nunca na ordem subvertida.
Ratifica-se que a caridade maçônica, com justiça e sem limites começa no seio dada Loja. É daí que se aprende em Maçonaria que a caridade é a composição de amor ao próximo, bondade e benevolência. Ela é uma das virtudes exigidas de qualquer maçom e é consubstanciada simbolicamente no Tronco de Beneficência, ou Solidariedade, ou ainda outro tipo de coleta (no caso de ritos que não possuem o Tronco) destinado ao socorro aos necessitados, dos quais os próprios Irmãos. Também é obvio que a caridade não fica restrita ao produto do Tronco, mas a uma série de outras ações e procedimentos que envolvem a beneficência.
Cabe compreender também que a caridade maçônica não é apenas aquela destinada a satisfazer as necessidades físicas e materiais, mais também aquela que traz conforto moral e espiritual.
Assim, diante do que eu expus até aqui, sou solidário com o que comunga o Irmão apresentante da questão nº 1 acima, sobretudo quando ele menciona dar prioridade de concessão de benemerência aos Irmãos que porventura sejam possuidores de comprovada e justa necessidade, para só em seguida promover outras obras de caridade que por acaso possam se apresentar.
Quanto à súplica apresentada na questão nº 2, no que diz respeito aos textos traduzidos para a língua portuguesa das Antigas Obrigações, eu temo que isso não seja muito recomendável, senão uma consulta nos textos originais dos diversos manuscritos catalogados pela Quatuor Coronati Lodge, 2076 de Londres e outros elementos de pesquisa nesse sentido que podem ser examinados pela Internet.
No Brasil eu recomendo a excelente obra do Irmão Ricardo S. R. do Nascimento, denominado Manuscrito Régius, publicado pelo Grande Oriente do Brasil em 1999. Essa obra trás a tradução confiável do Poema Régius datado de 1390. Nesse livro o Irmão também encontrará extensa bibliografia para consulta sobre outras Old Charges.
No que diz respeito às Constituições de Anderson eu não sei se seria bem o caso, até porque muitas Obediências, como o GOB, que já não mais as têm como instrumento jurídico, até porque a grande maioria dos seus Landmarks classificados não assume o caráter autêntico de serem eles imemoriais, espontâneos e universalmente aceitos. Ademais, Antigas Obrigações não podem ser confundidas com Landmarks. Se lhe aprouver pesquisar Landmarks eu recomendaria, por exemplo, as classificações de Pound e de Findel, dentre outros.


T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2017